A Queda da Coroa

Em uma monarquia, o poder imposto por seu pai não lhe agrada e não agrada a ninguém, dado a isso a princesa Evelise Hildegart, uma mulher forte, aventureira e independente luta ao lado dos injustiçados sem interesses próprios para tirar o seu pai do trono e exercer uma sociedade sem desigualdade.

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2. Eles irão pagar

•Londres (1968- 17 de agosto) Era dia e eu estava totalmente entediada dentro desses muros, sem ter o que fazer. O rei Donald ordenara que eu estudasse mais de seis horas por dia com a professora que ia até lá todos os dias. Tudo que eu queria era algo diferente, algo que não iria me esquecer, então eu bolei um plano...Vários planos. Na primeira tentativa pedi para que os vigias do portão me ajudassem com algo em meu quarto, chegando lá os tranquei no quarto e saí correndo com um enorme sorriso no rosto, mas antes que eu saísse outros homens me viram, chegando a tempo de impedir. A consequência disso foi o meu pai decretando que não podiam mais seguir as minhas ordens sem que o consultasse antes. Porém, isso não foi suficiente para me impedir de tentar de novo. Numa busca por desculpas eu os preparei uma deliciosa torta de maçã que Eloá havia me ensinado quando mais nova, mas propositalmente eu coloquei algo a mais os fazendo deixar o posto de guardas imediatamente, e novamente, eles me pagaram antes mesmo de sair. •Londres (1973- 25 de novembro, atualmente) Enquanto eu me trocava naquele cômodo vazio e escuro, eu ia tirando aquele vestido longo e apertado rapidamente só conseguindo pensar nas palavras de Russel e em sair dali. Eu enfiei a chave pela fechadura do meu quarto e a tranquei começando a andar naquele enorme corredor iluminado por luzes amarelas e vibrantes com as minhas mãos suadas e coração batendo mais rápido. Eloá me olhava com um rosto aflito e preocupado acompanhando os meus passos e ao abrir a enorme porta de madeira branca, dou com a maioria dos homens correndo em direção ao portão principal, sendo a primeira vez que eu não iria precisar de passar pelo meu caminho alternativo. Indo em direção a saída eu não suportei ir embora dali sem saber o que ia acontecer, então os segui sem que percebessem e espiei de trás de uma enorme pilastra. Naquela bagunça, eles formavam um enorme círculo e no meio dele havia apenas um homem, o meu pai gritava e ordenava com raiva em sua voz, gotículas de saliva saindo desimpedidas de sua boca, e num enorme ato de covardia, todos eles espancando um jovem rapaz e sem permissões para parar. Assistindo aquela cena tudo que eu queria era ir até lá e impedi-los de fazerem aquilo, mas o velho não me escutaria, assim como nunca escutou desde dos meus dezesseis anos quando tentei fugir daqui. Ao fugir facilmente despercebida pelo portão, a rua estava em uma escuridão, eu não conseguia descrever como me sentia naquele momento, para uma princesa eu sou uma pessoa absolutamente inútil, virar as costas para o que acabara de ver, é nitidamente um ato de covardia, mas não maior de quem eu compartilho a porra do meu sangue. As luzes fracas dos postes me clareavam levemente, eu ia andando e trombando com homens totalmente embriagados me encarando sem ao menos disfarçar. Na tentativa de andar naquela rua de pedras sem deixar com que a minha bota ficasse presa entre os espaços, a cada passo eu ia me aproximando mais e mais dum pequeno bar que havia na cidade, que se caracterizava como The Beer House. Ao entrar no lugar o cheiro de cerveja e madeira desgastada se destacava, no canto estava acontecendo um caraoquê e um homem tentava cantar ‘’Ain't no Mountain High Enough‘’ apontando para supostamente a sua amada na plateia. Eu fui em direção contrária, meus olhos se fixaram naquele banquinho de madeira em frente ao bar. O balcão esbanjava marcas de copos e drinques pela metade. Sentei-me então chamando pelo barman e pedindo o meu calmante. -O de sempre, Angel. -Uma tequila com gelo saindo para senhorita. -Disse o homem num tom brincalhão e me entregando a bebida. Ao colocar o copo na boca o gosto de álcool apareceu fortemente deixando os meus lábios congelados, e me dando uma extrema sensação de conforto. O ambiente estava cheio e enquanto eu apreciava a deliciosa tequila a garçonete passara do meu lado deixando o seu perfume agarrado em meu nariz. Ela levava dois drinques em sua mão para dois velhos homens no fundo do bar que secavam a mulher com os seus olhos pretenciosos. -Como foi o dia Eve? -Perguntou Angelo amigavelmente. -Ah, o sempre, sabe? -Não, eu não sei... -Nada que seja importante -Respondi em um tom impaciente. O homem olhara de forma penetrante quando um grupo de pessoas abriram a porta brutalmente vindo direto em direção ao bar e dizendo de forma desesperada e triste. -Pegaram o Oslo- Disseram eles. -Como? Quando? ONDE? -Gritou ele num tom extremamente apavorado. -Ele já era cara, sinto muito. O homem ao receber a notícia ficou fora de si, enfureceu o rosto e pulou o balcão destinado a fazer algo sem pensar, ele saiu daquele bar com a veia de sua testa visivelmente aparecendo, e com as mãos fortemente preparadas para enfrentar uma briga. Todos os seguiram tentando impedi-lo e eu me sentindo plenamente culpada descontando toda a minha raiva enfiando o resto daquela bebida por garganta a baixo. Com os dois braços sobre o balcão apoiando a cabeça a garçonete veio em minha direção perguntando o que havia acontecido, sem mesmo terminar a história o olho da garota encheu-se de lágrimas e ela saiu pela porta procurando por Angelo. Todos no bar ficaram curiosos e preocupados com o ocorrido, fazendo o lugar ficar extremamente estrondoso e dificultando tudo o que eu tentava pensar e esquecer nesse tempo. -Muitos focados na fofoca, mas eu só consigo focar nesses seus peitos. -Disse um homem embriagado. -Sai. -Ordenei grosseiramente. -O que uma moça tão linda está fazendo sozinha? -Com certeza não esperando por caras escrotos como você. - Digo me levantando e ignorando o idiota. Ao sair pela porta o frio esmurrou em minha cara, fazendo os meus lábios tremerem e os meus dedos congelarem. Inúmeras pessoas olhavam em direção ao palácio onde eu podia chamar de meu lar com uma expressão triste e atormentada no rosto. Eu ia chegando cada vez mais perto, mas sem coragem para encarar a situação. Ao parar no meio do tumulto, todos comentavam, inúmeras vozes entravam no meu ouvido e agarram em minha cabeça, escutando aquilo que eu não queria, me fazendo ter uma explosão de sentimentos, e nenhum deles era bom. -Não acredito que mataram o filho do Angelo, aqueles desgraçados! -Falou uma senhora em um tom zangado. -Todos eles trabalham duro naquele maldito bar! -Coitado dele, e dela. A pouco tempo sorridente servido bebidas a todos e agora totalmente arrasada pelo irmão. -CHEGA! PAREM! POR FAVOR! Lágrimas escorriam de meu rosto tendo um ponto final em minha boca, as pessoas que ali se lamentavam logo começaram a sair, sobrando apenas a família Vásquez e eu, que estava parada em pé olhando para tudo menos o corpo do garoto jogado pelo chão. Dizendo pra mim mesma para respirar fundo, porém eu sabia que tinha que enfrentar e encarar o que meu pai acabara de fazer, eu estava ciente disso...Então aos poucos eu fui me aproximando e desejando forças para aqueles que acabara de sofrer uma perda. -Ele era um bom menino, ELE ERA UM BOM MENINO! -Gritou Angelo ferozmente. -PAI! PARA! POR FAVOR! -Pediu a garota abraçando o pai com as mãos sujas de sangue. -Por que eles fizeram isso Donatella? -Eu não sei, eu não sei... -Eu vou matar todos esses demônios! O PAI, A MÃE, A FILHA! QUERO QUE TODOS ELES QUEIMEM NO INFERNO! -Berrou ele soltando espuma pela boca. -Eles vão ter o que merecem pai, eu sei que vão. -É, eles vão.-Digo seriamente me agachando ao lado da garota.

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