O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRLHA

Aqui começa uma história de amor e luta, de esperança e liberdade, de profecias, espiritualidades e crenças messiânicas no período colonial português no Brasil. Esta saga tem palco no Quilombo dos Palmares, entre o atual estado do Pernambuco e Alagoas, onde era a Capitania Hereditária de Pernambuco e nos conta uma história mística de um Preto Velho GRIOT chamado Djeli, um descendente dos antigos contadores de histórias africanos e de N’zambi, um jovem da descendência real do Congo, que futuramente se tornaria um dos maiores heróis negros da história dos africanos escravizados, forçadamente trazidos para o Novo Mundo.

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10. Capítulo 6 - ו (VAV) A CONEXÃO

O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRILHA

ו

VAV

A CONEXÃO

 

Depois de alguns ciclos eternários, desde a decadência do Orún e da corrupção que imperava na criação, Olódùmarè, com toda a sua glória, sabedoria e compaixão, percebendo que o mundo que criara ficara feio e sem luz, triste e cinzento, e que o ódio dominara os seus seres de luz, resolveu, a partir dali, criar um novo reino

Então, Olódùmarè apareceu a Obàtálá e disse:

— MEU FILHO OBÀTÁLÁ, ESTOU MUITO TRISTE COM O ORÚN E COM O QUE ELE SE TORNOU. APESAR DE JÁ SABER O QUE VIRIA A ACONTECER, OS DETALHES E MODOS PERVERSOS DOS MEUS SERES ME IMPRESSIONARAM. POIS O MAL CRESCE E EVOLUI TAMBÉM, E O ABISMO SE TORNA CADA VEZ MAIS PROFUNDO E TENEBROSO. ABRIREI UMA PORTA PARA VOCÊ ENTRAR NO ÀWOSÙN DÀRA, A MORADA DOS JUSTOS. SE PURIFIQUE E VÁ AO CENTRO DO ORÚN, ONDE ANTES EU HABITAVA.

Obàtálá sem demora partiu de sua habitação para o centro do Orún, como Olódùmarè pediu. Chegando lá, viu uma coluna de luz estendida ao mais Alto dos altos, e falou para os seus seguidores esperarem por ele ao redor da coluna de luz

Obàtálá adentrou na coluna luminosa e elevou-se até o Àwosùn Dàra. Estando lá, Olódùmarè ascendeu em chamas na sua frente, e falou:

— MEU PRIMEIRO! FICO MUITO FELIZ POR TER ATENDIDO O MEU PEDIDO. EIS QUE AQUI ESTOU, E UMA GRANDE MISSÃO TE DAREI. QUERO QUE VOCÊ, MEU FILHO, REALIZE ESSE IMPORTANTE TRABALHO. OBSERVEI VOCÊ DURANTE TODO ESSE TEMPO PELO QUAL O ORÚN DECAIU, E VI QUE VOCÊ NÃO ABANDONOU AS MINHAS LEIS E OS MEUS MANDAMENTOS SAGRADOS. PORÉM, UMA ACUSAÇÃO TENHO CONTRA VOCÊ, MEU FILHO. VOCÊ SE JULGA SER MAIS DO QUE VOCÊ É, E MENOS DO QUE PODERIA SER. SE APOIANDO NA SUA PRÓPRIA SAPIÊNCIA, E DESMERECENDO A SABEDORIA DE QUEM TEM ALGO A LHE ACRESCENTAR. CUIDADO! POIS O CAJADO EM QUE VOCÊ SE SUSTENTA É O MESMO QUE LHE FARÁ TROPEÇAR.

Olódùmarè disse isso advertindo Obàtálá do seu amor próprio. Mas Obàtálá pensara que Olódùmarè falara do seu òpá-sóró, que ele sempre trazia nas mãos. E Olódùmarè continuou a dar-lhe instruções:

— AQUI ESTÁ UM SACO COM O ELEMENTO PRIMORDIAL DA EXISTÊNCIA, O ÀPÒ-IWÀ, PEGUE-O E VÁ À MORADA DE IFÁ E PEÇA CONSELHOS A ORUNMILÁ. IFÁ LHE DIRÁ O QUE VOCÊ DEVE FAZER PARA CRIAR O MEU NOVO REINO, QUE SERÁ CHAMADO DE ÀIYÉ. É ESSA A MISSÃO QUE TE DOU.

Obàtálá pegou o saco primordial da existência, o àpò-iwà, e retirou-se da presença de Olódùmarè, descendo da coluna de luz no Àwosùn Dàra até o centro do Orún. Lá, se ajuntou aos seus seguidores e sem demora foi para a morada de Ifá, para pedir conselhos a Orunmilá, o Grande Oluwò, O Senhor da Sabedoria e do Destino

Ainda no centro do Orún, Obàtálá deu uma volta ao redor de si mesmo, a fim de observar toda a circunferência do primeiro reino. E um sentimento estranho que ainda nenhum ser criado sentira apossou-se dele.

Obàtálá começou a sentir uma grande satisfação pela sua capacidade de realização, e um sentimento elevado de dignidade pessoal, que logo se transformou em um senso de superioridade sobre os demais seres do Orún, levando-o a pensamentos de ostensivas arrogâncias, de modo que ele mesmo se colocou no centro do universo e da criação, em pretensões de superioridade aos demais. Por se achar digno de ser o único Imolè incumbido para criar o novo reino, o Àiyé...

Esse sentimento é o que nós conhecemos como: o ORGULHO, a SOBERBA, a VAIDADE, a OSTENTAÇÃO de si mesmo, e tudo o que resume a manifestação do EGOÍSMO.

Obàtálá, centrado em si mesmo, disse aos seus seguidores, os outros Imolès:

— Como é grande a missão que o mais Alto dos altos me confiou. Isso comprova o meu grande poder, a fim de mostrar a todos a minha grandeza e a minha glória. De agora em diante serei conhecido como Òrínsànlá. — que quer dizer o “O Grande entre Todos os seres do Criador”...

E todos os seus seguidores o reverenciaram, e juntos partiram para a morada de Ifá...

Ao chegar à morada de Ifá. Obàtálá, que agora se chamava Òrínsànlá, pensava consigo mesmo: “Por que Eu, Òrínsànlá, filho unigênito de Olódùmarè, tenho que pedir conselhos a Orunmilá?”

Mas logo percebera que precisava de instruções, até porque ele mesmo não sabia onde e como criaria o Àiyé. E o que deveria fazer com o saco da existência, o àpò-iwà, que continha o elemento primordial da criação.

Então, só por conveniência e interesse próprio, Òrínsànlá fora pedir conselhos a Orunmilá.

Nos portões da morada de Ifá, Òrínsànlá arrogantemente falou ao porteiro:

— Vá e diga a Orunmilá que eu, Òrínsànlá, o primeiro entre todos os Imolès Funfuns e toda a criação, o unigênito de Olódùmarè, pelo qual recebi do mais Alto dos altos a incumbência de criar o novo reino, desejo-lhe falar.

Apressadamente, o porteiro da morada de Ifá foi ao encontro de Orunmilá. E, antes que ele pudesse abrir a boca para falar, Orunmilá lhe disse:

— Diga a este que eu não conheço nenhum Imolè de nome Òrínsànlá.

O porteiro foi e disse a Òrínsànlá o que lhe foi dito. E Òrínsànlá disse ao porteiro:

— Vá e fale a Orunmilá que Obàtálá, que agora se chama Òrínsànlá, é quem aqui está.

E, antes que o porteiro pudesse virar-se e ir, Orunmilá lá estava. E disse:

— Entre, Obàtálá, que agora pelo seu próprio poder se chama Òrínsànlá, tenho conselhos a te dar. Para que sejas vitorioso na empreitada que Olódùmarè te confiou.

Òrínsànlá e os seus seguidores entraram na morada de Ifá. E Orunmilá lhe falou:

— Vejo um grande cajado que estava em pé diante do mais Alto dos altos cair. Mas que, ao cair, pequenos brotos surgiram de sua cana, e tornou-se um grande arbusto. E muitos animais rastejantes, como também insetos e pequenas aves dos céus fizeram morada nele. E uma fonte de águas borbulhantes ali brotou, e dela jorrou um grande rio. E no lugar onde esse arbusto floresceu surgiu uma grande floresta. E um jardim foi posto ali, donde proveio toda a vida animada e inanimada, inteligente e de instinto que há de existir na face da terra.

— Do que você está falando? — Perguntou Òrínsànlá...

— De você, filho de Olódùmarè. — Respondeu Orunmilá.

— Não posso perder tempo com suas parábolas, Ó Grande Oluwò. Vamos, me fale o que eu tenho que fazer para criar o novo reino. — Disse Òrínsànlá...

— “Owe ni Ifá Ipa òmòràn ni ímò ó”, Ifá fala sempre por parábolas e sábio é aquele que sabe entendê-las. Vamos ver o que o oráculo tem a falar. — Disse Orunmilá.

E, jogando para o alto os seus dezesseis búzios, os Odus, quinze dos dezesseis deles caíram no chão e apenas um flutuou. O primeiro Odu de nome Ejiogbe. E falou Orunmilá:

— Eis que você será testado e passará por uma grande dificuldade em sua jornada, pois assim Olódùmarè, o Deus Supremo, determinou. Você deverá ir até a fronteira dos mundos no Òrun Àkàsò. Para que alcance o lugar determinado por Olódùmarè, em que você criará o Àiyé. Lá você encontrará um grande pilar, o Òpó-Òrun-oún-Àiyé. É lá que você deverá realizar esse grande trabalho. Aconselho-te que leve consigo outro saco com alguns itens e elementos, para que sejas vitorioso em sua missão. Pois você sabe muito bem que o Òrun Àkàsò, o reino astral, tornou-se a prisão etérea do acusador dos nossos irmãos. Aquele disseminador de ofensas e pai de toda mentira, que fora banido do meio dos Imolès Funfuns. Você sabe muito bem de quem eu falo, o pai de toda desarmonia, Èsú’Yangí.

E, tomando a palavra, Òrínsànlá disse:

— Eu não temo Èsú’Yangí. E também não preciso de sua magia e dos seus itens e utensílios, Ó Grande Oluwò. Eu, Òrínsànlá, primogênito entre todos os Imolès Funfuns, filho unigênito de Olódùmarè, provarei para você que derrotarei aquele traidor, com o poder e a magia do meu òpá-sóró...

— Mas o que eu tenho a lhe dar, Òrínsànlá, será de grande valia para que sejas bem-sucedido em sua missão. — Disse Orunmilá...

— Você, Ó Grande Sacerdote de Ifá, já me deu o bastante para o sucesso da minha missão. A localização exata para eu realizar o trabalho. A respeito de Èsú’Yangí, cuido eu. — E Òrínsànlá, falando isso, retirou-se da morada de Ifá...

Orunmilá, avistando Òrínsànlá partir, disse consigo mesmo: “Eis que este caminha para o seu próprio fracasso. Pois rejeitou os conselhos de quem tem algo a lhe acrescentar. O seu orgulho o cegou, e eis que caminha em direção ao precipício. A sua grande loucura o levará à cova.”

Orunmilá, sabendo que Òrínsànlá fracassaria em sua missão por não ouvir os seus conselhos, mandou os seus seguidores chamar Odùduwà. Pois Orunmilá acreditava que se Odùduwà fosse falar com Òrínsànlá, talvez ele pudesse corrigir o seu erro e seguir os conselhos do grande oráculo de Ifá.

Odùduwà sem demora partiu com os seguidores de Orunmilá para a morada de Ifá. Chegando lá, Orunmilá lhe disse:

— Odùduwà, a cabaça de onde Olódùmarè jorrou a vida, você será a Grande Mãe da existência material, e os novos seres que lá viverem te chamarão de MÃE NATUREZA. Eis que Obàtálá, que por amor a si próprio agora se chama Òrínsànlá, está prestes a tropeçar pelos seus próprios pés. Pois rejeitou os conselhos de Ifá, e daquele que tem sabedoria de lhe instruir. Peço-te, pelo amor que você tem por ele, que vá e o ajude. Para que ele possa se proteger de si mesmo e, assim, possa se desviar do caminho do precipício. Mas, se ele não te ouvir, e fracassar na sua missão, então você deverá realizar a Grande Obra do mais Alto dos altos. Pegue este saco, que contém um camaleão, cinco galinhas das que têm cinco dedos em cada pé, cinco pombas brancas e uma corrente de dois mil elos. Vá e siga Òrínsànlá às espreitas. Ele te conduzirá ao local exato para realizar a Grande Obra.

E Orunmilá, pegando os seus dezesseis Odus, os jogou para o alto, e o segundo búzio, Oyeku Meji, que é a contraparte de Ejiogbe flutuou. Orunmilá então disse:

— O mesmo que vem contra Òrínsànlá virá contra você. Mas, ao contrário do que acontecerá com Òrínsànlá, você obterá a vitória contra o acusador dos nossos irmãos. Ele tentará você para que tropece no caminho, você necessitará de ajuda, e no momento certo ela virá. Também não se preocupe de como você deverá realizar a Grande Obra. Ouça o seu coração e vai entender, pois toda inspiração vem do ouvir o coração...

Odùduwà, retirando-se da morada de Ifá, convocou os outros Imolès Funfuns e partiu ao encontro da comitiva de Òrínsànlá. Alcançando-os no Òna Òrun, a via que dava acesso para o Òrun Àkàsò. E Odùduwà disse a Òrínsànlá:

— Obàtálá, que por amor a si próprio agora se chama Òrínsànlá, viemos ao seu encontro para ajudá-lo em sua missão.

— Odùduwà, Eteko, Akiré, Olúorogbo, Ògiyán, Olufan, Oko, Òkè, Lòwu, Ajagemo, Olúwofín, Pópó, Eguin, Jayé, Olóbà, Obaníjìta, Alajere, Olójó, Oníkì, Onírinjà, Àrówú, Ko e os demais Imolès Funfuns. Fico feliz em saber que vocês estarão comigo, me assistindo na criação do novo reino. Pois a mim foi confiada a honra, o poder e toda glória de criar o novo reino. Para isso terei que combater o meu maior inimigo e o malfeitor de todos os Imolès, que com ajuda de vocês serei vencedor. — Disse Òrínsànlá aos Imolès Funfuns.

E Odùduwà lhe disse:

— O poder, a honra e a glória não vêm de ti, Ó Grande Imolè, ela vem do mais Alto dos altos. E você rejeitou os conselhos provindos do grande oráculo. Viemos aqui para ajudar você a combater o seu maior inimigo, que pelo que vemos não é Èsú’Yangí, e sim você mesmo. Ouça o nosso conselho e siga as instruções de Ifá.

— Eu, o Grande e o Primeiro Imolè, Òrínsànlá, a quem o mais Alto dos altos deu a missão de realizar a sua Grande Obra, tenho que ouvir os seus insultos. Saiam diante de mim, porque tenho um grande trabalho a realizar.

Dizendo isso à comitiva dos Imolès Funfuns, Òrínsànlá virou-se e, sem demora, seguiu seu rumo em direção ao Òrun Àkàsò...

Odùduwà e os outros Imolès Funfuns observaram a comitiva de Òrínsànlá partir. E Odùduwà disse aos demais:

— O oráculo me falou que Òrínsànlá não vai ter sucesso nessa empreitada. Vamos segui-los às escondidas e vejamos o que acontecerá.

Chegando aos portões do Òrun Àkàsò. Que é a faixa etérea, sendo o reino astral entre o Orún e o Òpó-Òrun-oún-Àiyé, delimitando o primeiro reino e o caos, Òrínsànlá, com sua impetuosidade, deu ordem aos seus súditos que abrissem os portões. Mas logo sem demora Èsú’Yangí, o banido que se tornará o porteiro e guardião das fronteiras dos mundos, surgiu e falou:

— Quem ousa abrir os portões do Òrun Àkàsò sem me pedir permissão e me trazer oferendas.

— Desde quando Eu, o filho unigênito de Olódùmarè, o Primeiro entre os primeiros, tenho que pedir permissão a um velho Imolè banido e traidor? — Disse Òrínsànlá.

— Obàtálá, por sua causa vim eu a morar aqui neste ermo. E ainda você tem a coragem de vir aqui me desafiar? Saiba que o Òrun Àkàsò é o meu reino, e só eu decido quem entra e quem sai. E ninguém pode aqui entrar sem me render homenagens. — Disse Èsú’Yangí.

— Saia da minha frente, seu traidor, ou eu, Òrínsànlá, te farei desaparecer com o poder do meu òpá-sóró. — Disse Òrínsànlá severamente.

— Pois bem. Que seja feita a sua vontade, Ó Òrínsànlá. Pois não precisarei guerrear contigo, nessa batalha eu já sou vencedor. Pois o mal que agora há em ti é a brecha que eu tanto esperava, para que eu possa habitar finalmente em tua morada. — Èsú’Yangí, dizendo isso, deu uma sinistra gargalhada e sumiu diante da vista de todos.

E assim Obàtálá, que por amor a si mesmo se fez Òrínsànlá, abriu sem permissão os portões do Òrun Àkàsò e seguiu caminho adentro.

E, assim, desprezou as ordens de Olódùmarè, recusando os conselhos do oráculo de Ifá e repudiando Èsú’Yangí, que agora o dominara...

Èsú’Yangí, olhando para o alto, falou, com o intuito que Olódùmarè ouvisse:

— Aí está, Ó Grande Olórùm, o seu filho amado pelo qual Tu tanto te orgulhas. Desprezando e rejeitando as suas leis e mandamentos. Que diferença tem este de mim, Ó Grande Olódùm. Sei que, como conheces tudo e sabe do destino de todas as coisas, sabíeis Vós que isso viria a acontecer, e que seu protegido fracassaria. Se encontrando ele agora nos meus domínios e sob as minhas regras. Diga-me, Ó Grande Oló, o que eu devo fazer com ele. Pois bem sei eu que Tu o amas. E de que nada posso fazer com este sem que Tu o permitas...

E uma forte voz, como de uma trombeta, potente como um trovão, vindo do mais Alto dos altos, falou:

— ACUSADOR. SEI QUEM É VOCÊ, E SEI QUEM É O SEU IRMÃO. VOCÊ PECA CONTRA MIM, PORQUE SABE MUITO BEM O QUE FAZ A TODO O MOMENTO E POR QUE O FAZ. JÁ O SEU IRMÃO APENAS FALHA CONTRA MIM, POIS ELE NÃO SABE O QUE ESTÁ FAZENDO. POR IMATURIDADE ELE FAZ ESSAS COISAS, E POR ISSO AQUI ESTOU PARA CORRIGI-LO. MAS VOCÊ, Ó ASTUTO, FAZ TODAS AS SUAS MALDADES COM A MAIS PLENA CONSCIÊNCIA, E CÁLCULO, E MAQUINAÇÕES. ESTA É A GRANDE DIFERENÇA ENTRE TI E O TEU IRMÃO. FUI EU QUE O ENTREGUEI EM SUAS MÃOS. APENAS NÃO O DANIFIQUE, MAS FAÇA COM ELE DE ACORDO COM O SEU BEL-PRAZER, PARA QUE SE ACUMULE A SUA MALDADE E PECADO. E NO DIA DA MINHA IRA EU POSSA COBRÁ-LA DE TI. — E, depois que a Voz do mais Alto dos altos falou isso, houve um grande silêncio e calmaria...

Èsú’Yangí, sabendo que Òrínsànlá estava sob o seu domínio, apressou-se em lhe fazer o mal. Então, Èsú’Yangí estendeu o seu cajado de três pontas, em que cada ponta continha um crânio de bode com chifres envergados. E dos crânios de bode saíram uma tenebrosa fumaça preta, que seguiu ao passo de Òrínsànlá.

De repente, ao redor da comitiva do Grande Imolè Funfun, surgiu uma névoa tenebrosa e assustadora. Que por um instante foi inalada por Òrínsànlá.

Ao inalar aquela fumaça preta, Òrínsànlá ficou completamente desorientado no Òrun Àkàsò, que logo se transformara num sombrio deserto de areia e pedras.

Òrínsànlá e seus seguidores caminharam arduamente por longos tempos, que pareciam eternidades. Então, pararam para descansar debaixo de uma grande palmeira, o Igí-òpe...

Ao observar aquela grande árvore, Òrínsànlá e seus seguidores ficaram abismados. Pois nunca vira algo assim parecido no Orún.

Curioso, Òrínsànlá pegou o seu òpá-sóró e cravou a sua base dentro da grande palmeira. Então, uma seiva jorrou de dentro do seu tronco, o emun. E, vendo aquele sumo, o emun, ser derramado, um encanto saiu do Igí-òpe e dominou Òrínsànlá.

De repente uma sensação desconfortante de insatisfação, iniciada por estímulos originados dentro de Òrínsànlá, o dominou. Uma sensação horrível que jamais nenhum outro Imolè sentira antes.

Òrínsànlá desejava fortemente pôr algo dentro dele. Algo que faltava e que ele não sabia o que era. Algo que o deixava irritado e desesperado por não o ter. Essa sensação é o que conhecemos como SEDE. Òrínsànlá estava sedento.

Òrínsànlá, ao ver o emun derramando pelo tronco do Igí-òpe, sentiu-se fortemente atraído, necessitado e desejoso do líquido. Naquele momento e naquela situação era o que ele mais queria.

Então, ele jogou todas as coisas que carregava para fora de si. Como o seu manto, o seu cajado e também o saco da criação, que continha o àpò-iwà. E, correndo desesperadamente, debruçou-se embaixo da grande palmeira e começou a beber freneticamente todo o suco que escorrera dela.

Porém, o que Òrínsànlá não sabia é que o emun é um sumo fermentado contido no tronco do Igí-òpe, com um alto teor alcoólico...

Saciando sua sede, Òrínsànlá apresentou um comportamento inquieto, estava excitado e falante como um macaco. Mas ainda consciente dos seus atos e palavras, falando aos seus seguidores eloquentemente, atingindo níveis elevados de persuasão, como jamais eles o ouviram antes.

Mas, passado um determinado tempo, Òrínsànlá tornava-se mais confuso, e como um leão ficara nocivo e voluntarioso, agindo irrefletida e violentamente. Fazendo com que os seus seguidores tomassem certa distância.

E logo mais lá estava Òrínsànlá como um porco, completamente atirado ao chão, molhado pelo emun, que fizera uma poça no solo.

Òrínsànlá estava em estado de sono profundo, caído ali debaixo do Igí-òpe, descuidado. Jamais nenhum Imolè sentira isso, que é o que conhecemos como a EMBRIAGUEZ.

Os outros Imolès, seus seguidores, vendo aquele estado de Òrínsànlá. Ficaram assustados e perplexos diante de tais acontecimentos e transformações. Nunca viram aquilo antes e nada entendiam.

Então, temerosamente se aproximaram com muito cuidado do corpo do seu mestre estendido ao chão. E começaram a observá-lo por longos tempos, e viam que nada acontecia. Pois os Imolès não têm a necessidade do sono, nem um período de repouso para o corpo e a mente, como nós seres humanos. Sendo este estado experimentado pela primeira vez por Òrínsànlá.

Enquanto os seguidores de Òrínsànlá o observavam. Formou-se no meio deles um pequeno redemoinho de fumaça acinzentada, que evoluiu e logo se transformou em um corpo enegrecido, dando forma a Èsú’Yangí. Este rapidamente pegou o saco da existência, que continha o àpò-iwà, e da mesma forma que surgiu desapareceu...

Èsú’Yangí mais uma vez elevou sua voz ao mais Alto dos altos, atestando:

— Ó Grande e Poderoso Oló, aqui está o àpò-iwà, comprovando a falha do teu amado filho na missão que tu o deste.

E uma grande voz veio do mais Alto dos altos, dizendo:

— DEPOSITA O CONTEÚDO DO SACO EM UMA DE SUAS CABAÇAS QUE TRAZ NA CINTURA. SELA-O, E ENTREGUE A CABAÇA A QUEM PRIMEIRO TE PEDIR PERMISSÃO PARA ENTRAR.

E assim Èsú’Yangí o fez, se posicionando nos portões das fronteiras dos mundos.

Ainda na via Òna Òrun que dava acesso ao Òrun Àkàsò, Odùduwà e os outros Imolès Funfuns aguardavam um sinal do fracasso de Òrínsànlá em sua missão. Quando, de repente, eles avistaram ao longe um ser de aparência franzina e de pele enrugada, cabelos cinza e andar descompassado. Este ser de aparência estranha, estava caminhando como se viesse do Òrun Àkàsò. E, aproximando-se da comitiva dos Imolès Funfuns, este ser de aparência estranha os cumprimentou e disse:

— Saudações, grandes Imolès, eu sou Olónan, o senhor dos caminhos. Não se assustem com a minha forma decadente. Venho aqui a mando de Olódùmarè, para lhes dizer que Òrínsànlá falhou em sua missão. Prossigam até o Òrun Àkàsò e levem os presentes ao porteiro, e sereis bem-sucedidos.

Falando isso, o velho prosseguiu caminhando e desapareceu. Entretanto, o que os Imolès Funfuns não sabiam é que aquele ser estranho era Èsú’Yangí empossado.

Chegando aos portões das fronteiras dos mundos, o Òrun Àkàsò, Odùduwà, que carregava o saco das oferendas, que contém um camaleão, cinco galinhas das que têm cinco dedos em cada pé, cinco pombas brancas e uma corrente de dois mil elos, apressou-se na frente dos outros Imolès Funfuns e disse em alta voz:

— Porteiro! Peço permissão para passar. Eu e meus irmãos Funfuns.

— Ninguém pode entrar no meu reino sem primeiro me render oferendas. — Disse o Porteiro...

— Aqui estão as suas oferendas. — Falando isso, Odùduwà deixou o saco com as oferendas que Orunmilá lhe deu aos pés do portão e se afastou.

O Porteiro se aproximou, pegou o saco com as oferendas e, abrindo-o, viu os presentes que lhe foram ofertados. E disse:

— Odùduwà, se aproxime. — Odùduwà foi até o Porteiro, e este lhe disse. — Dá-me o teu braço. — Odùduwà estendeu o seu braço e o Porteiro retirou do saco a corrente de dois mil elos. E, retirando um dos elos, colocou em seu pulso e falou. — Faço isso como um sinal eterno, comprovando que você obteve a graça de realizar a Grande Obra. — Depois o Porteiro lhe deu o restante da corrente, e ainda uma galinha das que têm cinco dedos em cada pé, um pombo e o camaleão, e lhe disse:

— Tome isso, pois eu costumo agradar àqueles que me agradam e menosprezo aqueles que me menosprezam. Aqui, também, está a cabaça contendo o àpò-iwà. Todos esses utensílios que lhe dei serão importantes para a boa conclusão do seu trabalho. Entre e prossiga na sua jornada.

Os portões do Òrun Àkàsò se abriram, e Odùduwà, junto aos demais Imolès Funfuns, entraram e prosseguiram em direção ao grande pilar, que ficava nas bordas das fronteiras dos mundos, o Òpó-Òrun-oún-Àiyé.

Entretanto, como estava previsto pelo oráculo de Ifá, Èsú’Yangí não deixaria Odùduwà passar livremente pela sua morada sem lhe fazer passar por dificuldades e provações.

Quando a comitiva dos Imolès Funfuns prosseguia pelo grande caminho reto, este se bifurcou logo mais à frente. Sendo que um dos caminhos estava iluminado por uma cor vermelha, e o outro estava iluminado por uma cor azul. E na encruzilhada dos dois caminhos estava ali bem no meio um ser de forma feminina vestida com uma grande túnica púrpura de um vermelho escarlate. E, quando a comitiva dos Funfuns se aproximou, Odùduwà, então, disse:

— Quem é você?

— Não está me reconhecendo. Nos encontramos na via Òna Òrun. Sou eu, Olónan, o senhor dos caminhos quem vos fala.

— Mas você está diferente, como pode isso ser assim. — Disse Odùduwà...

— Posso ser o que quero, e ter a forma de qualquer coisa que penso ou desejo. — Disse Olónan.

— Você, que é o senhor dos caminhos, pode me ajudar a escolher o caminho certo para chegar no Òpó-Òrun-oún-Àiyé? — Falou Odùduwà.

— Um caminho é o caminho da verdade e lá se encontra o Òpó-Òrun-oún-Àiyé, que pode ser o vermelho ou o azul. E o outro caminho é o caminho da mentira. E lá nada se encontra. E esse caminho também pode ser o azul ou o vermelho. Sendo que eu provim de um dos dois caminhos. O enigma é: se eu vim do caminho da verdade, eu te falarei apenas a verdade, e lhe direi qual o caminho certo a tomar. Mas, se eu vim do caminho da mentira, eu te falarei apenas a mentira, sendo que te conduzirei ao caminho errado, onde as trevas os aguardam. Você só pode me fazer apenas uma pergunta. Caso você acerte, saberá qual o caminho a tomar para chegar ao Òpó-Òrun-oún-Àiyé. Se errar, você e seus irmãos ficarão presos para sempre nas trevas, e atormentados pela escuridão. — Disse assim Olónan.

Diante daquele enigma, Odùduwà e os demais Imolès Funfuns sabiam que Olónan verdadeiramente era Èsú’Yangí disfarçado.

Então, eles se reuniram para debater o assunto, e logo chegaram a uma conclusão. Sendo que Oko, um dos Funfuns de grande sabedoria, que conhecia e manipulava bem as palavras e seus enigmas, disse aos demais:

— Irmãos, agora ouçam com atenção, a chave para essa questão é muito simples. A pergunta correta a se fazer é... e cochichou bem baixinho para todos. Pois, se Olónan proveio do caminho da mentira, e este for mentiroso, e falar que o caminho é azul, então, saberemos que o caminho azul é o verdadeiro. Pois ele estará mentindo, porque ele veio do caminho vermelho. E se por acaso ele veio do caminho da verdade, e, deste modo, for verdadeiro, e nos falar que o caminho é azul, é este o caminho correto! Porque ele veio do caminho azul. E essa regra vale também se ele disser que o caminho é vermelho. Aí então, saberemos que o caminho azul é o falso caminho, e neste caso o caminho vermelho é o verdadeiro caminho. Portanto, amados irmãos, independentemente do que ele diga, sendo verdade ou mentira. A verdade sempre prevalecerá!

A maioria dos Imolès Funfuns estando de acordo, e outros ainda em dúvida, não entendendo a explicação de Oko, decidiram então fazer como ouviram, e Odùduwà adiantou-se e disse a Olónan:

— Não adianta se esconder em disfarces, ó acusador e traidor dos nossos irmãos. Bem sei quem és, ó enganador.

Olónan, quando viu o seu disfarce cair, tomou a sua originária forma de Èsú’Yangí e falou:

— Odùduwà, como eu te amava. Mas agora você e seus irmãos serão os meus prisioneiros para sempre. Pois quem é sábio o bastante para decifrar os meus enigmas? E, mesmo que consigas desvendá-lo, passarás aqui uma eternidade de ciclos, até a destruição total do Orún. — E, dando uma grande e sinistra gargalhada, calou-se.

— Acusador e traidor dos nossos irmãos, eis aqui a minha pergunta: qual a cor do caminho de onde você veio? — Disse Odùduwà, respondendo ao enigma.

Èsú’Yangí, vendo que Odùduwà perguntou sabiamente, sendo que a verdade prevaleceria não importando qual cor ele desse como resposta e assim tendo sito decifrado inteligentemente o seu enigma, viu-se encurralado na pergunta, e derrotado desapareceu como fumaça no ar.

Então, o caminho, que antes era bifurcado, converteu-se em uma reluzente estrada dourada, de brilho tão intenso, que, quando os Funfuns pisavam nela, seus pés desapareciam submersos em tamanha luminosidade.

A comitiva dos Imolès Funfuns, liderada por Odùduwà, avistou ao longe um monólito na figura de um obelisco, constituído de um pilar de pedra única em forma quadrangular alongada e sutil, que se afunila ligeiramente em direção a sua parte mais alta, formando uma pequena pirâmide em sua ponta...

Era o Òpó-Òrun-oún-Àiyé

Chegando no Òpó-Òrun-oún-Àiyé, Odùduwà falou aos seus irmãos Funfuns:

— Eis aqui o lugar exato onde iniciaremos o nosso grande trabalho de criar o novo reino.

Mas o que agora incomodava Odùduwà era o fato de não saber como fazer esse grande trabalho. Pois Odùduwà continha em suas mãos todos os elementos para a Grande Obra, mas faltava a explicação exata para realizá-la.

Então Odùduwà meditou e recordou-se das palavras de Orunmilá, o sacerdote de Ifá, que dizia: “Escute o seu coração e vai entender.”

Odùduwà, fechando os seus olhos, centrou-se em si mesma, buscando o mais profundo do seu íntimo, até alcançar as vias que levam ao coração. E, ainda meditando, perguntou aos seus irmãos quais eram os elementos que continham o saco para a realização da Grande Obra. E os Funfuns responderam:

— Temos a corrente e ainda uma galinha, um pombo e o camaleão. E a cabaça contendo o elemento primordial, o àpò-iwà.

Odùduwà, vendo um dos elos da corrente preso em seu pulso, disse:

— Dá-me a corrente.

E, pegando-a, prendeu uma das pontas no elo do seu pulso. E a outra ponta prendeu no grande pilar, o Òpó-Òrun-oún-Àiyé.

Então, pegou o saco com o restante dos conteúdos e pulou para o caos. Ficando pendurada pela corrente, em meio ao nada, Odùduwà assim pensou: “Lançarei primeiro nesta vastidão o elemento primordial, que foi dado pelo mais Alto dos altos”.

Odùduwà retirou a cabaça que continha o àpò-iwà, que estava dentro do saco. E, quebrando-a com uma das mãos que se encontrava livre, fez com que o seu conteúdo caísse sobre o vazio do nada, que escorregava leve e lentamente pelos seus dedos.

 Esse conteúdo, o àpò-iwà, é o que conhecemos hoje como as minúsculas pedras que formam os grãos de areia. O que chamamos de TERRA.

O àpò-iwà, ao cair, formou uma base flutuante sobre a vastidão do nada, e continuou se estendendo até formar uma grande montanha. Odùduwà, vendo aquela montanha, sentiu a necessidade de jogar a galinha.

E, lançando-a sobre a montanha recém-formada, a galinha de cinco dedos em cada pé começou a ciscar e espalhar a terra ao redor. Deixando somente uma grande elevação de terra no centro, formando uma grande montanha plana.

Odùduwà, vendo o que a galinha fizera à terra, sentiu a necessidade de descer. Mas, temendo que a terra não fosse firme, jogou sobre ela o cameleão.

O camaleão, ao cair sobre a terra, começou a andar lentamente e suas pisadas pilavam a terra fofa, as tornando mais condensadas e firmes. Sendo que em alguns lugares a terra descia extremamente, em quanto em outros lugares a terra se mantinha firme, formando grandes buracos e ecos na terra, junto a grandes platôs...

Vendo que a terra era realmente firme, Odùduwà largou-se da corrente e saltou caindo com um dos pés sobre a terra recém-criada. E assim Odùduwà pisou no novo reino, deixando sobre a terra a sua primeira pegada, que até hoje existe na nossa Terra-Mãe África. O nome dessa primeira pegada deste ser alado gigante é Esè-Ntaiyé-Odùduwà.

Quando os Imolès Funfuns viram Odùduwà caminhar sobre a terra, que era o segundo reino recém-criado, ficaram maravilhados. Então, choraram de grande emoção. E de lá de cima das bordas do Orún as suas lágrimas preencheram e nutriram toda a terra, dando origem às chuvas. E as águas ocuparam os grandes buracos formados pelas pegadas do camaleão, o que veio originar os grandes oceanos de hoje.

Odùduwà, então, retirou do saco das oferendas a pomba. E, como um sinal de agradecimento pela maravilha da criação, lançou-a no ar em reverência ao mais Alto dos altos. A pomba, ao voar batendo as suas asas, lançou sobre a terra o vento e espalhou as águas. E sobre a terra formaram-se as lagoas e os lagos. Dando origem aos berços dos vales com seus planaltos e planícies.

E por detrás do grande monte uma forte luz raiou, subindo lentamente e clareando pela primeira vez o segundo reino. Era Olódùmarè em sua nave em forma de disco de fogo, e assim o mais Luminoso dos luminosos disse:

EU SOU!

E da terra começaram a brotar ervas diversificadas. E a vida se expandiu sobre a terra. E, assim como fizera no primeiro dia, todos os dias Olódùmarè visita a sua criação em seu disco de fogo, dando voltas em toda a Terra e depois partindo para sua morada, o Àwosùn Dàra.

E Odùduwà concluiu a Grande Obra e criou o novo reino.

Assim, pelo sucesso do seu trabalho, Olódùmarè deu a Odùduwà o título de Olófin. Que significa “O Senhor do Palácio”, por assim criar o novo mundo. Assim Olófin Odùduwà criou o novo reino em lugar de Obàtálá...

FIM DO SEXTO CAPÍTULO - Esta saga tem vinte e dois capítulos, que são configurados nas vinte e duas letras hebraicas, do א (ALEPH) ao ת (TAV).  

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