Perfeição

Emy é uma garota de 14 anos que luta pra seguir um grande sonho, mas seus pais não apoiam e dificultam que chegue até onde deseja. Criada no berço de ouro, é tratada como uma princesa e controlada semelhante uma marionete, como todos os jovens, ela também quer sair e tomar atitudes sem que alguém tome por si.
Pra piorar, seu coração bate mais forte por um garoto mais velho que a deixará louca de paixão, só provocando a ira de seus pais. Uma guerra familiar envolvendo diversos problemas, fará de Emy a grande vitima ou talvez a única sobrevivente.

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3. Surpresa

Mesmo lutando pra não querer, meu coração me obrigou a ir até a sorveteria, e por lá fiquei mais de 20 minutos depois do horário marcado. E quando já estava impaciente, o idiota chegou com um sorriso no rosto, pensando que estava gostando de vê-lo.

- Como pode ser tão folgado assim?

- Eu? Porque folgado?

- Ainda pergunta? Você marcou as duas e chega meia hora depois.

- Nossa não sabia que estava tão ansiosa pra me ver.

- Para de ser idiota e fala logo o que quer comigo?

- Primeiro vamos tomar um sorvete.

- Sorvete?

- Sim, esperava o que de uma sorveteria? Café?

Não respondi nada apenas fiquei olhando pra ele, muito nervosa.

Após tomarmos o sorvete sem dizer nada um pro outro, ele resolveu puxar assunto.

- Faz muito tempo que você dança ballet?

- Sim.

- Sabe o que estranhei? É que você ensaia muito tarde, sua professora disse que você é a última aluna dela e por sua causa faz horas extras.

- E o que você tem a ver com isso?

- Seus pais não deixam né? Pode falar, não precisa ficar com vergonha, você é bem novinha.

- Me deixa em paz garoto! Disse se levantando e o deixando sozinho.

Era muita ousadia me chamar de novinha, quem pensa que sou? Só porque é mais velho pensa que tem autoridade pra me chamar de criança.

Percebendo que estava furiosa, foi atrás de mim, segurando em meu braço.

- Eii bebê, não fica nervosa!

- Quem te deu essa intimidade pra me chamar de bebê? Garoto me deixa em paz!

- Antes de ir, posso falar o que quero com você?

Voltei meu olhar pra ele, com as mãos coçando pra bater em seu rosto.

- Fala.

- Será que poderíamos namorar?

- Como?

- É, te achei uma pessoa legal, o que acha?

- Garoto, cala sua boca. Você não percebe que é ridículo? 

- E porque ridículo?

- Você é um pintor que não tem nada na vida, nem ao menos um talento, o que você acha que me atrairia em você? Meus pais odiariam me ver ao seu lado.

- Pelo menos não sou uma patricinha idiota!

Quando disse patricinha, fiquei furiosa e dei um tapa em seu rosto, com tanta força que o deixou vermelho com lágrimas nos olhos. Antes que pudesse dizer alguma coisa, sai o deixando sozinho.

Talvez tenha passado do limite mas ele também não foi nenhum santo e de alguma forma, mereceu aquele tapa. Após aquele encontro, ele não teve mais a coragem de me chamar em redes sociais e muito menos pessoalmente. Os dias foram se passando e tinha vontade de chamá-lo mas resolvi me ocupar pra poder esquecer de tudo que me falou, não queria me meter logo com um pintor mal criado.

Os ensaios começaram a ficar mais cansativos, minha professora sempre exigia a minha perfeição, e claro que também desejava alcançar esse grande objetivo, e por causa de estar avançando bem nas aulas, ela me deu uma notícia muito importante pra minha carreira. Participaria de uma apresentação em um teatro famoso da cidade, a minha reação foi pular muito.

No dia da apresentação estava tremendo mais que gelatina e pra piorar ouvi o público gritando e cantando com outras apresentações, o que aumentou minha responsabilidade de fazer meu melhor. Era a chance da minha vida, minha primeira chance e talvez o pontapé pra seguir minha carreira.

- Está preparada?

- Estou professora, prometo não decepcionar.

- Eu sei que não vai.

Depois de me dar um beijo, me aproximei da cortina já preparada pra me apresentar, e quando a cortina se abriu, me surpreendi, o público estava atento a mim e quando me virei reconheci o pianista, era aquele pintor folgado, mas como poderia ser? Ele era apenas um pintor, como estava a poder do piano, participando de minha apresentação? Só podia ser brincadeira.

 

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