A Canção dos Caçadores

A Canção dos Caçadores é uma história de fantasia, ação e aventura que se passa inicialmente em uma terra que faz fronteira com as gélidas planícies ao norte. Esta terra é chamada de Keneldén, um lugar frio no inverno e agradável de se viver em outras estações, a não ser pelo fato de haver criaturas e monstros das trevas, por isso, não há um elevado nível de cidades, apenas uma ou outra, uma vila lá, um castelo cá... E nessa terra misteriosa e cheia de perigos, Derhan Strundell de Néfinder, um Caçador, líder dos Corvos, vive aventuras diversas, desde matar um simples monstro na floresta, até salvar o mundo da completa destruição.

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1. Prólogo

Quatro homens trajando armaduras negras e portando longas espadas caminhavam lentamente, como pessoas que mediam seus passos. Estavam em uma trilha, indo em direção à uma antiga e misteriosa floresta. Não falavam nada, apenas observavam a despedida da noite, que ia embora rápido. Todos pareciam nervosos, o único que aparentava estar calmo era Derhan Strundell de Néfinder, o homem que liderava os outros cavaleiros. Já os outros Irmãos de Caçada estavam tensos, não garantiam-se tanto quanto Derhan, e, mesmo não aparentando, é comum até para os melhores Caçadores ficar um pouco com medo antes de uma batalha que se aproximava. Exceto para Derhan, afinal, ele não era um dos melhores. Ele era o melhor.

 Estavam se aproximando da floresta, quando Derik soltou um suspiro e disse:

- É, estamos chegando, mais um monstro que mataremos... Lembro da primeira vez em que matamos um Dronguen, aquela batalha foi uma luta memorável...

- Foi sim amigo – Respondeu Derhan rapidamente – Mas não podemos viver de glórias do passado, principalmente no nosso... ofício.

- Tem razão irmão, o passado já está acabado, o presente se criando e o futuro ainda está por vir, então vamos focar no trabalho. Precisamos matar o Mo-Ho-Ae. – Disse Hinrend, parecendo com pressa, pressa para ir embora o mais rápido, era corajoso como qualquer um deles, mas não era agradável estar numa floresta amaldiçoada. Ele gostava de matar as criaturas, mas seguia o pensamento “Alguém deve fazer, então que esse alguém seja eu.”.

 O Sol do outono cortava as cinzas nuvens acima dos Caçadores. A alvorada chegara e com ela, a esperança. Porém Derhan sabia que a esperança já havia morrido havia muito tempo, quando os magos do farol caíram, deixando o mundo em trevas, sem proteção das criaturas que se escondiam na noite, no silêncio, nos cantos do olhos daqueles que não enxergam a escuridão. Mas os Caçadores enxergavam, afinal, por isso eram Caçadores, eles caçavam essas criaturas, as matavam e tratavam de se livrar de seus corpos, ou, caso fosse algum tipo de assombração, banir aquele mal para sempre.

 Estavam todos de pé, olhando floresta à dentro, algo se mexia nos arbustos e nos topos das árvores. Derhan de Néfinder, o líder dos Corvos(um esquadrão dos Caçadores) caminhava lentamente em direção à vegetação de clima frio, os vestígios de neve caiam das folhas das árvores nos negros capuzes dos Corvos que seguiam seu líder à passos largos, e então, finalmente desenbainharam suas longas espadas e adentraram na floresta. Barulhos e sons estranham começaram a rondar os homens, e então, de repente, veio o silêncio. Isso não podia ser bom, e eles sabiam disso, "Fique atento quando ouvir susurros, e mais atento quando não ouvir nada", isso é uma das primeiras coisas que um Caçador aprendia quando começava o treinamento, e provavelmente era uma das regras mais mortais, caso quebrada, pois o silêncio mata, e corta como espadas. Agora o silêncio estava pior, era o tipo de silêncio que sufocava por dentro ao mesmo tempo que queimava, era o silencio que nenhum homem gostaria de sentir, e então, os Caçadores olham rapidamente e vêem: Das sombras, um grande animal sai. Não é o tipo de animal que se encontra em uma floresta qualquer, aquele não era um animal qualquer, e aquela tão pouco era uma floresta qualquer também, era Forenward, a Floresta Guardiã, guardiã dos segredos, das lendas e dos mistérios, porém, algo aconteceu: Uma grande praga surgiu quando os velhos magos do farol caíram, a floresta que antes era o lugar mais seguro de todo mundo, agora era uma floresta corrompida pela escuridão, onde o mal e as trevas reinavam absolutas.

 Os Caçadores se colocaram e em pose de batalha, Derhan de Néfinder, o líder dos Corvos, tinha aproximadamente quarenta e cinco anos, cabelos negros e uma barba mal feita, Derik de Valréria, o matador de Dragões, tinha longos cabelos loiros e aparentava ter um pouco mais de trinta anos, seu título é um tanto sárcastico, afinal, nunca tinha matado um dragão, ficou conhecido assim por matar um Rensel (uma espécie de lagarto gigante, que devora pessoas que ficam perdidas no deserto), apenas dois dias depois de se juntar aos Corvos. Isso já fazia mais de dez anos. Hinrend, o único dos corvos que usava uma arma de combate a distância: uma besta, e uma bela besta, com um corvo esculpido na ponta, não era pesada, mas já havia matado muitos antes, como na vez em que um Demônio da Noite atacou uma pequena fazenda em que os Caçadores estavam dormindo. Tinha um longo e denso cabelo de cor marrom e não havia sinais de barba em seu rosto, era o mais novo deles, tinha apenas vinte e dois anos, e fazia apenas cinco em que se tornara um Corvo, e por último, Mork de Westwen um homem forte que por vezes era chamado de gordo por Hinrend, não tinha cabelo, apenas uma barba curta e era o mais velho entre os quatro, tinha cinquenta e poucos anos. Vivia como um ferreiro antes de juntar-se aos Caçadores, porém tudo mudou quando sua filha foi morta por um Resnuvo, agora, sem mulher e sem filha, decidiu juntar-se à causa e assim, vingar sua família. Juntos, eles formavam os Corvos, o mais letal grupo de Caçadores já feito.

 Então, os quatro homens atacaram a criatura, um Mo-ho-Ae, um grande e alado monstro, com garras afiadas que podem cortam um humano ao meio, um rabo cumprido e cheio de espinhos, não tinha olhos nem orelhas, porém tinha grandes narinas, que permitia farejar e caçar suas presas. A criatura desviou do ataque rapidamente, fora atingida apenas por uma seta atirada por Hinrend, que acertou uma de suas asas, logo depois foi acertada por uma série de golpes de espadas, porém a criatura era forte, e ainda tinha força suficiente para voar e fugir dos caçadores. Dito e feito, lá estava ela levantando vôo. Mas um Caçador nunca deixava a presa fugir. Os Corvos começaram a correr em direção ao monstro, que voava baixo por conta do cansaço e da dor. A criatura mudou sua direção e voava agora para um penhasco, longe já da floresta, e se não fosse um ato de coragem extrema de Derhan, ela teria fugido. Mas não conseguiu. Quando já estava fora da encosta do penhasco, Derhan pulou também, agarrou a cauda do Mo-Ho-Ae e juntos os dois caíram em direção ao Rio Rárasvak, que se extendia à baixo. Os Caçadores ficaram parados, sem saber o que fazer. Já viram Derhan fazendo loucuras, mas essa com certeza foi a pior. Ficaram sem palavras, e então, caminharam até a borda do penhasco, e olharam para baixo. Uma grande mancha de sangue corria junto à correnteza do rio, e o corpo do Mo-Ho-Ae também, mas nenhum sinal de Derhan. Acharam que estava morto. Até ouvirem a sua voz familiar.

- Ei seus desgraçados! Eu estou aqui em baixo! Eu ainda não morri não, então, percam as esperanças!

 Os Corvos começaram a gargalhar.

- Ora, seu maldito! – Disse Derik, aliviado por seu irmão não estar morto como o monstro.

 Os Corvos desceram por um perigoso caminho de pedra, que fora esculpido naturalmente através dos anos. Quando já estavam à uma altura não muito perigosa, pularam na fria água, e então, nadaram até a outra margem do rio, onde Derhan estava sentado, observando sereno ao rio que corria.

- Você se superou dessa vez Derhan – Disse Derik, com um ar satisfeito e de quem passararia à noite bebendo e talvez se divertindo em algum prostíbulo.

- Eu sei, mas o desgraçado não podia fugir, e o que eu tinha a perder, não é mesmo?

- Você não, mas a ordem teria perdido um dos melhores... – Disse Hinrend.

- Pare de bajular esse Corvo cansado, Hinrend! – Disse Mork, que adorava arranjar confusão com o pobre Hinrend.

- Mork, não começa. – Disse Derhan calmamente.

 Os outros três sentaram na grama e ficaram ali, os quatro, em silêncio, observando a água cristalina, e os pequenos e grandes peixes que nadavam por ela, quando Derik finalmente disse:

- Acho que podemos nos dar o luxo de descansar um pouco, não acham?

- Um pouco sim! – Respondeu Mork, que por algum motivo estava menos cheiroso que o normal. – Mas lembre-se, “Fique atento quando ouvir barulhos e mais ainda quando ouvir silêncio.”                                                    

- Você falou errado seu idiota! – Disse Hinrend, antes que Derik pudesse dar sua resposta. - É “Fique atento quando ouvir susurros, e mais atento quando não ouvir nada”, parece que você não prestou a miníma atenção nas aulas do velho Harry, não é mesmo?

 Harry Cosmord era um ancião dos caçadores, viveu e provavelmente vai morrer na ordem, costuma dar aulas sobre vários assuntos quando esta sóbrio

- Cala a boca seu pedaço de bosta! Seu cú tem inveja de tanta merda que sai da sua boca!

 Hinrend não gostou nem um pouco do que que Mork falou, porém ignorou, ele viu o olhar que Derhan fez quando percebeu que uma provável discussão estava prestes a começar. Na última discussão que ouve Mork saiu com uma mão quebrada, Hinrend com uma perna e um braço.

- Ei, seus merdinhas, parem de discutir como crianças, estão grandinhos demais para discutir sobre velhas frases ditas por homens mais velhos ainda.

 Todos ficaram em silêncio quando Derhan soltou essas palavras de sua boca. Sabiam que não deviam ter discutido e sabia que Derhan desaprovou a situação. O silêncio porém fora quebrado, desapareceu com a mesma rapidez com que veio, um clima estranho pairava no ar, algo que não é deste mundo cervava os Caçadores. O som foi ficando cada vez mais próximo, até que então um grande barulho fez os pássaros voarem das árvores, um barulho que sem sombra de dúvida não era normal.

- Corvos, peguem suas espadas. – Disse Derhan de Néfinder, em um tom misterioso.

- O que você acha que é Derhan? – Disse Mork, que parecia um pouco nervoso, afinal, cresceu ouvindo histórias sobre sons assim. Nessas histórias diziam que sigificava morte.

- Eu não sei, nunca ouvi nada parecido. Pode ser qualquer coisa, mas seja lá o que for, somos Caçadores, estamos mais que preparados.

 Derhan podia achar isso, porém no futuro, quando lembrasse do que aconteceu neste dia, a certeza morreria, junto com os outros.

- Senhor, sem querer parecer covarde, gostaria de dizer que acho que deveríamos ir embora, já fizemos o que tínhamos que fazer, matamos o maldito Mo-ho-Ae, cumprímos nossa missão. – Disse Derik, que parecia um pouco desconfortável com os sons estranhos.

- Nunca cumpriremos nossa missão enquanto não matarmos cada criatura maligna da face do mundo, mas eu acho que por hoje já basta. Vamos, os cavalos estão na hospedaria da Sra. Lilly, Henry disse que cuidaria deles. – Disse Derhan, guardando sua espada, assim como os outros logo fizeram.

 Antes que pudessem ir em direção a velha hospedaria, ouviram o som novamente. O som foi tão intenso agora que os quatro perderam a audição por uns instantes, sangue escorria dos seus ouvidos e a dor era forte, era do tipo de dor que a pessoa gostaria de morrer para não continuar a senti-la. Do tipo de dor que mata antes mesmo de matar.

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