Something Is Missing

Ninguém se da conta de que algo sumiu. Uma parte importante, que não pode ser substituída, essa parte se foi. Bem, talvez eles deem falta, mas são todos perfeitos, coisas como essas são guardadas e escondidas com sorrisos. A família daquela casa verde, no final da rua, eles sabem o que falta. Talvez por isso, eles prefiram ficar escondidos, não saem mais. Ninguém conversa sobre eles, também. Acham melhor não tocar no assunto, afinal de contas a mãe da família só faz chorar, e todos aqui deveriam sorrir. A outra garota, aquela da casa vizinha, ela também não sorri mais. Mas ela sai todos os dias na esperança de, por acaso, encontra-lo. Quem sabe, ela vire na esquina da rua e de cara com ele, com os fones de ouvidos, voltando pra casa.

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“o que você vai fazer quando ele voltar?”

Kim deita no meu colo e abraça o meu ursinho.

“Não tenho certeza. Pular em cima dele talvez?” – Eu brinco

“Bom saber que você esta mais animada.” Ela diz enquanto faz o ursinho dançar no tapete do quarto.

“A mãe dele desistiu ontem.”

“Sério?”

“Já faz uma semana desde a caminhada e ainda os resultados continuam nulos. Eu acho que eu vou desistir também” Mecho na bainha do pijama, tentando evitar o olhar de Kim.

“A procura só continua por sua causa! Se você desistir, todo mundo desiste.”

“Kim, pensa comigo. Ano que vem Caleb completa a maioridade penal. Ele vai estar livre para ir aonde quiser, voltar ou não para casa.”

“Mas você sabe que ele quer voltar. Nós precisamos encontrá-lo.”

Observo enquanto ela se levanta e pega uma foto nossa - Minha e Dele - de cima da minha cômoda. “Você acha mesmo, que ele não quer voltar a te ver?” Tiro o retrato da mão dela e o arremesso longe. Estou dando outro escândalo. Kim me abraça e tenta me acalmar

“Você nunca vai estar pronta pra superar isso, por que você sempre soube que ele vai voltar pra casa alguma hora. Você é a única de nós todos que ainda não perdeu as esperanças. Quando Caleb chegar aqui, e descobrir que todos desistiram, ele vai procurar consolo com você, e mais” – Ela me solta e segura o meu rosto – “Quando ele perceber a gata que você virou, ele não vai querer te largar, tanto que você vai querer que ele suma!”

Minha risada se mistura com um soluço, produzindo um som estranho.

“Eca” – Eu digo e limpo o meu rosto.

“Certo. Eu acho que você precisa descansar. Esse mês foi mesmo ruim. Ligue pra mim se precisar.”

Kim se levanta, põe o retrato no lugar e sai. Ainda soluçando, eu me deito e fico encarando o teto, logo eu adormeço.

 

O celular começa a tocar e ainda de olhos fechados, tateio pelo criado mudo ate achar o aparelho.

“Alô.”

“Adivinha quem está louco pra te ver?”

Aquela voz...

“Caleb?”

“Não! O papai Noel! Vem na janela!”

Corro e abro a janela. O dia lá fora parece mais brilhante que o normal, olho para a rua e vejo o Caleb de catorze anos com um celular nas mãos, sorrindo pra mim. De repente, antes que eu pudesse fazer alguma coisa, um enorme buraco se abre no meio da rua e tudo é sugado, inclusive eu. Caio dentro do buraco, e continuo caindo, no vazio.

“Mortícia!”

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