A Filha do Tempo e os Elementos Primordiais

Foi uma quarta-feira, lembro-me bem disso. Afinal, quem não gravaria na memória o dia em que sua versão de uma realidade alternativa aparece na sua casa buscando abrigo?

Eu olhei para eu mesmo com quinze anos, vestindo uma armadura de couro sobre uma camiseta preta com os dizeres "CTPE - Treinando os salvadores de amanhã", e a julgar pela espada que ele carregava, não deveria ser uma iniciativa dos bombeiros.

A história que narrarei aconteceu em outra Terra, mas segundo meu "eu mais jovem", poderia chegar aqui, em nosso mundo, caso ele e seus amigos não conseguissem derrotar o exército de anti-deuses conhecidos como azuras, ou algo assim, que queriam trazer de volta do exílio o Lorde do Caos, Isfet, e seu filho N'Guói (ou lagosta, não sei bem qual era o certo).

Alternando as versões dele (eu mesmo de outra realidade), a da Pri e a da Deb (também da outra versão da Terra, que aqui são minha família), você conhecerá o incrível mundo (ou dimensão, não saquei bem ainda) de Etherion, e toda a gama de complicações que ele trouxe àquela Terra, que podemos definir em uma única palavra: deuses.

Bem vindo às Crônicas de Etherion.

# Uma nova visão da Mitologia Grega

# Os deuses sob uma nova perspectiva

# 2º lugar na categoria "Fantasia" da 2ª Edição do "Projeto Leitura Voraz 2017" do Wattpad - https://my.w.tt/QIE3gAjLML

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21. O filho de Zeus cai de bunda no chão - demais

Deb

Não é sempre que você descobre ser uma semideusa, namorando um semideus e tendo uma irmã como semideusa. É muito semi pra uma pessoa só.

Se eu fiquei surpresa com a Pri sendo uma semideusa também? É óbvio que sim. É claro que eu já devia estar calejada, mas não é algo que se acostuma simplesmente. "Olha, agora você é uma semideusa, então uma monte de coisas semidivinas acontecerão na sua vida." Não, definitivamente não era algo fácil de acostumar.

- O que fazemos agora? - Perguntei ao único especialista em semidivinismo presente naquele momento.

Ele olhou para o céu. Eu nunca prestei atenção, mas ele sempre fazia isso quando estava pensando.

- O protocolo seria levar vocês duas para o centro. Lá poderíamos manter as duas a salvo e proporcionar o treinamento adequado de suas habilidades.

Depois disso ele continuou olhando para o céu. Tinha coisa errada aí. E não fui só eu que percebi isso.

- Eu posso estar errada – disse a Pri –, mas o correto dessa frase não seria "poderemos manter as duas a salvo"?

Rod apertou bem forte as mãos e olhou para nós, primeiro para a Pri e depois para mim.

- Se levarmos vocês no centro, teremos problemas.

- Que problemas? - Quis saber. – Lá não é tipo o lugar mais seguro do mundo para semideuses.

O Rod pensou por alguns segundos.

- Sim, lá é o lugar mais seguro do mundo para semideuses. Mas costuma ser seguro para semideuses normais.

- Fiquei sem entender - confessei. – Não somos semideuses normais? O que temos de diferente?

Pra deixar a situação mais esquisita ainda (porque não é nada esquisito três adolescentes conversando sobre monstros e semideuses, nem um pouco), foi a Pri quem respondeu minha pergunta.

- É por que fazemos parte dos Legados Perdidos.

O Rod acordou da viagem dele na hora.

- Como é que é?

A Pri parecia em transe, os olhos vidrados focando algo no além. Ah, e o livro dela tinha aparecido novamente em sua mão.

- Os Legados Perdidos de Etherion. O domínio do tempo e a manipulação da Biblioteca do Infinito são legados esquecidos tanto na Terra quanto em Etherion, assim como o verdadeiro domínio elementar. São Heranças que se perderam no tempo, afinal, os deuses do tempo foram extintos, e a manipulação dos dados da Biblioteca do Infinito não podem ser ensinadas: a pessoa deve nascer com o dom, aceitá-lo e aprimorá-lo.

Então ela pareceu acordar do transe. Esfregou o rosto com uma das mãos e balançou a cabeça. Então notou que seu livro preto estava em sua mão.

- Sabe, a Pri gostaria de saber por que ela virei uma enciclopédia ambulante de assuntos bizarros.

O Rod olhou para mim.

- Por isso tenho receio de levar as duas para o centro.  Não existem semideuses como vocês. Eu não faço idéia do porque vocês terem esses poderes, mas se os meus superiores descobrirem, terão que relatar ao alto conselho do Império, e a vida de vocês pode ficar bem desconfortável.

- O que é esse alto conselho? - Perguntei.

- É a reunião dos principais líderes dos três grandes reinos do Império Ômega. Não quero nem imaginar o que poderia acontecer se os deuses voltassem os olhos para vocês. Na melhor situação iriam estudá-las exaustivamente, testando os limites dos seus poderes. Na pior...

Silêncio.

- O que acontece na pior das hipóteses? - Perguntei, me odiando por fazê-lo mas sabendo que teria que escutar aquilo.

- Eles podem considerar vocês uma ameaça.

- E ameaças são eliminadas – disse a Pri.

Parei para pensar na nossa situação. Provavelmente minha mãe teve um caso com um deus, e foi mais de uma vez, já que ela teve duas filhas semideusas. Monstros estavam nos caçando. Um semititã jurou nos destruir junto com seus amigos. O único lugar onde estaríamos seguras pode ser o pior lugar para irmos, já que podemos ser mortas por deuses malucos que nos considerariam uma ameaça.

- As coisas não podem piorar, podem?

A Pri arregalou os olhos.

- Deb, a primeira regra do Percy Jackson é nunca dizer que as coisas não podem piorar.

- Estou começando a odiar Percy Jackson...

Graças a Deus nada aconteceu. Mas tínhamos um problema imenso nas mãos.

- O que fazemos agora, vamos para casa?

O Rod balançou a cabeça que não, confirmando minhas suspeitas.

- Com uma sereia e um semititã atrás de vocês? A pior coisa é ficar na sua casa. Melhor ficarem comigo. Minha casa tem certas proteções que dificultarão acharem vocês.

- Mas e nossa família?

Eu não podia simplesmente sumir do mapa e deixar meus pais sem uma explicação. E ainda por cima levar minha irmã junto.

- Vamos usar a névoa – disse o Rod. – Eles ficarão bem, prometo.

Realmente, eles não se lembravam do dia da praia. Eu não gostava de enganar meus pais, mas não podia colocar a segurança deles em risco.

- Mas vamos morar com você para sempre? - Quis saber a Pri.

Pergunta válida.

- Não – ele disse sorrindo. – Apesar de ser algo interessante, para quem sabe um futuro, seria apenas hoje. Assim, posso contatar meus contatos e sondar como está a situação no centro. Se Emma e Marvelous estiverem fora, podemos arriscar. Aldebaran, o terceiro na hierarquia de comando, é um grande amigo e irá nos ajudar.

Não sabia quem era nenhuma daquelas pessoas, mas não tínhamos outra opção. Rod tirou um saquinho do bolso e ficou sussurrando umas palavras esquisitas enquanto o segurava. Depois ele abriu o saquinho e soprou um pó colorido em mim e na Pri. Não senti nada demais, tirando o fato de estar ridícula toda coberta por purpurina colorida.

Um fato então mexeu com minha cabeça.

- Mas Rod, sua mãe está internada. Você tem que ficar com sua família.

- Está tudo bem – ele disse, olhando novamente para o céu. – Mamãe está legal. Amanhã darei um jeito de vê-la. Meu pai está lá e acha que tenho ido todos os dias. Meu irmão está com meus tios. Ele vai lá apenas na parte da manhã. Vamos, quanto mais ficamos aqui pior é.

E saiu andando sem me dar chance de argumentar. Olhei para a Pri que encolheu os ombros e saiu atrás dele. Sem alternativa eu fui junto, já que ficar ali sozinha não adiantaria nada.

Quando chegamos à casa do Rod, ele preparou um lanche para nós: misto quente e suco de maracujá. Não tínhamos muito que conversar, pois nossa situação não saia da minha cabeça.

- Então... E as tais proteções que você falou?

- Já estão prontas – Rod respondeu. – Instalei proteções mágicas em volta da minha casa assim que aprendi a dominar a névoa.

- O pozinho de purpurina que você jogou na gente? - Quis saber a Pri, de boca cheia.

Ele sorriu.

- Esse mesmo. Quando aprendemos a utilizá-lo, várias coisas difíceis de serem realizadas tornam-se mais fáceis.

Tenho que admitir que a purpurina dele realmente parecia útil. Fiquei bastante interessada.

- Todo semideus pode usar essa névoa?

- Não – ele disse, sério. – Normalmente demora alguns anos para tornar-se apto para dominar magia.

- Sério? - Perguntei.

- Sim, sério.

A Pri parou de comer e franziu as sobrancelhas.

- Então porque a Deb pode parar o tempo?

- E como a Pri consegue acessar a tal Biblioteca do Infinito? - Perguntei quase ao mesmo tempo.

Ele suspirou e riu, cansado.

- Vocês duas são exceções à regra. Não é a primeira vez que vejo semideuses despertarem dons adormecidos em momentos de estresse ou muita pressão. Mas confesso que nunca vi um semideus que tivesse um legado perdido.

- Tá bom – eu disse. – Primeiro, que tal explicar melhor o que é um legado e por que eles estão perdidos? Você tinha mencionado isso antes, mas não explicou.

Rod olhou para o céu pela janela. Essa conversa seria longa.

- Legados são poderes que os etherianos, mais precisamente os guerreiros deuses possuem. Eles herdaram esses poderes dos primeiros guerreiros de Etherion, que lutaram em uma batalha épica chamada Batalha Primordial. Basicamente foram as forças do Caos contra as forças da Ordem. Ou Mal contra Bem, para ficar mais fácil de entender.

- Sabemos o que é ordem e caos – resmungou a Pri.

- É – completei. – Já vi tantos animes sobre isso que até cansei.

- Está bem, está bem – disse ele levantando as mãos, se rendendo e fazendo com que gargalhássemos um pouco. – Vocês venceram, senhoras do conhecimento.

- Tá bom, mas o que essa batalha tem a ver com os legados perdidos?

- Os guerreiros que lutaram nessa batalha desenvolveram esses poderes, ou foram abençoados por uma entidade suprema da época, não se sabe ao certo. Apesar da maioria das pessoas achar que tudo que é sobre-humano está relacionado à magia, não é bem assim. A magia só pode ser realizada por meio de encantamentos, enquanto os legados são parte do corpo da pessoa.

Fiquei confusa com tudo aquilo, mas acho que entendi o conceito. Apesar dele ter dito que usei magia do tempo, eu não era uma maga, e sim tinha algum tipo de legado relacionado à controlar o tempo.

- Então – disse, pondo em prova o que tinha entendido –, você quer dizer que se eu realizasse um encantamento para controlar o tempo eu seria uma maga do tempo, mas como foi, digamos, natural, eu tenho algum legado sobre o tempo. Isso mesmo?

- Peraí – disse a Pri. – Então eu tenho algum legado de conhecimento? Nossa que útil...

O Rod riu, e acabamos rindo também.

- Mas Pri, seu dom é muito útil – afirmei para ela. – Quando você aprender a usar, nunca mais precisa estudar para alguma prova.

- Nossa... Adorei a idéia!

- Agora eu vi vantagem, Pri. E sim Deb, o fato de não usar encantamentos faz de você usuário de um legado do tempo, embora eu não saiba explicar como os poderes de vocês funcionem. Só sabia deles por que estudamos sobre os legados perdidos no centro.

- E qual é o seu legado? Quis saber a Pri. – Você é um mago? Deve ser, já que consegue usar magia na né...

Mas o Rod já estava balançando a cabeça que não.

- Meu uso de magia é bem básico, Pri. Apenas o suficiente para eu me virar em emergências. Eu sou um guerreiro deus da classe mago, mas do tipo guerreiro elementar do fogo, ou seja, domino a magia do fogo e abuso como guerreiro.

Ficamos olhando para ele com cara de paisagem. Ele recomeçou.

- Magos manipulam o éter, usando seus poderes para desenvolver magia. Existem varias vertentes da magia, pois ela se destina a "copiar" os outros legados. Eu consigo manipular a magia elementar para lutar, o que é chamado de magia de batalha. Existe também magia de invocação, magia alquimistas e outras.

Mas agora – ele disse se levantando -, precisamos encerrar. Eu preciso fazer ligações e enviar mensagens, além de analisar como estão as coisas no centro. Sei que ainda são 9:00, mas sugiro que subam para o quarto de hospedes. Se algo acontecer, lá é o cômodo mais seguro da casa.

Eu hesitei. Queria conversar com ele a sós, para resolvermos nossa situação, mas acabei desistindo. Tinha tanta coisa rolando e ele estava se desdobrando tanto por nós que era egoísmo meu falar sobre namoro naquele momento. O máximo que eu conseguiria era atrasar tudo que ele tinha que fazer.

Sem ter alternativa, A Pri e eu nos despedimos do Rod e subimos. Graças a Deus, eu dormi sem sonhos estranhos assim que caí na cama, com a roupa que estava. Nada de mundo dos sonhos, leões e meninas que congelam mares com uma flecha. Só meu bom e velho soninho.

— # —

Acordei primeiro que a Pri, então aproveitei pra ir tomar um banho. Quando eu voltei ao quarto ela já tinha levantado.

Esperei ela tomar banho e se arrumar, então nós fomos juntas para a cozinha. A Pri disse-me antes de dormir que tinha comido umas bolachas que tinha na bolsa, mas agora já estava com fome. Pra falar a verdade, ela quase sempre está com fome. É magra de ruim, como diz meu pai.

Pensar no meu pai não foi uma boa idéia. Se o que o Rod disse for verdade, meu pai não é meu pai verdadeiro. Ele também não era o pai da Pri... E o André e a Carol, eram filhos dele ou também eram semideuses? Será que ele sabia disso tudo?

Pensei várias vezes em tudo que aconteceu. Tentei, em vão, lembrar de algo que me desse uma luz, alguma atitude ou frase solta que algum dos meus pais tivesse feito ou dito, que indicasse alguma coisa, mas não consegui me lembrar de nada. Em todo esse tempo a Pri não disse nada, me deixando sozinha com meus pensamentos.

Quando chegamos à cozinha, para a nossa surpresa, Apolo e Diana estavam sentamos à mesa junto com o Rod. O clima estava péssimo, e um silêncio pesado pairava no ar. Com certeza eles tinham discutido. O que eu não entendia era porque os dois estavam ali.

Infelizmente, descobri que minha situação não tinha nem começado a piorar. Apolo olhou pra mim e abaixou os olhos. Foi Rod quem nos contou as novidades.

- Meninas, sentem-se. Nós temos alguns problemas.

- Novidade... Resmungou a Pri.

- Já sei - disse com falso entusiasmo. - Vocês dois também são semideuses. Ótimo! Agora sim, estamos todos em uma grande família feliz.

Diana me olhou feio, mas não disse nada. Apolo pareceu magoado, mas eu não estava nem ai. Já que não podia descontar no Rod e na Pri, ali estavam dois alvos perfeitos.

- Sou um guerreiro deus da classe mago, subclasse guerreiro elementar, assim como minha irmã Artemis e o Rod.

Reparei que ele não confirmou que era um semideus.

- É sobre a sereia que atacou vocês - disse o Rod, ignorando a tanto a apresentação de Apolo quanto meu chilique. - Apolo e Diana acham que a conhecem, e, se estiverem certos, estamos um pouco encrencados.

Pelo canto do olho vi Diana revirar os olhos. Seja lá o que fosse, acho que ela discordava que "um pouco encrencados" definia nossa situação.

Se o Rod notou o que a Diana fez, não demonstrou. Mas, em vez de continuar, ele acenou para Apolo falar.

- A sereia que vocês viram chamou você de princesa, certo Deb?

Olhei assustada pra ele.

- Como você sabe disso?

- Deb, só responda, por favor - disse o Rod.

Balancei a cabeça que sim. Já que era o Rod quem pedia...

- Por acaso, ela mencionou minha irmã e eu?

- Hum... Pensando bem, ela falou de vocês, sim. Algo sobre os gêmeos filhos de Zeus serem melhores servos do que a Pri.

- É - confirmou a Pri -, ela disse isso sim. Algo sobre vocês serem engomadinhos e...

Todos nos viramos assustados com um som forte. Diana tinha dado um tapa no tampão da mesa, olhando para a Pri e para mim com muita raiva.

- Aquele pedaço de atum! Quando eu encontrar com ela outra vez...

Isso respondia minha pergunta. Se Diana já tinha encontrado a sereia, eles realmente eram semideuses. E a sereia disse que eles eram filhos de Zeus, mas isso queria dizer...

- Peraí! Quer dizer que vocês já encontraram aquela sereia antes? Vocês sabem por que ela estava atrás de mim? Porque ela falava como se me conhecesse de outros carnavais.

Diana e Apolo se olharam. Pareceu uma das conversas silenciosas que a Pri e eu temos. Depois de uns instantes, Diana abaixou os olhos. A meu ver, ela perdeu a discussão. O que eu não sabia era se isso nos revelaria a verdade ou não.

- Sim - disse Apolo -, já lutamos contra aquela sereia. Ela... Bem, não há um jeito fácil de dizer isto... Ela faz parte de um grupo de caçadores e assassinos profissionais de Etherion - ele olhou para o Rod, creio que pra se certificar que sabíamos sobre a dimensão paralela. Quando Rod assentiu, ele continuou. - Eles fazem parte de um reino que se rebelou contra o Império Ômega. O reino de Davaasura.

- Pera lá - eu disse -, vamos mais devagar! O que é Império Ômega? E esse Da-vassoura aí?

Antes que eles respondessem, para a minha surpresa, a Pri me explicou. Ela entrou em transe novamente, e aquele livro (abhilekh) estava novamente na mão dela.

- O Império Ômega, Deb, é o império que reina sobre todo o continente feérico de Etherion. É a junção dos reinos divinos que a humanidade conhece: Olimpo, Asgard, Egito, Avalon, entre outros. Ele é governado pelos três reis mais poderosos: Zeus, que é o Grande Imperador de todo o império e rei do Olimpo; Odin, Rei Maior dos Nove Reinos e lorde de Asgard; e Hórus, rei-faraó do Megido, soberano da Ásia Mística e senhor dos guardiões do Duat.

Eu fiquei olhando espantada pasma para minha irmã. Vi que os gêmeos e o Rod também estavam surpresos.

- Você andou treinando minha irmã nessas esquisitices ou esse é mais um daquele lance de acesso à biblioteca? - Perguntei para o Rod.

Ele arregalou os olhos e disse um não inaudível, mas o estrago estava feito. Apolo e Diana olhavam para a Pri como abutres olhando para carniça.

Minha irmã pareceu enfim despertar de um transe.

- Eu... Outra vez. Raios...

Apolo se aproximou dela, definitivamente curioso.

- Você disse outra vez. Esta não é a primeira vez que você diz algo que não deveria saber sobre Etherion?

Vi que a curiosidade dele assustou minha irmã, pois ela deu um passo para trás. Ele agarrou o braço dela e eu perdi a cabeça. Dava até para colocar essa nas atividades complementares do meu currículo: empurrei com muita classe o filho do rei do Olimpo, e ele caiu de bunda no chão.

- Você está assustando minha irmã – retruquei ríspida.. Afaste-se.

Ele me olhou visivelmente nervoso. Levantou-se e fechou os punhos.

- Não são muitas as criaturas que podem me empurrar e que continuam vivas para contar a história.

Dei mais um passo na direção dele.

- Assuste minha irmã novamente e você morre aqui, ó onipotente filho de Zeus.

Ficamos nos encarando até que ele olhou para minha mão e arregalou os olhos.

- Suas mãos.

Antes que eu pudesse entender o que ele disse, Diana gritou.

- Hei! De onde você tirou essa espada?

Olhei para trás e vi a Pri segurando uma espada estilo ninja, acho que o nome é katana. Pelo menos parecia com uma espada que ninjas usariam. Ela apontou a arma para Apolo.

- Ameace minha irmã outra vez, raio de sol, e corto sua cara brilhante em dois.

- Pri, o que você...

Mas fui interrompido pelo Rod.

- Pri, por todos os sete céus, abaixa essa katana que não faço a menor idéia de onde você tirou. E Deb, por tudo que é mais sagrado, contenha essa bola de energia, meu pai está para chegar.

Bola de energia? Do que ele estava falando?

- Olhe para sua mão, querida – disse Diana, aparentando tranqüilidade enquanto olhava para as unhas.

Olhei para minha mão direita e quase tive um treco. Uma enorme boa de energia branca a envolvia. Eu não sabia de onde aquilo tinha saído, mas imediatamente me lembrei de Quione. Respirei fundo várias vezes e quando me acalmei a energia tinha sumido. Vi que minha irmã tinha sumido com a espada dela também.

- Certo – disse Rod. – Agora que não estamos querendo matar uns aos outros, nem destruir minha casa voltemos à conversa. Depois falamos sobre os surtos de energia e a espada mágica.

- Mas... Começou Apolo.

- Sem mais – disse Rod. – E você, só para deixar claro: ameace uma delas novamente e juro pelas asas do Grifo Real, acabo com sua raça. Estamos entendidos?

Apolo arregalou os olhos e abriu a boca. Creio que não eram muitos os que o ameaçavam daquela maneira, e só naquela manhã foram 3 ameaças. Diana pareceu escolher essa hora para lançar seu olhar maligno 37 no Rod.

- Se você não fosse meu...

- Estamos entendidos? - Gritou Rod.

Apolo fechou os olhos e respirou fundo algumas vezes.

- Sim. Por enquanto. Mas algo está errado aqui. Semideuses capazes de conjurar energia e invocar armas de bolsões dimensionais... Além de acessar a Biblioteca do Infinito? Isso é uma raridade incrível. Na mesma família? Impossível. Talvez a explicação seja outra.

- Eu não tive culpa que aquela bola de energia se materializou. Não tenho controle sobre isso.

- Isso só mostra o quanto você está fraca - resmungou Diana.

Não sei o que aquela menina tinha, mas ela estava super diferente da ruiva super legal que tínhamos conhecido na escola. Talvez, eu pensei, essa fosse a verdadeira Diana, e o que vimos antes foi só fachada. Confesso que fiquei bem nervosa com ela.

- O que você quer dizer com isso, Barbie da Grécia?

Ela se levantou da cadeira com o rosto vermelho. Quando falou, sua voz tremia de raiva, mas estava bem baixa e perigosa.

- Do que você me chamou?

Eu levantei também. A Pri veio para o meu lado.

- Você ouviu muito bem – ela disse.

Antes que pudéssemos fazer algo que pioraria a situação, Rod gritou.

- Parem! Caramba! Estamos com um problema sério aqui.

Era a segunda vez que ele gritava comigo. Ok, eu mereci das duas vezes, mas isso não fez com que me sentisse melhor. Diana por outro lado...

- Olhe aqui, moleque! Se você acha que...

Foi quando Apolo se levantou. Diana olhou pra ele como se fosse argumentar, mas ele a impediu com um olhar do mau nível 1002. Até eu fiquei com medinho.

Ela sustentou o olhar dele só mais um pouco, mas suspirou e sentou novamente.

- Estamos perdendo o foco - disse Apolo. - Temos pouco tempo pra explicar o que está acontecendo. E tempo - ele olhou pra mim - é o mais precioso no momento. Podemos continuar?

Ficamos em silêncio. Acho que ele entendeu nosso silêncio como um sim, porque, depois de alguns instantes, continuou um pouco mais calmo.

- O problema em questão aqui é o porquê daquela sereia especificamente estar procurando você aqui em Midgard.

- Este é um nome etheriano para a Terra, não é? Perguntou a Pri.

- Sim – disse Diana. – É o mais aceito em Etherion.

- O rei de Davaasura, Kashyapa, teve um desentendimento com os Devas, os "deuses" cultuados pelos indianos. Quando levou a questão para o Alto Conselho do Império Ômega, a maioria dos seus membros, incluindo o Grande Imperador Zeus tomou partido dos Devas. Então, Kashyapa e os Asuras juraram destruir o império.

Ele fez uma pequena pausa, organizando os pensamentos.

- Desde então, os Asuras têm recrutado seres que odeiem os deuses do império, formando um reino gigantesco, com o objetivo de atacar e destruir os deuses.

- E o que isso tem a ver conosco?

Ele me olhou combina expressão estranha.

- Você é uma semideusa que domina o tempo, e um dominador do tempo é algo muito raro. Se eles puderem recrutar você, terão um poder incrível que poderá destruir o império.

- Eu não sou tão poderosa assim.

- Olha querida – disse Artemis –, você é sim. Me custa admitir, mas se seus poderes se desenvolverem ao máximo, poucos seres em Etherion ou em Midgard poderão encarar você. E sua irmãzinha aqui – ela apontou para a Pri –, quando descobrirem que ela pode acessar a Biblioteca do Infinito... Bem, as coisas só vão complicar.

Ficamos em silêncio. Uma dimensão inteira poderia ser destruída se esses tais Asuras capturassem a Pri e eu. E o pior de tudo: se buscássemos ajuda, poderíamos ser mortas. Estávamos entre o fogo e a espada, e para qualquer lado que corrêssemos, estaríamos perdidas.

 

Fala pessoal, blz?

Finalmente os inimigos de Deb foram revelados. O que estão achando dos Asuras? E de Apolo e Artemis?

 

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