Wings

Tano é um cidadão típico de Ecram, uma cidade extremamente religiosa e conservadora, conhecido como um jovem exemplar que entende a grande responsabilidade de ser filho de Maã, supremo sacerdote da cidade e herdeiro da linhagem da família. Porem, entre quatro paredes, Tano se mostra um filho rebelde e ateu as crenças milenares de Ecram. Traumatizado pelas surras que levava de seu pai extremamente severo, o rapaz tem um comportamento lacônico, fazendo dele uma pessoa extremamente fechada e fria.
Manter a mascara de cidadão exemplar torna-se um desafio cada vez mais difícil para Tanos, que diferentemente de todos na cidade, não consegue conviver com sua manifestação espiritual, Temes, que por ser um fragmento de sua alma, também tem um temperamento difícil e rebelde.
Mas agora que Tano já tem idade para fazer suas próprias regras, decide deixar Ecram e viver uma vida longe das crenças, porem seu comportamento irrita autoridades e agora Tano precisa decidir se vai mudar ou lutar.

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2. Capitulo 2

Encontro abrigo no telhado de uma velha casa abandonada, as telhas cinza e úmidas pela chuva. Posso ver os soldados de Mãa me procurando, correndo entre os becos da rua, olhando dentro de janelas. Há essa hora ele deve estar quebrando louças na mansão, afinal, além de desobedecer a suas ordens, o fiz passar vergonha na frente dos membros do conselho. Voltar agora esta definitivamente fora de questão, eu seria morto com toda certeza. Estou praticamente ilhado. Não posso voltar, nem sequer descer e para ser de grande ajuda, Temes levantou voo e sumiu a mais de meia hora.

A minha única saída é pular até o telhado da casa em frente. A distancia é curta, e tenho a chaminé para me agarra caso escorregue. Levanto-me, mas no momento em que dou um paço para frente, a telha sobre os meus pés sede, e eu caio no que parece ser o sótão da casa, mas a queda não me feriu. Cai sobre alguma coisa macia, que se mexia debaixo de mim.

– Porra!- A voz me fez saltar. Uma garota de pele queimada pelo sol, cabelo bagunçado e pinturas tribais estava caída embaixo de mim, provavelmente amaciou minha queda. Tento me levantar, mas ela também se move e nós dois caímos de novo, oque a faz xingar uma serie de palavrões. Ela se levanta rapidamente, e aponta um pequeno punhal na minha direção.

– Como você ousa me atacar pelas costas? Covardia! – A voz dela é regada de ódio e ofensa. A julgar pelas suas atitudes e pelos adornos tribais, a garota deveria vir de uma antiga vila guerreira, mas é estranho estar logo em Ecram.

– Vamos! Levante-se e lute como um homem! – Ela parece decidida a me atacar. Levanto a mão com a palma virada para seu lado, deixando o sinal da paz que usamos em Ecram, o símbolo do infinito. Ela excita, mas guarda a faca e mostra um desenho na palma de sua mão, um triangulo com duas lanças cruzadas.

– Meu nome é Lyne, sou bravia de Gore.

– Tano. – Olho em volta e toco no chão, tentando mostrar que sou daqui, ela não demonstra dificuldade para entender. Ficamos num silencio estranho. Esperava que ela perguntasse por que eu cai do telhado, ou porque eu não estava acompanhado da minha criatura. Mas ela parecia tão suspeita e confusa quanto eu. Para nossa sorte, Temes cortou o silencio. Ela entrou numa rajada e posou no chão ao meu lado, tinha um inseto na boca.

– É seu? – Lyne pergunta enquanto afaga a cabeça de Temes. Se tivesse palavras negaria tudo. Iria dizer que a achei num beco e que ela vinha me seguindo desde então. Temes pareceu ler minha mente e me deu um olhar repreensivo. Lyne continua esperando pela resposta, faço um sim com a cabeça.

– Tenho uma loba, Milo, mas não sei onde esta. – Ela ri – Ela é sonambula sabe, sai andando por ai e só volta quando acorda.

Pareceu ser a deixa para a cadela aparecer. Milo surgiu de um porta que antes estava trancada. Tinha o dobro do tamanho de um cachorro normal e trazia um grande pedaço de madeira na boca, que antes devia estar na porta. A cadela andou animada até Lyne, e pôs o pedaço de madeira aos seus pés.

– Agora não Milo, temos visitas. – Lyne chutou o pedaço de madeira para o outro lado do sótão. – Bem, a casa não é minha – Ela diz para mim – Também não moro aqui. Só estou de passagem. E você?

Faço para ela uma feição que diz algo como “sei lá”. Lyne da um rápido sorriso, mostrando que me entende.

– Eu sou uma nômade. Sua cidade entrou por acaso no meu caminho, e não sei se estarei aqui amanha. Talvez eu vá a Dalton, dizem que é um bom lugar.

A universidade fica em Dalton! Levantei-me do chão num salto, procurando um modo de dizer a ela para me levar. Minha agitação deixou até Temes nervosa. Lyne me olhou por uns segundos, confusa.

– Você quer vir? Pensei que os cidadãos de Ecram nunca deixavam sua pátria...

Neguei com a cabeça, me pus de joelho, implorando com as mãos.

– Acho que você que mesmo ir. – Ela fica me olhando por um segundo – Se não estiver aqui amanha de manha, parto sem você. Vem Milo, temos coisas a fazer.

Lyne me deu um pequeno aceno antes de ir. Talvez tenha sido meio fácil convence-la, mas já que a oportunidade apareceu eu deveria me aproveitar não? Desço as escadas, mas não a sinal de que Lyne estivera aqui, além da porta forçada a abrir. Posso ver os guardas do outro lado da rua, comendo em uma barraca de camelô. Saio da casa em silencio, praticamente encostado na parede. Um dos guardas, bêbado e com a boca empanturrada de pão me vê e cutuca outro guarda do seu lado. Em minutos todos os nove homens estão pegando suas armas enquanto se levantam.

Começo a correr feito um louco, cortando entre becos, pulando muros. Temes voa acima de mim, ambos vamos à direção da mansão. Tenho as ultimas esperanças de que algum membro do conselho ainda estaria lá bebendo, deixando Mãa desarmado. Mas como podia ser, quando alcancei a mansão, Mãa me esperava com o porrete o qual eu já estava familiarizado há anos.

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