Hearts Of Sapphire

"Ter coração nunca foi tão importante."

Corinna desde que nasceu soube que não seria capaz de se acomodar numa vida subjugada pelo sistema.

Num lugar onde seres com poderes fantásticos e humanos vivem uma relação de opressores e oprimidos, ela vê-se obrigada a ir de acordo com as regras de seus governantes para conseguir uma chance de derrotar esse sistema de dentro para fora.

Em meio a aventuras, disputas e intrigas, Corinna descobre ser agraciada com uma dádiva que os outros à sua volta perderam há muito tempo e ela terá de escolher se usará isso para o bem ou para o mal.

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20. ¨19¨

 

 

 

—Fiquem prontas vocês duas somos um dos últimos vagões que serão esvaziados, mas não quero que seja na correria.—Laeni ordenou e nós nos dispersamos.

Fui para o meu quarto checar a ordem dos meus poucos pertences. Sentei-me na cama apertando os olhos. Se Marjorie ficava enjoada com o movimento do trem, eu ficava enjoada com a falta disso.

Eu estava no Setor Superior, finalmente. Eu havia sido escolhida. Era real.

E eu que, em geral, era controlada, sentia agora uma inquietação no peito que muitas vezes chegava a doer.

Precisava estar focada, eu tinha um objetivo muito maior do que vencer o Sacrifício. Entretanto, um turbilhão de emoções me atingia forte demais. Não sabia de onde vinha isso.

Levantei o olhar para um painel que tinha na parede e, com piscar de olhos, uma frase brilhante apareceu.

Permita-se sentir, mas não deixe que isso te faça esquecer o porquê você está aqui.

Não precisei de um segundo inteiro para saber que Laeni escrevera ali.

Ouvi sua risada em minha cabeça. Malditos Deorum e suas sutilezas ao tocar imperceptivelmente os outros.

"Por quanto tempo você pode ficar perambulando pela minha mente?"

"Por apenas alguns minutos, mas quando nos instalarmos, posso te ensinar e alguns obstáculos mentais contra isso."

E ela só decidiu me avisar naquele momento.

"Pensei que os Escolhidos não poderiam fazer essas coisas."

Uma das poucas coisas que eu sabia sobre os Deorum e sua parte do território era que o Setor Superior era o lugar mais mágico de Excelsior, o nosso mundo. A magia presente nos Deorum criava uma espécie de campo mágico e, com a concentração certa deles no mesmo ambiente, a magia se tornava maleável e disponível no ar, logo, no Setor Superior, o lugar de maior concentração de Deorum, a magia era quase tangível e teoricamente isso possibilitava a manipulação pelos humanos, mas eu não esperava que fosse permitido que os Escolhidos fizessem isso. Ou que qualquer humano fizesse isso sob o "teto" dos nossos superiores..

"Não é permitido erguer barreiras quando você estiver em um combate mental. Fora isso, é muito conveniente que vocês humanos tenham pelo menos esse tipo de defesa enquanto estão no Setor Superior."

Aquelas foram as últimas palavras de Laeni em minha mente.

Porém, sua mensagem escrita no painel, que já desbotava gradativamente, não deixava que a impressão de que talvez ela soubesse —e até mesmo apoiasse— o real motivo de eu querer estar em sua terra, ir embora.

—Não fale com ninguém que não conheço até chegarmos ao Galpão.— Marjorie instruía enquanto ajeitava, pela milésima vez, a gola da minha camiseta.— Os Escolhidos terão a oportunidade de ver alguma parte do território depois.

—Não retruque provocações, ameaças ou brincadeiras. Você estará sendo observada por praticamente todo o nosso povo na maior parte do tempo.—Laeni disse ajeitando minha postura —Você será julgada e analisada durante todo esse tempo.

—Alguém já disse a vocês duas que são ótimas em tranquilizar?— tentei controlar a respiração. Abri e fechei minhas mãos suadas quando as ovações denunciaram quantas pessoas nos esperavam do lado de fora.

—Obrigada.— as duas respodneram em uníssono.

Eu iria na frente, Laeni e Marjorie logo atrás e então Fearis.

A porta do meu vagão se abriu num piscar de olhos.

Os gritos diminuíram consideravelmente, fiquei tonta com a claridade. Eles ainda não sabiam em que pé estava a garota intimidante. Não poderiam torcer por mim, pois não confiavam em mim. Ainda não.

—Acho que um sorriso não vai tirar pedaço.— Marjorie provocou num sussurro que soltou entre os dentes que exibia no seu próprio sorriso.

Forcei meus lábios a se repuxarem minimamente e as pessoas se empolgaram um pouco mais.

Busquei um olhar conhecido que eu não tinha certeza que queria encontrar. Porém, acabou acontecendo eventualmente.

Kallien tinha os olhos fixados em mim. Olhávamos-nos intensamente o que me fazia pensar que se todas aquelas pessoas não estivessem em volta, poderíamos estar revivendo apenas uma das nossas tardes juntos. Entretanto, naquele momento, não estávamos do mesmo lado.

Um sentinela me ajudava a sair do trem. Os lábios conhecidos do meu antigo amigo se curvaram num sorriso hesitante, mas eu desviei o olhar para Conall, que estava separado de Kallien apenas pelo espaço vazio destinado a mim.

Ele sorria animado e encorajador. Aquilo fez um riso escapar de meus lábios. Vendo-o ao lado de Kallien, ele roubava toda a atenção. Era mais alto e de uma beleza menos grosseira do que o último.

Caminhei com os ombros para trás e relaxados, cabeça erguida, mas não tanto, e um olhar que eu julgava como confiante.— diante a fila dos Escolhidos que já haviam desembarcado.

Desdém, arrogância e desafio eram os olhares mais comum que eu recebia naquele momento, mas não me abalei. Eu era a Escolhida que eles não poderiam prever os passos. Precisava usar aquilo ao meu favor.

Cheguei ao lado de Conall e Kallien como um guerreiro que encara resignado sua missão impossível.

—Você está encantadoramente confiante, cara amiga. —Conall conseguiu dar um cutucão quase imperceptível em meu braço.

—São seus olhos, caro amigo.— minha voz quase não podia ser ouvida, mas ele riu abaixando a cabeça.

Kallien permanecia tenso como uma estátua ao meu lado. Um movimento e nossos braços se tocariam. Até mesmo sua respiração parecia pesada e dificultosa. Queria saber o que o afligia, mas não tinha coragem nem mesmo de olhá-lo.

Mattia não demorou a passar por nós. Graciosa e ainda sim misteriosa em seu vestido escuro e simples.

Ela rolou sutilmente os olhos para Conall que fingia estar hipnotizado e deu um sorriso simples para mim. Não saberia se algum dia me acostumaria com os seus sorrisos, por mais simples que fossem. Eles eram tão incomuns, mas tão certos em seu rosto.

Mesmo naquele momento inicial, a possibilidade de perder um dos meus dois novos amigos, me fazia suar frio. Até mesmo a possibilidade de perder Kallien— que agora acariciava meu braço com o seu naturalmente— me deixava assustada.

❖❖❖

 

Notas Finais:

como vocês estão? o que acharam do capítulo?

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a playlist da história está em construção, mas já está disponível no link: bit.ly/hosplaylist

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até mais

xx

 

 

 

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