A Filha do Tempo e os Elementos Primordiais

Foi uma quarta-feira, lembro-me bem disso. Afinal, quem não gravaria na memória o dia em que sua versão de uma realidade alternativa aparece na sua casa buscando abrigo?

Eu olhei para eu mesmo com quinze anos, vestindo uma armadura de couro sobre uma camiseta preta com os dizeres "CTPE - Treinando os salvadores de amanhã", e a julgar pela espada que ele carregava, não deveria ser uma iniciativa dos bombeiros.

A história que narrarei aconteceu em outra Terra, mas segundo meu "eu mais jovem", poderia chegar aqui, em nosso mundo, caso ele e seus amigos não conseguissem derrotar o exército de anti-deuses conhecidos como azuras, ou algo assim, que queriam trazer de volta do exílio o Lorde do Caos, Isfet, e seu filho N'Guói (ou lagosta, não sei bem qual era o certo).

Alternando as versões dele (eu mesmo de outra realidade), a da Pri e a da Deb (também da outra versão da Terra, que aqui são minha família), você conhecerá o incrível mundo (ou dimensão, não saquei bem ainda) de Etherion, e toda a gama de complicações que ele trouxe àquela Terra, que podemos definir em uma única palavra: deuses.

Bem vindo às Crônicas de Etherion.

# Uma nova visão da Mitologia Grega

# Os deuses sob uma nova perspectiva

# 2º lugar na categoria "Fantasia" da 2ª Edição do "Projeto Leitura Voraz 2017" do Wattpad - https://my.w.tt/QIE3gAjLML

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2. Prólogo

1000 anos atrás

O caos se apoderou das ruas de Isikhathi. 12 dos 24 Mestres do Tempo, generais do reino de Isikhathi, se aliaram a um dos conselheiros do reino , Chronos, pai do rei Acronai.

Naquela manhã irmão se virou contra irmão, e pai levantou armas contra filho. Espadas e escudos se chocavam; feitiços eram pronunciados, criando construtos místicos que se enfrentavam; feras e bestas se lançavam umas contras as outras; mestres da mente dominavam as ações de seus inimigos, antes camaradas.

Isikhathi entrou em guerra civil.

Os 12 generais leais ao rei e à família real se reuniram em frente do palácio. As 8 torres da capital do reino, guardadas pelos Grandes Mestres, seriam o caminho mais lógico (e o único possível) para se chegar ao trono, por isso Rhamaro, o guardião celestial e general líder dos Mestres do Tempo, dividiu seus amigos em duplas, enviando-os para ajudar os Grandes Mestres na antepenúltima linha de defesa.

Zenos, o guerreiro deus mais poderoso entre os guerreiros elementares, se postou ao lado dele junto com os dois generais restantes.

- Esse será um caminho sem volta, celeste - disse Zenos. - Uma legião de asuras foi avistada ao norte. Eles ultrapassaram o Portão Norte sem nenhuma resistência e marcham para a capital.

- Além disso, Prometeus e os titãs avançam pelo Portão Sul - completou Kairós, irmão do rei e senhor de Icon, cidade-irmã de Isikhathi que tinha caído algumas horas antes. - Ali não passarão facilmente, pois os Filhos da Floresta lhes resistem bravamente.

Rhamaro analisava os combates que via em toda a cidade da posição estratégica em que se encontravam. Pensou por alguns momentos nas informações recebidas, tentando formular maneiras de preservar o reino com o mínimo de baixas possíveis. Alguém então tocou seu ombro.

Olhando, encontrou dois olhos de um Rosa bem claro fitando-o de volta. Havia uma preocupação genuína neles, além de uma determinação de ferro.

- Zoar.

- Meu senhor - disse a mais poderosa entre os wargs de Isikhathi -, sinto que há algo que deixamos escapar.

Rhamaro inclinou a cabeça para o lado enquanto ponderava as palavras da guerreira.

- O que a faz pensar assim?

Ela olhou para o norte.

- Asuras e titãs aliados a um Mestre do Tempo para tomar Isikhathi, um reino neutro? Creio que a real motivação dessa guerra não é o trono, e sim algo mais valioso. Senão, porque tantos povos para garantir que Chronos suba ao poder?

Rhamaro nada disse, mas vinha pensando exatamente nisso. Em sua última conversa com o Rei expressou essa preocupação. O rei garantiu que estava tomando todas as medidas possíveis para que o reino continuasse mesmo se ele caísse. Ele só não sabia o que era.

Então, para quebrar toda e qualquer atividade daquela guerra, o tecido da realidade se rompeu bem acima deles. Um vórtice se abriu nos céus, e de lá saíram cinco mensageiros da morte. Uma aura de imenso poder, familiar a Rhamaro de um embate do passado, quando naquela terra todos eram seus inimigos.

- Não é possível, são os Asura Prime - disse Kairós.

Os cinco assassinos mais cruéis de Etherion, segundo relatos, se lançaram pelo vórtice trazendo com eles centenas de Lestrigões, quimeras, ogros e soldados asura. Todos saltaram do vórtice bradando os armas prontas para a batalha.

- Convoque o esquadrão aéreo - gritou Kairós.

Zoar levou os dedos à boca e assobiou bem alto. Logo a resposta veio: dragões, grifos, unipegasos, pássaros-fênix e águias gigantes, todos levando cavaleiros em seus lombos, surgiram de toda a cidade para atacar os inimigos.

- Por Isikhathi! Pelo rei Acronai - gritavam as legiões do reino do tempo.

- Por Davaasura! - Foi a resposta dos inimigos.

Os Grandes Mestres e Mestres do Tempo que estavam nas torra se lançaram aos céus e aos telhados para ajudar na batalha. Quando os quatro generais que guardavam o palácio iam se juntar a eles, um mensageiro chegou.

- Lordes e lady, o rei os convoca para a sala do trono.

- Agora, no meio da batalha? - Questionou Zenos.

- O rei sabe o que faz - disse Rhamaro inquieto, olhando para a luta que se iniciava. - Vou convocar os outros generais.

- Perdão meu lorde - disse o mensageiro. - Vossa majestade foi específico, apenas vocês quatro devem ir.

Rhamaro e os outros olharam a batalha. Por mais que lutassem com honra e determinação, os soldados de Isikhathi começavam a ser superados pelo número de inimigos que atravessava o vórtice.

Outra explosão abalou o tecido da realidade no norte da cidade, seguida de mais uma no sul. Com suas visões superiores graças ao nível de poder que possuíam, os generais puderam ver titãs, asuras e seus aliados atravessando, sendo recebidos pelo exército do reino.

- Seja o que for, vamos confiar no rei - disse Rhamaro.

- Então vamos - disse Zenos, apertando os punhos com tanta força que suas unhas perfuraram as mãos, derramando icor, o sangue dos etherianos no chão.

Enquanto corriam eles viram um dragão de duas cabeças alçando voo para o leste. Os Filhos de Zeus e uma das filhas de Acronai estavam no dragão. Atrás deles estavam três grifos com mais príncipes e princesas da casa real de Isikhathi.

Os asura prime ao verem a fuga deixaram a batalha e partiram em perseguição dos herdeiros do reino do tempo.

Os generais estranharam aquilo.

- Mas o que está acontecendo? - Perguntou Zoar.

Nesse momento uma incrível explosão sacudiu toda a cidade. Uma nuvem de escuridão havia tampado o sol e baixava sobre eles, que pararam tentando entender o que acontecia. Uma aura opressiva e maligna ecoava da nuvem, que crescia e começava a se expandir para fora dos limites da cidade.

Kairós suspirou.

- Rhamaro, use o contato mental e chame os generais aqui imediatamente.

Rhamaro, como um servo leal da casa real obedeceu o príncipe Kairós prontamente. E não apenas pela hierarquia; os dois eram companheiros de armas e amigos próximos a muitos séculos. Rhamaro confiava em Kairós como confiava no rei.

Assim que envio o chamado, os generais foram surgindo. Os primeiros a aparecerem foram os mais jovens: Croto, o híbrido de elfo negro e sátiro; e Vix, a ondina que, diferente das outras filhas das aguás também podia dominar o elemento fogo. Os outros chegaram e se posicionaram alertas, esperando as ordens mas atentos a qualquer investida inimiga.

- Meus companheiros - disse Kairós, com a voz e o semblante entristecidos -, chegou um momento que nós, da família real jamais desejávamos vivenciar. Segundo uma profecia muito antiga, a qual pouquíssimos etherianos têm acesso, Isikhathi precisa cair.

Os protestos começaram imediatamente, mas a autoridade de Kairós se fez valer quando ele apenas levantou a mão fazendo silêncio.

- Sabemos da devoção de vocês à esse reino, do compromisso e da fidelidade de cada um. Por isso, nada mais tenho a dizer, a não ser que amamos e valorizamos cada um de vocês.

E antes que os protestos recomeçassem, o príncipe regente da capital e Isikhathi proferiu um encantamento nunca ouvido por nenhum dos bravos generais.

Na verdade aquela era um pedaço da antiga profecia, chamada Edda Ragnarok, que ao ser proferida iniciou uma série de encantamentos que culminariam em eventos com o objetivo de salvar Etherion da destruição final.

O ar ao redor dos generais começou a brilhar. Um redemoinho de luzes coloridas e escuridão se formou, girando cada vez mais rápido, até ultrapassar a velocidade da luz, e em seguida a velocidade do som. E então uma explosão luminosa aconteceu, e quando tudo se acalmou, os 12 generais do reino do tempo, as 12 lendas de Isikhathi haviam desaparecido.

E nesse momento a nuvem de escuridão desceu em Isikhathi, convertendo tudo em trevas.

— # —

Fala pessoal, tudo certo? Aqui está o evento que deu início a essa história: A Guerra Civil de Isikhathi.

Alguns desses personagens aparecerão no meio da história, enquanto outros virão nos outros livros (se tudo der certo e eu conseguir escrevê-los).

Gostaria de saber o que achou? Está curtindo até agora? Sua opinião é muito importante pra mim.

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