A Queda da Coroa

Em uma monarquia, o poder imposto por seu pai não lhe agrada e não agrada a ninguém, dado a isso a princesa Evelise Hildegart, uma mulher forte, aventureira e independente luta ao lado dos injustiçados sem interesses próprios para tirar o seu pai do trono e exercer uma sociedade sem desigualdade.

0Likes
0Comentários
47Views
AA

1. Prólogo

                                                                            1.PRÓLOGO ♛

• Londres (1970 – 5 de maio)

   Vivo em um lugar onde aqueles que não respeitam a ele são agredidos e na maioria das vezes espancados até a morte, onde homens trabalham um longo período para no fim do dia ter apenas um terço de seu salário, um local em que os negros são totalmente injustiçados, e que não há voz feminina. Desde de minha infância eu me divertia no jardim em frente onde vivo, exageradamente repleto de flores, sempre coloridas e com vida em abundância, eu olhava para as grades e observava aquelas outras crianças correndo atrás uma das outras, sem entender muito o que estava acontecendo. Eu não podia chegar muito perto daquele cercado e obviamente eu também não podia sair pelo portão, porém o que me deixava inquieta era o fato de nenhuma delas ter a coragem de vir mais perto.

   Quando criança, me disseram que aqueles lá fora só queriam o meu mal, e eu uma criança sem uma opinião formada comecei a acreditar. Mas um dia tudo isso que plantaram em minha mente sumiu como se tivessem soprado uma fumaça para longe. Enquanto eu corria por aquele imenso lugar, todo preenchido com um gramado, um pequeno fedelho começou a me encarar com aqueles seus olhos escuros, ele usava uma blusa branca e por cima um colete marrom um pouco desgastado, a bermuda evidenciava os hematomas em suas pernas e o cabelo cheio de cachinhos. A partir de que ele ia se aproximando eu ia de fininho até as grades, logo ficamos a uma distância suficiente para apreciar todos os detalhes, eu o olhava de cima a baixo como ele olhava para mim, e então ele se ajoelhou e fez uma reverência, deixando uma pequena flor onde estava parado, e saindo correndo imediatamente dali. Eu tentei esticar com toda a minha vontade para pegar aquela rosa a minha frente, colocando meu braço entre as grades, mas logo senti um braço sobre meu corpo me carregando para trás. Sem sucesso eu esperei até mais tarde e voltei ao cercado, porém ela não estava mais lá. Chateada e irritada eu corri para dentro e recorri ao meu pai, lágrimas falsas escorriam por minhas bochechas, e minha voz saia gritante, foi o suficiente para o velho conceder a entrada do garoto. Então, depois de enxugar as lágrimas e dar um grande sorriso eu fui para a minha cama e imaginando como seria o dia de amanhã. - Finalmente eu vou ter aquele um amigo!

-Então quer dizer que não sou a sua amiga? -Perguntou Eloá em um tom curioso.

-É, mas o meu pai te paga para ficar comigo.

-Evelise! -Gritou ela.

-Que é? Eu só estou falando a verdade.

-As vezes as verdades são doloridas, sabia disso pequena? Estou aqui para o que precisar.

-Táaaa, meu perdão.

-Perdoada mini Alteza -Disse a senhora de quarenta anos passando sua mão áspera em minha bochecha rosada.

-Não me chama desse nome.

-Eve...

-Eu não gosto! -Gritei emburrada.

-Você vai ter que aceitar!

 

    Ao dar à luz do dia, eu me levantei imediatamente da cama e corri para a mesa, os empregados ainda estavam colocando os alimentos naquela enorme tábua de madeira e eu estava totalmente eufórica, peguei várias coisas e coloquei entre os meus braços. Com um enorme sorriso no rosto eu corri até o jardim com todas aquelas comidas, e me sentei, aguardando o garoto vir até a grade. Passaram-se horas e nada dele, a Eloá segurava um guarda-chuva em cima de mim para evitar a chuva.

-Por que ele ainda não está aqui Ellô? -Perguntei em um tom tristonho.

-Uma criança não gosta de acordar antes das oito horas da manhã...Como você -Disse ela passando a mão na minha cabeça.

-E por que não?

-Eu não sei.

-Está chovendo Evelise, vamos entrar.

-NÃO! Toma, cabe nós duas aqui debaixo -Digo tirando o guarda-chuva da mão da senhora e o posicionando melhor.

Aliás, se você morrer de um resfriado, quem vai cantar para mim enquanto estou no banheiro? -Perguntei a ela.

 

 

   O tempo ia se passando cada vez mais, eu estava vestida com um vestido de cor branco, detalhes floridos, e com um colar da minha avó que havia falecido no ano que nasci. Por horas fiquei parada ali esperando, a chuva já havia parado e Eloá entrara para dentro, decidi então ir para perto das grades esperar pelo garoto, mas os guardas me olhavam como se eu fosse uma coisa indesejável e chata. Sem lugar eu comecei a andar por todo lugar, eu subi e desci escadas, apreciei a vista da enorme varanda, e até escutei a música ‘’This Diamond Ring’’, mas não importava o que eu fazia, eu estava sempre vidrada naquele portão. Eu já estava perdendo as esperanças quando o que eu mais estava aguardando aconteceu novamente, o garoto veio se aproximando da grade sutilmente. Extremamente animada eu corri até a mulher e a levei até o portão, apontando para o garoto e falando para que deixasse ele entrar. Nos primeiros segundos ele ficou inseguro, ele ia passando pelos guardas de cabeça baixa e bem devagar, e quando chegou na minha frente se ajoelhou.

 

-Por que está fazendo isso? -Perguntei a ele com um sorriso desimpedido.

...

-O meu pai, ele...Eu estou fazendo errado? Que droga eu sou um mentecapto!

-O que é um mentecapto?

-Você não sabe? Parece que não sou o único então.

-EI! -Gritou Eloá olhando para ele de maneira agressiva.

-Mentecapto é uma pessoa burr---Bonita...

-Você ia falar burra, não sou idiota.

-É.

-Qual seu nome? Perguntei curiosa.

-É Antonie.

-Eloá, sai! -Digo de maneira extremamente mandona.

-Mas eu não posso deixar você sozinha, ordens de seu pai!

...

-Olha em volta mulher.

POR FAVOR!

-Juízo.

 

   Depois desse dia as visitas de Antonie se tornaram mais frequentes, eu estava com treze anos, e ele também. Nós erámos parecidos em muitos pontos, mas também com ideias de diversão bem divergentes, mas nós dois gostávamos de dançar... Nós sempre fazíamos isso.

 

-Por que você não pode sair? -Perguntou ele com a sua voz roca.

-Meus pais acham que podem me machucar lá fora.

-Eu te protejo.

-Não preciso de sua proteção, sei me virar sozinha.

-Aé? O que você iria fazer se um cara malvado chegasse na sua frente e dissesse: EI VOCÊ GAROTINHA! -Gritou Antonie levantando suas mãos como um fantasma.

-Eu iria... Correr! -Digo me levantando e saindo correndo.

 

   Eu estava tentando escapar do garoto, o vento batia em meu cabelo o jogando para trás, a risada já não estava sendo controlada por mim, eu conhecia cada canto dali, porém naquele momento tudo isso sumiu da minha mente, eu olhei para trás e vi ele se aproximando, me fazendo distrair, e dar um passo em falso na escada. Tudo que me lembro era de bater as minhas costas repetidamente e ao chegar o chão ficar sem ar, eu não conseguia dizer uma frase sequer, Antonie ficou chamando pelo meu nome, Eloá logo chegou me dando toda a sua atenção, e junto a ela vinha os guardas afastando o garoto de mim o dando um forte soco e o levando para fora. Naquele momento foi quando eu mais me odiei por deixar o garoto sofrer por algo que não fez, sendo que eu estava ali sem conseguir falar uma palavra. O tempo se passou e eu me recuperei, foi só algo momentâneo, eu aguardei o garoto voltar, mas ele nunca mais chegou perto daquele portão, e eu para piorar a situação eu havia perdido o colar da vovó Rosie.

•Londres (1978- 25 de novembro- atualamente)

  Passaram-se oito anos e agora em tempo atual me tornei uma outra pessoa, o tempo tem esse poder, eu abri os olhos para o mundo, eu precisava disso. A luz entrava apenas pelo vidro da janela enquanto eu me banhava na banheira da suíte do meu quarto num silêncio total. Eu passava a mão sobre a minha perna molhada e escorregadia, lá fora estava um enorme frio, e depois de um longo banho eu coloco os meus pés no chão e saio daquela água aquecida, eu ando alguns passos vendo o reflexo do meu corpo nu no espelho, então pego uma toalha e vou para o meu quarto. Abro meu armário e pego um vestido verde acompanhado de um corpete de amarração preto, tiro o grampo que sustentava o coque do meu cabelo e espirro o perfume em todas as partes do corpo. Estavam me esperando para um grande banquete, o barulho do meu salto batia naquele chão de carpete, o vestido ia se arrastando pelo chão até eu chegar a mesa de jantar com todos me encarando indiscretamente.

 

-Queriam que eu viesse nua? -Perguntei em um tom sarcástico.

-Evelise, por favor...-Disse minha mãe me olhando de forma desagradável.

Ao sentar na mesa eu fui diretamente aos pratos e me servindo, sem ao menos esperar aos outros.

Estou morrendo de fome, AAAH! -Falei em voz alta.

-Filha, o príncipe Russel veio te conhecer, haha...-Revelou o rei envergonhado.

 

O homem loiro e tinha um corte de cabelo médio, suas sobrancelhas eram um pouco para baixo, seus lábios pequenos e o seu terno branco destacavam o seu olho verde, exatamente o tipo de cara que eu já digo não a mim mesma.

-Prazer. -O fiz um cumprimento militar.

-É uma honra finalmente te conhecer Evelise Hildegart.

-Evelise Hildegart? Uau que formal ele, não é pai?

-Sempre tento ser o mais formal possível, é a minha maior qualidade. -Falou o homem erguendo suas sobrancelhas.

-Odeio formalidade -Digo bebendo uma taça de vinho de maneira provocante.

 

  Todos na mesa aparentemente ficaram sem apetite, então eu me levantei pedindo licença para ir ao banheiro. Andei calmamente em um corredor, até que desviei o meu caminho e dou de cara com você no final dele, sem pensar eu vou em sua direção com um pequeno sorriso e o puxo para a dispensa começando a lhe beijar intensamente. Meus lábios se encaixavam nos seu, suas mãos iam se arrastando entre o meu quadril e a minha bunda enquanto eu puxava o seu cabelo e logo tirando o seu uniforme de garçom... E enquanto isso na sala de jantar todos curiosos e inquietos com o meu sumiço começaram a questionar.

 

•Sala de Jantar

-Que demora, vá ver o que está acontecendo com ela, Eloá. -Ordenou a rainha preocupada.

 

-Pera...Eloá, de onde está vindo esse barulho? -Perguntou em um tom curioso a alteza.

...

-Os garçons estão arrumando a dispensa senhor.

-Logo na hora do jantar? Vá lá e mande eles fazerem isso depois, e vê se traz a nossa filha de volta.

-Sim Senhora.

 

•Dispensa

Sentados no chão, eu estava apoiada sobre o ombro do rapaz que havia colocado apenas as suas calças de volta, sua boca estava totalmente avermelhada devido ao batom e no seu peito vinha uma marca dos meus lábios, meu vestido estava jogado no chão junto a minha bota de grande salto, então eu me levantei e comecei a me vestir.

 

-Eu precisava disso, estão me apresentando para um príncipe nojento todo formal, deve ser um golpista como o meu pai. -Digo levemente aborrecida.

-Como será a minha pena de morte se ficarem sabendo disso? -Perguntou Henrique.

-Com você? Provavelmente vão te expulsar e você nunca mais irá me ver.

-Reconfortante. -Revelou ele em um tom sarcástico.

-Já é a quinta vez que fazemos isso, já somos um casal?

-Não, não somos, e não seremos. -Afirmei com certeza.

-Então isso aqui é só sexo?

...

-Sim -Respondi colocando a bota, saindo pela porta e dando de cara com Ellô extremamente brava.

-No meio do jantar? Você não tem juízo não menina? -Xingou ela puxando a minha orelha me fazendo dar um leve gemido.

-Esse jantar está um tédio!! Eu precisava duma diversão!! Toda garota precisa.

-Vocês dois estão virando uma pouca vergonha, eu não quero mais isso!

-Tá bom senhora Eloá, eu vou parar. -Concordei seriamente.

-Já basta as suas saídas a noite e ainda tem isso!

-Passou, respira, eu só estava retocando a maquiagem.

-Mas você está sem batom.

-Droga. -Reclamo comigo mesma.

 

   De volta a sala de jantar eu cheguei arrumando o meu cabelo logo depois de ter passado o batom novamente, todos ainda me olhavam, então eu me sentei na cadeira e peguei novamente a minha taça de vinho os encarando de volta.

-Eu estava retocando a maquiagem. - Digo mão no cabelo tentando arrumá-lo.

Então, Russel? Qual seu estilo de música? -Perguntei.

-Clássica, eu acho.

-Ah...

Revirei os olhos de maneira desagradável e impaciente que em seguida me encontrei no olhar de Henrique afastado na mesa me encarando secretamente.

  Ao terminar o jantar meus pais foram conversar com... (alguém), enquanto eu ainda estava na mesa com o homem e totalmente entediada. Sem me preocupar em ser uma boa anfitriã eu me levantei da mesa e me tentei ir até o meu quarto, mas o a mão firme de Russel me segurou pelo braço me impedindo de andar, e então ele sussurrou no meu ouvido.

-Escuta aqui, sabe com quem lá você esteja se envolvendo aqui dentro, acho melhor parar quando eu me casar com você -Disse ele em um tom ameaçador.

-Tira essa mão de mim.

-Estamos entendidos?

-Meu querido, eu nunca vou me casar com você, agora tira essa mão suada de punheta de mim. -Falei de forma determinada.

Russel sem aceitar a situação, me puxou violentamente e me empurrou de forma brusca a parede não me deixando fazer um movimento se quer e voltou a ameaçar.

-Quero ver o que seu pai vai fazer quando descobrir que você transa com o garçom.

...

O cheiro de vinho e peixe saía de dentro da boca do homem que estava frente a frente ao meu rosto.

-Acho bom falar bem de mim para ele. Disse Russel com um tom exigente e grosseiro.

 

   Meu pai e minha mãe logo voltaram para a sala de jantar, e ao nos ver encostados sobre a parede ficaram totalmente surpresos com a nossa proximidade e começaram a perguntar.

-O que estão fazendo? Questionou meu pai em um tom curioso.

-Eu pedi para sentir o perfume dele, cheira cafajeste hahaha.

-Como? -Insistiu na pergunta levemente zangado.

-Vocês acreditam que ele tentou me ameaçar dizendo que estou me envolvendo com o garçom para fingir para você que gostei dele? - Revelei de forma risonha.

-Ela está brincando senhor e senhora Hildegart- Disse Russel.

-Será que estou mesmo?

-Pelo bem do seu amigo Antonie, você está -Sussurrou ele me puxando pelo braço e encostando seus lábios em meu ouvido.

-Como é? Sussurrei de forma curiosa e furiosa.

-ELISE? -Gritou minha mãe.

-Eu... Eu estou brincando -Digo olhando para Russel assustada. -Ele é ótimo- complementei.

 

  Todos parados em pé sem dizer nada, deram uma risada sincronizada após a minha resposta, tirando o clima ruim, mas eu naquele momento só pensava nas palavras de Russel.

Pelo bem do seu amigo Antonie, pelo bem do seu amigo Antonie, pelo do seu amigo Antonie...

 Alguns segundos depois, um soldado entrara dizendo que um trabalhador recusou pagar o imposto, e havia roubado algo da indústria, meu pai então o acompanhou e a minha mãe subiu para o seu quarto. Eu tentei pressionar o homem para me explicar o que acabara de falar, mas ele simplesmente me ignorou e optou por acompanhar meu pai.

  Indignada, subi ao meu quarto rapidamente e me tornei aquela que lá fora era vista de outra forma, pois após sair escondida desse cercado, onde eu era uma pessoa totalmente diferente, uma garota loira com um jeito misterioso e atraente, que disfarçadamente tenta tirar o seu próprio pai do trono e trazer justiça aos injustiçados.

 

 

Join MovellasFind out what all the buzz is about. Join now to start sharing your creativity and passion
Loading ...