The Virgin Writer

Camila está cansada de trabalhar em um escritório cheio de gatos, por isso resolve voltar a escrever seu inédito romance.
O problema é que ela não tem nenhuma experiência com sexo.
Sua vida reclusa a impede de ter experiências que a ajudem a escrever uma grande cena em seu romance, até que Lauren descobre o que está acontecendo e decide ajudar a amiga.

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1. 1. Espinheiro.

Camila's POV

"Os seios dela se erguiam com alarmante velocidade enquanto a pesada mão dele descia para seu macio, ainda rijo espinheiro..."

"Espinheiro? O que infernos você está escrevendo?"

"Jesus!" eu gritei, batendo a tela de meu laptop para fechar. "Lauren, você não pode andar atrás de mim e começar a ler minhas histórias".

"Histórias?" ela perguntou, enquanto levantava sua sobrancelha. "Seios, espinheiro? Você está escrevendo uma cena de sexo?"

"Oh, bem... sim. Na verdade, estou", eu disse, levantando meu queixo.

Ela cruzou seus braços sobre o peito e disse: "À que diabos você se refere como espinheiro?"

Sentindo o calor que sua pergunta começava a mostrar em meu rosto, virei de costas para ela em minha cadeira e empilhei minhas anotações, para que ficassem perfeitamente juntas. 'Espinheiro' era um termo respeitoso usado para se referir à área privada de uma moça; ao menos foi isso que minha mãe me ensinou.

"Camila, à que você está se referindo?"

Limpando minha garganta e estufando meu peito, olhei nos olhos dela e disse, "não que seja da sua conta, mas eu estava me referindo ao pacifico e agradável jardim feminino".

Eu observei enquanto Lauren cuidadosamente me estudava com aqueles olhos verdes que tinham passado os últimos seis anos estudando a mim e minhas excentricidades.

Ela foi minha primeira amiga verdadeira, ela me aceitou por quem eu era desde o primeiro dia que nos conhecemos: uma garota super protegida pelos pais, ensinada em casa, ingênua, e sendo atirada em seu primeiro dia de faculdade.

Finalmente, ela jogou sua cabeça para trás e gargalhou, me deixando imediatamente tensa; mesmo que nós fossemos melhores amigas, eu continuava sendo auto-consciente de minha falta de "vocabulário moderno".

"O que é tão engraçado?" perguntei, enquanto segurava meu laptop contra meu peito.

"Camila, por favor, me diga que você não chama a vagina de uma mulher de seu agradável jardim".

"Lauren", silenciei-a.

Aquilo culminou em outra risada enquanto ela envolvia seu braço ao redor de meus ombros, me guiando pra fora do meu quarto no apartamento que dividíamos com nossa outra amiga, Dinah.

"Camila, se você não consegue dizer vagina em voz alta, então não tem jeito de você ser capaz de escrever sobre pênis latejantes e mamilos excitados."

Calor decantou sobre mim com a menção de um pênis latejante, uma coisa que eu nunca tinha experimentado, pra começar. Os únicos pênis que eu tinha visto foram cortesia do Tumblr e algumas cuidadosas pesquisas no google.

Eu deveria, ao invés, estudar um pessoalmente, porque pelo que pude ver da internet e li em outros livros de romance, eles pensavam por eles mesmos... contraindo e levantando quando excitados.

Eu estava fascinada em ver uma verdadeira ereção tomar forma. O que aconteceria se eu tocasse aquilo? Essa era a questão que estava constantemente em minha mente.

Enquanto crescia, eu fui muito protegida pelos meus pais. Fui ensinada em casa e passava muitos dias na praia ou em meu quarto lendo.

Qualquer coisa escrita por Jane Asuten era meu livro ideal, até eu encontrar um dos romances sujos de minha mãe em seu criado-mudo. Nós não falávamos sobre sexo, nunca, então me fascinou ler um livro sobre respirações pesadas e grossas protuberâncias. Eu não consegui evitar; fui fisgada.

Desde então, eu estive lendo novelas românticas. Quando eu era jovem, eu só lia na biblioteca, então nunca fui pega pela minha mãe, e fui longe com isso. Durante a faculdade, eu foquei nos meus trabalhos de aula, então, só depois que me graduei que comecei a ler de novo, alimentando a paixão por romances dentro de mim.

"Hey, você tá ouvindo o que eu tô falando?" Dinah, minha outra melhor amiga e colega de apartamento perguntou enquanto olhava para mim com seu roupão e seu cabelo enfiado em uma toalha.

"Hmmm, não", eu disse com um inocente sorriso. Quando Dinah tinha aparecido? "O que você estava dizendo?"

Revirando seus olhos, Dinah repetiu: "Você começou a escrever seu romance de novo?"

O jeito que Dinah disse romance com sua voz insolente foi um pouco frustrante. Eu conhecia Lauren e Dinah desde meu primeiro ano na faculdade, quando nos conhecemos em uma orientação para calouros e descobrimos que íamos todas fazer inglês.

Por aqueles quatro anos, nós tivemos as mesmas aulas, mesmas agendas e mesmo alojamento. Nos mudamos do campus depois do nosso primeiro ano e fomos para um pequeno apartamento de três quartos no Brooklyn, onde continuamos morando atualmente.

Infelizmente para mim, as paredes são finas, o espaço é apertado, e eu desafortunadamente tenho que conhecer cada pessoa que minhas amigas trazem para casa em um nível intimo.

Lauren é uma mulher das mulheres, sem surpresa nisso, dada sua pele de porcelana, olhos verdes brilhantes e cabelo preto super estiloso. Sim, eu quis dizer mulheres, porque Lauren é uma mulher intersexual. Isso foi uma grande surpresa para mim no começo, mas agora já é tão natural quanto qualquer outra coisa.

Dinah, por outro lado, teve alguns relacionamentos no período da faculdade, mas estava séria agora com seu ultimo namorado, Derk.

Sim, Derk.

Nome horrível, especialmente quando gritado à plenos pulmões por Dinah enquanto sua cabeceira da cama bate contra minha parede.

Agora que estávamos graduadas, nós continuamos morando juntas, mas tomando caminhos separados por força do trabalho.

Lauren conseguiu um trabalho com uma das maiores empresas de marketing, Bentley Marketing, editando comerciais, e Dinah esta trabalhando como escritora freelance para Cosmopolitan.

Ela começou escrevendo artigos sobre alguma coisa de 'cortes de cabelo para o verão' e foi para 'como maximizar sua contagem de orgasmo em uma noite'. Eu tinha aquele artigo salvo em meu notebook, como pesquisa.

Eu? Bem, eu não era tão sortuda no que dizia respeito a trabalho: infortunadamente, me foi oferecido um trabalho em Friendly Felines, onde escrevo sobre as novas e futuras formulas de granulado para liteira de gatos.

Nossos escritórios eram localizados em Manhattan, mas nos menores prédios, onde meu chefe insistia em manter um bando de gatos não castrados e mal educados, que pareciam estar no cio todo dia. Você já ouviu os lamentos de um gato precisando de atenção durante o cio? Sim, soa como se estivessem morrendo. Tente escrever em um ambiente como esse.

Eu sou uma bola de pelos ambulante quando saio do trabalho.

Para me proteger de terminar como uma louca dos gatos que não se importa em comer trinta por cento de pelo de gato em cada refeição, eu decidi escrever um romance.

Eu sou a garota que vive em fantasias, onde o amor sempre prevalece, e um herói esta esperando na outra esquina para investir em seu cavalo branco para salvar você.

Dada minha adoração por amor e minha habilidade de me perder na escrita, eu não achei que seria tão difícil escrever meu primeiro romance, considerando o fato de que esse é meu gênero favorito. Mas eu esqueci um pequeno detalhe no plano: eu ainda era virgem.

Respondendo à pergunta de Dinah, eu disse: "Sim, eu comecei a escrever de novo. Eu senti que estava na hora de revisitar Fabio e Mayberry".

"Por favor, me diga que você não nomeou seu personagem de Fabio de verdade", Lauren disse com uma bufada, enquanto ia pra geladeira e tirava três cervejas.

"O que tem de errado com Fabio?" perguntei, levemente ofendida. "Pra você saber, Fabio é um nome nascido nos anos oitenta e noventa para o gênero romance. Ele é o rei de todo romance. Você não tem como errar com um nome como esse".

"Camila, você sabe que eu amo você, mas acho que você tem que tirar sua cabeça de seus livros por umas poucas horas e entender que não esta mais vivendo nos anos oitenta ou noventa. Nós estamos vivendo na era de Christian Grey e Jett Colby, homens dominantes com lados perversos. Pare de ler aquela merda de peito arfando e coloque sua cabeça aqui e agora" Dinah castigou-me.

"Não há nada de errado com um peito arfando", defendi, pensando sobre o que estava escrevendo.

O que mais seios fariam no calor da paixão? Balançar? Balançar me lembrava de minha tia Emily e sua gelatina de salada, não de dois humanos apaixonados esfregando seus corpos juntos.

"Certamente há", Lauren disse, enquanto entregava à Dinah e eu uma cerveja. "Quando eu tenho uma garota se contorcendo embaixo de mim, eu não estou pensando 'nossa, olhe seu peito arfando'. Eu estou pensando 'merda, suas tetas estão balançando tão rápido com minhas estocadas que eu vou gozar em um segundo'".

É claro que ela iria dizer balançando.

"Eca, Lauren. Você é tão grossa", respondi.

"Hey, estou dizendo a você como uma pessoa que realmente tem um pênis pensa. Deveria ajudar".

"Não,    o    que    vai    ajudá-la,    na    verdade,    é    perder    a virgindade",    Dinah disse,    enquanto    dava    um    gole    em    sua cerveja.

O embaraçamento rapidamente correu pelo meu corpo enquanto eu esperava a resposta de Lauren; ela não tinha ideia de minha experiência sexual. Eu guardava aquilo pra mim mesma... e minha amiga boca aberta, Dinah.

"O quê?!" Lauren disse enquanto me olhava com olhos arregalados e quase um pouco magoados. "Você é virgem? Como que eu não sabia disso? Como assim você não me contou?"

"Dinah" - rosnei para ela, me sentindo completamente mortificada. Ser virgem não era algo que eu tornava publico, dado o fato que eu estava com vinte e três anos e só tinha dois beijos abaixo de meu cinto de proatividade sexual.

"Desculpa", Dinah disse com um sorriso inocente. "Escorregou".

Eu não acreditava nela nem um pouco.

"Você é virgem, sério mesmo?" Lauren perguntou de novo, ainda embasbacada com as notícias.

"Bem, se você quer saber, sim. Eu sou. Eu só não encontrei a pessoa certa, ainda", eu disse, enquanto olhava para baixo, encarando minha garrafa de cerveja e começando a me sentir levemente com pena de mim mesma.

"Eu não consigo acreditar nisso. Eu estou, eu..." Lauren se calou, tentando encontrar as palavras para expressar seu choque. Eu não a culpava: nós dizíamos tudo uma à outra. Eu estava surpresa que ela não surtou comigo por ter segurado aquela informação vital.

"Não é que eu nunca tenha tentado", defendi. "Eu só, eu não sei..."

"Você não tentou", Dinah disse com um olhar acusador. "Não mente. Austin e Shawn não contam. Você mal tirou sua cabeça fora de seus livros tempo o bastante para beijá-los na bochecha. Você está vivendo através de seus personagens, quando o que precisa é viver na vida real".

"Eu não estou vivendo em meus livros; eles são só meus amigos" respondi suavemente. Algum leitor sério saberia do que estou falando.

"Não diga isso", Dinah disse, apontando pra mim. "Nós falamos sobre isso, Camila. Mr. Darcy e Elizabeth não são seus amigos".

"Orgulho e Preconceito é um bom exemplo de literatura e romance", atirei de volta.

"Você precisa ser fodida", Dinah gritou. "Você precisa largar os livros, abrir suas pernas, e ser realmente fodida, Camila. Se você quer ter alguma chance de escrever um daqueles seus livros, precisa experimentar a sensação em primeira mão".

Eeeep!

"Há, primeira mão" Lauren deu risada para ela mesmo.

"O que isso significa?" perguntei confusa.

"Masturbação" Dinah contornou.

"Oh, nojento. Eu nunca faria isso".

"Espera, segura ai" Lauren disse, enquanto se levantava e apontava sua garrafa de cerveja pra mim. "Então, não só você é virgem, mas também está me dizendo que nunca nem mesmo se masturbou?"

Engolindo em seco, eu disse, "Você quer dizer, tocar eu mesma?"

"Maldição, Camila", Lauren disse em descrença. "Como pode eu conhecê-la por seis anos e nunca ter sabido sobre sua vida sexual, ou a falta dela?"

"Talvez porque você esteve muito ocupada transando com todo o curso de inglês", eu disse de forma maliciosa, começando a me irritar com Dinah e Lauren se juntando contra mim.

"Hey, tirei boas notas, não tirei?" ela sorriu maldosamente.

"Você é irritante", eu disse, enquanto voltava penosamente para o meu quarto.

"Espera aí, mocinha" Dinah disse, enquanto se levantava e puxava meus braços. "Você sabe que eu te amo, certo?" sua voz suavizou.

"Eu pensei que amasse".

"Não fique tão brava com a gente; nós só estamos tentando te entender. Você quer escrever uma novela romântica porque quer ter outro futuro alem de escrever sobre as ultimas e mais importantes pás de pegar merda de gato, certo?"

"Sim", respondi, exasperada. "Eu também amo a ideia de criar minha própria história de amor, fazendo duas pessoas que estavam vivendo em diferentes circunstancias se apaixonarem. É tudo sobre descobrir quando se torna amor, o momento exato quando você encontra a única pessoa em sua vida da qual você não consegue viver sem. Isso é o que me intriga".

"Concordo, mas você sabe que sexo vende, correto?"

"Sim, eu sei disso em primeira mão. Eu gosto de livros que tem uma pequena brincadeira neles." Apesar dos livros que eu li estarem levemente ultrapassados, coisas continuavam acontecendo neles, coisas que faziam meu corpo inteiro esquentar.

"Isto é chamado sexo, Camila" Dinah corrigiu. "Foder, fornicação, molhar o biscoito, fazer leite, trepar".

"Meter" Lauren cortou. "Estapear o trigo, bater botas, chacoalhar o pinto".

"Cavalgar o pônei, pegar a catinga de baixo..."

Lauren deu um olhar intrigado para Dinah e disse, "Pegar a catinga de baixo? Você é melhor que isso, Dinah".

Ela encolheu os ombros e estava para começar de novo quando eu disse, "Eu já entendi. Sexo. Viu, eu posso dizer isso".

Mesmo que parecesse como se eu tivesse algodão em minha boca.

"Tente dizer isso sem desenvolver um leve brilho em seu lábio superior".

Instantaneamente, eu comecei a umedecer meus lábios superiores, me sentindo mortificada.

"Não havia brilho" eu defendi.

"Oh sim, havia".

Eu gesticulei minha mão no ar, tentando apagar a conversa e disse, "Só volte ao ponto antes de eu me irritar".

"Bom", Dinah continuou. "Sexo vende, então se você quer escrever um livro que vai deixar ligadonas todas as senhoras enrugadas ao redor do maldito país, vai ter que se colocar lá e experimentar como é ter um orgasmo, ter um homem apertando o seu pequeno e duro mamilo, saber como é ter um pau em suas mãos, em sua boca, em sua boceta..."

"Okay" eu segurei minha mão para cima. "Eu peguei isso. Eu preciso fazer sexo. Como você sugere que eu consiga isso, sem pagar à alguém na esquina?"

"Tinder" Lauren sugeriu.

Dinah pareceu considerar a opinião dela por um segundo, mas depois balançou a cabeça. "Tinder é muito agressivo. Eu acho que ela iria murchar sob a pressão. Ela precisa ser levada para um encontro primeiro, não se encontrar no motel mais próximo. Nós precisamos de alguém que vai pegar leve com ela".

"Você tá certa" Lauren concordou.

"O que é Tinder?" perguntei, me sentindo um pouco curiosa.

Sorrindo brilhantemente, Lauren puxou seu celular do bolso e acenou com sua cabeça para eu chegar mais perto. Eu sentei no braço do sofá com ela e olhei em seu celular enquanto ela se detinha em um aplicativo.

"Tinder é um aplicativo de pegação. Ele mostra a você todas as garotas ou homens, no seu caso, que estão na área e estão usando Tinder. Você pode procurar através dos diferentes perfis e ver se você está interessada neles ou não com um toque de seu dedo".

"Sério?" eu perguntei, enquanto olhava fascinada para o seu celular.

Uma vez que o aplicativo estava aberto, uma foto de uma mulher subiu na tela. Ela estava usando um biquíni e tinha alguns dos maiores peitos que eu já tinha visto.

"Oh minha nossa", eu disse. "Ela é alguma das suas garotas?"

"Não" ela gargalhou. "Mas se eu apertar dizendo que eu gostei dela, e ela disser o mesmo sobre mim, então é um match, e nós vamos poder nos comunicar uma com a outra através do aplicativo... enviar mensagens de texto, possivelmente sair".

"Sim, eu não acho que estou pronta pra isso".

"Você definitivamente não está", ela sorriu, enquanto digitava em seu celular.

"Você está escrevendo para ela? O que aconteceu com Lucy, sua amada da faculdade?"

Amada era muito longe da realidade.

Lauren nunca teve realmente um relacionamento. A coisa mais próxima que ela alguma vez teve e que chegou perto de um relacionamento foi Lucy, e elas estavam indo e voltando entre todas as suas pegações aleatórias.

"Lucy já era. Ela ficou muito apegada, e, isso foi um match com essa garota, e eu estou fora de algumas prisões".

"Ugh, você é uma porca". Eu virei pra Dinah enquanto Lauren ria, e disse: "Qual a próxima opção?"

Com um gigante sorriso em seu rosto, Dinah disse: "Encontros online".

"Sim!" Lauren deu um soco no ar enquanto finalizava sua digitação. Ela puxou seu tablet da mesinha - a mulher tinha dinheiro - e começou a digitar de novo. "Minglingsingles.com aqui vamos nós".

"Oh, boa pegada" Dinah aprovou. "Ela não vai atrair muitos loucos nesse website".

"Isto é exatamente o que eu estava pensando", Lauren disse, enquanto começava a digitar de novo. Parecia que o desgosto de Lauren comigo por não ter me confidenciado com ela tinha passado, porque ela estava no completo modo de ajuda.

Típica Lauren, essa era uma das muitas razões do porque eu a amava.

Em minutos, ela tinha um perfil feito e pronto para preencher com uma foto minha em nossa graduação. Eu estava usando um vestido de bolinhas vermelho, meus óculos vermelhos e saltos pretos, jogando um beijo para a câmera.

"Não use essa foto", eu disse, tentando agarrar o tablet dela, mas ela foi muito rápida e o virou para longe. "Os caras vão ter a ideia errada dessa foto", eu especifiquei.

"E que ideia seria essa?" ela perguntou com um sorriso irritante.

"Que eu sou uma perdida..." no minuto em que as palavras saíram de minha boca, eu percebi o que estava dizendo. "Ugh, deixa pra lá. Faça o que você precisa fazer para me dar, um... alguma ação".

Se eu iria fazer isso, se eu ia tentar completar meu sonho de escrever uma novela romântica, então eu teria de começar a estar mais confortável em falar sobre sexo... e isso começaria hoje.

"Essa é minha garota!" Dinah disse, cutucando meu ombro. "Antes de você perceber, você estará fazendo aquilo como Derk e eu".

"Sim, a propósito, você pode manter os gritos no volume minimo?" Lauren disse, enquanto digitava em seu tablet, não olhando para cima. "Eu não preciso de uma ereção enquanto ouço você transando".

"Awww", Dinah prolongou, claramente satisfeita; eu torci meu nariz com desgosto.

"Nojo, você tem ereções de ouvir Dinah fazendo sexo?"

Lauren deu de ombros como se isso fosse nada. "Isso acontece. Não quer dizer que eu quero Dinah. Sem ofensa" ela disse apologeticamente. "Eu tenho um pênis, eu tenho ereções por coisas bobas... quase qualquer coisa pode me deixar ligada, na verdade".

"Interessante" eu pensei comigo mesma. Eu realmente precisava ler mais novelas eróticas modernas, porque as fofinhas estórias que minha mãe me apresentou não estavam me ensinando metade das coisas que eu precisava saber.

Eu precisava de um Kindle.

"Esta certo, você está toda estabelecida. Seu username esta em seu e-mail e sua senha é 'leveminhaflor', tudo em uma palavra".

"Esperta" eu disse sarcasticamente, enquanto tirava o tablet dela e dava uma olhada em meu perfil. "E agora?"

"O sistema vai combinar você com alguém e você pode conversar online. Se você encontrar interesses suficientes, você pode começar a ir a encontros. Muito simples", Lauren explicou.

"Eu procuro as pessoas?"

"Elas vão vir até você" Lauren riu. "Só relaxe por agora e deixe as coisas acontecerem".

"Isso vai ser bom", Dinah colocou as palmas de suas mãos juntas. "Tenha certeza de manter um diário de tudo que você passar, todos os seus sentimentos, porque você pode querer referir de volta suas experiências. Oooh, isso é como um experimento", Dinah disse com um pequeno e muito exagerado excitamento em sua voz.

"Que bom que eu posso entreter vocês, mas se vocês duas não se importam, acho que vou voltar para minha escrita".

Lauren se encolheu e disse: "Segure o espinheiro por enquanto".

"Você precisa de uma depilação?" Dinah perguntou com uma sobrancelha erguida.

"Não, eu tenho mantido aparado sempre desde o ano de caloura, quando você me chamou para fora do ginásio". Outro desserviço que minha mãe me fez.

"Bem, não podar um arbusto..."

"Dinah, por favor!" eu aleguei, enquanto Lauren gargalhava.

"Ah Camz, eu amo você", Lauren disse, me puxando para o seu peito e me beijando na cabeça. "Esses seus pais tradicionais realmente te deixaram idiota. Eles continuam dormindo em camas separadas?"

Eu assenti enquanto pensava sobre meus pais, que estavam presos nos anos 50. Eles ainda dormiam em camas separadas, acreditavam que o homem é o provedor da família e que a mulher devia cuidar do lar, assim como em nunca falar sobre relação sexual; daí minha desconexão com o conceito todo. Apesar disso, minha mãe era muito apaixonada em formar casais.

A única razão pra eu ter fascinação com o gênero de livros que eu lia era por causa de minha mãe e suas novelas secretas, que ela mantinha embaixo de sua cama. Eles usavam palavras como "sexo" para descrever os genitais femininos e "gladio" para o pênis de um homem. Aquelas novelas foram minha única janela para o louco mundo do sexo.

Me sentindo energizada e apreensiva ao mesmo tempo, disse boa noite para minhas amigas e saí para meu quarto, esperando que alguém no website me considerasse atraente o suficiente para me levar para jantar.

Mesmo que eu fosse inexperiente com o sexo oposto, continuava ansiosa por sentir um relacionamento, o toque de alguém, um beijo. Esse era um aspecto de minha vida que eu estava dolorosamente perdendo, e Dinah e Lauren estavam certas, talvez uma vez que eu experimentasse a coisa real, eu seria capaz de colocar todas as minhas emoções em minha escrita e de verdade fazer um nome para mim mesma, outro que não fosse Cocô de Gato Extraordinário.

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