A Filha do Tempo e os Elementos Primordiais

Foi uma quarta-feira, lembro-me bem disso. Afinal, quem não gravaria na memória o dia em que sua versão de uma realidade alternativa aparece na sua casa buscando abrigo?

Eu olhei para eu mesmo com quinze anos, vestindo uma armadura de couro sobre uma camiseta preta com os dizeres "CTPE - Treinando os salvadores de amanhã", e a julgar pela espada que ele carregava, não deveria ser uma iniciativa dos bombeiros.

A história que narrarei aconteceu em outra Terra, mas segundo meu "eu mais jovem", poderia chegar aqui, em nosso mundo, caso ele e seus amigos não conseguissem derrotar o exército de anti-deuses conhecidos como azuras, ou algo assim, que queriam trazer de volta do exílio o Lorde do Caos, Isfet, e seu filho N'Guói (ou lagosta, não sei bem qual era o certo).

Alternando as versões dele (eu mesmo de outra realidade), a da Pri e a da Deb (também da outra versão da Terra, que aqui são minha família), você conhecerá o incrível mundo (ou dimensão, não saquei bem ainda) de Etherion, e toda a gama de complicações que ele trouxe àquela Terra, que podemos definir em uma única palavra: deuses.

Bem vindo às Crônicas de Etherion.

# Uma nova visão da Mitologia Grega

# Os deuses sob uma nova perspectiva

# 2º lugar na categoria "Fantasia" da 2ª Edição do "Projeto Leitura Voraz 2017" do Wattpad - https://my.w.tt/QIE3gAjLML

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16. A ruiva bombadona em cosplay de Pequena Sereia

Pri

Se não tivesse sido comigo, eu juro que não acreditaria. Olharia pro doido (ou doida) que estaria me contando a história e riria dele, o chamando de louco, lelé ou drogado. Mas era comigo, o que levantava as hipóteses de eu estar me tornando uma lelé da cuca, ou, de tudo aquilo ser verdade. Ambas as opções eram totalmente desagradáveis.

Minha irmã tem vários defeitos (hum... se ela perguntar, eu nunca disse isso), mas tem uma coisa que ela não é: mentirosa. Se ela tivesse me contado tudo pelo que passou, eu teria acreditado. Tá, admito... eu desconfiaria da história. Afinal, quem não acharia que sua irmã está louca por dizer que um homem em chamas matou uma mulher cobra, que atire a primeira pedra. Mas eu acreditaria, pelo menos, que ela acreditava que aquilo era verdade. Algo assim.

Entretanto, sua maravilhosa ideia de me mostrar que agora tinha virado a versão brasileira da Jean Grey jogou por terra qualquer teoria que eu pudesse ter sobre a veracidade da história. Eu vi tudo que aconteceu com ela passando pela minha mente. Era como se eu assistisse a uma retrospectiva de fim de ano dessas emissoras de TV.

Quando ela tirou a mão da minha cabeça, nós duas bambeamos no meio do mar. Olhei pra Deb e sugeri, indicando com a cabeça, que fossemos para a areia. Não ia ser nada legal as duas meio zonzas serem arrastadas pro mar aberto. Papai poderia nos deixar de castigo.

Quando lá chegamos, sentamos em umas rochas perto do nosso guarda-sol, onde estavam nossas coisas. Em alguns minutos, a tontura passou e tudo voltou ao normal, mas ficamos mais um tempo em silencio. Não sei se era a intenção da Deb, mas eu precisava desse tempo.

Até porque aquela loucura toda me parecia natural demais. Quer dizer, era para eu estar pirando, não era? Gritando ou tendo um ataque de pânico. Mas aquilo tudo era só... familiar.

Depois de um tempo, com as idéias mais organizadas, resolvi quebrar o gelo.

- Hum... Isso tudo foi bem...

- Estranho? Assustador? Desagradável?

-... intenso. Essa era a palavra que eu queria usar.

Sorrimos, mas foi bem forçado. Eu não sabia o que dizer, e a Deb não parecia ter forças pra começar o assunto. Mas eu tinha que entender tudo melhor, ou iria enlouquecer. Então, comecei do começo (péssima escolha de palavras, mas nem ligo).

- Deb... desde quando você consegue fazer tudo isso?

Ela me olhou curiosa, como se tentasse entender o que eu perguntei.

- Tudo isso... o que?

Mexi as mãos impaciente.

- Esse lance todo de Xarles Xavier. Desde quando você consegue fazer esse lance de transmussão de pensamentos?

Ela sorriu, começou a rir e depois deu uma boa gargalhada. Eu não entendi o que aconteceu, então resolvi esperar.

- Ai, meus sais minerais. É transmissão de pensamento, gênio. Fala sério...

Acabei rindo também, o que foi bom pra quebrar o clima esquisito. Reunindo coragem, resolvi continuar enquanto ela estava mais tranquila.

- Então... sobre o lance da mente...

- Tá certo - ela disse depois de um suspiro. - Essa foi a primeira vez que fiz isso.

- Sério?

- Sério, na boa. Não sei desde quando sei fazer isso, mas a verdade é que essa foi a primeira vez que fiz.

Ficamos quietos um pouco, enquanto eu digeria o que ela disse. Resolvi ser sincera com ela.

- Ok, acredito em você.

Vi que ela se surpreendeu com minha afirmação.

- Sério?

- Sim - eu disse, enquanto balançava a cabeça ao mesmo tempo. - Por dois motivos. Primeiro, não sei como esse poder seu funciona, mas não acredito que você mentiria pra mim, seja contando ou... mostrando as imagens do que aconteceu.

Ela sorriu novamente, e enfim, ficava mais a vontade.

- E o outro motivo?

- O outro é simples. A partir do momento em que vi a Bia na visão que você me mostrou... Antes até, na verdade. Eu me lembrava de tudo relacionado a ela desde o dia seguinte ao seu desmaio. Parecia... parecia magia.

- Verdade mesmo? - Ela perguntou em um misto de alegria e receio.

- Sim. Lembro dela na primeira reunião com os pais e responsáveis, quando o pai dormiu enquanto a câmera filmava ele roncando... naquele dia eu senti algo estranho e a pedra mágica esquentou. E quando fomos chamadas na sala dela logo na primeira semana de aula, você, o Rod e eu, porque respondemos no teste vocacional que não queríamos fazer engenharia (quem em sã consciência quer estudar isso?).

- Verdade - ela disse. - Foi nesse dia que ficamos amigos mesmo. Ele até ficava junto com a gente antes, mas a partir desse dia não desgrudamos.

Eu sorri. Ela estava bem mais tranquila, o que me deixava mais tranquila também.

- E - continuei antes que não conseguisse parar -, lembro quando o sr. João veio pedir ao professor Tiburso pra liberar você pra falar com ela. Eu lembro de tudo, Deb. Até cheguei a ir atrás de você, mas cheguei lá era mala da Larissa tava lá com o sr. João, ambos dizendo que a Bia não existia. Naquele dia o sr. João me chamou de Poliana.

Ela me olhou mais alguns segundos e me abraçou forte.

- Eu estava ficando louca já, sem ter com quem conversar.

Dei um tempo pra ela e, suavemente, me afastei do abraço. Não consegui segurar o sorriso irônico quando olhei pra ela com as sobrancelhas arqueadas.  Ela revirou os olhos,  suspirou dramaticamente, mas depois sorriu.

- Está bem, tinha o Rod. Mas com ele é diferente. Ele é...

- Seu grande amor - eu disse fazendo uma bola imaginaria enorme com os braços que terminaram nas duas mãos formando um coração. Ela riu e me jogou areia.

- Tá, é verdade. Mas - e ai ela ficou mais... sombria? -, eu não sei porque esses... poderes se manifestaram ou sei lá como se chama isso. Esse lance de controlar o tempo e  mostrar imagens são estranhos, me dão dor de cabeça. Ai meus sais minerais, será que eu sou um tipo de mutante? Ou alienígena?

- Acho que não. Mas você disse que o Rod ia ajudar você a...

Eu parei no meio da frase. Eu meio que... senti algo muito ruim se aproximando novamente. Era imenso, muito pior do que eu tinha sentido lá na escola. A Deb também sentiu, porque parou sua expressão se transformou.

Olhei para o mar e quase perdi o fôlego.

- Aquilo... aquilo é...

Sem conseguiu expressar em palavras o que eu via, apontei com a mão para a Deb. Ela seguiu minha mão e seu rosto ficou branco (mais até do que o normal). Uma mulher vinha vindo nadando em alto mar em nossa direção.

Ela era morena, com os cabelos vermelhos. Tinha algo na cabeça, acho que o nome é tiara, feita de algo que só podia ser ouro ou uma bijuteria a prova d'água. Na mão dela tinha um tridente (quem, mas quem vai nadar com um trem desse?) e ela tinha uma armadura também de ouro no corpo.

Quer dizer, na parte acima da cintura. Porque a parte de traz aparecia vez ou outra, impulsionando a bombada (na hora achei até que lutava no UFC) em uma velocidade fora do comum. Era uma cauda de peixe, daqueles bem grandes por sinal.

As palavras seguintes da Deb resumiram tudo o que passava em minha cabeça naquela hora.

- Véi... ela tá nadando com cosplay da Pequena Sereia.

Eu ia falar pra Deb que aquela era a gíria que o Rod usava que que ela menos gostava, mas algo em sua expressão me fez calar a boca. A Deb arregalou os olhos pra ruiva bombada quando ela chegou perto da areia. A imitação de Ariel sorria, mas tinha algo cruel nos seus olhos azuis, agora visíveis. O sorriso não chegava a eles, que emitiam um ar cruel de maldade.

- A presença...

Olhei pra Deb sem entender.

- Que presença, menina? Tá doida?

- A dela - a Deb disse apontando para a mina esquisita. - Lembra que eu falei que senti algo estranho? Foi a presença dela.

- Você... você sente a presença dela? É isso que senti, uma presença? Perguntei quase sem acreditar.

A Deb só sacudiu a cabeça confirmando, mas pareceu não entender que eu também senti. Então ela agarrou meu braço e começou a me puxar pra trás. Olhei pra frente e arfei. A mulher, que até então tinha uma cauda, agora andava sobre duas pernas revestidas de perneiras de ouro, que completavam a armadura. Ela parou a uns vinte metros de nós, mas falou com uma voz musical tão linda, que se eu não tivesse visto os olhos cruéis, acharia que era a pessoa mais bondosa do mundo. Só que não.

- Olá, princesa. Que prazer imenso recebe-lá em meu reino.

- Princesa? - Eu disse, sem entender. A ruiva apenas dispensou um olhar de desprezo pra mim, para voltar a falar sorridente com a Deb.

- Vejo que sua atual serviçal não sabe se colocar em seu lugar. Confesso, muito decepcionada, que os gêmeos filhos de Zeus eram bem mais interessantes.

Olhei irritada pra ela e já ia me defender, quando minha irmã tomou a dianteira.

- Ela não é minha serviçal, é minha irmã, cabeça de bagre.

Fiquei feliz por minha irmã me defender, mas acho que chamar uma mulher-peixe de cabeça de bagre foi um insulto muito forte pra bombada do mar. Seu sorriso falso se desfez e ela deu um grito tão alto e agudo que quase despedaçou meu tímpano. Quando ela parou, seu tridente dourado estava envolto em uma luz azul estranha, que despertou em mim um alerta de perigo bem grande. Do tipo corra ou vire isca de peixe. Mulher peixe, neste caso.

Como se tivesse lido minha mente, a Deb me segurou com mais força. Muita força pra ser sincera, mais do que eu achasse que ela tinha.

- Não adianta correr. Sereias são viciadas em caçadas. Se demonstrarmos medo, ela vai nos perseguir pelos quatro cantos do mundo. Precisamos ficar e enfrenta-lá.

Olhei pra ela me perguntando de onde ela tinha tirado aquela história de pescador (é, eu sei, péssimo trocadilho), mas pela expressão determinada da minha irmã, eu sabia que ela não estava mentindo. Pra falar a verdade, existia algo quase... majestoso nela. Ela tinha o ar imponente de alguém... poderoso? Rico? As duas coisas?

A Deb deu um passo a frente e me empurrou pra trás. Cambaleei um pouco, mas consegui não cai. Então a Deb ditou uma palavra ao mesmo tempo estranha e familiar.

- Etherion!

O que vi me deixou sem fala, e tenho certeza de que não pirei por pouco. O corpo da minha irmã brilhou e foi envolvido por uma armadura dourada. Os pés e as pernas até a altura do joelho, os antebraços, o peitoral e a cintura. Tudo estava coberto por uma armadura violeta com desenhos dourados de ampulhetas. Na cintura havia um saiote e uma espada embainhada.

- Guerreira deusa da classe mago, mestra do tempo - ela gritou.

Eu estava processando aquilo quando o tridente da sereia disparou um raio em nossa direção. Eu senti senti um calor horrível. Me virei e vi a Deb com as mãos levantadas. Um raio azul escuro saia do tridente em nossa direção. Ele parava uns três metros antes de chegar nas mãos da Deb. Foi quando eu entendi que a Deb estava, sabe-se lá como, bloqueando o raio da mulher peixe.

Porém, minha irmã parecia estar com dificuldades. Ela deu um passo pra trás e depois deslizou uns trinta centímetros sendo arrastada na areia. Quando pensei que ela cairia, a ruiva suspendeu o ataque. A Deb caiu no chão de joelhos. Eu fui até ela e a levantei. Ela suava rios e estava visivelmente esgotada, mas ia continuar lutando, dava para ver nos olhos dela.

- Eu... eu não vou conseguir detê-la novamente. Saia daqui.

- Não - eu disse, convicta. Me abaixei e peguei um pedaço de pau comprido e uma pedra que estavam perto.

A mulher ruiva sorria, mas eu vi que estava suando também, apoiada no cajado como se estivesse tranquila. Aproveitando a deixa, simplesmente atirei a pedra na cabeça dela. Acertou em cheio, afinal, eu sou ótima de mira.

Infelizmente não funcionou. A pedra a desequilibrou, mas ela olhou novamente pra nós, com a cara deformada de ódio. Confesso: deu um medinho bem grande.

- Bem, verme, você tem minha atenção. Iria deixá-la viver, mas agora, arrancarei cada membro seu bem devagar, assim que eu capturar nossa amada princesa.

Eu não via como poderíamos sair vivas dali. A Deb estava exausta e eu tinha uma vara pra usar como arma. Minha pedra mágica quase soltando fumaça. Foi quando eu liguei uns pontos... pedra mágica, palavra estranha, armadura... Bom, quem não arrisca...

Respirei fundo e gritei a palavra mágica.

- Etherion!

A mesma luz que cobriu minha irmã envolveu meu corpo. Meus braços e pernas foram cobertos por uma armadura branca, com detalhes dourados. Minha cintura foi envolvida por um saiote e meu peitoral também foi envolvido. Nas minhas costas havia uma espada, e na minha mão um livro preto com as pontas douradas. Havia desenhos estranhos nela, acho que o nome eram runas.

Algo explodiu da minha boca antes que eu pudesse impedir.

- Guerreira deusa da classe maga, mestra do conhecimento!

Os olhos da ruiva se arregalaram.

- Você... você é a filha de Kairós. Malditas princesas de Isikhathi!

Quando a ruiva apontou o tridente, uma bola de fogo explodiu na cara dela. Enquanto ela voava pra trás, senti uma mão quente me segurando, olhei pra trás e vi o Rod. Ele também usava uma armadura como a nossa, mas a dele tinha desenhos de chamas.

- Vamos sair daqui enquanto podemos. Ela se recuperará logo.

- Rod... começou a Deb, mas o Rod balançou a cabeça fazendo não.

- Agora não, por favor. Fechem os olhos e se concentrem em mim. Pensem em mim e nada mais.

Rod tirou pó de uma bolsinha e jogou em nós, e depois nos segurou pelo braço.

Relutante, fiz o que ele mandou. Pensei nele enquanto um portal se abria, e sem questionar nós pulamos nele. Imediatamente me senti sugada. Era como se não existisse chão e eu estivesse no meio do nada. Até o cheiro do oceano sumiu. Então, tão rápido como começou, terminou. Senti novamente meus pés tocarem o chão.

- Pronto. Podem abrir os olhos agora.

Nem tinha percebido que meus olhos se fecharam. Eu os abri e descobri que estava no quintal da casa do Rod. A Deb abriu os olhos e fechou novamente, caindo em cima do Rod. Fiquei preocupada, mas o Rod estava muito tranquilo, como se soubesse o que estava acontecendo, o que não melhorava a situação, mas acalmava um pouco.

- Rod... o que... o que está acontecendo?

Ele me olhou e fez sinal para segui-lo. Colocamos a Deb na rede, embaixo da cobertura dos fundos. Assim que relaxou um pouco a armadura dela sumiu em um clarão.

O Rod mediu a temperatura e o pulso da minha irmã e, a seguir, levou uma caneca aos lábios dela e a fez beber alguma coisa que não consegui ver o que era. Depois voltou a medir a temperatura dela, assentindo como se estivesse satisfeito.

Entrou no quartinho que tinha nos fundos e trouxe dois banquinhos para sentarmos. Me sentei enquanto ele pegava água pra mim. Sequei uma garrafa de meio litro em três goles.

Enquanto eu bebia e me acalmava a armadura que me envolvia sumiu. Quando o clarão acabou minha pedrinha mágica estava quente, emitindo uma luz suave.

Ele ficou quieto enquanto eu bebia. Quando terminei, olhei pra ele esperando uma resposta.

- Bem Pri, não sei se você gostará do que vai ouvir - ele disse em um tom bem sombrio. - Não fossem as circunstancias eu não revelaria nada pra você, mas você foi atacada por uma sereia e viu sua irmã usar um campo de força pra defende-las. E além disso, você é sua irmã despertaram suas kamuis, sem contar o fato de você conseguir assertar uma pedra na sereia, ultrapassando a barreira dela. Isso muda um pouco as coisas de figura, não?

- Você esqueceu o fato da Deb ter me mostrado suas memórias dos últimos dias através da tal transmissão de pensamento.

Ele ergueu uma sobrancelha e assentiu com a cabeça uma vez. Ele parecia bem diferente do Rod brincalhão com quem eu me acostumara.

- Isso é interessante. Tenho que pensar sobre isso depois. Mas isso só torna mais óbvio o que está acontecendo. A sereia que atacou vocês é real, uma das bem poderosas, diga-se de passagem. Ela estar caçando sua irmã seria prova mais que suficiente de que ela é uma de nós. Os outros fatores juntos, além de confirmar o fato, mostram que ela não só é uma de nós, mas que é um tipo raro. E você também, pois conseguiu ultrapassar a barreira de um dos seres mais poderosos de Etherion. Vou precisar contatar o pessoal o quanto antes e...

- Para!

Ele me olhou surpreso, mas eu sabia por experiencia própria que ele continuaria falando sem parar sobre o assunto sem me explicar o que eu queria saber.

- Desculpe Rod - eu retruquei sem estar de fato arrependida -, mas você está me deixando louca, e eu já tenho motivos de sobra pra isso sem você falando esse monte de coisas que não entendo. Quem são o pessoal, por que a sereia (se é que era mesmo uma sereia) estava caçando minha irmã, porque Bósnia despertamos caju e o que era aquela armadura que apareceu, porque ela nos chamou de princesas e o que minha irmã e eu somos? E o que, por todos os deuses é Etherion?

Ele pareceu um pouco preocupado com algo que eu disse, mas disfarçou rápido, então eu não soube se era real ou coisa da minha cabeça. Mas eu não tive tempo de pensar nisso, porque a frase seguinte do Rod me fez ficar com a boca aberta, os olhos arregalados e sem fala. E isso pra mim é realmente um milagre.

- Eu que peço desculpas, maninha. Acho que tenho que responder suas perguntas. O porque da sereia ter chamado vocês de princesas me é um fato novo, que não sei te responder. Pode ser o fato da sereia conhecer um de seus pais. E o pessoal, acaba incluindo sua irmã você e eu. Uma kamui (e não caju) é a armadura que vocês despertaram, ou ativaram se preferir, quando gritaram Etherion, que é uma dimensão mística paralela à Terra.

"Sermos quem somos faz com que seres feéricos, místicos e mitológicos nos cacem, para nos vender, comer ou qualquer outro uso maligno que consigam."

Ele fez uma pausa pra avaliar minha reação. Meu espanto deve ter sido satisfatório, pois ele simplesmente jogou a informação em cima de mim.

- Somos mestiços, Pri. Filhos de humanos e deuses. Em termos de cultura popular, somos conhecidos como semideuses.

Fiquei um tempo sem conseguiu dizer nada. Quando as palavras saíram, foram baixas e gaguejadas.

- Você... você quer dizer... que a Deb... a Deb é... eu sou...

- Sim - ele disse com delicadeza mas convicto. - A Deb é uma semideusa; você também é uma semideusa. O que tudo isso significa é que um dos seus pais biológicos é um deus.

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Salve povo...

Seguinte... alguns capítulos estão maiores que outros... principalmente no começo da história. Gostaria de saber se vocês preferem que eu divida os capítulos em duas ou mais partes, ou se assim está bom, se está dando para acompanhar a história na boa.

Comentem aí!

Abraços!

 

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