Hearts Of Sapphire

"Ter coração nunca foi tão importante."

Corinna desde que nasceu soube que não seria capaz de se acomodar numa vida subjugada pelo sistema.

Num lugar onde seres com poderes fantásticos e humanos vivem uma relação de opressores e oprimidos, ela vê-se obrigada a ir de acordo com as regras de seus governantes para conseguir uma chance de derrotar esse sistema de dentro para fora.

Em meio a aventuras, disputas e intrigas, Corinna descobre ser agraciada com uma dádiva que os outros à sua volta perderam há muito tempo e ela terá de escolher se usará isso para o bem ou para o mal.

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13. ¨12¨

 

 

Eu já não era mais a mesma Corinna que entrou no casebre da Audição. Certamente não seria a mesma quando meus pés tocassem o Setor Superior. De fato não seria a mesma que sairia de lá.

Se eu saísse. Se eu conseguisse ser uma sobrevivente.

—Você está radiante! - Laeni exclamou ao entrar na sala onde fui colocada após a revista e a troca de roupas.

Já haviam arrumado meus cabelos e aplicado aquela substância pegajosa e transparente nos meus lábios. Passaram um creme com essência de amora por todo o meu corpo e eu passei pelo menos cinco minutos espirrando sem parar.

Dessa vez não insistiram para que eu mantivesse meu cabelo solto e apenas fizeram um penteado desleixado e com vários fios soltos pelo meu rosto.

—Suas roupas combinam com seus olhos e ainda são de um tecido maravilhoso.- ela disse tocando a bainha da minha camiseta.

—Mas ainda não é um dos vestidos tradicionais.- Marjorie analisava as unhas ao lado do meu pai. —Poderá ser considerado uma afronta.

—Só se os deuses estiverem com o humor muito sensível, mas acho que ainda assim ficarão encantados com Corina.- Laeni pegou minha mão e me forçou a dar uma voltinha.

Marjorie estalou a língua.

Eu achava estranho como eles tinham a facilidade de chamar os Governantes, pessoas de sua própria espécie, de deuses. Era como se eles fossem superior a todos estivessem nossos destinos nas mãos e pudessem fazer o que quisessem com eles. Que ridículo.

Melhor nunca dizer ou pensar esse tipo de coisa quando estiver no Setor Superior. Poderia custar sua vida.

A voz de Laeni era como um aviso maternal com boas intenções, mas ainda fez meu sangue esquentar. Esqueci que nossas mãos ainda estavam juntas.

Voltei a andar de um lado para o outro inquieta.

Tínhamos 15 minutos sobrando quando Kallien chegou. Ele estava com roupas similares as que usava no dia do Pronunciamento, mas agora um blazer azul marinho cobria o seu tronco, deixando sua aparência quase com um ar sagrado.

Um beijo na bochecha foi o único cumprimento que trocamos.

Ailani era sua acompanhante dessa vez. Estava presa no braço de Kallien como um cadeado num tesouro imensurável.

Ele trocou poucas palavras com seus Examinadores robustos e arrogantes. Eles lançavam um olhar malicioso e sujo para mim vez ou outra e voz de Kallien soava na minha mente.

"Ciúmes, porque eu tinha certeza que em cada canto ridículo da minha mente tinha uma imagem assim de você."

E então eu me encolhi cada vez mais.

Também de não me ajudava o movimento estranho na minha barriga e circulação quando Ailani colava sua testa na de Kallien e eles trocavam promessas e beijos, os quais estranhamente eu conseguia ouvir com perfeição.

Percebi que algo mudou entre nós nas últimas horas e isso me deixava a cada segundo mais certa que se fosse escrito algo sobre mim seria apenas duas palavras.

Falsa sentimentalista.

Ridícula também era uma possibilidade. Assim como Egoísta.

Não havia nem uma semana desde que eu havia dito para Kallien que não o desejei para nada mais além de uma mera distração. Nada mais além do que um amigo.

E aqui estava meu interior patético tendo reações estranhas por ver Kallien com sua noiva.

Uma porta foi aberta por Marjorie no centro de uma das paredes e, obviamente, ela não dava para o lado de fora do casebre e sim para uma estação silenciosa de trem. A estação do nosso vilarejo, que deveria estar a alguns bons quilômetros dali.

O cheiro intenso me fez coçar o nariz e meus dedos formigarem. De novo.

E, de novo, eu parecia a única afetada por aquilo.

Magia. Muita magia.

Naquele instante Callandrea irrompeu na porta principal da sala sendo seguida por dois guardas furiosos.

—Vocês não vão de jeito nenhum me impedir de me despedir deles.— Ela bradou para os dois indivíduos e se virou para mim com lágrimas nos olhos.

—Se cuida, tá? Tenho certeza que você sairá de lá vitoriosa. E não se esqueça que da sua melhor amiga aqui.

Ela me apertou com força contra o seu corpo e então procurou algo em seu bolso.

Tirou de lá um arranjo de cabelo discreto e o prendeu na lateral da minha cabeça antes que eu pudesse protestar.

Quando abri a boca para fazer exatamente isso, ela me interrompeu:

—Nem pense nisso. Não agora, não nessa situação.—Ela jogou seus braços em minha volta, no que poderia ser a última vez, enquanto eu segurava as lágrimas.

Andrea deu um beijo em minha testa e foi em direção a Kallien.

Não esperava que meu pai já estivesse atrás dela esperando sua vez para a despedida.

Lágrimas já escapavam dos meus olhos quando eu disse:

—Queria que o senhor fosse comigo.— Ele passou a mão pela minha bochecha pegando uma das muitas lágrimas que rolavam pelo meu rosto.

—Eu estarei com você. Ainda que não seja fisicamente, eu sempre estou, estive e estarei com você.

Então nos abraçamos e eu poderia ficar ali para sempre.

Tentei gravar seu cheiro, sua voz, seu ritmo de respirar, pois sabia que qualquer coisa me daria forças nos dias difíceis.

—Odeio fazer isso, mas é hora de irmos, Corinna.—Laeni tocou meu ombro mas eu custei a sair do abraço. Ela não reclamou.

—Segure minha mão esquerda.—Sussurrei baixinho e meu pai obedeceu. Entrelacei nossos dedos e me concentrei. Algo cilíndrico apareceu entre nossas palmas. —Não deixe à mostra enquanto estiver aqui. Para que se lembre de mim.

—Tudo bem.— ele respondeu quase num tom quase inaudível.— Não faça nenhuma dessas demonstrações enquanto estiver no Setor Superior. Usarão isso contra você.

Logo, eu me separei dele finalmente.

Ailani, surpreendentemente, foi a última a falar comigo e disse que apesar de tudo ela rezaria para que eu voltasse com Kallien para casa.

Dei um sorriso simples, meio desconcertada, mas foi um sorriso sincero. Segui em direção aonde os cinco me esperavam já do outro lado da "porta mágica". Kallien parecia estar experimentando algo, de fato, de outro mundo quando estendeu a mão para me ajudar. Ventava bastante do outro lado, mas a manta me aquecia bem.

Todos os outros já estavam de costas esperando o trem, mas eu ainda encarava a sala do casebre. Onde meu pai, Callandrea e Ailani estava.

E fiz promessas silenciosas.

Prometi que Callandrea nunca mais teria que se submeter a algo contra a sua vontade para sobreviver.

Ela seria livre.

Prometi que meu pai teria a vida que ele sempre mereceu e adquiriria os conhecimentos que ele sempre quis.

Ele seria livre.

Prometi que Ailani veria seu noivo novamente, que traria Kallien de volta.

Eles seriam livres.

Prometi que sobreviveria, que voltaria e sucederia bem.

Então, eu seria livre.

Quando me firmei no outro lado, as lágrimas dos três que deixávamos para trás começaram a correr livremente por seus rostos e eu desejei de verdade cumprir todas aquelas promessas.

A porta do casebre se fechou o outro lado dos trilhos era apenas uma floresta e logo o trem surgiu fazendo nossos cabelos balançarem. Ao olhar o meu reflexo em uma das janelas, o arranjo de Callandrea em meu cabelo, meu corpo coberto pelas roupas que meu pai me dera de presente fiz mais uma promessa.

A de que não morreria até cumprir todas as anteriores.

❖ ❖ ❖ 

Notas Finais: Depois de um tempo sumida (gostaria de pedir mil desculpas, mas fim de semestre é um terror), aqui estamos nós novamente.

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