A Filha do Tempo e os Elementos Primordiais

Foi uma quarta-feira, lembro-me bem disso. Afinal, quem não gravaria na memória o dia em que sua versão de uma realidade alternativa aparece na sua casa buscando abrigo?

Eu olhei para eu mesmo com quinze anos, vestindo uma armadura de couro sobre uma camiseta preta com os dizeres "CTPE - Treinando os salvadores de amanhã", e a julgar pela espada que ele carregava, não deveria ser uma iniciativa dos bombeiros.

A história que narrarei aconteceu em outra Terra, mas segundo meu "eu mais jovem", poderia chegar aqui, em nosso mundo, caso ele e seus amigos não conseguissem derrotar o exército de anti-deuses conhecidos como azuras, ou algo assim, que queriam trazer de volta do exílio o Lorde do Caos, Isfet, e seu filho N'Guói (ou lagosta, não sei bem qual era o certo).

Alternando as versões dele (eu mesmo de outra realidade), a da Pri e a da Deb (também da outra versão da Terra, que aqui são minha família), você conhecerá o incrível mundo (ou dimensão, não saquei bem ainda) de Etherion, e toda a gama de complicações que ele trouxe àquela Terra, que podemos definir em uma única palavra: deuses.

Bem vindo às Crônicas de Etherion.

# Uma nova visão da Mitologia Grega

# Os deuses sob uma nova perspectiva

# 2º lugar na categoria "Fantasia" da 2ª Edição do "Projeto Leitura Voraz 2017" do Wattpad - https://my.w.tt/QIE3gAjLML

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10. Vigiado

Rod

Acordei automaticamente às cinco da manhã. Esse era meu horário de levantar todos os dias, mas, especialmente hoje, demorei mais para levantar.

O dia anterior foi cheio de emoções conflitantes, que tiraram boa parte do meu sono. Mas, como diz o sábio Seu Rafa (meu querido pai), "de descansar morrer o burro", ou qualquer outra coisa parecida.

Me levantei e fui pro banheiro, tomei uma ducha rápida e me arrumei para mais um dia. Cheguei na cozinha uns quinze minutos mais tarde e tomei meu café da manhã. Cara, como é bom comer sucrilhos com leite gelado. Os deuses devem comer isso, é simplesmente divino.

Enquanto comia, repassei os fatos do dia anterior. A "presença" de Bia que ficou mais forte, a presença de Deb que se expandiu em segundos e, depois, aquela terceira presença que senti. Fui correndo naquela direção, mas quando cheguei lá, tudo tinha acabado. Deb estava no chão, perto dos restos da Bia, carbonizados. O Sr. João estava lá, e sabia que eu era um semideus. A Angélica também, e os dois eram guerreiros deuses da classe mago.

Para não me alongar e não te deixar viajando, um guerreiro deus é alguém que herda um dos legados dos antigos guerreiros de  Etherion - dimensão mística onde vivem deuses, anjos e bichos papões. Seja deus, humano, elfo... não importa a raça, se herdou um legado, você é um guerreiro deus.

Cada legado representava uma classe, então, um guerreiro deus da classe mago, como o Sr. João e a enfermeira Angélica tinham o legado da magia.

Tem um artigo que explica isso melhor. Se quiser ler o link é esse: https://goo.gl/QFTxFm

Foi complicado ver que eles tinham trabalhado a mente da galera da escola para que todos achassem que a Deb tinha batido a cabeça na sala ao cair. Mas, segundo eles, era a melhor maneira de proteger a Deb de futuros ataques.

Terminei o café, escovei os dentes e sai, com minha mochila nas costas. Enquanto andava em direção ao ponto de ônibus, fiquei lembrando os momentos que fiquei com a Deb. O beijo, o pedido de namoro... Cara, como sonhei com isso.

Eu poderia ser o garoto mais feliz do mundo, se não fosse pelo incômodo que eu sentia. Parecia que estavam me observando desde ontem a noite, na casa da Deb. É claro que devido aos meus... "cursos extracurriculares", isso acontecia com frequência, mas agora era diferente. Era quase imperceptível, como se a pessoa (ou pessoas) estivessem ocultando suas presenças.

Para evitar que a Deb e a Pri me vissem, já que vamos juntos pra escola de ônibus, escolhi uma rota alternativa para a escola. Tinha andado uns dois quarteirões quando as duas figuras se mostraram.

Parei de imediato, olhando para elas. Ambas as pessoas estavam com capas e capuz cobrindo o corpo e o rosto. Porem, eu conhecia os dois. Infelizmente.

Lembranças invadiram a minha mente. O jogo de basquete do ano passado, a discussão que tive com minha tia, o ataque daquela família de ogros, que no final, só queriam alimentar os filhos famintos. Lembro-me de discordarmos sobre alimentar ou matar os ogros, eu defendendo a primeira ideia e minha tia a segunda.

Eu nada falei, esperando que se manifestassem, já que eram eles quem me interceptaram. Não demoraram muito para quebrarem o gelo.

- Não vai nos cumprimentar? - Perguntou a garota. Eu não via, mas sabia que ela estava sorrindo.

- Vocês estão me vigiando. E são vocês que querem conversar, o que eu dispensaria se pudesse. Então, falem logo porque preciso ir embora.

A garota suspirou. Já estava acostumada com meu desprezo por eles. O companheiro dela se manteve calado, o que foi melhor para todos. Nós definitivamente não nos dávamos bem.

- Sim, sim - disse ela. - Estamos de olho em você. Bem, na verdade estamos de olho nas suas amiguinhas.

Estreitei meus olhos e apertei os punhos com força.

- Não se atrevam a fazer nada com elas. Vocês não têm esse direito.

A garota riu com desdém.

- Você está se achando muito, não? Acho que se esqueceu de quem somos e o que podemos fazer.

- Não me interessa. Agora andem logo.

Então ela tirou o capuz. Como sempre, seus lindos olhos azuis e seus cabelos loiros deixariam qualquer cara babando. Porém, eu a conhecia o suficiente, o que para mim já era mais do que eu queria conhecer. E pelo seu olhar, sabia que tinha passado dos limites.

- Você sempre foi o meu preferido, mortal idiota. Por isso não te destruí ainda. Até agora.

Com um sorriso mais do que amarelo, fiz uma reverência.

- Querida tia, está ainda mais encantadora do que na última vez em que nos encontramos. Os ares do Rio de Janeiro fizeram maravilhas com sua pele.

Quando ela fez menção de vir ao meu encontro, o cara colocou a mão no seu ombro. Ela parou na hora.

- Basta. Pare com isso irmã, não temos tempo.

Ela parou visivelmente contrariada. Ela nunca o desobedecia.

- E quanto a você - ele me disse -, saiba que, querendo ou não, nos aproximaremos dela.

Pela primeira vez deixei de lado minha raiva por minha família. Eu precisava ficar calmo. Por mais que eu tentasse, não conseguia entender porque eles estariam tão interessados na Deb. E eles tinham que estar muito interessados nela para interferir deste jeito.

- Por quê? O que vocês querem com ela?

- Isso não lhe diz respeito - respondeu ele. - Você só precisa saber que ela não é o que você esta pensando. Ela não é uma de vocês. E outros sabem disso. Não descansarão até colocarem as mãos nela.

- Não vou permitir isso. Quem esta atrás dela?

- Forças alem de sua compreensão, garoto mortal estúpido - disse a garota. - Deixaremos você em paz, se deixar que cuidemos disso. Nós somos os únicos que podemos proteger a prin... A menina, dos poderes que querem destruí-la.

- Não - eu disse de imediato. - Não me venham com essa conversa fiada. Não levarão ela embora pra satisfazer seus caprichos. Eu a protegerei de qualquer um. Até de vocês, se for preciso.

Eu sabia que estava passando muito além do meu limite. Ninguém se opunha a eles sem sofrer graves consequências. Minha família tinha fama de ser esquentadinha, e quando ficavam nervosos, descontavam sua raiva incinerando pessoas. Exemplo de família, não?

Minha gema estava quente, reagindo ao meu estado emocional. Eu estava pronto para encarar o que viesse, mas eles se olharam em vez de me atacar. Parecia que estavam tendo uma de suas conversas silenciosas. Eu já tinha presenciado uma, quando nos encontramos no Rio de Janeiro ano passado. Naquela época, creio que foi o que salvou minha vida. Enfim, depois de um tempo, eles se viraram pra mim.

- Daremos um jeito de estarmos ao lado dessa garota - disse ele. - Você queira ou não. As forças que estão em ação para destruí-la superam em muito o seu poder. Entre em contato com o centro e chame reforços. Você vai precisar de todos os guerreiros deuses que puder convocar. Chame aquele seu time, aquele Ham Kami Sentai Ômega. Eles são talentosos em replicar os poderes dos deuses.

Pisquei sem acreditar. Não me atacaram...

- Mas saiba - ela disse -, não aceitarei mais nenhuma insolência sua - ela virou um pouco a cabeça, como se o resto da frase fosse mais para ele do que para mim -, mesmo que eu tenha que enfrentar todo um exército, se me desafiar novamente, você morre.

Dizendo isto, ela se virou e dobrou a esquina.

O garoto puxou o capuz para trás e passou as mãos pelo rosto, visivelmente cansado. Seus olhos azuis teriam olheiras, se ele não fosse quem era.

- É a segunda vez que você desafia minha irmã. Não haverá a terceira, fique ciente disso. Se houver, não me colocarei no caminho dela, e você será destruído.

- Faça o que tem que fazer, não me importa. Só não esperem cooperação de minha parte. Protegerei Deb e Pri com minha própria força. Não preciso de nada vindo de vocês.

Ele me olhou por um tempo, depois observou a esquina vazia por onde sua irmã tinha ido alguns minutos atrás. Então, se despedir, deu-me as costas e foi embora, seguindo-a.

Esperei uns bons minutos antes de voltar a andar, mesmo sabendo que não os encontraria nem se saísse correndo atrás deles logo em seguida. Enquanto andava na direção da escola, peguei meu celular e liguei para a única pessoa que poderia me ajudar naquela hora.

- Alô, Ellos? E ae, cara, é o Rod.

- Meu, sério mesmo? Depois do que, seis meses?

- Hum... Não, acho que faz quase um ano.

- Tá, tá... E ae, o que manda?

- Então cara, vou precisar de você aqui.

- Você está mesmo pedindo minha ajuda? Você é bem cara de pau, hein...

Respirei fundo. Ellos era gente boa, mas um tanto dramático.

- Sim, o negócio pegou por aqui. Tem duas semideusas na minha sala.

- Caraca, man... Duas na mesma sala?

- Pior que é, e ainda por cima são irmãs. São gente boa, mas não sabem o que são ainda. Uma delas foi atacada por uma equidinia.

- Tu tá de brincadeira...

- Não, não estou. Conto os detalhes quando você chegar. Estarei na mesma praça onde nos encontramos.

- Fechado então!

- Ah, e traz a Bela.

- Cara, tu tens certeza? Ela meio que te odeia, não sei se tá sabendo...

- Sim, tenho certeza. Ou quase isso. Traga ela, ok? Convença-a, faça qualquer coisa. E deixa os meninos avisados, o Will, o Wallace e a May.

- Belê, vou ver  que posso fazer. Falou.

- Falou, até mais.

Primeiro um monstro ataca a Deb. Depois, dois dos mais poderosos guerreiros deuses que conheço a protegem e querem cuidar dela. Seja o que estiver acontecendo, em uma coisa eles estão certos: a Deb não é como nós, ela deve ter uma importância muito grande para certas pessoas, que preciso descobrir quem são.

Mas, se ela não é como nós, uma semideusa, o que ela pode ser?

-- # --

Agora o bicho pegou...

Você já tem ideia de quem podem ser esses dois estranhos? A garota e o Rod com certeza não passam na mesma esquina juntos...

O que você está achando?

 

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