O Visitante da Noite

Na calada da noite ruídos estranhos, e misteriosos sons pressagiam sua macabra visita.

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1. O Visitante da Noite

     Teve a impressão de ouvir passos, sim, passos do lado de fora no quintal. Não era incomum acordar no meio da noite com barulhos no quintal, ou mesmo no telhado da casa, normalmente gatos vez ou outra criavam algazarra, mas dessa vez havia sido diferente, teria ouvido passos próximos a janela de seu quarto. A janela era de alumínio, completamente fechada a não ser pelas pequeninas aberturas existentes para o ar passar, se quisesse ver algo do lado de fora Julia precisaria abri-la. Achou melhor não mexer na janela, a casa de três cômodos tinha um grande vitro na sala coberto por uma cortina branca, e um vitro médio na cozinha, preferiu levantar sem fazer barulho e ir até a sala onde pelo vitro poderia espiar. Julia caminhou na ponta dos pés, resmungando baixinho arrependida por ter alugado uma casa tão longe da casa dos pais, se fosse um ladrão em seu quintal não haveria para quem pedir ajuda, muros altos separavam sua casa das demais, celular descarregado, ainda sem telefone ou internet por ter se mudado a duas semanas, o coração da moça estava a bater um pouco mais forte no peito. Atravessou a sala passando pelo sofá, trombando no mesmo, a escuridão era quase que total a não ser pela fraca luz da lua que transpassava a cortina branca, quase diante ao vitro ela parou um momento e ouviu atentamente, estaria ouvindo leves pancadas no vidro? Deu mais um passo a frente, parou, ouviu, 'toc-toc-toc', algo batia no vidro. Julia sentiu seu corpo inteiro arrepiar, a garganta começava a ficar seca, mas ela não deixou-se paralisar pelo medo, esperou as batidas cessarem, então caminhou em diagonal indo para o canto esquerdo do vitro, estendeu a mão, e mesmo tremula puxou apenas uma parte do cantinho lateral da cortina, e olhou... não havia nada no quintal até onde seus olhos conseguiam ver. A luz da lua refletia sobre os vidros de seu carro, nada próximo a ele, nada nos muros, nada no portão, retornou o olhar ao muros, ao carro... atrás do carro, uma silhueta em pé estava virada em sua direção, Julia sentiu o gosto amargo de ferro na boca, não sabia que medo tinha gosto até aquele momento. Nem por um segundo conseguiu piscar, a visão era nítida mesmo sob a fraca luz do luar, estava atrás de seu carro, de pé, conseguia enxergar um borrão no lugar do rosto acima do teto do carro, e o tronco era visível através dos vidros do automóvel. Julia estava ofegante, o coração ja disparado parecia que nunca mais voltaria a bater normalmente. Continuou a encarar a figura, até o momento em que olhos amarelos se revelaram, redondos, grandes, observando-a. A cabeça da figura negra foi de um ombro ao outro bem lentamente, então o ser se abaixou subitamente. A moça agachou abaixo do vitro, junto ao fim da cortina, lagrimas de choro sufocado desciam-lhe pelo rosto, ela não se moveu, apenas pensava para onde a 'coisa' poderia ter ido, se tentaria entrar na casa, se teria ido embora. Ficou ali quieta, desejando que 'aquilo' ja estivesse longe, chorou assustada por mais de uma hora, então adormeceu. No dia seguinte acordou bem cedo de súbito, levantou-se do chão, se arrumou, saiu da casa para o quintal em direção ao carro, iria para o trabalho. Tentou não pensar no ocorrido. Abriu a porta do carro, sentou no banco do motorista, olhou para frente, então se deparou com algo que a fez tremer... no para-brisa do carro escrito no vidro embaçado estava a mensagem "Apenas uma visita... Mas as vezes venho para ficar". Ao terminar de ler horrorizada, Julia olhou de relance para o vitro da sala de sua casa... pensou ter visto algo mover a cortina.

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