A Filha do Tempo e os Elementos Primordiais

Foi uma quarta-feira, lembro-me bem disso. Afinal, quem não gravaria na memória o dia em que sua versão de uma realidade alternativa aparece na sua casa buscando abrigo?

Eu olhei para eu mesmo com quinze anos, vestindo uma armadura de couro sobre uma camiseta preta com os dizeres "CTPE - Treinando os salvadores de amanhã", e a julgar pela espada que ele carregava, não deveria ser uma iniciativa dos bombeiros.

A história que narrarei aconteceu em outra Terra, mas segundo meu "eu mais jovem", poderia chegar aqui, em nosso mundo, caso ele e seus amigos não conseguissem derrotar o exército de anti-deuses conhecidos como azuras, ou algo assim, que queriam trazer de volta do exílio o Lorde do Caos, Isfet, e seu filho N'Guói (ou lagosta, não sei bem qual era o certo).

Alternando as versões dele (eu mesmo de outra realidade), a da Pri e a da Deb (também da outra versão da Terra, que aqui são minha família), você conhecerá o incrível mundo (ou dimensão, não saquei bem ainda) de Etherion, e toda a gama de complicações que ele trouxe àquela Terra, que podemos definir em uma única palavra: deuses.

Bem vindo às Crônicas de Etherion.

# Uma nova visão da Mitologia Grega

# Os deuses sob uma nova perspectiva

# 2º lugar na categoria "Fantasia" da 2ª Edição do "Projeto Leitura Voraz 2017" do Wattpad - https://my.w.tt/QIE3gAjLML

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23. Encontramos o maior tiete do Zeca Urubu

Deb

Chegamos em frente da escola em vinte minutos. A Pri e eu quase não agüentávamos mais, e teve uma hora que eu pensei que não conseguiríamos acompanhar os semideuses. O que eles comiam, Senhor?

O Rod estava do meu lado, respirando tranquilamente, como se tivesse atravessado a sala de casa, e não o bairro inteiro. Apolo estava espiando de trás de um muro, e Diana nos olhava sorrindo, debochando da Pri e de mim.

Ignorando ela, a Pri olhou para o Rod.

- Meu... Vocês têm... Tipo um motor nas pernas? O quanto por hora vocês correm?

O Rod riu, e por um momento ele pareceu ser apenas o garoto meigo e gentil que eu conheci. Ele usava uma camiseta preta com o logo dos Thundercats, um de seus (muitos) desenhos preferidos. Estava de calça jeans e tênis preto (o único que ele tinha, pois dizia que não precisava de mais, afinal, só tinha dois pés).

Mas, infelizmente, o riso logo morreu, quando Apolo veio relatar o que tinha visto. Rod voltou a adotar o semblante sombrio que usava desde que tudo isso começou, e não pela primeira vez, eu tive a impressão de que não o conhecia. E pior, que o estava perdendo.

Apolo olhou para nós preocupado.

- Por enquanto não vejo, nem sinto nada. E vocês?

Rod e Diana negaram, então os três olharam para mim.

- Que foi? - Eu perguntei, nada a vontade.

- Queremos saber se sentiu algo - disse Diana, rolando os olhos.

- Hum... algo, tipo a presença da Bia e da sereia?

- Isso Froid - ela ironizou. - Consegue sentir a presença de alguém, como fez com as duas fulaninhas que te atacaram?

- Não. Senti apenas aquele abalo estranho.

Eles então olharam para a Pri.

- Também não sinto nada benhê, só uma dor horrível nos pés que vai me fazer mancar durante um ano.

Acabamos rindo um pouco, mas foi aquele riso tenso, que antecede algo que será extremamente desagradável. Tipo dar risada antes de receber a prova semestral de física.

- Muito bem - disse Apolo -, então vamos lá.

E fomos. O plano que Apolo traçou era vasculhar cada andar da escola por vez, bem devagar. Se surgissem inimigos, a Pri e eu nos esconderíamos enquanto eles lutavam. Se algo desse errado (tipo eles morrerem), deveríamos fugir a todo custo.

Sinceramente, essa parte do plano não me agradava nem um pouco, por que: 1) o "se eles morrerem" incluía o Rod, e eu não estava nem um pouco a fim de ser viúva antes de começar a namorar; e 2) se eles morressem, não conseguiríamos correr rápido o suficiente, e seriamos papá de monstros ou do que quer que estivesse lá dentro.

A notícia boa: não precisamos entrar na escola. Por quê? Graças à notícia ruim: tudo deu errado assim que pisamos em frente o portão.

O Rod olhou para o Apolo com a testa franzida. Depois, seus olhos se arregalaram. Apolo e Diana trocaram olhares assustados, o que não serviu para deixar a Pri e eu à vontade.

Quando abri a boca para perguntar o que era, eu também senti. É... Pelo visto, meus sentidos de semideusa tinham um delay de uns cinco segundos.

A princípio, pensei que era uma presença gigantesca, e logo imaginei um gigante, ou algo assim. Mas logo percebi meu engano. Não era uma presença. Eram varias, tantas que eu não podia contar (e olha que eu tentei até o trinta e sete).

- Não... Não pode ser - disse o Rod.

Eu estava tão atordoava que não tinha reação. A Pri começou a ficar muito nervosa. Eu tinha me esquecido que ela também conseguia sentir, como o resto de nós.

- O que não pode ser? O que está acontecendo? O que é essa coisa imensa que estamos sentindo? Gente, vocês estão me deixando nervosa!

Artemis já estava xingando a mãe de meio mundo de monstros e similares.

- Como não vimos antes? Como não pressentimos?

Apolo balançava a cabeça, totalmente desanimado.

- É recente, irmã. Estão trabalhando nisso faz muito tempo, mas ficou pronto recentemente. Creio que ontem à noite ou, no máximo hoje, de madrugada.

Não conseguindo mais segurar minha curiosidade e minha paciência (que já estava por um fio), perguntei sobre o que eles falavam. Quando Rod me olhou, pude ver o medo nos olhos dele.

- Um vórtice, Deb. Aqui na escola, eles criaram um vórtice que conecta a escola à outra dimensão.

Eu não captei bem a idéia da coisa, até porque eu nunca tinha ouvido falar de vórtice. Mas todas aquelas presenças me deram uma idéia nem um pouco animadora, do que estava acontecendo.

- Você ta dizendo que os monstros de Etherion podem entrar e sair da Terra, através da escola?

Para mim era a única explicação possível. Futuramente eu descobriria que um vórtice é, tecnicamente, um escoamento circular ou rotacional que possui vorticidade (a quantidade de circulação ou rotação de um fluido por unidade de área de um ponto no campo de escoamento). Ou seja, um tubo rotatório feito de fluidos. E sim, procurei no Wikipédia.

Porém, em Etherion, vórtices tinham uma abrangência maior. Eram como uma rota estabelecida entre dois pontos distantes, que podia ser feito por qualquer criatura com poder para tal, que conhecesse o processo de criação.

A criação de um vórtice entre duas dimensões era algo muito, muito difícil. Porém, creio que uma rota estabelecida de Etherion diretamente perto de onde eu morava, era algo que traria mais problemas futuros do que eu imaginava.

E não, os dois parágrafos acima não estão no Wikipédia. Esse eu aprendi com o Rod e a Pri, a Wikipédia ambulante de Etherion.

- As coisas estão piores do que eu pensava - disse Apolo. - Precisamos sair daqui, antes que...

Foi quando uma luz intensa brilhou. Assim que ela sumiu, eu ouvi Diana resmungar e pegar uma flecha de sua aljava (que se materializou do nada, assim como a espada da Pri mais cedo). Quando olhamos pra onde ela apontou, ouvimos o som horrível de um pássaro gigante com as cordas vocais mofadas que tinha comido uma serra elétrica.

- Aha! Kaha!!!

Eu já olhava na direção do monstro, que vinha voando devagar em nossa direção. Quando a Pri olhou na direção do som, recuou nervosa. Olhei para Apolo e Diana, que acenaram positivamente um para o outro. Parecia um acordo silencioso. Rod parecia tão decidido quanto eles. Eu só estava decidida a sumir dali. Inteira, se me fosse permitido (não acho que mamãe ficaria feliz se eu fosse entregue aos pedaços).

O monstro tinha cabeça de abutre, mas era humanóide, com cerca de três metros de altura. A pele parecia um couro negro cheio de pelancas. Os braços e pernas eram cobertos por penas cinza, assim como as asas, que mediam um dois metros de carne podre, quando estavam abertas. Na ponta de cada asa tinha um gancho negro. O bicho usava uma cuequinha horrível, prateada, com o desenho do Zeca Urubu, que se destacava no meio do preto. Ele não seria aplaudido em um desfile do Oscar Fashion Hits.

E claro, tinha o cheiro. Cara, quando aquele bicho desceu no muro da escola, a impressão que deu foi  que tinham soltado um tanque com peixe podre marinando no sol há duas semanas ali mesmo na nossa frente. Grotesco. Sinceramente, por que os monstros não tomavam banho?

Então quando o mostro voltou seus olhos malignos para mim e eles brilharam de satisfação, percebi que o cheiro dele seria a última das minhas preocupações.

 

Um confronto se tornou inevitável... e ae pessoal, o que estão achando?

 

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