O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRLHA

Aqui começa uma história de amor e luta, de esperança e liberdade, de profecias, espiritualidades e crenças messiânicas no período colonial português no Brasil. Esta saga tem palco no Quilombo dos Palmares, entre o atual estado do Pernambuco e Alagoas, onde era a Capitania Hereditária de Pernambuco e nos conta uma história mística de um Preto Velho GRIOT chamado Djeli, um descendente dos antigos contadores de histórias africanos e de N’zambi, um jovem da descendência real do Congo, que futuramente se tornaria um dos maiores heróis negros da história dos africanos escravizados, forçadamente trazidos para o Novo Mundo.

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11. Capítulo 7 (PARTE 1)- ז (ZAYIN) O PODER

O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRILHA

ז

ZAYIN

O PODER

 

A noite continuava esplêndida e linda no K’ilombo dos Palmares. N’zambi encontrava-se sentado em um pedaço de tronco circular perto da fogueira, ouvindo atentamente todas as palavras que o velho griot pronunciara. Djeli levantou-se, deu uma daquelas espreguiçadas que o confortavam e novamente foi preencher os copos de barro com a última dose do vinho dos espíritos das florestas.

O jovem príncipe olhava o horizonte abrilhantado e prateado do reflexo lunar, refletido nas infinidades das palmas das guarirobas. Sentia-se maravilhado com o conto da criação iorubá. Algo diferente do que ele leu na Bíblia no livro do Gênesis, pois aquela era uma história do princípio dos princípios, antes da terra e a espécie humana coexistirem.

O preto velho griot deu um copo com o vinho dos espíritos ao jovem, pegou um pedaço de tronco e foi sentar-se ao lado dele perto da fogueira. Socou mais da sua mistura predileta de ervas dentro do seu cachimbo e começou a pitar prazerosamente, enquanto fixava os seus olhos nas chamas ardentes.

N’zambi silenciosamente o observava, sentindo-se profundamente agradecido de ter encontrado aquele ancião contador de histórias, que também possuía muitas sabedorias para lhe acrescentar. Sabia que muita coisa ainda tinha que aprender com o velho griot. Ambos tomaram rapidamente o vinho dos espíritos das florestas, ao silêncio dos cantos, chiados e grunhidos. N’zambi continuava observando o preto velho griot e via o reflexo das chamas da fogueira nos seus grandes olhos negros.

Djeli encontrava-se submerso com o seu olhar fixo nas labaredas, como se estivesse em pleno transe. E, quebrando o silêncio, o preto velho falou:

— Meu jovem! Escute as palavras deste velho homem. Logo você se tornará um grande líder para esse povo, e isso será para você um grande peso a carregar. Pois ser senhor e rei de si mesmo já é um grande fardo, imagine ser isso para uma nação? Mas, por sabedoria e verdade eu te digo, seja senhor e rei de si mesmo em primeiro lugar. Não procure agradar ninguém. Faça simplesmente as coisas de modo e maneira que seja correto, prático, eficiente e justo.  Não alegre e nem eleve o seu coração com as boas palavras e bajulações dos tolos e interesseiros. E nem se desanime com as suas arrogâncias e críticas ofensivas. Seja maior do que os seus sentimentos, como um barco que continua firme navegando pelas tempestades. Pois a mesma boca que hoje pode te elogiar poderá também amanhã te amaldiçoar. Não confie nos homens, não lhes conte o seu segredo. Pois, se você não consegue guardar o seu próprio segredo, como poderá achar que o outro conseguirá? Também o mistério de um segredo é quando este está em oculto. E que mistério tem um segredo revelado? Um rei sábio está acima do julgamento do bem e do mal, pois o rei é a lei para o seu povo. Por isso, meu jovem príncipe, só conte os seus planos e segredos apenas quando queira que eles sejam revelados. Para que eles lhes sirvam de ferramentas estratégicas. Governe a si próprio sendo o condutor dos seus pensamentos, pois os pensamentos são como carros guiados por touros agitados e ferozes, se você não os conduzir, eles te levarão por caminhos desconhecidos e sombrios, tortuosos e esburacados. Seja o senhor de si mesmo, comandando a sua boca e ordenando as suas palavras, pois tudo o que disser voltará para você mesmo. Não procure ser tagarela e falar tolices. Se não tiver nada para falar, cale-se! Assim como o veneno da serpente está na boca, e é pela boca que os peixes são fisgados. Assim também é a boca para o homem. Que suas palavras sejam para te abençoar e não para te amaldiçoar. Seja rei sobre si, governando com mão de ferro os seus sentimentos, pensamentos, atos e palavras. Estes podem se tornar os seus piores inimigos, se você não os governar com força e determinação. Os nossos sentimentos costumam constantemente nos trair, se tornando aliados das coisas e pessoas externas ao nosso ser e, assim, nos deixando à mercê das vontades e cacoetes alheios. Pois nada e nem ninguém tem o poder de nos controlar, senão pelos nossos sentimentos e suas variadas sensações de ter ou ser. Em verdade e em sabedoria te digo, meu jovem, que no futuro os que procurarem escravizar os povos, utilizarão de meios e ferramentas que explorarão todas as variadas sensações emocionais do sentimento humano. Criarão mais luzes e cores para os olhos. Mais odores e demasiados cheiros para o nariz. Mais sons e efeitos para os ouvidos. Mais prazeres, sabores e sentidos para a língua e para o corpo. Mais razões, moralidades, crenças e ideais para a alma. Eles farão com que o próprio corpo e os seus variados estímulos e sentidos sejam suas próprias prisões. Criarão toda a sorte de coisas para satisfazerem os seus mais bizarros desejos. E o homem e a mulher se tornarão um escravo dos seus sentimentos, que geram desejos e emoções insaciáveis, e viverão toda a sua ridícula vida trabalhando para contentá-los. Prisioneiros de uma cela sem grades e sem muros, mas que, mesmo assim, os deixará parados no mesmo lugar. E aqueles que se locomoverem em passeios e viagens, pensando isso ser a verdadeira liberdade, não estarão senão dando voltas dentro de um mesmo labirinto sem saídas. Escravos de um sistema onde o feitor invisível estará disfarçado pelo sentido de uma falsa liberdade, e de uma espontânea e livre escolha. Sem saberem que essa tal liberdade lhes foram moldadas antes de nascer. E de que as escolhas não passam de simples opções impostas ao nascer, dentro do sistema que os escraviza. E aonde forem levarão consigo as suas cadeias, pois, no futuro, a escravidão será cultural, independente de raça, nação, credo e região. E o que antes fora liberdade não mais existirá, e a verdade ninguém mais reconhecerá. Pois nunca ninguém a viu, e nunca ninguém a sentiu, e nunca ninguém a conheceu. E como reconhecer o que nunca lhes foram apresentados? Então, a memória e os ensinamentos dos poucos homens que conheceram a verdade e viveram a realidade serão mesclados e confundidos com as fábulas intencionalmente. Para que a verdade se torne uma mentira, e a realidade uma mera fantasia. E ambas se tornarão os mais valiosos produtos e ferramentas de alienação, que suprirá os mercados das crenças alienantes das almas humanas. E assim ridicularizarão a verdade e abominarão a realidade, sendo que a ilusão se tornará a base mentirosa dos ideais, desejos e crenças. Meu jovem príncipe, procure o entendimento e a sabedoria de todas as coisas, e escute todos e tudo atentamente sem julgamentos de bem ou mal. Lembre-se! Todas as coisas têm dois lados. Medite nos dois lados de todas as coisas separadamente, e depois faça desses dois lados um só corpo, e obterá a glória do todo em tudo. Nunca se esqueça do seu Criador, O Pai e Mãe de Todas as Coisas Manifestas. Pois esta Grande e Poderosa Presença agrada àqueles que lhe agradam e livra de todos os perigos aqueles que o amam. Escute! Aprenda a ser flexível e adaptar-se, essa é a sabedoria do camaleão, assim todas as situações se tornarão favoráveis para você. Não resista às diversidades da vida, aceite-as! E você se tornará tão forte, que nenhum mal te tocará. Quando uma coisa, ideia, planos ou trabalho não fluir bem em seu caminho, por mais que você tente e se esforce, mesmo sabendo que você domina isso, e que ninguém pode realizar melhor essa função do que você, abandone isso! Deixe-o de lado! Pois você não sabe os motivos universais ou naturais que impedem você de trilhar esse caminho. Talvez não seja a hora e o momento certo. Talvez você ainda tenha que realizar ou aprender outras coisas, ou até saber de algo que você nunca pensou, para que seu intento seja perfeito. Talvez o lugar e as pessoas não mereçam usufruir, ou se beneficiar, das bênçãos do seu ofício e energia. Ou simplesmente, talvez, essa coisa só lhe serviu como ponte para você chegar até onde chegou, não precisando mais dela, e sim de coisas mais novas e elevadas no seu caminho. Apenas não force mover as coisas que se encontram demasiadamente pesadas no seu caminho. Pois trilhar o caminho correto é como o constante fluxo das águas de um rio. E, quando essas águas encontram algum obstáculo, elas desviam, deslizam ou passam por cima sem perda de tempo e sem muito esforço. Não falo isso para que desista dos seus ideais e sonhos ou procure o caminho mais fácil. Falo isso para que você seja flexível para entender que nem tudo funciona do jeito que pensamos e queremos. E de que existe uma força e inteligência maior que verdadeiramente sabe o que é o correto no nosso caminho. Pois, diante dessa grandiosa presença inteligente do universo e da natureza, nada sabemos. Porque, para ser um homem sábio, meu jovem, você tem que afirmar todos os dias para você mesmo que você nada sabe. Você quer aprender a ser um bom comandante, meu jovem?

— Sim. — Afirmou N’zambi meio que embaraçoso.

— Então, primeiro seja um bom soldado. Você quer aprender a ser um bom rei?

— Sim, Djeli.

— Então, seja primeiro um bom servente. Pois somente nessas situações adversas é que você poderá fazer do dois um. Um bom comandante não poderia ter essa excelência, se não fosse primeiro um bom soldado. E todo rei que um dia não foi um bom servente se tornou amante dos prazeres e de si mesmo, envolto em orgias, perdendo a dignidade de ser um bom rei. Sendo este governado por seus administradores e conselheiros, fazendo e favorecendo as suas vontades egoístas sem saber. Porque nunca fora servente, e, não sendo servente, desconheceu as necessidades básicas do seu reinado, indo este à decadência.

Fez-se uma breve pausa para dar uma pitada no seu cachimbo, e continuou:

— Meu jovem, examine constantemente os seus pensamentos, palavras, ações e atitudes pela postura do seu coração. Faça com que o seu coração o repreenda quando você cometer alguns erros, e não o prive dele se alegrar nos seus acertos. Pois é pelo coração que o Grande Espírito que dança em todos e em tudo nos fala. Contemple constantemente o mistério do universo sem procurar entendê-lo, e não aspire compreender o que se faz oculto ao nosso entendimento. Pois é nessa procura por desvendar os segredos que a vida se torna entediante, faltando o verdadeiro sentido para viver. Por obter uma resposta aceitável para todas as coisas. Pois, quando se aceita uma resposta convincente para o que não existe resposta, torna-se um cego das coisas maravilhosas do universo e da natureza, e o caminho deixa de ser constante, se tornando um labirinto sem saída, pelo qual aquele que o trilhar dará voltas e mais voltas no mesmo lugar, tornando a caminhada da vida triste e sem sabedorias para lhe acrescentar. Pois este pensa que de tudo sabe, sem nada entender. Contemple sempre amando o Segredo dos segredos e o Mistério dos mistérios, e todas as coisas serão maravilhosas aos seus olhos. Aí está a sabedoria que gera o elixir da eterna saúde e juventude!

Djeli encarou o jovem príncipe, que o olhava admiravelmente, aproximou-se mais do rapaz e perguntou:

— Você já leu toda a Bíblia, meu rapaz, ou apenas ouviu citações do padre?

— Eu fazia leitura da Bíblia todas as noites para o Padre Antônio, estudando latim. Sendo que já fiz a leitura de toda a Bíblia mais de cem vezes, e tenho todas as histórias e palavras que ela contém em minha lembrança, onde guardo todas as sabedorias destes homens que ela contempla em meu coração.

— Nisso, meu jovem, você tem que agradecer todos os dias ao Padre Antônio. Pois, creio eu, que nenhum desses fidalgos que vivem livres lá na colônia tem essa inteligente sabedoria, e esse desenvolvimento de intelecto que o padre lhe concedeu. Essa é a parte boa da parte ruim da sua experiência junto aos colonos portugueses. Agora, vê que todas as coisas têm dois lados. No futuro essa informação lhe será de grande valia.

Djeli o abraçou, sabendo que não só estava diante de um grande rei, mas de um dos filhos daquela que mais brilha.

Assim, o velho griot bem compreendia que é o Grande Espírito que dança em todos e em tudo que capacita e dá entendimento aos seus escolhidos. Depois de abraça-lo, Djeli continuou a lhe dizer:

— Vamos, meu jovem, já está entrando a madrugada, e ainda não terminei de lhe contar a história da criação dos povos iorubás.

Juntos acomodaram-se confortavelmente ao lado da fogueira, e o preto velho griot Djeli antes, de começar a dar continuidade à lenda dos iorubás, cantou uma música ao som do seu M’bolumbumba:

 

“Rejeitei o mundo e seus progressos

Os vícios e seus prazeres

E fui viver isolado nos rochedos marítimos de um farol

Tudo que levei desse mundo cruel

Foram minhas vestimentas e meu rouxinol

 

Lá... que se tornou o meu lar

Eu não tinha notícias do mundo

Não via nenhum ser semelhante

Não ouvia nenhuma voz a não ser a minha própria

 

Chegava a parecer que eu era

O último sobrevivente de um dilúvio

Que inundou toda a terra!

 

Ouvia apenas

O cantar do meu querido rouxinol

O estourar das ondas nas pedras

O assobiar do vento varrendo o mar

 

E ao entardecer

Via andorinhas povoando o imenso céu

 

Hóspede das águas

Ficava triste!

Vendo cair no abismo o meu amigo Sol

Mas logo a doce aurora

Trazia-me a Lua e a Estrela Vespertina, AQUELA QUE MAIS BRILHA

Para fazer-me companhia em noites de solidão

 

Era meu dever

Acender todas as noites a cúpula do farol

E passeava sobre a vastidão das águas

O meu comprido leque incendiado na tristeza noturna

Pelo qual abria uma estrada de luz na floresta da noite

Alertando e orientado aos que andam sobre as ondas

 

Da torre do farol

Olhava o céu enegrecido

Por entre estrelas cintilantes e reluzentes

Olhava também as águas

Que tomavam formas de montanhas

Coroadas de espumas fervescentes

 

E emaranhados de pensamentos navegavam em minha cabeça

Como ondas que vão e vêm, como nuvens passageiras

 

Eram as alegres recordações de minha infância derradeira

 

Pensamentos de tristeza e solidão

Também invadiram meu coração

 

Porque os homens são egoístas e abusam da razão

 

Aqui estou Eu todas as noites, e humildemente nada devo ao mundo alheio...

 

E com o olhar mergulhado no horizonte negro

Velo pela vida soberba dos felizes...

Velo pela fortuna dos ricos...

Velo pela prosperidade dos maus...

Velo pelos bens dos governantes idólatras de si mesmos...

 

Sou homem de pensamento e velo sobre o oceano das ideias...

 

Não sou inútil quando dou sopro de luz

Levantado do vazio do céu e do preenchimento do mar

Sei que existem embarcações neste Grande Oceano

Que minha luz irá pousar

 

Em verdade, em verdade vos digo,

A todos: os seguidores dos ídolos,

Filhos do iníquo, ateus e servos de Cristo,

Buda, Krishna, Brahama, Elohim, Alá, Yeshua e Oxalá

 

Meu posto é na torre do farol

Varrendo com o facho do meu intelecto

A imensidão e o mistério do céu

A vastidão e o segredo do mar

A toda vaidade, ilusão, mentira e hipocrisia que na terra insiste em imperar.”

 

E o preto velho continuou com o conto da criação iorubá:

 

— Nesse ínterim, enquanto Olófin Odùduwà e os outros Funfuns contemplavam a criação do novo reino. Obàtálá, que por amor a si próprio se fez Òrínsànlá, despertou do seu sono profundo...

Quando retornou a si, atordoado e ainda muito confuso, rapidamente levantou-se, vendo os seus seguidores o cercando. E, não se lembrando de muita coisa, perguntou a eles o que lhe se sucedeu. Então, os seus seguidores começaram a lhe relatar todo o acontecido depois que ele bebeu o néctar da palmeira.

Nisso, enquanto os seus seguidores ainda falavam. Òrínsànlá foi com a mão em sua cintura para pegar o àpò-iwà, e logo percebeu que o saco não se encontrava mais ali. E de súbito perguntou aos seus seguidores:

— Cadê o saco com o elemento da criação que o mais Alto dos altos me deu?

Os seus seguidores, então, contaram tudo o que lhe sucedera depois do sono.

Rapidamente, Òrínsànlá, junto aos seus seguidores, foi ao local indicado por Orunmilá, onde se deveria criar o novo reino, o Òpó-Òrun-oún-Àiyé.

Chegando lá, e para sua maior dor, Òrínsànlá teve uma visão surpreendente do novo reino criado. E ali mesmo, segurando a grande pilastra, Òrínsànlá sentiu pela primeira vez um complexo de sentimentos que ainda nunca foram sentidos na criação.

Uma dor profunda do âmago do seu íntimo o dominou, sentiu-se tão fraco que não mais conseguia erguer-se em seus pés, senão ficar de joelhos. Seus olhos se fecharam por não poder olhar mais os seus seguidores, pois diante deles se sentia fracassado. Lembrara-se de todas as coisas que fizera de errado, principalmente por não ouvir os conselhos do oráculo. E as recordações das palavras de Orunmilá e Odùduwà eram-lhe como estacas cravadas em seu coração.

Essa dor era tão forte, que o sufocava gravemente.

Òrínsànlá, que antes se sentira o maior entre todos os seres criados, agora se sentiu o pior entre todos os seres da criação.

A maior das dores ainda estava por vir, era a de encarar Olódùmarè. Pois fracassara na missão que o mais Alto dos altos lhe confiou, e pela qual tanto se orgulhava.

Ali mesmo, aos pés do Òpó-Òrun-oún-Àiyé, Òrínsànlá sentiu a vontade de querer desaparecer. Depois que experimentara o sono desejou nunca acordar, quem dera antes tivera dormido para sempre, e de ir embora, e nunca mais voltar.

Um vazio imenso o dominara. Um desespero o cobrira. Uma impotência. Uma inutilidade de si mesmo o despira. Sentiu-se pela primeira vez numa dor interna tão forte e agonizante. E, em todos esses complexos sentimentos que deram origem ao que hoje conhecemos como a CULPA, a VERGONHA, a TRISTEZA, a MELANCOLIA, o ARREPENDIMENTO, o FRACASSO e todos esses demais sentimentos derivados da DERROTA, que afligem a alma dos seres pensantes e dominantes sobre esta terra.

Rasgando suas vestimentas e depois caído ao solo, Òrínsànlá, sussurrando dolorosamente, disse aos seus seguidores:

— Por favor, eu já não tenho mais forças para caminhar, me levem ao centro do Orún. Depois me deixem lá e vão procurar outro mestre, pois eu já não sou mais digno desse título.

Seus seguidores, vendo o estado do seu senhor, entristeceram-se e fizeram tudo quanto este o pediu. Carregaram-no e caminharam em direção aos portões que davam acesso ao Orún.

Ao se aproximarem dos portões, o Porteiro lá estava, e este começou a caçoar de Òrínsànlá, dizendo:

— Ora, ora! Eis aí o mais poderoso entre todos os Imolès da criação. Pelo que vejo, já não tem mais esse poder todo que dizia. Diante dos meus olhos aí está um fracassado... Hahahahaha... Também tu serás banido, seu derrotado, assim como eu por sua causa também fui.

Òrínsànlá, diante das palavras de Èsú’Yangí, nem se abalou, pois tudo já perdera sentido diante dos seus olhos. Então, atravessaram os portões e foram até o centro do Orún, e os seus seguidores o deixaram ali como ele mesmo pedira.

Quando Òrínsànlá viu que se encontrava só no centro do Orún, ajoelhou-se e olhando para o alto rogou:

— Grande Oló, o mais Alto dos altos, o mais Belo entre os belos em que toda beleza se faz. Os mistérios e os segredos que a tudo embeleza se fazem em tua manifestação. Força dos fortes, Poderoso és tu. Grande Presença que a tudo preenche e que movimenta, dançando em todas as coisas. Matriz de todos os sentidos e de todas as cores. Fonte luminosa que a tudo incendeia, encandeia e floresce. Grande e Magnífico Espírito de Santidade Infinita! Ouve os meus gemidos de dor e de angústia. Não te escondas de mim, porque estou aflito. Venha a mim, e que eu possa ascender a sua morada. Tive raiva daqueles que me aconselharam. Não ouvindo os que tinham sabedoria a me acrescentar, e eis-me aqui, fracassado e caído em desgraças. Sinto uma dor tão profunda, como se estivesse queimando em chamas por dentro. Já não sou mais digno, Ó Grande Oló, do sopro de vida que me deste. Leve esta vida de mim, e apaga essa chama que alumia, pois o peso que carrego me enfraqueceu, e não tenho mais olhos para olhar mais nada e nem ninguém.

Sem que Òrínsànlá percebesse, enquanto ainda suplicava, Olódùmarè o levou ao Àwosùn Dàra, a Morada dos Justos. Òrínsànlá ainda se encontrava de joelhos com o rosto prostrado ao solo, quando o mais Alto dos altos falou:

— OBÀTÁLÁ, MEU FILHO, ERGA-SE E LEVANTE!

Òrínsànlá, ouvindo a voz do mais Alto dos altos, e percebendo que se encontrava no Àwosùn Dàra, continuou de joelhos e disse:

— Grande Oló e meu Pai-Mãe Amado, não sou mais digno de tua Grande Presença, pois falhei na missão que me deste. Devo também ser banido como meu irmão Èsú’Yangí.

— MEU FILHO, VOCÊ SABE QUE TE AMO, E VEJO QUE VOCÊ ESTÁ ARREPENDIDO. VOCÊ NADA TEM A VER COM SEU IRMÃO. LEVANTA-TE DEPRESSA, POIS TENHO OUTRA MISSÃO MUITO MAIS IMPORTANTE PARA TI. VOCÊ TEM AGORA O MEU PERDÃO.

De repente, o ânimo de Òrínsànlá se restabeleceu. Então, ele se levantou e Olódùmarè continuou a lhe falar:

— EIS QUE O NOVO REINO ESTÁ FORMADO, E AGORA EU SOU O SENHOR DO ÒRUN E DO ÀIYÉ. O QUE ERA PARA SER UM SÓ REINO AGORA É DOIS. E EIS O QUE ERA PARA SER UM SÓ SER, AGORA SERÃO DOIS. DOIS PRINCÍPIOS, DUAS SUBSTÂNCIAS E DUAS REALIDADES. EIS AGORA O CONHECIMENTO DO OPOSTO, DO DIFERENTE E DA DISCRIMINAÇÃO, E DO QUE SE FAZ REALIDADE, E DO QUE SE FAZ ILUSÃO. CONFUSÃO, E DETURPAÇÃO, E SUBORDINAÇÃO. SEPARAÇÃO E UNIÃO. VIDA E MORTE. NÃO E SIM. MACHO E FÊMEA. O ABSOLUTO E O VAZIO. AS TREVAS E A LUZ, E A LUZ E AS TREVAS. O CAIR E O LEVANTAR. EIS QUE AGORA O UNO SE FARÁ DUAL E NÃO MAIS ME VERÃO, QUANDO O DUAL SE FIZER UNO, EU ENTÃO RETORNAREI AO QUE VERDADEIRAMENTE EU SOU. E ME REVALAREI.

— Das coisas que falou, Ó Grande Oló, eu nada entendi. — Disse Òrínsànlá...

— AGORA, MEU FILHO, NADA ENTENDE. MAS LOGO ENTENDERÁ. AFINAL, VOCÊ TAMBÉM MUDOU. OU SERÁ QUE AINDA NÃO PERCEBEU?!

Quando Òrínsànlá se olhou nos reflexos do palácio de cristais luminosos do Àwosùn Dàra, para seu espanto, viu que agora tinha duas cores. De um lado ele era branco, e de outro lado ele era negro, e disse:

— Grande Oló, o que vem a ser isso?

— UMA NOVA RAÇA BROTARÁ DE TI, E DENTRE ELA OUTRA RAÇA, E RAÇAS INTERMEDIÁRIAS TAMBÉM. PORQUE EU SOU O UM, E TAMBÉM O DOIS, E NISSO ME FAÇO TRÊS. POIS ENTRE UM E OUTRO, EU SOU A EXCEÇÃO. ESCUTE! AGORA TE DAREI UMA NOVA MISSÃO. OLÓFIN ODÙDUWÀ CRIOU O ÀIYÉ. E DOS TRÊS ANIMAIS ELEMENTARES, A SABER: A POMBA, A GALINHA DE CINCO DEDOS EM CADA PÉ E O CAMALEÃO, A VIDA ANIMAL SE DESENVOLVEU POR ADAPTAÇÃO. QUERO QUE VOCÊ CRIE OS SERES QUE HABITARÃO ESSE NOVO REINO, PARA DO ÀIYÉ SEREM SENHORES, REIS E DEUSES. ESSES SERES SE CHAMARÃO IGBÁ IMOLÈS. DESSA FORMA, MEUS PRIMEIROS SERES SÃO OS IMOLÈS FUNFUNS, DOS QUAIS VOCÊ FOI O PRIMEIRO, SENDO AQUELES DE COR E LUMINOSIDADE BRANCA. DEPOIS ACENDI MINHA LUZ ATRAVÉS DE SEUS CORPOS TRANSPARENTES, E FORMEI DE VOCÊS OS IRUN IMOLÈS, PARA LHES SERVIREM E LHES ALEGRAREM, QUE SÃO AQUELES DE CORES E LUMINOSIDADES MÚLTIPLAS E VARIADAS, E QUE DIVIDEM O ORÚN COM VOCÊS. AGORA QUERO QUE VOCÊ VÁ E CRIE OS IGBÁ IMOLÈS.

— Grande Oló, como eu criarei esses seres, e qual elemento tu me darás para formá-los? — Perguntou Òrínsànlá...

— DESTA VEZ NÃO TE DAREI MAIS ELEMENTOS. POIS VOCÊ PERDEU O ELEMENTO QUE TE DEI PARA A REALIZAÇÃO DA SUA PRIMEIRA MISSÃO, EM QUE VOCÊ FRACASSOU. E TAMBÉM VOCÊ NÃO TERÁ MAIS CONSELHOS DOS SÁBIOS E DO ORÁCULO. POIS NEGLIGENCIOU AQUELES QUE TINHAM ALGO A LHE ACRESCENTAR. AGORA TODA AÇÃO TERÁ UMA REAÇÃO, E TODA CAUSA TERÁ UM EFEITO. VOCÊ COMERÁ AQUILO QUE COZINHOU, E COLHERÁ AQUILO QUE PLANTAR. VÊ, OBÀTÁLÁ, QUE TODAS AS COISAS COMEÇAM E TERMINAM EM VOCÊ. E TUDO QUE TE OCORREU OCORRERÁ NAQUELES QUE PROVÊM DE TI. VOCÊ SERÁ O ARQUÉTIPO DOS NOVOS SERES. E EM VOCÊ ELES ESPERARÃO E SE ESPELHARÃO. SAIBA TAMBÉM QUE O SEU OPOSTO SERÁ TAMBÉM O OPOSITOR DELES. A ELES ENGANARÃO, SENDO QUE FARÁ DE TUDO PARA COLOCÁ-LOS CONTRA VOCÊ. ENTÃO, VOCÊ TERÁ QUE FAZER UMA ESCOLHA E DESCERÁ NO MEIO DELES, SE TORNANDO FRÁGIL E MORTAL COMO ELES, E SE SACRIFICARÁ PARA SALVÁ-LOS. E, MESMO ASSIM, MUITOS DELES TE REJEITARÃO, E NÃO MAIS TE RECONHECERÃO COMO O SEU CRIADOR E SALVADOR. VOCÊ SE LEVANTARÁ E ASCENDERÁ NOVAMENTE AO MAIS ALTO DOS ALTOS, E SE ASSENTARÁ COMIGO NO MEU TRONO, À MINHA DESTRA. E EXPULSARÁ O OPOSITOR DA EXTREMIDADE DO PRIMEIRO REINO, PRECIPITANDO-O NO ÀIYÉ. E QUANDO VOCÊ ESTIVER COMIGO, NÃO EXISTIRÁ MAIS NEM EU E NEM TU, POIS SEREMOS UM, SENDO QUE TUDO QUE É MEU SERÁ SEU. E JUNTOS PROCURAREMOS UM OUTRO, QUE NASCERÁ NO ÀIYÉ, O ÚLTIMO DA TRINDADE, E NELE FAREMOS MORADA PARA TODO O SEMPRE, E QUANDO ESTE VENCER, EU, TU E ELE SENTAREMOS NUM SÓ TRONO. E O ORÚN DESCERÁ AO ÀIYÉ E O ÀIYÉ SUBIRÁ AO ORÚN. E O UM QUE SE TORNOU VÁRIOS TORNARÁ A SER UM NOVAMENTE. MAS, POR AGORA MEU FILHO AMADO, REALIZA A TUA MISSÃO, E RESOLVE AS TUAS PENDÊNCIAS COM OS TEUS IRMÃOS, PARA QUE TUA OBRA SEJA PERFEITA, PELA OBSERVÂNCIA DA HARMONIA.

Ao descer do Àwosùn Dàra, a Morada dos Justos, Obàtálá, que por amor a si próprio se fez Òrínsànlá, deu uma volta ao redor de si mesmo, olhando toda a circunferência do Orún.

E um profundo sentimento de desconforto tomou conta de si. De repente, se viu desolado e imbuído em muitas dúvidas. Por um lado, obteve o perdão de Olódùmarè, e por outro tinha que enfrentar as consequências dos seus atos passados, para realizar um trabalho sem informações de como fazê-lo, e elementos para criá-lo. Também desta vez não podia nem pensar em fracassar na sua nova missão.

Diante de todas essas coisas, que rodopiavam em seu íntimo, Òrínsànlá sentou-se e pôs-se a meditar em todas as coisas que o fizeram falhar em sua primeira missão.

Percebeu que o seu orgulho o autodestruíra, e desta vez queria reparar todos os erros passados, para que sua nova missão seja bem-sucedida e perfeita. E, pesando seus pensamentos consigo mesmo, disse:

— A partir de agora em diante, não mais me autoproclamarei Òrínsànlá. De agora em diante todos me chamarão Òòsàálà. — Que significa “Aquele humilde de luz branca que a todos iluminará”.

Òòsàálà iniciou sua jornada convocando todos os Irun Imolès que se encontravam no Orún. Pois os Imolès Funfuns se encontravam no Àiyé. Onde, a mando de Olófin Odùduwà, fundaram uma casa-cidade que chamaram de Ilé, que significa “casa, morada ou comunidade”.

Òòsàálà convenceu os Irun Imolès a deixarem de lado todas as suas divergências e se unirem a ele, para fazerem parte de sua nova missão.

Reunindo todos os Imolès, Òòsàálà partiu em direção ao Òrun Àkàsò. Para de lá ir ao Òpó-Òrun-oún-Àiyé, e descer pela corrente até chegar ao Àiyé, e ir reunir-se aos demais Funfuns no Ilé.

Os Irun Imolès, ao comando de Òòsàálà, chegaram nos portões das fronteiras dos mundos, o Òrun Àkàsò. Òòsàálà adiantou-se, e disse:

— Porteiro, abra os portões para a corte dos Imolès passar.

O Porteiro, vendo toda aquela multidão de Imolès juntos e unidos a Òòsàálà, ficou perplexo e indignado. Pois acreditava ele que o seu opositor Obàtálá se encontrava derrotado, e que os Irun Imolès estavam divididos em divergências entre eles por causa do engano.

Mas agora Òòsàálà se apresentava diante dos seus olhos mais pleno de poder e com uma luminosidade muito clara, como se fosse o próprio Olódùmarè estando ali presente. Temeroso de receber alguma represália da parte de Òòsàálà, este nada questionou. Apenas abriu os portões e desapareceu diante da vista de todos.

Chegando ao Òpó-Òrun-oún-Àiyé, a corte dos Irun Imolès, liderada por Òòsàálà, avistou ao longe e abaixo o novo reino. E como era belo, parecia um grande globo ocular azul com uma pupila amarronzada ao meio! Um montante de terra arrodeada por águas, contida num recipiente de gelo. Pois naqueles primeiros dias da criação a terra era unificada num só continente, que mais parecia uma grande montanha plana.

Enquanto isso, no Àiyé, Èsú’Yangí fora rapidamente encontrar os Imolès Funfuns no Ilé. Chegando lá, ele se disfarçou e se apresentou aos Funfuns como Òjísé, o mensageiro. E disse-lhes:

— Trago-lhes uma mensagem do Grande Oló. Obàtálá, que se fez Òrínsànlá, depois de ter fracassado na missão de criar o novo reino, ficou furioso e, assim, reuniu todos os Irun Imolès e agora planeja uma revanche por vocês terem furtado o saco com o elemento da criação, o àpò-iwà, e realizado a Grande Obra. Neste exato momento, eles já se encontram no Òpó-Òrun-oún-Àiyé.

Quando Olófin Odùduwà e os demais Imolès Funfuns ouviram isso, ficaram tão apavorados que nem questionaram a notícia e nem o mensageiro delas, que por alguma razão, pela arrogância que eles já presenciaram da parte de Òrínsànlá, essa informação lhes parecia óbvia.

Nesse ínterim, enquanto os Imolès Funfuns discutiam entre eles o assunto, Èsú’Yangí, disfarçado como Òjísé, desapareceu rindo ironicamente sem que eles o percebessem.

Então, diante desse fato apresentado a eles por Òjísé, os Imolès Funfuns decidiram fortificar a cidade de Ilé, com uma grande muralha feita de grandes tijolos de pedra...

Enquanto isso, Òòsàálà e os Irun Imolès desciam em fila pela corrente que unia o Orún ao Àiyé. E, pisando no Àiyé, Òòsàálà sentiu uma forte dor nos seus pés, que a cada passo ia se dissolvendo até parar.

Então, eles caminharam em direção ao Ilé e encontraram uma grande cidade fortificada por muralhas de pedra. Ao chegar aos portões da cidade de Ilé, Òòsàálà disse em alta voz:

— Irmãos Funfuns, abram os portões! Pois eu e a corte dos Irun Imolès queremos entrar e falar-lhes sobre uma nova missão que o mais Alto dos altos nos deu.

Então, os Imolès Funfuns subiram nos muros da cidade, e Olófin Odùduwà adiantou-se e disse:

— Obàtálá, que por amor a si próprio se fez Òrínsànlá, o que temos nós contigo? Sei que você veio nos destruir, porque pelo seu fracasso realizamos a Grande Obra.

— Não, meus irmãos, eu jamais faria isso. Pelo contrário, aqui estou arrependido diante de vocês, e venho lhes pedir perdão. E já não sou mais Òrínsànlá, o orgulhoso, e sim Òòsàálà, o humilde. E eis que agora me faço o menor dos menores entre vocês.

— Vemos que você se tornou mentiroso como o traidor dos nossos irmãos. Pois, através de um mensageiro vindo do mais Alto dos altos, sabemos que você veio nos destruir, e por isso reuniu todos os Irun Imolès. — Disse assim Olófin Odùduwà.

— Que mensageiro é este, que veio vos falar? Não vim destruir vocês, e sim lhes pedir ajuda. Pois o mais Alto dos altos me deu uma nova missão, que é a de criar os novos seres que habitarão este mundo. E, como eu falhei na minha primeira missão, por causa do meu orgulho, agora eu reuni todos os Imolès, do mais alto ao mais baixo entre eles, para que juntos viéssemos aqui encontrar-vos, e assim realizarmos juntos esse grande trabalho. Porque essa é a maneira que encontrei de me redimir, e de pedir perdão a todos pela minha primeira falha.

Ouvindo isso, os Imolès Funfuns ficaram confusos e procuraram pelo mensageiro para pô-lo à prova diante de Òòsàálà, e não o encontraram. Então, eles rogaram ao mais Alto dos altos para que lhes esclarecessem aquela dúvida.  E uma voz potente como a de um trovão vinda do mais Alto dos altos, falou:

— IMOLÈS! POR QUE DISCUTEM ENTRE SI OS MEUS MANDAMENTOS E AS MINHAS DETERMINAÇÕES? NÃO DEEM OUVIDOS A CONVERSAS E DIVERGÊNCIAS ENTRE VÓS. ÈSÚ’YANGÍ, AQUELA ESFERA PEDRA POROSA E FRÁGIL, QUE HABITA ENTRE VOCÊS, OS DIVERGIU, E AINDA CONTINUA DIVERGINDO. NÃO TROPECEM MAIS DE UMA VEZ NESSA CANA QUEBRADA, APRENDAM COM OS SEUS PRÓPRIOS ERROS.

Ao ouvirem essa voz, eles compreenderam que aquele mensageiro de nome Òjísé era de fato Èsú’Yangí disfarçado.

De repente, as muralhas de pedra que separavam os Imolès se dissolveram na vista de todos. E Òòsàálà, junto aos Irun Imolès, entrou na cidade de Ilé e se uniu a Olófin Odùduwà e os demais Imolès Funfuns.

FIM DA PRIMEIRA PARTE DO SÉTIMO CAPÍTULO - Esta saga tem vinte e dois capítulos, que são configurados nas vinte e duas letras hebraicas, do א (ALEPH) ao ת (TAV)

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