Perfeição

Emy é uma garota de 14 anos que luta pra seguir um grande sonho, mas seus pais não apoiam e dificultam que chegue até onde deseja. Criada no berço de ouro, é tratada como uma princesa e controlada semelhante uma marionete, como todos os jovens, ela também quer sair e tomar atitudes sem que alguém tome por si.
Pra piorar, seu coração bate mais forte por um garoto mais velho que a deixará louca de paixão, só provocando a ira de seus pais. Uma guerra familiar envolvendo diversos problemas, fará de Emy a grande vitima ou talvez a única sobrevivente.

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4. Meu sonho morreu.

Continuei nervosa porém mantive o foco no público pois era por eles que estava ali, e em questão de segundos, o som do piano tocou minha alma, me levando para outro planeta, aquela melodia me fazia transbordar de alegria, então comecei a dançar sem se preocupar se erraria a coreografia, tinha momentos que a música me trazia tanta confiança que dançava com os olhos fechados. Minha professora olhava meio admirada mas ao mesmo tempo com medo de eu errar em algo.

Olhava para o rapaz tocando o piano e tentava se exibir cada vez mais, provando pra ele que eu não se tratava de uma patricinha mimada, mas que tinha talentos. Ele apenas sorria pra mim e continuava a tocar, aparentando estar confiante no que fazia. E quando tudo estava se encaminhando para a perfeição, acabei escorrendo e entortei o pé, caindo de cara no chão, nisso todos ficaram preocupados, o pianista veio a meu socorro, e  o público ficou em silêncio apenas acompanhando a triste cena.

Eu chorava de dor, parecia que minhas pernas estavam sendo entortadas, e não conseguia segurar o choro, então o pianista tentou me acalmar.

- Calma, não se mecha que a ambulância já está a caminho.

- Minhas pernas está doendo muito.

- Se acalma, eu estou aqui. Disse ele segurando em minha mão.

Chorava muito por ver o público e minha professora com expressões mudadas, nunca havia imaginado vê-los daquele jeito, estavam tão felizes a minutos atrás e agora só conseguiam ficar em silêncio. Quando os médicos chegaram, me levaram na maca, com muito cuidado e então perguntaram se tinha alguém disponível pra me acompanhar, e surpreendentemente, o rapaz do piano se ofereceu.

Chegando no hospital, não consegui ver mais nada, me deram uma injeção então fiquei desacordada por um bom tempo, só acordei quando meus pais se encontravam no quarto, olhando pra mim com uma expressão de insatisfação. E sem ao menos esperar eu falar, meu pai começou com suas ignorâncias, pelo menos era isso que eu pensava, pois dessa vez se superou.

- Então era esse o motivo de você chegar tarde em casa, como pode ser tão mentirosa? Você é uma decepção, parece uma meretriz, quer ganhar a vida com facilidade. Eu devia te dar uma surra, mas como não quero ir preso, fiz melhor, saindo desse hospital procure um lugar pra ficar, pois em casa não coloca mais os pés!

- Não exagera amor, você não pode fazer isso com ela. Disse minha mãe.

- Posso, e se for apoiar ela, terá que ir junto!

Minha mãe não disse mais nada, ela amava muito meu pai chegava a ser até boba, e parecia preferir ele do que eu. Cansada de suas grosserias, me mantive calada e fiquei o olhando, quando parecia ir embora retornou e disse.

- Ah, os médicos não querem dizer então vou falar por eles. Sua perna não tem jeito e será amputada, então acabou as aulas de Ballet pra você menina! Disse gargalhando.

Comecei a ficar nervosa com o que disse, não conseguia acreditar, até porque se fosse verdade não poderia ser tão frio de zombar de mim, depois de saber que a perna de sua própria filha seria amputada. E depois de alguns segundos, o rapaz do piano entrou com uma expressão estranha, então procurei alguma resposta com ele.

- Então é verdade mesmo?

- O que?

- Que minha perna será amputada?

Ele não disse nada, apenas abaixou a cabeça.

- Me fala!

- É.

Ouvindo a confirmação comecei a chorar loucamente, sem se importar com sua presença, como poderia ser verdade? A vida não podia ser tão cruel assim comigo, precisava de minha perna pra seguir meu sonho, eu podia perder tudo no mundo mas minhas pernas não. Minhas lágrimas começaram a molhar meu coração com mais força, me fazendo alterar meu estado de saúde, e desesperadamente o pianista foi chamar os médicos, mas torci pra não dar tempo, pois queria apenas morrer, até porque meu sonho naquele momento já estava morto.

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