A Queda da Coroa

Em uma monarquia, o poder imposto por seu pai não lhe agrada e não agrada a ninguém, dado a isso a princesa Evelise Hildegart, uma mulher forte, aventureira e independente luta ao lado dos injustiçados sem interesses próprios para tirar o seu pai do trono e exercer uma sociedade sem desigualdade.

0Likes
0Comentários
60Views
AA

3. Qual o seu nome?

•Londres – 26 de novembro. 

 

    Enquanto eu olhava para o teto do meu quarto deitada sobre aquele travesseiro extremamente macio, minhas mãos apertavam o enorme cobertor que vinha sobre a metade do meu corpo, e um pequeno vento frio entrava pela fresta da porta desimpedido. O quarto estava totalmente vazio e silencioso, o único barulho lá dentro era o do meu suspiro enquanto eu estava relembrando, relembrando tudo que havia acontecido ontem depois daquela bagunça traumatizante.

 

•Dia anterior

Angelo tentava colocar o corpo falecido de seu filho em seu ombro forte, mas ele estava sem forças, a dor que sentia dentro de seu coração o deixara fraco fisicamente, pois todas as vezes que ele tentava se levantar ia ao chão de novo, fazendo sempre derramar uma lágrima de ódio de si mesmo. Donatella havia se perdido em seu olhar triste, a garota simplesmente saiu andando sem rumo por aquela rua escura e vazia com o pai lhe chamando de volta, mas ela o ignorou e continuou caminhando, dizendo apenas uma frase: Vou voltar e cuidar do bar.

  Por minutos ele tentou e tentou, não aceitando por ajuda alheia, querendo fazer aquilo sozinho, até que um guarda saiu de seu posto e começou a observa-lo com um rosto risonho. Ele encarava o homem se esforçando de forma debochada e malvada, até que finalmente fez um comentário.

-O famoso peso morto, hein?

-Já chega! -Digo saindo de forma determinada em direção ao soldado e direcionando o meu braço até seu rosto, que antes mesmo que eu encostasse se revidou contra mim.

A dor e a ardência vieram imediatamente, o forte tapa que o homem dera em meu rosto com a sua mão forte e pesada me fez cair sobre o chão feito bosta. Ele saiu com um enorme sorriso de orgulho no rosto, e a humilhação que eu senti naquele momento era dolorosa. O gosto de sangue em minha boca ficou evidente, e o inchaço logo começou a aparecer enquanto eu continuava deitada sobre o chão gelado.

-Me ajuda-Disse Angelo com a voz fraca e desesperada.

-Tá...-Digo me levantando e ajudando o homem a levar o filho para a sua casa.

 

 

 

•Agora

 

  Ao me levantar da cama quase nua o frio bateu em meu corpo brutalmente de forma que eu me arrepiasse por inteira. Eu andei até o banheiro pisando naquela madeira que ia rugindo a cada passo que eu dava parei em frente ao espelho. A claridade entrava pela grande janela em frente a banheira no canto enquanto eu balançava as minhas pernas ansiosamente olhando o reflexo do meu rosto e observando cada específico detalhe dele. Os meus olhos castanhos escuros acompanharam a claridade enquanto os meus lábios inchados com um pequeno corte se destacavam de todo o resto.

-EVELISE! -Gritou Eloá da porta do banheiro me fazendo levar um grande susto.

-FILHA D—QUE SUSTO, NÃO SABE BATER?

-Estão lhe aguardando para o café, Russel está aqui de novo.

-Argh, esse cara de novo? -Perguntei com tom impaciente e debochado.

-Onde conseguiu esse machucado? FORAM ELES? ELES TE MACHUCARAM? -Gritou ela extremamente zangada.

Andando apressada pelo quarto, Eloá esperava por minha resposta totalmente inquieta. Eu ia procurando por uma roupa adequada sem paciência comigo mesma e com a velha falando sem parar em minha cabeça.

-Foi um guarda cretino! Tá bom? -Revelei a ela.

-UM GUARDA? POR QUE? -Perguntou a senhora num tom assustado.

 

•Dia anterior

 

A roupa de Angelo estava repleta de sangue do seu filho, ele tirara seu colete de couro e lavara sua blusa branca que vinha por baixo esfregando com as suas mãos. Eu havia o acompanhado até a sua casa enquanto a sua filha tentava colocar todos para fora do bar e abaixar um pouco a poeira do conflito. Era um lugar em cima de seu bar e a decoração rústica e antiga realçava, tendo uma única e enorme janela como iluminação. A água avermelhada ia se escorrendo nas mãos do homem, o corpo definido chamava a minha atenção, então ele usara a blusa para começar a limpar os hematomas do cadáver com uma expressão de raiva e tristeza em seu rosto.

-Não precisa estar aqui -Disse ele com a sua voz clara e roca.

-Sei que não, mas a sua filha pediu para que eu ficasse aqui até que ela voltasse.

-Então você é subordinada? Perguntou o homem de forma grosseira.

-Não, eu me importo com a merda das pessoas, é diferente Angelo.

-Por quê se importaria? Você mal sabe quem sou, não se sinta obrigada a estar aqui, não foi você quem matou Oslo.

As palavras dele doera em meu peito de forma penetrante, eu ainda estava me sentindo culpada por uma parte disso tudo, pelo que meu pai tinha feito. Eu podia ter tentado evitar de alguma maneira, mas eu simplesmente ignorei e agora o filho de um bom homem foi ao fim.

-Para de ser um pé no meu saco! -Digo de forma impaciente e entregando ao homem um balde de água.

-Tem razão, me desculpa, eu só... Não aceitei isso ainda.

-Então aceite, faça seu luto e volte a sua vida normal, ficar se lamentando não vai ajudar em nada.

 

•Agora

 

   Ao explicar a Elô, a senhora não se conformou com o que havia acontecido e ficou se culpando por ter me ajudado a sair pela primeira vez. Sem paciência para procurar a minha roupa e com uma enorme ressaca eu saí do meu quarto em um ritmo rápido e fui para mesa de café. Ao chegar eu me sentei na cadeira e agi normalmente com um rosto de desânimo e ressaca.

-Vá colocar uma roupa Evelise-Disse a rainha Sophia de forma imperativa e calma.

-Eu não achei.

-Onde machucou a sua boca? -Perguntou meu pai curiosamente.

-Não importa.

-Está aqui! - Gritou Eloá em um tom baixo trazendo o vestido em sua mão.

-Depois eu visto.

-CHEGA! VOCÊ VAI VESTIR A PORRA DESSE VESTIDO AGORA E ME DIZER ONDE SE MACHUCOU! QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA ME ENVERGONHAR DESSA FORMA? -Gritou o rei batendo na mesa num tom extremamente enfurecido.

-SEI QUE SOU UMA BOSTA, MAS EU SEI QUE SOU MELHOR QUE VOCÊ -Revidei a ele me levantando da cadeira.

-ONDE VOCÊ MACHUCOU A MERDA DO SEU ROSTO? -Insistiu ele grosseiramente.

-Eu meti a merda da minha mão em minha boca enquanto dançava... Dançar bêbada é uma péssima ideia. -Expliquei impaciente esperando que ele acreditasse.

-Você voltou a praticar?

-Faz um tempo, mas você não sabe de nada que acontece na minha vida e não liga pra nada, então...-Reclamei me retirando da mesa e explodindo de raiva do que acabara de acontecer.

 

Após sair da mesa estressada eu batia meus pés no chão com raiva e me direcionava de volta ao meu quarto, mas antes mesmo de sair do cômodo o velho gritara dando o aviso de que iriam anunciar o meu casamento essa noite, me deixando com o peito repleto de raiva, mas eu podia controlar, eu apenas o ignorei e continuei andando. A luz entrava pelas janelas do corredor que eu ia caminhando quando inesperadamente sinto algo puxando meu braço para trás fazendo nossos rostos ficarem próximos o bastante para sentir a respiração um do outro e me fazendo perceber que se tratava de Henrique. O ar que ele suspirava batia em meu rosto enquanto suas mãos iam cada uma de um lado de meu rosto o segurando firme e espremendo as minhas bochechas.

-Agora não é um bom momento. -Digo me desencostando do rapaz.

-Então você vai se casar? -Perguntou ele com uma voz tristonha.

-Aparentemente eu não tenho escolha...Desviei o olhar.

-Tem sim! Vem comigo, vamos fugir daqui! Eu tenho uma casa distante, ninguém nos incomodaria lá-Insistiu Henrique pegando em minhas mãos.

-O que? Não! Não posso fazer isso!

-Por que não? Sei que não é só sexo Eve. -Falou o garoto de forma envolvente.

-SIM, É! -Sussurrei desesperadamente.

-Vamos comigo! Por favor.

-Segunda porta depois da cozinha, levanta o tapete, entra lá e me espera, caso eu não apareça até as dezenove horas, vá sem mim. -Sussurrei em seu ouvido.

-Mas Eve! -Tentou entender a situação.

-VÁ SEM MIM, VOCÊ PROMETE PARA MIM? -O perguntei olhando fixamente em seus olhos.

-Está certo. -Concordou ele dando um enorme sorriso e me abraçando. Me fazendo enxergar melhor que por trás de suas costas Russel nos observava.

 

•Dia anterior

 

Ainda naquela sala escura repleta de poeira, eu estava encostada sobre uma enorme parede de tijolos enquanto observava o homem vestindo o filho com um terno preto, que segundo Angelo era o favorito de Oslo. No silêncio perturbador Donatella chega ainda com a roupa suja de sangue com o olhar fixado no pai dizendo que tudo estava em ordem lá em baixo e que todos presentes concederam os pêsames. Ao que tudo indica o sujeito tem um instinto de liderança, quase todos na cidade o respeitavam e o conheciam, é exatamente o que precisamos, mas seria suficiente para faze-los lutarem ao seu lado?

-O que ela está fazendo aqui? -Perguntou a garota num tom curioso.

-Não foi você quem pediu para que ela viesse comigo?

-Não, eu nem sequer falei com ela...-Respondeu ela confusa.

 Angelo olhara de forma zangada para mim, fazendo me sentir ameaçada, ele se levantou calmamente e se dirigiu até uma mesinha no canto e abriu a gaveta, pegando uma enorme faca e vindo em minha direção com ela em sua mão. Ao chegar a poucos centímetros de mim se agachou novamente agarrando pela gola de minha blusa ficando a lâmina entre o meu rosto e o dele.

-Ui, que pegada. - Digo debochando o homem.

-Você tem quinze segundos para se explicar -Ordenou Angelo com aquela sua voz roca.

-Angel, calma? Ok? Eu só queria saber se você ia ficar bem.

-POR QUE? -Gritou ele de forma grosseira.

-Queremos a mesma coisa. -Digo olhando dentro de seus olhos.

-E o que queremos?

-Justiça. -Respondi seriamente.

-Quem é você? -Questionou o homem em um tom intimidador.

-Victoria.

Join MovellasFind out what all the buzz is about. Join now to start sharing your creativity and passion
Loading ...