A Filha do Tempo e os Elementos Primordiais

Foi uma quarta-feira, lembro-me bem disso. Afinal, quem não gravaria na memória o dia em que sua versão de uma realidade alternativa aparece na sua casa buscando abrigo?

Eu olhei para eu mesmo com quinze anos, vestindo uma armadura de couro sobre uma camiseta preta com os dizeres "CTPE - Treinando os salvadores de amanhã", e a julgar pela espada que ele carregava, não deveria ser uma iniciativa dos bombeiros.

A história que narrarei aconteceu em outra Terra, mas segundo meu "eu mais jovem", poderia chegar aqui, em nosso mundo, caso ele e seus amigos não conseguissem derrotar o exército de anti-deuses conhecidos como azuras, ou algo assim, que queriam trazer de volta do exílio o Lorde do Caos, Isfet, e seu filho N'Guói (ou lagosta, não sei bem qual era o certo).

Alternando as versões dele (eu mesmo de outra realidade), a da Pri e a da Deb (também da outra versão da Terra, que aqui são minha família), você conhecerá o incrível mundo (ou dimensão, não saquei bem ainda) de Etherion, e toda a gama de complicações que ele trouxe àquela Terra, que podemos definir em uma única palavra: deuses.

Bem vindo às Crônicas de Etherion.

# Uma nova visão da Mitologia Grega

# Os deuses sob uma nova perspectiva

# 2º lugar na categoria "Fantasia" da 2ª Edição do "Projeto Leitura Voraz 2017" do Wattpad - https://my.w.tt/QIE3gAjLML

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25. Anime Taisen - Saint Seya e Sailor Moon vs Fedidos de Etherion

Deb

Não sei quem era Varuna, e nem piaçava, mas o nome agitou os monstros, que uivararam, berraram e cacarejaram. Então atacaram.

O  líder dos minotauros  foi direto para Apolo. Me lembrou daqueles filmes  onde os generais dos  exércitos rivais se enfrentam. O monstro ergueu a  lâmina sobre a cabeça e  baixou em uma velocidade inacreditável. O  golpe mataria qualquer homem  comum, mas Apolo ergueu o escudo e aparou o  golpe. O impacto o arrastou  uns metros para trás, mas ele se manteve  firme.

Com um grito, ele  empurrou o machado do minotauro para o  lado e deu um chute certeiro no  queixo do monstro. Deu pra ouvir os  ossos se quebrando, e o imenso homem  touro caiu para traz inconsciente.  Com um golpe final, Apolo deu fim à  vida do homem touro.

Quanto  ao Rod, não deu  tempo dos cachorros pensarem. Afinal, eram três cães  contra apenas um  Rod. Vi um tipo de energia na lâmina da espada dele.  Com um grito, ele  usou a espada como se fosse uma raquete, na frente  dos cães infernais.

- Brisa da Fênix.

Uma ventania quente   proveniente do golpe os jogou uns trinta metros rua abaixo. Graças a   Deus eles não levantaram, mas não dava para saber se estavam mortos. Com   o esforço, Rod caiu sobre um dos joelhos.

Então, uma sombra se   ergueu em cima de mim. Quando olhei pra cima, um minotauro estava com o   machado sobre a cabeça, pronto para me destruir. Eu não poderia fazer   nada, estava apavorada. Foi quando escutei um zupt, e depois outro. Duas   flechas prateadas estavam alojadas no monstro, uma no meio da teste e   outra no coração. O bicho gemeu e caiu pra trás, já morto.

Olhei  para o lado e vi  Diana colocar calmamente uma flecha no arco, olhar a  batalha, erguer o  arco e atirar. Um segundo depois uma sombra caiu a  uns dez metros de  mim. Nem precisei olhar para ver que era um dos  filhos de sei lá quem  que eles falaram. O cheiro era horrível.

Me  aproximei da Pei e vi  que um dos minotauros abatidos se levantou. Não  sabia se Artemis iria  ou não nos proteger, mas algo inflou me mim.

- Não vou deixar a Barbie da Grécia levar o crédito por tudo - disse.

- Concordo - disse a Pri.

- Será que vai funcionar?

Minha irmã deu de ombros.

- Só vamos descobrir tentando.

Tirei  minha gema de éter  da minha correntinha enquanto a Pri tirava a dela  da correntinha. Assim  como fez o Rod, nós erguemos as gemas para o  alto.

- Etherion.

- Etherion.

Uma luz branca me   iluminou. Senti peças se conectando ao meu corpo. Não se encaixavam   apenas, pareciam se ligar diretamente à minha aura.  Quando a luz   apagou, uma armadura de bronze cobria meu corpo. Por cima da minha roupa   estava um manto vermelho, e uma tiara estava na minha cabeça. Meus   dedos, cobertos por dedais de bronze, seguravam uma  lança.

- Guerreira deusa lady do tempo.

A Pri também vestia uma armadura de bronze, mas segurava uma espada e uma adaga.

- Guerreira deusa lady do tempo.

Porque tinhamos essa compulsão de ficar gritando essas coisas? Tipo, não é uma anime meu, poxa.

Bem, desabafo feito, voltemos à luta. Juntas, minha irmã e eu, no modo Sailor Moon, atacamos o minotauro.

Ele  se defendeu do golpe  que desferi em sua perna com minha lança usando  seu machado, mas não  teve tempo de desviar do golpe duplo que a Pri  desferiu nele. Quando ele  urrou de dor e virou sua atenção para ela,  minha lança brilhou. Eu  rodei a lança por cima da cabeça e com um golpe  rápido cortei a mão com a  qual ele segurava o machado.

Quando o  monstro olhou  para mim, com dor e incredulidade estamparas no seu  rosto, minha irmã  segurou sua espada bem próxima da boca.

- Voe, Lua de Prata - ela disse.

E então lançou a espada direto no coração do minotauro. Ele mugiu uma última vez e caiu no chão.

Mais dois minotauros chegaram, eles pareciam simplesmente brotar do chão. O Rod interceptou um deles, mas era visível que estava muito cansado. Artemis foi ajudá-lo enquanto a Pri e eu ficamos com o que sobrou. Esse segurava dois machados e tivemos que fazer de tudo (ou seja, contar com a sorte, já que não sabíamos o que fazer e nem como fazíamos o que simplesmente parecia natural). Ele descia os dois braços juntos contra nós. Apesar de forte, não era muito inteligente.

Quando ele ergueu os braços para fazer novamente, a Pri gritou:

- Agora!

Eu sabia o que tinha que fazer, parecia natural. Rolamos do lado dele e cortamos suas pernas com nossas armas. O monstro urrou, e assim que ficamos de pé, minha irmã e eu giramos e cortamos sua cabeça.

Apolo  lutava com o  último minotauro, o líder, mas dois voadores que não tinham sido  atingidos pelas  flechas de Diana circulavam a luta, voando a uns cinco  metros deles. O  minotauro restante era muito forte. Ele e Apolo estavam  praticamente  equiparados em força. Mesmo a espada de Apolo dançando em  todas as  direções, as lâminas do machado do monstro defendiam  habilmente os  ataques.

Eu nunca tinha visto um  monstro lutar  assim. Bem, eu nunca tinha visto um monstro lutar - Varuna  não contava  como monstro, eu acho. Pelo menos, nos filmes eles são  burros e  descuidados. Ferozes e mortais, mas descuidados. Esse minotauro  era tão  hábil quanto Apolo.

Pensei em gritar para  Diana atirar suas  flechas, mas seria impossível até para ela, que  mostrou ser uma exímia  arqueira, evitar acertar Apolo. Sem saber bem por  que, me preparei para  correr em direção à luta, mas a voz de Diana  chegou aos meus ouvidos  me alertando.

"Não vá, Deb. Se você  for, pode ser destruída".  Olhei para ela, tentando entender o que ela  queria dizer e como ela  falou na minha cabeça, mas ela só apontou com  uma flecha para os  voadores. Ainda sem entender por que, eu olhei para  os monstros. A  princípio não vi nada, mas quando foquei o olhar, vi uma  barreira de  energia quase invisível, que saia dos voadores e descia até a  luta de  Apolo, cercando ele e o minotauro.

Assustada, segurei a mão  da  Pri, o que foi uma péssima idéia. Ela apertava meus dedos com tanta   força que talvez ela fosse páreo para o minotauro.

- O que é isso? Nunca vi algo assim - Rod disse para Diana. Ele estava ao nosso lado e arfava visivelmente esgotado.

- Isso Rod, é o poder de Isfet alimentando essas criaturas do caos. Se você tentar entrar na luta, podem acontecer coisas ruins.

- Tipo o que? Ser incinerado?

- Se você tiver sorte, sim.

Olhai  para ela sem  entender, bem mais assustada do que estava antes. Não  queria fazer a  pergunta "x", e não precisei. Pri perguntou por mim.

- E se ele não tiver sorte?

Diana olhou pra ela, com o olhar mais suave. Depois, encarou Rod e falou sem rodeios.

-  Seu espírito pode ser  aprisionado por Isfet, e sua força vital  armazenada para alimentar o  poder dele. Você passará a eternidade  sofrendo em agonia enquanto é  usado pelo caos para fortalecer monstros,  igual aquilo que está  fortalecendo o minotauro.

Como não sabia  quem era a  tal da Ivete, achei melhor ficar quieta. A única que eu  conhecia  cantava axé, e já era tortura demais agüentar minha vizinha  escutando as  músicas dela. Não estava nem um pouco a fim de passar  minha vida sendo  vitamina de fortalecimento para monstros. Ou escutando  axé eternamente.

Voltamos a olhar a  batalha. Agora, tinha chamas  de fogo em volta de Apolo, queimando  intensamente, mas seu inimigo  também queimava chamas negras.

- Não há nada que possamos fazer Diana?

Ela estava visivelmente preocupada, com o semblante carregado. Ver o irmão naquelas condições devia ser terrível.

- Eu... Eu acho que há uma maneira. Mas é bem perigosa.

- O que é? - Perguntei.

Diana  me olhou e falou  dentro de minha mente. Você pode achar o máximo,  "puxa, você teve  contato mental, que irado", mas não gostei nem um  pouco. Já brincou de  cabo de guerra, quando alguém tenta te puxar  desesperadamente e você tem  que resistir do outro lado da corda? Era  mais ou menos assim, só que  muito pior – era dentro da minha cabeça.  Não consegui resistir nada, fui  totalmente arrastada.

"Deb,  existe uma  maneira, e só você pode me ajudar. Primeiro, não resista a  mim. Só assim  posso te falar o que penso sem alarmar o Rod."

Certo, já que eu não tinha escolha, acenei com a cabeça para ela continuar.

"Você tem poderes sobre o tempo. Preciso que você pare o tempo para eu matar aqueles monstros."

Eu arregalei os olhos e abri a boca imediatamente. Ela era doida?

"Eu não tenho controle sobre..."

"Agora não. Depois conversamos por que sei que pode fazer. Mas agora, cada minuto que passa meu irmão está mais perto da morte."

Assenti.  Uma rápida  olhada na luta e deu pra ver que era verdade. A energia que  os filhos da  Nerete geravam, antes fraca, começava a ficar mais  visível, o tom  avermelhado aumentando. O minotauro parecia ficar mais  musculoso.

Se existia uma chance de  salvar Apolo, eu tinha que  tentar. Ele arriscou a vida protegendo a Pri  e eu. Olhei para a Diana,  que parecia bem preocupada.

"O que tenho que fazer?"

"Feche  os olhos e sinta o  tempo. Sinta-o passar por você. Procure dentro de  você a energia  necessária. Vasculhe a sua mente, procurando sobre o  domínio do tempo e  concentre-se. O tempo é parte de você."

Olhei  incrédula para  ela. Será que daria certo? Bem, eu tinha conseguido  fazer isso antes, na  escola, mesmo estando apavorada com um monstro  cobra querendo me matar.  Agora que pensava nisso, tive a total  convicção de que eu consegui  mesmo acelerar o tempo em casa, indo parar  na padaria do português  algumas horas depois.

Olhei novamente  para a  luta e meu coração quase veio parar na boca. Apolo estava com um  joelho  no chão, aos pés do minotauro. Era meio impossível, mas o  monstro, que  tinha três metros, estava agora com uns quatro. Ele descia  ferozmente o  machado sobre Apolo, que usava o escudo para se defender.  Sua espada  estava caída uns três metros de distância dele, e a mão da  espada, agora  apoiada no chão, estava sangrando bastante. O monstro  urrava com a  vitória certa.

O pior de tudo, é que  Apolo não  sangrava sangre normal. O líquido que escorria dele era  dourado. Eu já  tinha ouvido fazer disso, sobre o ícor, sangue dos  imortais sagrados,  como deuses e anjos (ser amiga de um nerd fã de  mitologia da nisso).  Rod sempre falava de histórias de deuses, heróis e  monstros. Não sei  por que guardei quando ele falou do tal do ícor. Acho  que é porque  achei engraçado um ser não ter sangue, e sim uma mistura de  ouro e sei  lá mais o que correndo nas veias.

Entendendo o risco da  situação,  e que a vida de Apolo (cara, é muito difícil aceitar isso)  estava  praticamente em minhas mãos, entendi que eu tinha que tentar.   Provavelmente Diana e Rod iriam aproveitar o momento que eu parasse o   tempo para tentar salvar Apolo.

Foi Diana que me tirou dos meus devaneios.

- Rod, vou precisar da sua ajuda para salvar meu irmão. Mas preciso que me escute com atenção e faça tudo que eu disser.

Diana  virou para Pri e  pediu para ela ficar atrás de mim e segurar meus  ombros, o que ela fez  meio relutante. Diana se posicionou no meu lado  direito e pediu para Rod  se posicionar do meu lado esquerdo.

- Agora, preciso que se concentre Deb. Deixe o resto por nossa conta.

- Mas...

-  Não duvide, não  questione e não desvie o foco. Sua irmã, o Rod e eu  ajudaremos você com  nossa aura, mas você tem que usar toda a  concentração possível. Só  teremos uma chance.

Sei lá o que era  aura,  mas tudo bem. Os dois me deram as mãos e a Pri apertou meus  ombros. Não  sei como ela sabia o que fazer, mas me pareceu que ela  sabia exatamente  como proceder naquela situação. Quando eles apertaram  as mãos senti algo  estranho percorrer meu corpo. Poder. Eu sabia que  era poder.

Fechei os olhos e me  concentrei. Quer dizer, tentei.  Não era fácil, nem um pouco. Primeiro,  tive que diminuir o ritmo de  minha respiração (que estava a mil por hora  com tudo isso). Quando  consegui, comecei a sentir leves brisas passando  por mim.

Procurei  na minha mente  como ela falou e nada. Estava me desesperando quando  lembrei de procurar  primeiro a energia. Demorou um pouco, mas achei.  Era como se fosse uma  parte de mim bloqueada. Assim que a achei,  visualizei uma porta fechada.  Mentalmente eu a abri, e encontrei o que  só podia descrever como  depósito de energia da Deb.

Na mesma  hora, aquilo  que senti percorrendo o meu corpo, que estava vindo da  Diana, da Pri e  do Rod, fluiu naquela direção. Até estremeci quando as  três energias  colidiram com a minha.

Então, vasculhei minha   mente para achar como usar aquilo tudo. Pareceu demorar horas, mas   encontrei a informação que precisava. Naquele instante o ambiente   pareceu mudar. Não parecia que estávamos em frente do colégio, mas sim,   eu um túnel.

Eu realmente havia conseguido parar o tempo.

 

E ae pessoal, o que acharam do confronto?

 

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