Angels I- Wings

"Conviver com anjos lhe faz querer ter asas!"

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11. Capítulo 11- Eu Te Amo

Eu vi o Pedro correndo em direção da floresta. Precisava falar com o Josh, mas meu coração pedia que procurasse o Pê. Por algum motivo, aquela peça fez com que eu finalmente entendesse e admitisse: Eu amo ele. Foi sempre assim... O Pedro era misterioso, era complicado. Atencioso e ás vezes distante, calmo, mas agitado, romântico, mas desapegado. Meu coração disparava quando estava com ele, os olhos dele eram meu porto seguro. O abraço dele era o meu mundo. Certas vezes tinha esperança de que ele me dissesse que não queria que eu fosse apenas sua amiga. O Josh, eu namorei com ele porque achei que pudesse preencher meu coração, estava iludida pelo Pepi, mas não foi ele que me iludiu. Eu me iludi. Todos gostam dele, parece que atrai como se fosse mágico. O Pedro tem algo que faz com que eu tenha a necessidade de descobrir ele. E tem algo que faz com que eu sinta a necessidade de estar perto dele, protege-lo, agrada-lo.

Corri atrás dele, entre as árvores, o perdi de vista. Agora estava perdida em uma floresta escura. Fiquei alguns minutos olhando para o céu, tentando pensar em alguma escapatória. Na verdade simplesmente esperava encontrar ele. Em meio à escuridão surgiu um clarão. Uma luz muito forte a poucos centímetros de distância.

Corri em sua direção, mas acabei pisando em algo. Ao ver que se mexia, deduzi ser uma cobra, comecei a dar pequenos passos para trás, mas acabei tropeçando e caindo. O animal começou a se enrolar em mim, me sufocando. Eu só conseguia pensar em como era idiota por não ter dito ao Pedro que amava ele, por ter namorado com o Josh, por ter continuado aquele beijo, por vir para uma floresta escura sem uma lanterna. Já não conseguia mais respirar, muito menos me mexer, quando senti um alívio, como se a cobra tivesse me soltado. Não consegui ver mais nada.

 

Eu tive uma visão, da Liz na floresta. Sobre voei as árvores a sua procura, a encontrei sendo enrolada por uma cobra. Desci imediatamente, toquei a cobra fazendo com que adormecesse e tirei Li dali. Ela estava desacordada. Não tinha certeza se ela estava viva, lágrimas escorriam pelo meu rosto, a culpa de tudo isso era minha: Eu tinha essa atração angelical, me apaixonei pela namorada do meu primo, sai correndo para uma floresta e não percebi que estava sendo seguido. Coloque-a delicadamente no chão.

- Liz! Fala comigo! – Coloquei minha mão sobre seu coração. – Acorda, Li, Eu te amo. Eu não quero te perder, não consigo fazer nada. Você é mais importante pra mim que todas essas regras, acho que sempre foi. Mas eu nunca percebi.  – Sussurrei em seu ouvido. Enquanto as lágrimas percorriam pela minha face.

- Pedro? Eu te amo. – Ela disse com a voz fraca quase inaudível.

Fiz sinal de silêncio para ela, porque estava muita fraca. Ela disse que me ama. Eu a amo. Sabia que seria punido por apaixonar-me por uma humana, e por fazê-la se apaixonar por mim. Mas agora não tinha mais volta. Vamos ser felizes enquanto pudermos nos amar. Segurei sua mão. Ela levantou lentamente.

- Pedro, eu te amo. Eu sempre soube disso, mas não tinha coragem de te contar.

- Liz, você deve me achar uma aberração agora. – Disse apontando para minhas asas e ela sorriu.

- São lindas. Sabe... Eu me apaixonei pelo seu jeito. Claro que a sua aparência é atraente, mas não é o que importa. Eu me apaixonei pelos seus olhos que me diziam tanto. Pelo seu sorriso que alegrava o meu dia em questão de segundos. Eu amo você. E vou amar para sempre.

Segurei o rosto dela e a puxei para perto de mim. Encostei meus lábios nos dela. Aprofundei o beijo, era calmo e sereno, era um beijo com emoção. Senti uma mistura de felicidade, desejo, era algo diferente, inexplicável. Tínhamos uma sincronia perfeita. Meu coração precisava do dela. Eles se encaixavam perfeitamente e batiam em uma sincronia perfeita. Entendia o que diziam sobre termos química, realmente parecia que fogos de artificio estourariam a qualquer momento.

- Liz, é proibido o romance entre um anjo e um humano. Eu terei de voltar para o céu, para receber minha punição. Podem cortar minhas asas e me tornar um anjo caído. Se fizerem isso eu voltarei para a terra. Mas acho que esse não seria um castigo adequado...

- Promete que você vai estar me esperando?

- Prometo.

Ela entrelaçou nossos dedos. E sorriu para mim.

- A vida ás vezes é muito curta. E ás vezes muito longa. Depende de quem está com você. – Ela suspirou – Um dia eu vou voltar a te ver?

- Não sei. – Eu queria poder dizer que sim, queria dizer que jamais a perderia de vista. Tudo o que eu queria no momento era ela.

- O que eu tenho que fazer para que fiquemos juntos? – Ela disse com lágrimas nos olhos, apertando forte minha mão.

- Antigamente, os anjos podiam se casar com humanos, quando estes subissem ao céu. Mas depois de um incidente que deu origem a um exército de anjos caídos, tornou-se proibido se apaixonar ou fazer com que um humano se apaixone por você. Agora anjos se casam apenas com outros anjos.

- Achei que não existia isso de anjo homem e anjo mulher. E que os anjos não podiam ter filhos.

- Existe sim, mas não nos importamos muito com isso. Há muitos anjos homens casados com outros anjos homens e o mesmo acontece com as anjas. Enquanto guardiões não podem, apenas quando chegam ao posto de Querubim ou quando se torna semideus.

- Eu só vou poder continuar com você se tornar-me uma anja? – Assenti com cabeça. – Eu quero ser uma anja. – Eu sorri, mesmo sabendo que era impossível.

- É Impossível, Li.

- Tudo é possível se você acreditar. – Sorri mais uma vez, enchendo o meu coração de esperança, mesmo sabendo que seria impossível.

Nós ficamos juntos por algum tempo, no silêncio. Queria aproveitar cada segundo que podia estar com ela. Cada passo dela. O nosso silêncio era tão confortável. Entreolhávamo-nos ás vezes e passávamos tudo o que sentíamos pelos nossos olhares.

- Pê, eu não quero que seja para sempre. O para sempre acaba muito rápido. Eu quero que seja para além do sempre.

- O para sempre acaba se não for verdadeiro. Eu acho que não existe nada mais real do que eu e você, aqui, agora. – Disse confortavelmente. – Para além do infinito?

Ela me beijou com doçura e cuidado. Respondendo a todas as minhas perguntas.

Voltamos para a escola, eu a carreguei no colo, mesmo que ela dissesse estar bem. Eu achei melhor cuidar dela ao máximo.  Assim que chegamos a deixei em seu quarto. E fui para o meu. Agora teria de enfrentar o Josh.

- Meninos, é o Pedro!

- Nós sabemos! Mas o Josh não quer te ver.

- Chad, vem aqui fora um pouco.

Em poucos segundos ele apareceu na minha frente.

- Pedro, o Josh chorou, teve acessos de raiva, mas agora ele está calmo. Acho melhor não entrar. Não agora.

- Eu estou me sentindo mal – Eu estava realmente muito feliz, por finalmente decidir que a única pessoa que eu quero é a Liz. Por estar lutando contra tudo e todos por ela. Mas realmente me sentia culpado pelo Josh, sabia da história da mãe dele. Ela me acolheu e escondeu meu segredo. Ele foi o meu confidente, melhor amigo e eu fiz isso com ele. – Preciso falar com o Josh!

- Acho que ele primeiro deveria falar com a Liz, porque ele ia conseguir se controlar melhor. – Assenti com a cabeça e ele sugeriu que eu pedisse para o Oliver trocar de quarto comigo, há alguns meses o Oli passou a ser meu amigo. Desde o baile.

Andei até o quarto dele e bati na porta.

- Pedro? – Ele disse já de pijama em frente a porta de madeira.

- Me faz um favor?

- Quantos quiser, é para isso que servem os amigos afinal. Não é? – Ele falou gaguejando.

- Posso dormir aqui essa noite? Você dorme no meu quarto.

- Claro. Se não for intromissão de mais minha... O que aconteceu? – Não estava com paciência para explicar novamente a história, mas o Oliver realmente merecia saber. Contei pra ele a história, escondendo é claro o fato de eu ser um anjo. – O Josh está muito magoado com você?

- Acho que sim. – Suspirei triste.

- Acho melhor você se deitar, porque amanhã é um novo dia. Na verdade o penúltimo dia antes das férias. – Sorri e deitei-me. – Boa Noite! Estou indo. Fica bem.

- Boa Noite!

Eu comecei a reviver meus momentos com a Liz, cada toque, palavra, sentimento. Foi assim que o sono veio em meio a meus pensamentos. Não sonhei absolutamente nada.

 

Acordei cedo. E lembrei-me que tinha que falar com o Josh. Fui até o seu quarto e bati na porta.

- Já... Estou saindo. – Falou uma voz familiar, lembrava-me a voz de Oliver.

- Oli? – Disse quando ele saiu de pijama pela porta, com uma cara de pavor.

- Ah! É você Liz! Pensei que a diretora tivesse descoberto que dormi aqui no lugar de Pedro essa noite. – Como assim no lugar do Pedro? Meu coração acelerou ao ouvir este nome, isso sempre acontecia. Mas dessa vez eu não podia negar.

- O que aconteceu com ele? Por que ele não está aí?

- Você sabe muito bem o motivo! – Disse uma voz irritada ao meu lado.

- Josh, eu preciso falar com você!

- Eu também, Li. Eu também...

- Eu... Vou ... De-deixar Vocês a sós! – Oliver disse gaguejando apavorado.

- Vamos para o Jardim? – Ele disse sem olhar para a minha cara.

- A onde quiser. – Falei impaciente e ansiosa.

Chegamos ao jardim e o Josh começou:

- Liz, eu não estou bravo com você. Com um pouco de raiva do que fizeram. Mas não de você e nem do Pedro. Eu sabia que ele gostava de você, suspeitava. Mas você tem alguma coisa especial sabe... Algo que faz com que o meu coração dispare. Eu sabia que não seria para sempre. Tinha certeza que mais cedo ou mais tarde você ia descobrir que também era apaixonada por ele. Só não esperava que fosse ser nas minhas costas.

- Ed, não foi nas suas costas! Acredite. Eu e o Pedro não ensaiávamos as cenas de beijo. Aquela foi à primeira...

- A Zoe foi falar comigo e me contou. Eu entendo. Mas você sabe por que vocês não queriam treinar essa cena? – Com certeza eu sabia o motivo, eu não queria me apaixonar por ele, mas já era apaixonada. Só tinha medo que aquilo me iludisse. Não ia falar isso para o Josh. Então simplesmente fiquei em silêncio. – Eu sei que sabe... Vocês estavam com medo de que o beijo pudesse acender aquela chama que um sente pelo outro – Ele disse sorrindo.

O abracei instintivamente, no começo ele hesitou, mas logo correspondeu.

- Desculpa.

- Tudo Bem! Mas agora faça o meu primo o menino mais feliz da face da terra!

- Josh... O Pedro deve querer falar com você.

- Eu sei. Mas precisava falar com você primeiro. Lembra no baile, quando eu te pedi em namoro? – Assenti com a cabeça e esperei que prosseguisse - “May not be forever, but it will be unforgettable” – Ele cantarolou. – Realmente não será para sempre, mas tudo que é bom dura tempo o suficiente pra se tornar inesquecível. E eu nunca vou te esquecer.

            - Eu também, nunca vou te esquecer Edward! – Disse o abraçando.

- Mas Li, eu preciso de um tempo... Sabe, pra esquecer-me disso. – Ele falou apontando para nós dois.

- O tempo que você quiser. – Dei-lhe um beijo na bochecha, assim que vi o Pedro. – Acho que tem alguém que precisa falar com você. – Disse apontando pra Pepi e sai.

 

- Acho que temos que conversar. – Disse fitando o chão.

- Pedro... Eu sabia que você gostava dela – Josh disse sorrindo – Por isso eu te perguntei se poderia ir ao baile com ela. Mas você concordou e eu achei que fosse invenção minha isso de você gostar dela. Só que no fundo eu sempre soube que ela também gostava de você. – Ele sorriu novamente.

- Desculpa. – Foi tudo o que eu consegui dizer.

- Está tudo bem.

- Ed, você é o meu melhor amigo, meu primo, meu parceiro e eu não podia ter feito isso com você.

- Vocês tem uma química perfeita. Eu gosto muito dela, mas você a ama. Eu gosto de ter a Liz por perto e gosto de beijar ela. Mas eu acho que confundi o que eu sentia. – Ele com os olhos brilhando. – Cuida bem dela, se não você vai se ver comigo. – Josh tentou fazer uma cara de mal.

- Te amo priminho! – Falei sorrindo.

- Eu acho isso gay... Mas também te amo, primo.

Nós rimos, apertamos nossas mãos e depois seguimos em um abraço.

Passei a tarde inteira com a Liz, nós fizemos um piquenique, dançamos, aproveitamos cada segundo até escurecer.

- Liz... Onde você vai passar as férias?

- Hm... Não sei... Talvez eu viaje para a Inglaterra. Ou eu vou ficar em casa mesmo.

- Vamos aproveitar juntos?

- Claro! O que o meu anjinho lindo tem em mente? – Fiquei meio incomodado com o anjinho, mas estava feliz de mais para me irritar.

- Estava pensando em ir para a Inglaterra com a minha namorada linda, depois a gente faz uma visitinha para a cidade do amor e quem sabe a gente não passa em algum lugar meio abandonado e nós voamos um pouquinho...

- Hm... Que delicia, assim eu vou ficar mal acostumada. Sabe qual é a melhor parte de namorar com um anjo? – Ela começou falando e tom normal e depois começou a sussurrar.

- Qual?

- Que ele é você! – Sorri que nem um bobo e ela começou a me dar selinhos.

- Sabia que eu sou completamente apaixonado por uma menina que é maravilhosa.

- Te amo!

Passamos mais algumas horas conversando e trocando caricias. Ela colocou a cabeça no meu peito e se confortou lá. Ficamos olhando para o céu e eu sentia o perfume dela. Era tão original, era delicioso. Fique aproveitando a fragrância até o toque de recolher tocar.

- Eu não quero me separar de você! – A Li falou fazendo manha.

- Eu também não. Mas amanhã começa nossas férias e nós vamos aproveitar muito! – Disse sorrindo.

- Pedro?

- Fala, meu amor!

- Eu queria que você me levasse nas suas costas. – Ela disse fazendo beicinho.

Virei de costas e fiz sinal para que ela subisse. A Liz parecia uma menininha que precisava de proteção. Ela era doce, divertida, feliz e sonhadora. Eu não recusaria nenhum pedido dela.

Deixei-a no quarto. Ela era leve, mas queria brincar um pouco.

- Ai minhas costas. – Disse levando minha mão a coluna.

- Ai, desculpa! Tenho que fazer um regime. Não te peço mais... – Ela disse meio séria, mas com meio sorriso.

- Você é perfeita. Eu só estava brincando. – Disse a admirando.

- Bobo!

- Seu bobo... – Eu disse lhe dando um selinho.

- Fica aqui comigo!

- Eu não posso. Amanhã a gente se vê. – Ela fez uma careta fofa, me deu um selinho e entrou. Eu fiquei ali olhando para a porta por um tempo, com um sorriso no rosto. 

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