Angels I- Wings

"Conviver com anjos lhe faz querer ter asas!"

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2. Capítulo 2

Uma semana se passou desde a chegada de Bryan e Liz em Bradford. Neste meio tempo, a menina visitou os moinhos de Saltaire Village e aproveitou para conhecer o lago, passou no museu industrial, visitou o parque Lister, encantou-se com Cartwright Hall e jogou golf no Centro de Golf. A cada dia ela gostava mais de Bradford, mas sentia saudades de seu lar.

Bryan decidiu contar o que realmente estava acontecendo.

- Liz, eu recebi uma proposta de emprego... Podemos ficar aqui por mais alguns anos. – O homem falou inesperadamente durante um jantar em casa.

- Como assim? – A garota respondeu irritada.

- Isso não é de mais? – O Sr. Fanning tentou parecer o mais animado possível.

- Não! – Liz respondeu firme. – Eu quero voltar. Eu tenho uma vida lá.

- Você não tinha muitos amigos lá. E você esta na terra da rainha, onde você sempre quis estar.

- Não, eu não quero ficar. NÃO QUERO!

- Liz, não é para sempre. – O pai tentou conformar a filha.

- Eu estava no meu mundo. Eu nasci lá. Eu vi aquela cidade crescer. Todos os meus momentos bons e ruins estão lá, pai.

- Que mundo é esse que você não pode trazer para cá? – Bryan falou irritado e bateu os punhos na mesa.

-  Não eram amigos e namorados que me prendiam lá. Os meus sonhos... A maioria deles está lá. As minhas ambições, estão presas aquela cidade.

O Sr. Fanning ainda processava as palavras da filha, o silêncio de ambos era um tempo de reflexão para os dois.

- Liz, você pode realizar seus sonhos aqui. Você já tem dezesseis anos, pode dirigir, morar sozinha... – Bryan tentou parecer paciente.

- Você quer que eu vá embora? – A menina respondeu. As lágrimas escorriam livremente pelos seus olhos.

- Não. – O homem suspirou como se agora fosse dizer algo muito difícil- Olha, a verdade é que eu vou me casar. – A sua voz estava baixa e fraca. – Eu conheci uma mulher, Liz, muito especial em uma viagem para Londres. O nome dela é Mary e ela está grávida. A Mary não sabe que eu tenho uma filha. Mas eu vou contar, Liz. Eu prometo.

- Como se a sua palavra fosse confiável. – A menina falou com a voz trêmula devido ao choro. – Esperava mais de você.

- Eu não podia esperar sua mãe para sempre! – o Sr. Fanning bravejou.

- Eu não te pedi para esperar. Só estou indignada com a o fato de você preferir uma estranha do que a sua filha. – Liz falou com desprezo. – Isso só prova o que eu sempre desconfiei. Você é frio e mau-caráter. Sabe porque minha mãe te abandonou? Ela te abandonou...

Bryan deu um tapa na cara da filha com força a fazendo cair no chão e gritou:

- Cale a sua boca! – O homem jogou um vaso de flores no chão e esse se partiu.

Ele começou a subir as escadas. Liz tomou coragem e gritou com toda a sua força:

- Ela te abandonou porque você é incapaz de amar. Você só pensa em dinheiro. Você não têm humanidade. Eu tenho nojo de ter o seu sangue.

O Sr. Fanning a encarou, os seus olhos mostravam uma raiva aparente. Ele subiu pegou as malas da garota e jogou no andar de baixo.

- Arrume as suas malas! Você embarcará amanhã à noite! – A garota soluçava, mas assentiu com a cabeça. – Você vai viver na nossa antiga casa, apenas com o dinheiro da pensão. Ou você me pedi desculpas e vai morar no hotel, e volta a viver essa sua vida confortável.

- Eu estarei lá.

Liz subiu para o seu quarto e abriu seu diário.

 

Querido diário,

O meu pai, aquele magnata mulherengo, me expulsou de casa porque vai viver com sua noiva Mary. A Inglaterra é maravilhosa, mas não posso ficar aqui. Eu não tenho tempo para imaginar, viver minhas aventuras secretas. É como se essa terra fosse encantada e que nossos sonhos fossem proibidos aqui.

Até breve,

Liz Lee Fanning.

 

A menina arrumou suas malas.

 Amanheceu e Liz escreveu em um bilhete

 Sr. Bryan eu já arrumei minhas malas, estou pronta. Embarcarei hoje a noite pode comprar a passagem. Eu vou para o centro, comprar algumas coisas.

Sem nenhum arrependimento colou na geladeira. Em vez de ir ao centro, a garota foi para uma estação de trem e comprou as passagens para Londres.

 Na capital da Inglaterra ficou andando pelas ruas, meio desorientada. Podia se ver pessoas conversando, amigas compartilhando sonhos, pais e filhos se divertindo e também pessoas apressadas para o emprego. Liz hesitou sobre sua decisão. Depois de pensar muito teve certeza que devia continuar. Seria difícil, mas a garota conseguiria ser feliz.

A garota olhou o Big Ben e constatou que faltavam dez minutos para o seu trem sair. Agora que sua decisão estava tomada, ela não poderia se atrasar. A garota chamou um táxi e partiu para a estação de trens.

Assim que chegou percebeu que ainda tinha cinco minutos, decidiu aproveitar para comprar algumas lembrancinhas. Passou em uma loja e comprou um colar e uma bandeira da Inglaterra. Correu ao ver que o trem se aproximava.

Entrou e se sentou. Durante a viagem, pegou no sono. O maquinista a acordou gritando:

- Bradford! Chegamos a Bradford! – A menina pulou do trem.

Liz caminhou até a casa de seu pai. Assim que abriu a porta pode ver que seu pai a aguardava com raiva. Mas a menina o ignorou e subia até o quarto onde dormira.

- Então é assim? Vai abrir mão do luxo de viver em Bradford e voltar? Saiba que eu não tenho dó. – O homem disse e bufou.

- Sim, eu vou voltar. Não te pedi piedade. – A menina respondeu calmamente.

- Se é assim, aqui está sua passagem! – Disse Bryan, se sentindo contrariado.

- Obrigada. – Liz falou sorrindo, o que enfureceu seu pai.

- Este avião podia cair, não faria a menor diferença. – Seu pai praguejou e a menina o olhou com desprezo.

Como o voo não iria demorar, Liz arrumou suas coisas.  E escreveu uma carta para seu pai:

Sr. Fanning, eu tomei a minha decisão e vou seguir com ela até o fim. Sei que está decepcionado e preocupado com um possível escândalo. Fique tranquilo, eu sou sua filha e jamais arruinaria sua imagem. Estou voltando para viver a minha vida com Liz Lee Fanning e não ser apenas a filha de Bryan Fanning.

Com carinho,

Sua filha, Liz.

 

Depois a menina pegou um trem para Londres. Ao chegar à capital chamou um táxi.

No aeroporto, informaram que voo atrasaria uma hora. A menina resolveu escrever em seu diário.

Di,

Hoje foi um dia complicado. Eu precisei abrir mão de uma vida confortável e infeliz, para viver a minha vida. Tive de enfrentar definitivamente meu pai.

Sobre minha teoria de a terra da rainha inibir minha imaginação, eu estava errada. Consegui viajar para o meu Reino, sonhar, criar e imaginar como não fazia há mais de uma semana.

Estava em meu castelo, era dia de responder as dúvidas dos aldeões. Eu respondia a todos com meu coração. As horas se passaram e concentrar-me nas perguntas e pedidos estava cada vez mais difícil.

A sessão divã acabou, fui a cavalo para a floresta. Assim que cheguei ao meu refúgio, deitei-me no chão e fiquei pensando na vida. Interrompendo meus pensamentos uma voz masculina pode ser ouvida:

- Rapunzel, jogue suas tranças! – Reconheceria aquela voz, firme e grave, em qualquer lugar.

Abri a porta, mas ele não estava lá.

- Princesa! Jogue seus cabelos para que eu possa chegar até você! 

Entendi o trocadilho e joguei a corda para que ele subisse.

O garoto subiu demonstrando sua força e sempre sorrindo. Chamei o Rodrigo para entrar. O menino bebeu um pouco de água e ficou me olhando por um tempo.

- Sumida. Por que você sumiu? – Ele perguntou confortavelmente.

- Talvez por estar encantada de mais com Bradford. – Respondi sincera.

- Bradford? – O garoto perguntou curioso.

- Nada demais! – Respondi incomodada.

- Tudo bem... Se não quiser falar... – Rodrigo falou enquanto passava a mão pelo meu rosto.

- Não quero. – Sussurrei.

Um silêncio tomou conta do ambiente. E eu decidi o quebrar:

- Continua arrasando corações? – Perguntei mordendo o lábio inferior.

- Só um coração no mundo me interessa! – Olhei para o Rodrigo decepcionada. Ele percebeu a tristeza em meus olhos e continuou. – O único coração que eu preciso é o de uma menina, uma princesa para ser mais claro. Ela é dona dos olhos verdes mais lindos que eu já vi, eles têm uma magia indescritível. A boca rosada com um brilho natural. O sorriso dela parece uma estrela em luminosidade. O seu cabelo castanho é uma contradição aos que não acreditam na perfeição. A pele macia parece ter sido massageada por anjos. Você é perfeita, essa é única definição.

- Quem é ela? – Perguntei com um falso ciúme na voz.

O Rodrigo sorriu e aproximou nossos lábios.

- Já sabe quem é ela? – Ele falou sério.

- Acho que sei. – Respondi provocativamente.

- Você quer ter certeza? – O menino entrou na brincadeira.

Balancei a cabeça afirmativamente. Ele se levantou e estendeu sua mão. Eu a segurei e fui puxada para perto do garoto, que passou os braços envoltos a minha cintura. Beijamo-nos novamente e ele passou sua mão pelo meu rosto.

Ele sussurrou alguma coisa em meu ouvido, mas não pude ouvir. Os meus pensamentos foram interrompidos pelo maquinista do trem.

Encantada, Liz

 

Liz escutou chamarem o seu voo e seguiu para o avião, sem olhar para trás. A menina pegou sua bolsa de mão e o livro Rapunzel. A menina se sentou e começou a ler, enquanto escutava músicas.

Na última chamada, entrou um menino de cabelos castanhos claros em um topete não muito alto, olhos azuis, físico atlético. O menino era maravilhoso.

- Posso me sentar? – O garoto perguntou enquanto conferia o número de seu assento.

- Claro. – Liz respondeu sem olhar para o rapaz.

O menino sentou-se ao lado de Liz. Quando ela olhou para ele, começou a se encantar com ele.

Depois de meia hora trocando olhares, o menino resolveu arriscar:

- Qual é o seu nome?

- Liz. – Ela respondeu.

- Liz, só Liz? – Ele perguntou surpreso.

- Liz Lee Fanning. – A menina falou firme. - Agora você já sabe meu nome. Qual é o seu?

- Pedro Parker. – O menino hesitou antes de responder. E logo ambos sorriram.

- Onde você mora?

- Bem, não moro. – A garota ficou confusa com a resposta de Pedro;

- Você não tem família? – Ela perguntou.

- Eu não quero falar sobre isso. – O menino respondeu incomodo.

- Desculpa. Eu não queria... – Liz tentou se desculpar.

- Eu sei que você não teve a intenção de me ofender.

- Você não tem para onde ir? – Ela perguntou preocupada.

O menino sorriu e respondeu:

- Vou me hospedar na casa do meu primo.

- Eu moro na Rua Bakery, número 180. Se precisar de alguma coisa...

- Bakery? – O garoto perguntou surpreso.

- Sim. Por quê?

- Meu primo mora lá. – Ele falou empolgado.

- Sério? – A menina se surpreendeu.

- Sim. Acho que ainda vamos nos esbarrar muito por ai.

- Qual é o nome do seu primo? – Ela perguntou.

- Josh.

- Eu acho que já ouvi esse nome.

Os dois conversaram sobre tudo. Eles pareciam amigos de infância. Ao fim da viagem, Pedro gentilmente carregou as malas de Liz até um ponto de táxi.

- Adorei te conhecer. Até breve. – O garoto falou acenando para a menina.

- Calma, Pedro! Você não está indo para Bakery? Faça-me companhia!

O menino deu meia-volta e assentiu com a cabeça. Ele entrou no táxi. Os dois se divertiam muito, até o taxista estava entretido na conversa dos dois. Rapidamente chegaram à casa de Liz. E os dois se despediram.

Já em casa, a menina resolveu escrever em seu diário. Um sorriso estampava o rosto da menina desde que se despediu de Pedro.

 

Oi Di,

Na volta de Bradford, conheci um menino simpático, divertido e muito bonito. Os olhos azuis eram perfeitos, os cabelos castanhos com um leve topete. E o menino possuía um sorriso extraordinário.

Ele vai ficar aqui em Bakery, na casa de seu primo Josh. O Pedro sabe falar sobre tudo, e esse é o nome dele, Pedro.

Beijos, Liz

 

Assim que terminou de escrever, Liz foi dormir. Pedro não saía de sua cabeça, mas ela queria o esquecer naquele momento para poder se divertir com Rodrigo.

Liz acordou com um sorriso. Abriu seu diário e começou a escrever:

 

Eu encontrei o Rô em nosso refúgio. Levei-o para a cidade. Mostrei a ele cada canto. Não conseguia pensar ou imaginar o Rodrigo, seu rosto se transformava, revelando o Pedro. Por mais que tentasse me concentrar, o meu inconsciente não permitia.

Centrei meus pensamentos no Rodrigo. O garoto estava estranho, calado de uma maneira desconfortável.

- Tudo bem? – Perguntei.

- O que você acha? – Ele respondeu sarcasticamente.

- Se você não me explicar o que está acontecendo, eu não poderei ajudar.

- Você Liz! – O menino respondeu irritado.

- O que eu fiz? – Perguntei.

- Mudou. – Ele suspirou - Liz, esse reino é parte de você. Tudo o que acontece aqui é por você e para você. – Ele respirou fundo e perguntou – Se você tivesse que escolher. Qual seria a sua decisão?

A imagem dos dois meninos se alternava em minha mente.

- Hoje, Rodrigo, eu escolheria você. Mas nunca se sabe o dia de amanhã.

- Eu posso aproveitar sua imaginação e ser o seu príncipe enquanto ainda pode sonhar?

 Eu o abracei forte. Era o suficiente.

- Liz, vem comigo eu quero te mostrar uma coisa. – Assenti e ele cobriu meus olhos com suas mãos.

Ele foi me guiando pela floresta. A sensação de andar sem saber onde está é muito incomoda.

- Chegamos, Princesa! – Ele falou e tirou suas mãos de meus olhos revelando seu sorriso.

Havia uma cachoeira de águas cristalinas. Jogamo-nos na água e começamos a brincar com a ela.

As horas se passaram, o dia escureceu. Saímos da água e fomos a uma caverna. O Rodrigo acendeu uma fogueira e nós ficamos abraçados conversando.

Eu acordei com o meu despertador tocando.

Até breve, Liz.

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