A Filha do Tempo e os Elementos Primordiais

Foi uma quarta-feira, lembro-me bem disso. Afinal, quem não gravaria na memória o dia em que sua versão de uma realidade alternativa aparece na sua casa buscando abrigo?

Eu olhei para eu mesmo com quinze anos, vestindo uma armadura de couro sobre uma camiseta preta com os dizeres "CTPE - Treinando os salvadores de amanhã", e a julgar pela espada que ele carregava, não deveria ser uma iniciativa dos bombeiros.

A história que narrarei aconteceu em outra Terra, mas segundo meu "eu mais jovem", poderia chegar aqui, em nosso mundo, caso ele e seus amigos não conseguissem derrotar o exército de anti-deuses conhecidos como azuras, ou algo assim, que queriam trazer de volta do exílio o Lorde do Caos, Isfet, e seu filho N'Guói (ou lagosta, não sei bem qual era o certo).

Alternando as versões dele (eu mesmo de outra realidade), a da Pri e a da Deb (também da outra versão da Terra, que aqui são minha família), você conhecerá o incrível mundo (ou dimensão, não saquei bem ainda) de Etherion, e toda a gama de complicações que ele trouxe àquela Terra, que podemos definir em uma única palavra: deuses.

Bem vindo às Crônicas de Etherion.

# Uma nova visão da Mitologia Grega

# Os deuses sob uma nova perspectiva

# 2º lugar na categoria "Fantasia" da 2ª Edição do "Projeto Leitura Voraz 2017" do Wattpad - https://my.w.tt/QIE3gAjLML

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12. Três Espiãs Demais e o zóiudinho dá mamãe

Pri

- Priscila, vai ao mercado para a mãe!

Quando sua mãe faz esse pedido/ordem, você tem duas opções: retrucar com ela e pedir para outro irmão seu ir no seu lugar; ou ser uma boa filha e obedecer (ganhando uns pontinhos extras para momentos de futuras necessidades).

Estávamos na cozinha, enquanto minha mãe lavava o arroz para começar o preparo da janta. Eu tinha acabado de secar a louça e me preparava para deitar no sofá e mexer no meu celular. Mas, como eu disse, nada como ganhar uns pontos extras com a mama.

- Tá bom, mãe. O que precisa comprar.

E foi só quando ela apertou os lábios que eu vi que tinha caído em uma armadilha.

- Ai filha, a mamãe está encarregada de levar o café da manhã amanhã, na sala de professores. Compra trinta pães, cinco litros de leite, quatro caixas de suco (você escolhe o sabor), pão de queijo...

E a lista se foi, com ela falando sem parar. Bom, eu já tinha aceitado a missão, não podia mais voltar atrás. Porém, aceitar a segunda opção não significa que precisa pagar o pato sozinha, é o que eu sempre digo.

- Ok, ok... Vamos dar um stop, dona Ruth. Mãe, eu acho que é muita coisa para trazer sozinha. Vou precisar de ajuda.

Eu já estava pronta para persuadir a Deb, afinal, ela me devia não um, mas dois favores. Eu podia deixar um favor para quando um garoto viesse em casa por mim (se bem que eu não via nada disso acontecendo em meu futuro promissor) e pedir a ajuda dela agora. Perfeito!

Infelizmente, mamãe também tinha planos se concretizando naquela mente maldosa. Ela fez a única coisa que todos nós, os quatro irmãos, detestávamos.

- É verdade, filha, não tinha me atentado a isso – disse com um sorriso sem vergonha de tão falso, e dando um grito, ela proferiu a sentença. – Meninas, André! Preciso da ajuda de vocês! É rapidinho!

A Deb e a Carol estavam na sala fazendo tarefa. O André devia estar no quarto dele, assistindo One Piece. Ele estava viciado nesse anime. Bom, em todo caso, nenhum deles ficou mais feliz com a notícia do que eu.

Para você entender, não é que nós nos odiássemos. Mas acho que tem certo distanciamento entre nós. Eu estava começando a me aproximar da Deb, não éramos nada amigas até o começo das aulas. Ela e o André viviam em pé de guerra. Na verdade, o André é uma peste, vive em pé de guerra com todo mundo. E a Carol... Bem, a Deb ama a Carolzinha de paixão, e acho que me ressinto disso um pouco, já que éramos bem mais próximas antes da minha irmã caçula chegar.

Eu sei, é egoísmo da minha parte, mas sinceramente, não ligo. E também sei que você está horrorizado ao ler isso. Foi mal ae!

Enfim... A única coisa que detestávamos era sairmos juntos, os quatro. Nunca dava certo. Mas, quando minha mãe falava que uma coisa tinha que ser feita, tinha que ser feita. E nesse caso ela estava certa: era muita coisa e eu precisaria da ajuda dos meus irmãos.

A Deb e a Pri entraram na cozinha já emburradas. Além de tudo, as duas eram as mais parecidas, além de terem reações muito iguais para as coisas. O André chegou um pouco depois. Ele era o único que se dignava a reclamar de alguma coisa.

- Ah, mãe, qualé! Por que eu tenho que sair com essas perdedoras?

Dei um cascudo nele.

- André, elas são suas irmãs. Pri, não bata no seu irmão.

- Ai! Tá vendo só mãe, como elas judiam de mim? Por que eu não sou filho único? Essas feiosas só enchem o saco e...

A Deb deu um cascudo nele.

- André, fica quietinho filho. Deb, não bata no seu irmão.

Ela suspirou, cansada. Fiquei com dó da minha mãe. Ela trabalhava o dia inteiro e ainda fazia nossa janta todos os dias.

- Tá bom, mãe, nós vamos – disse a Deb, que devia ter pensado na mesma coisa que eu. – Repete a lista para mim, por favor.

Enquanto a Deb anotava no celular o que minha mãe ditava, fui trocar de roupa. Como diz minha irmã mais velha, eu precisava de um pouco de dignidade, já que estava usando camiseta e short do time do São Paulo – nem vem, eu estava em casa. Coloquei uma camiseta amarela (eu simplesmente adoro amarelo, tipo a Magali da Turma da Mônica), uma calça bailarina, calcei meus chinelinhos e desci.

Beijamos minha mãe e saímos todos felizes e sorridentes – só que não.

O Supermercado Família fica a uns vinte minutos de casa, quando vamos caminhando. Tem um supermercado mais perto, só uns dois quarteirões de distância, mas o preço e a qualidade dos produtos são ruins, segundo meus pais. Então, vamos sempre ao Família.

Para chegar nele, andamos até a avenida principal, viramos à esquerda, andamos quatro quarteirões até a rotatória e viramos à direita, andando todo o imenso quarteirão (que daria uns quatro, se fosse dividido) até chegar ao Família. Ou, como gostávamos de fazer, íamos pelas ruas de dentro do bairro.

Seguindo reto pela nossa rua, chegamos à pracinha. Lá, basta virarmos à esquerda e já saímos na rua do supermercado. É mais tranquilo, sem transito nenhum – principalmente à noite. Entretanto, esse caminho tem alguns inconvenientes. Um deles eram os cachorros que as vezes escapavam e corriam atrás da gente. Outro era que a galera do bairro sempre se encontrava lá, então, sempre tinha um ou outro conhecido de quem queríamos fugir ou que acabava batendo um bom papo – situação essa que nos levava à nos atrasarmos, e que nos levava a ouvir sermão dos nossos pais.

Mas por incrível que pareça, o problema hoje era outro. Algo inédito, na verdade: alguém que não imaginávamos estava lá na pracinha, e não estava sozinho.

Foi o André que viu e fez questão de falar.

- Hei, aquele não é o seu namoradinho, Deb?

Olhamos para onde ele apontou, mas a princípio não vimos nada.

- De quem você está falando, moleque? Perguntou minha irmã, sem muita paciência.

- Aquele Rodrigo. Não é ele ali naquele banquinho, no escuro?

Foi então que vimos. O Rod estava sentado em um banquinho em baixo de uma arvore, acompanhado de uma menina loira. Eu fiquei sem palavras, mas achei normal, apesar de ficar triste porque sabia que minha irmã gostava dele. Falando nela, acho que não levou assim tão na boa.

- Aquele filho da mãe...

- Por que você esta nervosa, Deb? - Perguntou a Carolzinha sem entender.

A Deb não respondeu. Simplesmente marchou em direção ao Rod. Sem ter o que fazer, peguei a Carol pela mão e o André pela orelha – qualé, ele pediu – e fui atrás dela. Chegamos bem na hora em que o Rod nos viu. Ele pareceu bem calmo, até sorriu. Acho que só se tocou quando viu a cara de nervosa da minha irmã, porque franziu as sobrancelhas, olhou para a garota com ele, e arregalou os olhos, como se só então entendesse.

Ele levantou e a menina seguiu o exemplo dele. Quando a Deb chegou, eu juraria que ele estava pálido.

- Oi Deb, tudo bem? Oi Pri, Carol, André – disse acenando para nós. Apenas retribui o aceno e esperei para ver o circo pegar fogo.

- Oi Rodrigo – respondeu minha irmã. – Não vai nos apresentar sua amiga?

A menina olhou para a Deb com desdém, o que só piorou tudo. Ela era do tamanho do Rod, ou seja, um pouco mais alta que a Deb e eu. Usava bermuda de lycra, camiseta preta e um arquinho na cabeça, prendendo os longos e soltos cabelos loiros. Seus olhos eram castanhos e frios, e ela podia ser tudo, menos uma pessoa amigável.

- Pessoal essa é a Bella. É uma amiga, do centro de treinamento onde faço meus cursos extracurriculares.

A menina mal balançou com a cabeça, para desespero do Rod.

- Amiga? Confesso que é um lugar bem escuro e isolado para dois... Amigos, como você disse, se encontrarem.

O Rod parecia que teria um infarto.

- Deb, por favor. A Bella é uma amiga, nada mais e nada menos do que isso.

Foi como se o Rod tivesse dado um tapa na cara da tal Bella. Ela olhou para ele mortificada, mas ele nem reparou. Só tinha olhos para a minha irmã. Ela também percebeu, e acho que viu que o Rod falava a verdade. Seja lá o motivo daquele encontro estranho no escuro, não era romântico. E deu para ver o quanto a menina odiava isso, porque estava na cara que ela era a fim dele.

- Mas por que vocês estão escondidos aqui? Perguntou a Deb, ainda um pouco desconfiada.

- Olha aqui, mortal – disse a garota. – Por mais que você queira passar a noite aqui nos atazanando, é por sua causa que estou aqui. Sou amiga do Rod, e ele me pediu ajuda depois do seu... Incidente na diretoria. Não me importo se você e ele namoram.

- Tá bom – eu resmunguei. Estava na cara que ela se importava.

- Que incidente? - Perguntou o André, inflando o peito.

- Não é da sua conta – ralhou a Deb.

- Você tá namorando com esse moleque? Vou contar para o pai!

- Não se mete André – disse a Carol, e todo mundo calou a boca depois disso. – Para de achar que manda alguma coisa. Fica quieto e deixa a Deb em paz.

Ficamos todos pasmos com aquilo que começamos a rir. Quer dizer, todos menos o André e a Carol, que se sentia toda, toda por ter dado uma lição de moral no irmão mais velho. Até a loira esquisita riu, o que a fez parecer mais humana.

- Bella – disse o Rod, quebrando o clima descontraído -, pare de falar com as pessoas como se você fosse uma deusa. Você não é. E eles – falou apontando para nós -, são tão mortais como você e eu.

Primeiro a cara da garota foi de descrença. Depois ela nos olhou com atenção e seus olhos se arregalaram.

- Você só pode estar brincando... Os quatro?

- A princípio achei que era soa Deb e a Pri. Mas agora, com os quatro aqui...  Sim, os quatro. Não sei como, e agora não é hora de falar sobre isso.

Perdi a paciência.

- Do que vocês estão falando? Como assim nós quatro somos tão mortais quanto vocês? Que droga, Rod, o que raios está acontecendo aqui?

Confessionais posso ter dado uma exagerada. Talvez. Minha irmã riu.

- E depois eu é que sou estourada... Mas a Pri tem razão. O que está acontecendo?

Acho que o Rod ia explicar, mas ele ficou tenso. A Bella também, e depois vi a Deb arregalando os olhos também. Não podia culpá-la. Eu também senti. Algo parecido com o que eu vinha sentindo na escola. Mas para minha surpresa, meus irmãos mais novos começaram a olhar para os lados.

- Quem tá chegando? - Perguntou o André.

O Rod olhou para ele e olhou para a Bella com uma cara que dizia "viu, não falei para você?". Bella olhou para o André praticamente fascinada.

- Você consegue sentir a presença, menino?

- Não sei – ele disse, dando de ombros. – Acho que sim, mas não sei o que é presença.

- É essa coisa esquisita que estamos sentindo – disse a Carol, deixando todo mundo pasmo novamente. – Como se alguém estivesse gritando que está chegando, mais ou menos. Alguém muito ruim.

- E é por isso que temos que tirar vocês daqui – disse o Rod.

Ele tirou do bolso um saquinho, e dele tirou quatro pulseiras. Rapidamente colocou uma no braço direito de cada um de nós. Em seguida, fez uma série de gestos em cima de cada bracelete.

- Pronto – disse quando fez os gestos na Carolzinha, que era a última que faltava. – Agora só precisamos de tempo para as pulseiras sincronizarem com o DNA de vocês.

- Igual às coisas das Três espiãs Demais! - Disse a Carolzinha, toda empolgada.

- Legal! - Disse o André.

- André, você não pode ser uma espiã, já somos três – disse a Carol. – Você pode ser o Kowalski.

- Quem é esse?

- O zóiudinho da mamãe, do filme Monstros S.A.

- Legal – falei rindo.

- Não é legal – disse a Deb. A bichinha tava mesmo invocada. – Por que está fazendo isso? Como você sabe fazer isso? Hum... O que é isso que você fez, mesmo?

Típico da minha irmã. Mas o Rod não parecia ter tempo de explicar. Um grupo de dez pessoas virou a esquina no começo da pracinha. Como estávamos no escuro, acho que não nos viram. Todos estavam com um manto e capuz, então não dava para ver quem eram.

- Minha pedrinha mágica está quente - disse a Carol segurando sua pedrinha, que ficava na pulseira como a minha.

- A minha também, que droga - disse André, sacudindo sua correntinha.

Rod e Bella olharam com atenção para eles.

- Vocês têm gemas de éter? Não é possível - disse Bella.

- São pedrinhas mágicas, nosso pai que deu - eu respondi, mas não estava mais certa de que era verdade. As outras vezes, tá coincidência, mas quatro pedras esquentarem juntas quando algo perigoso acontece? Ruim, muito ruim.

- Todos vocês, abaixem-se atrás do banco – sussurrou o Rod. Quando fizemos o que ele disse, suas instruções continuaram. – Bella e eu vamos ganhar tempo para vocês, então, corram o mais rápido que puderem.

- Tentem despistá-los – emendou Bella. – Eles não são idiotas, se dividirão e alguns devem alcançá-los, Quando isso acontecer, confiem nos braceletes. Eles ajudarão vocês.

Os caras estranhos estavam se aproximando. Mais um minutinho e...

- Ieha!!! Hora de vocês comerem aço, bakãs!!!

Foi quando o Gavião Arqueiro entrou em cena. O cara tinha os cabelos castanhos, pele morena, vestia uma calça militar e uma camiseta da S.H.I.E.L.D.. Não, não to zoando. Era mesmo uma camiseta da S.H.I.E.L.D.. Ele segurava um arco e tinha uma flecha encaixada e apontada para os encapuzados. Nas costas dava para ver uma aljava com mais flechas.

- Por que, eu gostaria de saber por que o Ellos tem que ser assim – resmungou Bella.

- Não sei por que você reclama – eu disse. – Ele está fazendo um ótimo trabalho.

E estava mesmo. Ele atirou a primeira flecha e antes que ela acertasse a perna do primeiro alvo, ele já tinha atirado a segunda e a terceira.

- Ele é rápido – disse a Deb. Bella pareceu estranhar, por que olhou para Deb como se ela fosse louca.

- Vai me dizer que você consegue ver as flechas que ele atira?

- Sim – disse minha irmã.

- Eu também vejo – entrei de bicuda na conversa. – Qual o problema?

A menina olhou para o Rod, que sorria. Apesar de eu não entender o que rolava entre eles, dava para ver que o Rod tirava e muito com a cara dela. Gostei.

Antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa, já tinham quatro encapuzados com flechas nas pernas ou nos braços. Sem que eu percebesse, o Rod estava no meio deles, parecendo um Jackie Chan que ficou muito tempo na praia. Ele dava golpes marciais que nem um louco, mal dava para acompanhar. Acho que só para não ficar ruim para ela, Bella foi ajudar. Ela não era ruim lutando, mas o Rod e o Arrow eram muito mais da hora de assistir.

Tudo que ouvi o André dizendo foi:

- Uau...

Me aproximei do ouvido dele e falei bem baixinho, só para ele ouvir.

- E ae, Gão... Você ainda pretende contar para o pai que o Rod e a Deb estão namorando? Duvido que você dure mais que trinta segundos em uma briga com ele...

Meu irmão ficou branco e engoliu em seco. Acho que o recado estava dado. Olhei para a Deb e para a Carolzinha, que assistiam à briga bem quietas. Então do nada a Deb levantou. Tirou o bracelete e jogou no chão.

- Tirem essas coisas e vamos embora.

- Ah, Deb... Eu quero ficar com o Rod – disse a Carol.

- Se esse bracelete vai me fazer lutar daquele jeito, então eu não tiro nem que... ai!

E qualquer que fosse o que ele ia dizer, morreu com o puxão de orelha que a Deb deu nele. Eu já tinha tirado o meu e jogado no chão, e assim que viu o Gão apanhando, a Carolzinha tirou o dela rapidinho. Sem olhar para a briga, que estava mesmo muito da hora com o cara atirando flechas e o Rod dando uma de Power Rangers, minha irmã foi embora. Nós, é claro, fomos atrás dela.

A última vez que olhei para trás, tudo tinha acabado. Os caras estavam fugindo, mancando e surrados, além de alguns terem flechas enfiadas no corpo. Rod olhou para nós e fez menção de nos seguir, mas Ellos segurou seu braço e falou alguma coisa para ele, balançando a cabeça. Decidi que era melhor não olhar mais, e fomos para o supermercado.

Quando chegamos em casa levamos uma super mega bronca da mãe e do pai, que não trabalhava naquele dia. A Deb tava nervosa e alegou que encontramos uns amigos que nos detiveram por uns dez minutos – o que não deixava de ser verdade.

Meu pai continuou falando e falando, e não percebeu que a Deb estava ficando muito brava. Até que ela gritou. Foi só um grito de frustração, mas serviu para deixar meus pais de boca aberta. Minha irmã nunca fazia isso.

Ela subiu sem jantar, bem nervosa, e se trancou no quarto. Toda aquela agitação me deixou sem fome também, então eu também subi e fui me arrumar para dormir. Uns cinco minutos depois que eu subi minha mãe bateu na porta. Ela entrou, colocou um lanche (presunto, queijo, tomate e ovo no pão de forma – um bauru) com suco de goiaba (que eu amo), na minha escrivaninha. Me deu um beijo de boa noite e saiu.

Não sei se ela e a Deb conversaram, mas tudo aquilo me esgotou. Comi o lanche – que estava delicioso – e fui dormir. Só quando estava na cama que me toquei de umas coisas estranhas (mais estranhas ainda). A Deb, o Rod e a tal Bella mencionaram um acidente na diretoria, o que confirma que eu estava certa: não houve acidente na sala de aula. Outra coisa que percebi é que a Bella estava ajudando o Rod a entender o que tinha acontecido com minha irmã, então, julgando pelo aparecimento daqueles caras estranhos hoje, o que houve com a Deb não foi normal.

Com certeza teve relação com aquela sensação que a Bella chamou de presença. E como a Carol e o André, além da Deb, do Rod e da Bella, também sentiam aquilo? Parecia que minha família estava envolvida em um tipo de evento místico, sobrenatural, sei lá como chamar. E eu queria descobrir o que estava acontecendo. Por que eu tinha que proteger minha irmã. Não sei por que isso batia tão forte dentro de mim, mas eu precisava proteger a Deb.

E ainda tinha os lances das pedrinhas mágicas, que a Bella chamou de gemas de éter. Eram perguntas demais sem respostas.

E foi com estes pensamentos felizes que eu acabei adormecendo. Acabei sonhando que minhas irmãs e eu usávamos os apetrechos das Três Espiãs Demais para lutar com monstros encapuzados, enquanto o André tinha um olho só como o Kowalski e dava cabeçadas nos monstros, nos fazendo rir durante a luta.

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Fala galera, blz? O que acharam nos novos personagens que chegaram?

Pessoalmente gosto bastante da Bella, ela dá um certo drama no casalzinho... o que vocês acham?

Até o próximo cap!

 

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