HomemBrazilMembro desde 9 abr 14Última conexão há 3 anos atrás

"Sou uma farsa. Não sei escrever. Não choro e nem me derramo sobre o papel. Não, não faço nada dessas coisas poéticas. Apenas escrevo quando me dá vontade, quando Deus dá bom tempo. Adoro aqueles seres que me tocam com frases mínimas ou me descrevem em textos exuberantes. Mas nunca serei como eles. Não sei o porquê de escrever. Será que se eu não escrevesse seria diferente do que sou agora? Talvez seria mais louco, sei lá. Só sei que vou morrendo, a cada texto. No espaço de tempo que em média demoro entre um e outro. Gélido, inócuo, vazio, pútrido, lerdo, morto. Assim sou. Escrevo e me nasço. Me nasço a cada linha traçada, a cada frase finalizada, a cada parágrafo torto. Vou renascendo das cinzas que sobraram de meu último texto e meu último cigarro, como uma fênix. Mas não pareço nada com uma fênix, aquela criatura bela e imponente. Sou pardal tímido. Quase não canto. Não exalo tudo aquilo que penso que demonstro em meus textos. Em uma multidão, não reconheceria-me. Mãos geladas, unhas roídas e olhos cansados. Acontece que, sou uma farsa. Mas, por favor, não me critique. Em meus textos posso ser o que quiser além disso que sou e não quero ser. Rasguem-me e queimem-me. Sou apenas um pardal que caiu do ninho tentando ser fênix, e fez da queda uma linda poesia que não acaba nunca." — Alef Almeida

Loading ...