Something Is Missing

Ninguém se da conta de que algo sumiu. Uma parte importante, que não pode ser substituída, essa parte se foi. Bem, talvez eles deem falta, mas são todos perfeitos, coisas como essas são guardadas e escondidas com sorrisos. A família daquela casa verde, no final da rua, eles sabem o que falta. Talvez por isso, eles prefiram ficar escondidos, não saem mais. Ninguém conversa sobre eles, também. Acham melhor não tocar no assunto, afinal de contas a mãe da família só faz chorar, e todos aqui deveriam sorrir. A outra garota, aquela da casa vizinha, ela também não sorri mais. Mas ela sai todos os dias na esperança de, por acaso, encontra-lo. Quem sabe, ela vire na esquina da rua e de cara com ele, com os fones de ouvidos, voltando pra casa.

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Não voltei pra casa. Ignorei o carro, andei a pé. Ignorei a chuva e as poças de lama sujando o meus jeans. Ignorei Kimberley me seguindo com o carro. Eu só queria que o chão se abrisse e me engolisse. O buraco que eu tenho no peito há três anos agora lateja. Eu só quero que essa dor suma. Eu queria que Caleb sumisse.

Ele era meu. Ninguém se importava tanto quanto eu. Ninguém sentia sua falta tanto quanto eu.

Mas agora ele voltou. Voltou de onde é que ele estivesse, e eu sinto que aquele não era Caleb, mas mesmo assim deveria ser meu enquanto estivesse aqui. Talvez seja uma questão de tempo. Vão apreciar a sua chegada até a noticia ficar velha, e nós vamos voltar a ser o que éramos antes.

Estou tão confusa e distraída que já não sei mais aonde vou. Esta tudo nublado e sem cor, até os sons parecem abafados. Não sei nem sequer dizer que se estou perdida, as ruas e casas parecem iguais. Viro numa rua, entro em becos, até o momento em que me bato com alguém em uma esquina. Caleb estava voltando pra casa, com os típicos fones de ouvido e a mochila pendurada em um lado das costas.

Eu não sei oque dizer. Ele não se lembrava de mim, e não parecia se importar com quem eu era. Aquela cena familiar tinha sido arruinada para mim.

“Amélia”

Ele sorriu para mim. Eu estava agindo como uma fã na frente do ídolo, ele sabe meu nome! E tal como a fã, não consigo falar.

“Ta toda molhada. Parece que não se emenda.”

Era ele. Era Caleb. Meu porto seguro, que me conhecia como ninguém. Era meu. Eu não usei palavras, não havia nenhuma. No momento seguinte eu já estava pulando em volta de seu pescoço, sentindo ele me abraçar de volta. Foi como se o tempo tivesse voltado a andar. Eu podia sentir a risada dele fazer seu tórax vibrar, a barba espetando no meu pescoço. Talvez aquele não fosse o Caleb de catorze anos, talvez fosse algo novo, eu não ligo, ele é meu.

O meu Caleb realmente voltou.

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