O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRLHA

Aqui começa uma história de amor e luta, de esperança e liberdade, de profecias, espiritualidades e crenças messiânicas no período colonial português no Brasil. Esta saga tem palco no Quilombo dos Palmares, entre o atual estado do Pernambuco e Alagoas, onde era a Capitania Hereditária de Pernambuco e nos conta uma história mística de um Preto Velho GRIOT chamado Djeli, um descendente dos antigos contadores de histórias africanos e de N’zambi, um jovem da descendência real do Congo, que futuramente se tornaria um dos maiores heróis negros da história dos africanos escravizados, forçadamente trazidos para o Novo Mundo.

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16. Capítulo 11 - כ (CHAF) A ASCESE

O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRILHA

כ

CHAF

A ASCESE

 

Depois da união de N’zambi e Dandara, naquele mesmo ano eles tiveram um filho e batizaram o menino com o nome de Hu’y Tata Motumbo. Juntos viveram no Mokambo de Tabocas, e construíram uma casa formada por três kubatas arredondadas, nas baixadas do pomar que o preto velho Djeli plantara abaixo do monte onde moravam.

Apesar de haver algumas pequenas expedições ofensivas dos colonos portugueses contra os k’ilombolas de Palmares, N’zambi vivera sossegado por quatro prazerosos anos ao lado de Dandara, em que tiveram mais dois filhos. E, junto a Dandara e os seus três filhos, o jovem príncipe passava os seus dias em companhia de seu tutor Djeli.

O preto velho griot ensinara ao jovem N’zambi todos os seus saberes. Tanto mundanos como espirituais. Djeli o capacitou em agricultura, apicultura, cestaria, olaria, astrologia, metalurgia, construção de abrigos, casas e fortificações com as inúmeras matérias orgânicas que a natureza daquele lugar podia oferecer. E, enquanto ensinava ao jovem príncipe as coisas funcionais do cotidiano para a sobrevivência, ao mesmo tempo ensinava o lado espiritual que contém cada coisa.

Por mais que o jovem N’zambi não entendesse o processo dos sábios ensinamentos do preto velho griot, Djeli, conscientemente, com muita sabedoria e visão holística, ia aos poucos e sem perda de tempo preparando um grande rei. O preto velho sabia que os momentos de paz e felicidade que agora vivia o jovem príncipe seriam muito curtos. E, por isso, esquematizava meticulosamente cada ação e palavra que ele conferia ao jovem príncipe, de modo a ser tudo proveitoso.

Enquanto trabalhavam na horta e nos inúmeros plantios e colheitas dos alimentos, sempre o preto velho griot tirava um ensinamento do espírito de cada ação, e a manifestação das suas inúmeras consequências.

Certa vez, enquanto o preto velho griot e o jovem príncipe trabalhavam na roça, dando a devida manutenção diária nas limpezas das leiras, Djeli falava da importância de reconhecer certas ervas que os agricultores classificavam como daninhas, mas que contribuíam para proteção da planta comestível que estava sendo cultivada, dizendo:

— Olhe essas muitas ervas improdutivas que nasceram ao lado das nossas acelgas, alfaces e couves. Não as plantamos, e mesmo assim elas cresceram sozinhas e se enfestaram por nossas leiras. Assim também será quando você se tornar o rei de Palmares. Palmares será sua horta e cada um dos seus mokambos será sua leira. Seus cultivos serão os homens e as mulheres de sua confiança, que você fincará como os líderes e comandantes dos kraais e mokambos. E por entre esses cultivos aparecerão homens e mulheres desconhecidos que você não plantou. Esses homens e essas mulheres serão as ervas daninhas que se manifestarão nas suas leiras. Agora escute e observe com muita atenção, meu jovem.

E Djeli contou-lhe uma parábola:

— O agricultor tolo, ao ver todas essas ervas, que ele julga como improdutivas, se espalharem por todas as suas leiras de cultivos, se põe de joelhos sobre o solo e começa a retirar todas aquelas ervas, sem procurar um porquê de elas terem nascido ali. E, limpando, arrancando pelas raízes todas aquelas ervas que ele jugou não serem proveitosas para os seus cultivos, ele vai para sua habitação satisfeito, vendo suas leiras todas limpas, crescendo apenas o que ele cultivou. Mas, então, algo que ele desconhecia começou a atacar os seus cultivos. Os gafanhotos, larvas e percevejos que habitavam e gostavam de comer aquelas ervas daninhas, não tendo mais onde morar e se alimentar, viram nos cultivos uma boa opção e alternativa. E quando este agricultor tolo foi alegremente depois de alguns dias visitar os seus cultivos, viu que suas folhas e frutos apresentavam vários furos e pontos enegrecidos. E ele se perguntava o porquê de seus cultivos apresentarem aquelas imperfeições, já que ele dava a devida atenção e cuidado.

E Djeli, olhando profundamente nos olhos do jovem príncipe, continuou a dizer:

— Meu jovem, quando fores o agricultor dessa grande horta que é Palmares, não se limite apenas aos seus líderes e comandantes. Se acerque também dos homens e mulheres que se acercaram abaixo desses líderes. Não ignore e nem veja ninguém no seu reinado como um inútil. Por mais insignificante que uma pessoa possa parecer, ela sempre terá algo de valioso num momento específico e necessário a lhe acrescentar. Veja, N’zambi, que tudo se encaixa. Pois o pequeno e o grande têm os seus lugares certos e as suas funções adequadas. Até o homem burro em certas ocasiões tem sua utilidade na sua burrice. Pois este, por ser burro, não temerá a morte ao ser mandado ao encontro dela. E sua burrice de certo o salvará da morte, pois ele, ignorando o seu perigo, não há teme. Sua função como rei será para dar utilidade a todas as coisas. Pois até o capim-bravo que julgamos inútil em nossas hortas é o melhor alimento para os nossos bois, bodes e cavalos nos pastos.

E, assim, seguia o preto velho griot Djeli instruindo o jovem príncipe N’zambi nas variadas funções do cotidiano, fazendo dos seus ensinamentos espirituais lições práticas nos inúmeros afazeres do dia a dia. Despertando no jovem a curiosidade e a percepção, no entendimento de aprender com o todo e o tudo que o cercava, e, sobre isso, Djeli sempre o alertara:

— A vida, meu jovem, é, na verdade, um grande livro de imensa sabedoria. Disso sabiam os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães. Observar e ficar atento a todas as coisas. Não ignorar nenhum som, visão ou sentido do cotidiano. Tudo e todos têm sempre uma mensagem e algo a nos acrescentar. Dessa forma, você saberá prever os acontecimentos importantes ou desastrosos que virão ao seu encontro e saberá como torná-los útil. Para se ler “O Grande Livro da Vida”, meu jovem, você deverá adquirir a visão do invisível. Observando o que não se vê em todas as coisas. Você deverá adquirir a audição do inaudível. Escutando o que não se ouve em todas as coisas. Você deverá adquirir a sensação de tocar o impalpável. Abraçando e tocando o que não se possui.

— E como posso fazer para adquirir todas essas coisas, Djeli? — Perguntou N’zambi.

— Vendo muito mais além do que os olhos podem ver. Ouvindo muito mais além do que os ouvidos podem ouvir. Sentindo muito mais além do que o corpo pode sentir. Indo muito mais além do que se imagina. Pois, se assim não for, as cores o tornarão cego. Os sons o tornarão surdo. E os sentimentos o tornarão insensível.

— E como posso ir mais além do que se imagina, Djeli? — Tornou a perguntar o jovem príncipe.

— Vendo, ouvindo e sentindo a simplicidade de todas as coisas. Se tornando um homem simples. Valorizando as coisas simples, e fazendo o povo valorizar tudo o que é simplicidade.

— Como, Djeli? — Mais uma vez perguntou N’zambi.

— Tornando a caminhada do homem e da mulher sagrada pela não valorização dos bens de difícil obtenção. Mantendo o homem e a mulher alheios à disputa, pela não valorização do ouro e da prata. Mantendo o homem e a mulher alheios à cobiça, não enobrecendo as coisas de difícil aquisição e não admirando o que é desejável aos sentidos. Fazendo o homem e a mulher se realizarem unicamente pelo coração e não pelo olho, e não pelo ouvido, e não pela língua, e não pelos sentidos de prazeres da luxúria e da posse. Afastando o mal e escolhendo o bem. Mantendo no seu reino “O Caminho Ancestral”, para que o povo retorne ao princípio ancestral, e valorizando os ensinamentos do Sagrado e Eterno Contínuo. Que é a expressão do que hoje não pode ser expressado, “A Imagem Verdadeira” do que hoje não mais existe. Fazer o homem e a mulher enquanto pequenos ser grandes, e enquanto grandes ser pequenos. Enquanto superiores não ser arrogantes, e enquanto inferiores não ser vagarosos. Fundi-los e torná-los um, na simplicidade do coração de todas as coisas existentes. Encontrando, assim, a ordem no caminho superior, enfraquecendo as suas efêmeras vontades, mantendo-os sem conhecimentos e desejos de tudo aquilo que os tornem mesquinhos e arrogantes. Ame o seu povo, meu jovem, e governe através do coração. Gere e crie, mas sem se apossar. Aja e conquiste sem querer nada para si. Reine e seja um grande governante para esse povo, mas sem dominar.

E, assim, o jovem príncipe N’zambi escutava todos os ensinamentos de Djeli com o coração aberto. Abraçando a unidade de todas as coisas, alcançando a pureza e a suavidade daquele que se purifica no imaculado conhecimento do Sagrado e Eterno Contínuo.

Certa vez, enquanto N’zambi e o preto velho griot Djeli caminhavam pelas periferias dos kraal dos mokambos de Tabocas, digo agora dos mokambos, porque, durante aqueles quatro anos em que N’zambi vivera lá, Tabocas se dividira em duas administrações, possuindo dois líderes cabeças da Ordem K’ilombola. No entanto, certa vez, enquanto N’zambi e Djeli passeavam pelas trilhas e ruas de barros daquelas cercanias de kraal, o preto velho griot discursava sobre o entendimento do Sagrado e Eterno Contínuo. Falando com a sabedoria daquele que tem algo a ensinar, dizendo:

— O retorno ao Sagrado e Eterno Contínuo é manifestação da vida em sua múltipla face de simplicidade, de gentileza, de humildade e harmonia. Quebrando todos os padrões, valores, cacoetes e vaidades da vida humana... É o arquétipo dos homens... É a salvação do mundo... Tudo está na porta do Sagrado e Eterno Contínuo. Basta que você abra e lá encontrará o que veio resgatar. Observa o que está oculto aos olhos, e verás aquilo que não se procura. Não há nada em oculto na vida e no mundo que não seja revelado pelo Sagrado e Eterno Contínuo. O Sagrado e Eterno Contínuo daquele Grande que se faz pequeno. O Sagrado e Eterno Contínuo daquele pequeno que se faz Grande. O Sagrado e Eterno Contínuo é o arquétipo dos homens em si. A sabedoria da Majestosa Divindade Existencial. Em ti exponho o teu saber. Saber unificador e prudente em todas as coisas. Os valores do mundo de nada valem para o Sagrado e Eterno Contínuo. O progresso do Sagrado e Eterno Contínuo é o progresso do indivíduo em sua consciência do SER SUPERIOR que ele verdadeiramente É. O Sagrado e Eterno Contínuo move, mas não é movido. O homem é que é movido pelo Sagrado e Eterno Contínuo. E ai daquele que pensa que move o Sagrado e Eterno Contínuo. Pois quem pensa que move O Sagrado e Eterno Contínuo deixou de mover nele... Não há padrões, regras, mentiras, verdades, dualidade, sexo, tempo, espaço, eu, tu, nós no Sagrado e Eterno Contínuo. O Sagrado e Eterno Contínuo surgiu como uma solução para evitar o extremo da dificuldade e ignorância humana na Terra, e, se tornou a senda e via para sua interrupção. E até hoje e sempre esta via é em si mesma o caminho que conduz à interrupção das construções das ignorâncias humanas. O Sagrado e Eterno Contínuo é o mundo circular, sempre em eterno movimento, manipulando os extremos opostos do SER. O Sagrado e Eterno Contínuo vai muito mais além do que se imagina, e os seus portadores e as suas portadoras não são seres humanos do mundo das chamadas normalidades. Os seus portadores e as suas portadoras no mundo são homens e mulheres anormais. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo nunca se queixam, pois estão sempre no estado do homem e da mulher difícil, e, assim sendo, no mundo nunca encontra dificuldades. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo mantêm o seu estado de paz no pensar e no agir, independentemente das opiniões alheias ou públicas. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo são tranquilos e de semblantes serenos. São sempre pacientes, nunca se desesperam com os movimentos dos seus sentimentos perante as intempéries da vida. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo sabem que o segredo está no olho, e na maneira e modo do seu olhar. Por isso, têm o olhar penetrante. Observam tudo e todos os ângulos com inteligência, e falam com clareza de espírito, e manipulam as expressões do olhar, para lhes servirem e lhes serem úteis às suas vontades. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo, ao falarem, falam com paixão e sabedoria, pensando amorosamente e inteligentemente no que diz. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo procuram viver de maneira simples, e vestem-se discretamente. Porque são notados e observados aonde quer que estejam. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo não andam à procura de aplausos. Nos discursos são os que menos falam, e, no falar, suas palavras, porém simples, são decisivas! Eliminando todas as divergências contrárias à harmonia do lugar. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo nunca se sentem ofendidos pelas palavras ou ações que vêm ao encontro deles e delas. Eles e Elas não se rendem ao domínio do bem e do mal. Não se empolgam com o prazer, e nem se desesperam com a dor. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo sabem que só possuem um único amigo e um único inimigo, ELE MESMO e ELA MESMA. Sem o outro, o Sagrado e Eterno Contínuo não existe. A manifestação do Sagrado e Eterno Contínuo age nos homens e nas mulheres, como condutores de energia vital e existencial. O estado dos portadores e das portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo é o estado de estar atento e consciente, não somente ao que está acontecendo momento a momento, mas como Eles e Elas estão participando desse processo. A primeira atenção dos portadores e das portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo é consigo mesmo. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo devem considerar como suas atitudes estão moldando a realidade do lugar, essa atenção tem que ser conquistada com uma mente lúcida que não julga nada, apenas a si observa. Quando os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo conquistam essa atenção, Eles e Elas têm a consciência das implicações de suas atitudes e ações. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo adquirem tal consciência, que Eles e Elas compreendem que todo ataque é o estado de estar vulnerável ao seu adversário. Todo ataque deixa os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo expostos. Abertos e expostos ao perigo. Sabendo disso, os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo aprendem a temer a Ele mesmo e a Ela mesma. Sabem que, na vida, Ele e Ela são o seu próprio inimigo e o seu próprio amigo, o seu próprio lobo e o seu próprio protetor, a sua própria destruição e a sua própria vitória. Inteligentemente, os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo começam a se observar, e a se conhecer mais e mais. Aprendem a conhecer as suas virtudes e as suas fraquezas. Aprendem a conhecer sua mente e o seu corpo do fio de cabelo mais alto da sua cabeça à sua unha maior do pé. Principalmente conhecem suas intenções, as implicações de suas atitudes. A segunda atenção é o outro. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo têm que entender que o outro é mais importante na vida do que Ele ou Ela. Pois é o outro que faz com que os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo manifestem as suas ações e fiquem conhecidos. Essa atenção deve ser conquistada pelos olhos fixos nos olhos do outro. O olho revela tudo e também de tudo esconde e engana, todas as intenções dos homens e das mulheres estão nos seus olhos, nos seus olhares. Cuidado com o homem e a mulher pelo qual não se vê na profundidade dos seus olhos, a este e esta, a luz do Sagrado e Eterno Contínuo está apagada. Sendo que suas intenções e maldades são muito perigosas, certeiras e mortais. A terceira atenção é a mais completa, é pela qual os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo tendem a estarem atento a tudo. É a atenção do todo em tudo na existência. É o olho onividente que tudo vê e tudo abarca, e quando olha o horizonte vê o círculo em volta, acima e abaixo, a linha entre o Céu e a Terra. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo na terceira atenção já não têm mais consciência de si, e sim da manifestação do Sagrado e Eterno Contínuo. Ele e Ela são o Sagrado e Eterno Contínuo e o Sagrado e Eterno Contínuo são Ele e Ela. Nesse estado, os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo estão em pleno transe absoluto do estado do SER. O estado da terceira atenção é o estado que o um se torna vários e que os vários se tornam um. É a própria “Sabedoria Ancestral” manifesta na consciência de cada SER envolvido em seu interior, manifestando-se no exterior. A terceira atenção é conquistada quando nossas interpretações são apagadas, quando deixamos de nos localizar e nos perceber na vida e no mundo, e quando deixamos de lado nossa interpretação e ansiedade de fazer ou agir. Nesse momento surge um grande silêncio que vai além de todas as atitudes e ações na vida. Esse silêncio não é oposto ao movimento, pelo contrário, é o que faz, e o que preserva, e abarca todos os movimentos. A maior arte dos portadores e das portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo é a de encontrar o Movimento do Equilíbrio. Conquistar o Movimento do Equilíbrio tem que ser a conduta maior dos portadores e das portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo. Os portadores e as portadoras do Sagrado e Eterno Contínuo têm que saber quando é necessário energia e determinação correta, tem que saber o momento correto de abrandar-se e entregar-se, tem que ter o sentido correto de se fechar e de se abrir, saber quando é preciso ter mais fé e quando deve investigar, saber ouvir os ritmos dos seus sentimentos e dos sentimentos dos seus próximos, e não ser enganados por eles. O Sagrado e Eterno Contínuo não é algo a ser conquistado, apenas é uma maneira de ser, e do SER. Uma maneira de não criar resistência aos desafios, e de não ser vencido por eles, é uma questão de puro e pleno equilíbrio. A expressão universal visível pela qual nos manifestamos é realizar o Sagrado e Eterno Contínuo, por isso, integridade e perdão é a honestidade de um homem e de uma mulher equilibrada em seu movimento do SER, e de ser. São estas qualidades do Sagrado e Eterno Contínuo que nos permitem caminhar no movimento do espírito da liberdade e aprender as lições que nos levam ao correto sentido do despertar. O sentimento de liberdade e a própria liberdade é o que domina e denomina o movimento do Sagrado e Eterno Contínuo, e este tende a ser o maior propósito do homem e da mulher de bem. A interconexão e conexão com o céu e o seu Universo, a terra e a sua Natureza, são a própria verdade libertadora desse movimento, e o homem verdadeiro e a mulher verdadeira em sua conduta sabem das leis e do grau reacional das causalidades e do acaso, sincronicamente, na manifestação e nas várias manifestações do Movimento do Sagrado e Eterno Contínuo. O Mestre e a Mestra do Sagrado e Eterno Contínuo são os condutores e nada mais que isso, e essa tem que ser a verdade e consciência do verdadeiro Mestre e da verdadeira Mestra. O homem e a mulher de bem é que tem que trilhar o seu próprio percurso. O Mestre e a Mestra só podem indicar a maneira de como se anda, e cada Mestre e Mestra oferecem uma maneira, e cada modo é apenas fragmento da verdade do Movimento do Sagrado e Eterno Contínuo, e não a sua totalidade. O homem e a mulher no caminho do Sagrado e Eterno Contínuo recorrem em erro, se acham que o seu condutor possui a verdade absoluta do Sagrado e Eterno Contínuo, por mais velho Mestre ou Mestra que julgue ser. A verdade absoluta do Sagrado e Eterno Contínuo existe, e pode ser vivenciada, mas ela tende a ser conquistada pelo esforço próprio de cada homem e mulher de bem, e esse esforço está em cada um, e só pode ser externado pela vontade de cada um e, assim, experimentado. Muitos mestres e mestras, tutores e tutoras falarão muitas coisas sobre o Movimento do Sagrado e Eterno Contínuo e ludibriarão a muitos com os seus discursos imbuídos em fatos históricos, e muitos são e serão cegos pelas belezas e veracidade das palavras, sendo assim, se tornarão emuladores de teorias sobre o Sagrado e Eterno Contínuo, enganados pelas palavras e suas expressões, e não experimentarão a magia e consciência libertadora universal, que o Sagrado e Eterno Contínuo oferece ao SER, em ação existencial. O Verdadeiro Mestre e a verdadeira Mestra se calam, e suas ações verdadeiramente são quem falam. O homem e a mulher de bem devem ter muito cuidado com os falsos mestres e as falsas mestras, que apenas abusam do seu nome e poder e do nome de seus antecessores para burlarem a consciência dos seus discípulos, e os tornarem dependentes das suas migalhas de pão duro e mofado que cai de suas mesas. A quem Eu assemelho os falsos mestres e as falsas mestras de hoje? São semelhantes a um rico fazendeiro, que deu uma ordem a um de seus capangas, de reunir em certo lugar todos os habitantes cegos de nascença do vilarejo onde morava. E de mostrar a eles uma vaca. E de dar uma certa recompensa ao cego que descrevesse, o mais exato possível, como seria uma vaca em sua forma. O capanga assim o fez, e disse aos cegos: eis uma vaca! A alguns dos cegos ele apresentou a cabeça do animal, a outros os seus chifres, a outros as suas tetas, a outros o seu rabo, a outros as suas patas, a outros o seu lombo. E a todos eles falou ser aquilo uma vaca. Então o fazendeiro veio ao encontro dos cegos e pediu-lhes para dizer a que era semelhante a vaca. Os que tinham tocado a cabeça falaram ser semelhante a um balde, já os que tinham tocado os chifres falaram que era semelhante a um sapato, os que tinham tocado as tetas falaram que era semelhante a uma borracha das seringueiras, os que tinham tocado o rabo falaram que era semelhante a um cipó, já os que tinham tocado as patas falaram que era semelhante a um toco de pau, e os que tinham tocado o lombo falaram que era semelhante a um tapete. E nisso começaram a disputar entre eles, e falarem alto que a vaca não era assim, e outros falarem que eram de outro jeito, e, de repente, todos começaram a lutar entre si, pelas divergências de suas opiniões. E o rico fazendeiro se divertia, lucrando com tudo isso. Portanto, o homem e a mulher no caminho do Sagrado e Eterno Contínuo deve ser o seu Verdadeiro Mestre e a sua Verdadeira Mestra. E o discípulo e a discípula reconhecem o Verdadeiro Mestre e a Verdadeira Mestra do Sagrado e Eterno Contínuo, cuja conduta dos seus corpos, das suas palavras e dos seus pensamentos leva os seus discípulos ao caminho do seu próprio reconhecimento mútuo, de trilhar e experimentar, por si próprio, a essência do seu ensinamento libertário, de cada SER em consciência existencial.

E assim falava o ancião Djeli ao jovem príncipe de Palmares. Contando várias anedotas, parábolas e histórias sobre o Sagrado e Eterno Contínuo. Imbuído nesses inúmeros ensinamentos ancestrais de seu povo, os primeiros africanos. O preto velho griot ia fazendo de N’zambi um homem de sabedoria, para conscientizá-lo da sua “Imagem Verdadeira”. E despertá-lo para sagrada compreensão da sua missão nessa época existencial, de ser um dos filhos daquela que mais brilha. E sobre ser um dos filhos daquela que mais brilha, o ancião Djeli preparava e ensinava N’zambi, com as seguintes palavras de plena Sabedoria Ancestral, discursando e ensinado os seguintes preceitos:

— O PAI-MÃE DE TODAS AS COISAS tem sua Sagrada Presença em nós. De forma a gerarmos todos os seus poderes de bênçãos infinitas através de nossas ações. A Grande Presença é a Opulência Divina, é a VIDA do CRIADOR em nós que sempre está manifestando sua Imensa Perfeição mais e mais. Manifestando sempre o mesmo pulsar do coração vivificador em todas as expressões do existir. Toda atividade e ação poderosa é ativada pela ordem dada pela Presença Divina que há em nós. Quando damos uma ordem sentindo o seu poder gerador, abrimos todas as portas e desobstruímos todos os obstáculos para que ocorra o fluxo natural da Vida Infinita. Quando nos intimidamos dizendo: eu não tenho, eu não sou, eu não consigo, eu não posso, fechamos essa porta da Vida Infinita em nós. Esquecer do Sagrado e Eterno Contínuo, a sabedoria das nossas raízes, o pacto dos nossos Primeiros Pais e das nossas Primeiras Mães, é desconectar da Poderosa Energia Pulsante do coração do nosso CRIADOR. E, assim, esquecermos de nossa perfeição, e de que tudo é perfeito, cada um funcionando no seu lugar. O Criador e a criatura é um. Um sem o outro não ficam conhecidos, e nem se conhecem. O verdadeiro poder que a tudo vivifica e a tudo harmoniza é A Grande e Poderosa Presença Divina em ação. E esse poder está dentro de nós, e também ao nosso redor. Nós como seres individualizados e conscientes de nossa existência nesse exato momento somos a expressão do UM. Somos o deus de nossa existência. Por tanto, devemos reconhecer e, assim, conhecer, seja em pensamento, palavra e sentimento, que somos a expressão da Divina Presença do CRIADOR. E, assim, somos sua própria Vitoriosa Divindade.

E, olhando no profundo dos olhos de N’zambi, o ancião Djeli falava:

— Não apenas acredite, meu jovem, que você é o filho daquela que mais brilha. Seja o Filho daquela que mais brilha. Ser o filho daquela que mais brilha é como está amando, é como está constantemente sonhando. O filho daquela que mais brilha mantém naturalmente uma vigilância plena de todas as suas ações e atitudes. Não sufocando a sua Divina Presença com pensamentos, sentimentos e palavras que não correspondem à magna energia do coração do CRIADOR, que pulsa latente em nós e em todas as coisas existentes. O nosso amado CRIADOR, que é o GRANDE ESPÍRITO que dança em todos e em tudo, nos criou e nos deu o seu PODER. E esse poder está acessível a todo momento. Esse poder está no ar. Esse poder está na água. Esse poder está na terra. Esse poder está no fogo. Porém, onde esse poder se encontra mais latente, pulsante e vivificante, manifestando o todo e o tudo, é no coração do homem e da mulher de bem. O filho daquela que mais brilha é a manifestação visível do coração do Universo e da Natureza. Pois sua manifestação é a materialização do poder do nosso PAI-MÃE. Sendo este, em um tempo, a justiça. Em outro tempo, a vitória. Em um tempo, o poderoso guerreiro. Em outro tempo, a piedade. Em um tempo, a fé. Em outro tempo, o sacrifício. Em um tempo, o amor. Em outro tempo, a paz. Em um tempo, a misericórdia. E em outro tempo, a harmonia e perfeição. Em um tempo, a luz. Em outro tempo, a ausência, até que venha o último tempo. Ser o filho daquela que mais brilha é estar consciente a todo momento de sua Divina e Poderosa Presença, e missão. E, assim, liberar o poder da sua divindade, do seu amor, da sua sabedoria e da sua verdade. Colocando o interior em ação na experiência exterior, atuando e manifestando tudo e qualquer coisa que pense, sinta e deseje. O nosso Criador nos deu o seu poder, e o seu poder é a liberdade que temos de qualificar toda e qualquer energia que projetamos em pensamento, sentimento e palavra. Pois todos nós conhecemos o que é construtivo e destrutivo nessas ações. Sendo assim, o Filho daquela que mais brilha é a expressão de toda inteligência e sabedoria divina, em ação existencial.

Nessas palavras de pleno poder e sabedoria, o jovem N’zambi crescia em espírito e força, absorvendo os sagrados ensinamentos do preto velho griot Djeli. N’zambi se tornou um rapaz forte no espírito, invocando o poder da sua Divina Presença, e ordenando-a à sua vontade. O jovem príncipe adquiriu tal poder, que tudo que pensava ou desejava se manifestava quase que imediatamente. Obteve a compreensão que dava a absoluta liberação externa de todos os maiores benefícios, que é ativar a Divina Presença em nosso universo e nosso mundo interno.

N’zambi dava ordem às coisas e as coisas o obedeciam. Ele sempre ordenava através da sua Divina Presença. Recebendo, aceitando e aplicando sem limitações as instruções do preto velho griot Djeli. Que foram lhe dadas pelo Grande Espírito que dança em tudo e em todos. N’zambi adquirira a compreensão que cada movimento que age de forma simples e natural era a expressão visível da Divina Presença em ação. E, assim, adorava e dava plena confiança, com uma fé inabalável aceitando a Divina Presença do CRIADOR nele mesmo. Em lugar de valorizar a sua expressão externa que está qualificada por todo conceito do pensamento humano limitado, N’zambi acreditava na perfeição, observando a plenitude de todas as coisas, apoiado na autossuficiência que ele adquiriu. A aparência externa das coisas, que é somente vista pelos olhos das imperfeições, e que faz com que os homens e as mulheres se esqueçam da sua Divina Presença, já não era mais o foque de atenção de N’zambi. Pois N’zambi obteve a suficiente compreensão do princípio ativo criador da sua Divina Presença.

N’zambi adquiriu o conhecimento de que ele era aquilo que desejava ver concretizado. E desejou ser o filho daquela que mais brilha. E se tornou na sua Divina Presença o coração do Movimento Perfeito do seu Ser Superior. Entrou imediatamente no profundo silêncio que movimenta todas as coisas. E sempre para o que desejava ver instantaneamente manifestado dizia para si mesmo com a força do seu íntimo: “Manifeste-se! Quero te ver instantaneamente realizado agora!”. E acreditava, e tinha fé. E manteve firme sua crença que se converteu em fé, trazendo a manifestação imediata visível do que imaginava e sentia ver manifestado. E todo resultado permanente de sua crença emitia uma criação perfeita, por consequência do seu esforço consciente quando afirmava que desejava ver algo manifestado. Realizando com alegria e se mantendo firme até concretizá-lo.

E, assim, se completaram cinco anos que o jovem príncipe N’zambi vivera ao lado do velho griot Djeli. Até que Djeli lhe disse:

— Meu jovem, finalmente chegou o momento em que você compreendeu que o pensamento, o sentimento e a palavra é o maior poder criador da vida no Universo e na Natureza. Assim, você conquistou o autocontrole pela disciplina de colocar a sua Poderosa Divina Presença em ação. E, dessa forma, você alcançou rapidamente a sagrada compreensão que tinham os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, para usar estes poderes sem limite algum. Agora que domina a sua Poderosa Divina Presença, deverá retorna à Cerca Real dos Macacos e aprender com os seus parentes a ser um comandante guerreiro e um grande rei. Minha missão finalmente se completou em você. E fiz como eu prometi à sua avó, a Grande Mãe dos k’ilombolas, a Rainha Akualtune, de preparar um Grande Líder para esse povo. Eu não tenho mais nada que fazer aqui, já te dei o mapa do Sagrado e Eterno Contínuo. Agora! É sua vez de trilhar e manter acesa essa pequena chama. Em breve partirei. Também agora não sou mais responsável pela Dandara, tenho uma coisa dela para você.

E, caminhando até um baú de madeira que se encontrava em um canto de uma das kubatas, Djeli pegou um tubo de bambu contendo um velho rolo de papel bem conservado, levou ao jovem príncipe, e disse:

— Tome, N’zambi, guarde isso com muito cuidado. Essa é a carta de registro de nascimento de Dandara. Sei que um dia ela precisará disso.

N’zambi pegou o tubo de bambu, retirou o rolo de papel, abriu e leu. Viu que o registro se referia a Maria Paim. Colocou o rolo de volta no tubo e disse:

— Para onde você vai, Djeli? Essa terra é hostil e você está muito idoso.

— Vou para onde o Espírito me guiar, e não se preocupe pelo fato de eu ser um ancião. Tenho mais anos do que você imagina, e, mesmo assim, tenho forças ainda para realizar as obras do Sagrado e Eterno Contínuo. Quero que fique com essa casa e com todos esses pertences. — Disse Djeli.

Depois de alguns poucos dias, o preto velho griot se aprontou para partir. Apenas carregava uma única vestimenta feita de fibra de cânhamo, seu M’bolumbumba e uma sacola transversal pendurada ao busto. E, diante de N’zambi, Dandara e os seus três filhos, o preto velho os abençoou, dizendo:

— Grande Espírito, Pai e Mãe de Toda Criação. Grande e Poderoso Universo Magnífico. Grande e Majestosa Natureza Maravilhosa. Escuta-me, pois sou o menor de todos os seus filhos. E o mais humilde de todos os seus servos. Venho através destas míseras palavras te pedir perdão e mais uma chance de continuarmos a escutar sua voz no sussurro do vento que rodopia em nossos cabelos, e nas árvores que são os cabelos de nossa amada Ama Terra. Sei que somos falhos e débeis, e de que nada sabemos de suas leis naturais e universais. E de que sempre, de geração em geração, o traímos pela arrogância que insiste em imperar em nossos corações. Não sabemos mais interpretar o teu livro santo que é a VIDA. E nos perdemos nas entrelinhas do cotidiano, que nada tem de positivo e proveitoso a nos ensinar. A não ser dor e sofrimento, pelo nosso incansável desejo pela ignorância, que faz de nossas vidas labirintos na mão daquele que é o governo de todo mal, o nosso insaciável ego. Grande Pai e Mãe Eterno, perdoai-nos! E fala de novo conosco, seja através dos teus servos, Os Profetas, ou diretamente aos nossos corações. Somos suas eternas criancinhas ignorantes e teimosas. Por favor, nos dê novamente a sabedoria de entender que os limites que a natureza e o universo nos dão são unicamente para nossa proteção. Por isso, inspira-nos a respeitá-los. Por favor, novamente nos dê a inteligência, para sabermos respeitar que tudo que está oculto aos nossos olhos de carne é para nos proteger de todo mau desejo, que possam empregar os nossos corações e as nossas almas. Por favor, traga-nos de novo a consciência de respeitar o tempo de cada coisa, fato ou situação por mais dura e pesada que seja. Para entendermos que todo atraso é para o nosso benefício e proteção. Grande e Poderoso Espírito que em tudo habita, tornai-nos de novo simples como os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, para que possamos ver sabiamente com os olhos do coração. Mostra-nos de novo a magia de te contemplar, em cada folha seca que cai de uma árvore frondosa bailando ao vento. Em cada pedra que rola pelos caminhos de nossas subidas nos montes e nas montanhas. E em cada pequena criatura que voa e pousa em nossos ombros. Apague de nossas vidas esse fogo ardente de tudo ver, de tudo saber, de tudo sentir e de tudo entender. Pois, pela compreensão do Sagrado e Eterno Contínuo, agora sabemos e entendemos que, rompendo esses limites Naturais e Universais que a própria vida nos deu, nos afastamos de ti. Pelo falso entendimento de que somos seres superiores às tuas leis e determinações Naturais e Universais. E, assim, nos esquecemos que a verdadeira superioridade é a humildade e a simplicidade que a tua presença e energia É. Que pela contagem dos tempos que são obras dos homens. Esta época de agora represente o teu Movimento Perfeito em cada coração. Que nessa época de descoberta de novos mundos, tuas leis naturais e universais possam imperar sobre as falsas e falhas leis humanas. Que caia os governos humanos e suas falsas religiões, que nos escravizam e que fazem da esperança e da fé dos povos suas vítimas. Pois esse sistema já se encontra morto e falido. Mostra-nos com todo o seu poder e glória, Oh! Pai e Mãe de Toda Criação, que o teu reino de perfeição, verdadeira paz e verdadeiro amor está já aqui presente, diante dos nossos olhos. Sendo que não há nada a mais para procurar e alcançar. Já começamos a sentir a porta se abrindo na escuridão da ignorância, onde seus potentes raios de luz penetram com força nos iluminando. Em breve toda memória desse sistema de coisas falidas sumirá para sempre de nossos corações. Que assim seja!

Depois de derramar sua benção sobre o casal e os seus filhos, o preto velho griot abraçou e beijou cada um deles. Deu as costas e caminhou em direção à grande mata sem olhar para trás. E partiu caminhando ao choro de Dandara, que dizia contínua e repetidamente:

— Te amo, papai, nunca o esquecerei. Te amo! Te amo! Te amo...

FIM DO DÉCIMO PRIMEIRO CAPÍTULO - Esta saga tem vinte e dois capítulos, que são configurados nas vinte e duas letras hebraicas, do א (ALEPH) ao ת (TAV).

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