Perfeição

Emy é uma garota de 14 anos que luta pra seguir um grande sonho, mas seus pais não apoiam e dificultam que chegue até onde deseja. Criada no berço de ouro, é tratada como uma princesa e controlada semelhante uma marionete, como todos os jovens, ela também quer sair e tomar atitudes sem que alguém tome por si.
Pra piorar, seu coração bate mais forte por um garoto mais velho que a deixará louca de paixão, só provocando a ira de seus pais. Uma guerra familiar envolvendo diversos problemas, fará de Emy a grande vitima ou talvez a única sobrevivente.

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13. Tragédia

Enquanto minha mãe não ligasse, avisando que tiraria a denúncia, eu não sossegaria. O que mais temia era que ela não sabia mentir para meu pai, e isso me preocupava, pois temia a sua reação quando soubesse que havia me ajudado.

Sentada no sofá, ao meio da noite, lembrei do jeito carinhoso com que Tiago me tratava, queria muito que estivesse ao meu lado, me protegendo do frio com seu abraço gostoso, mas infelizmente, meu pai parece ter conseguido nos separar.

A todo momento vem um calor em meu corpo que me domina e faz ficar agoniada só pensando no pior, queria muito poder resolver tudo, queria ter esse poder; porém sou uma frágil garota da perna mecânica, fato que Tiago me fez aceitar como uma mulher madura. E já ao amanhecer para o meu alivio, minha mãe ligou, então apressadamente atendi o celular.

- Qual a novidade mãe?

- Eu tirei a denúncia! Tiago será libertado essa semana mesmo! Após respirar ela continuou. - Pelo menos foi isso que o delegado me falou.

- Sério mãe? Obrigada!!!

- Por nada filha. Agora por favor, aguarde o dia chegar e não faça nada precipitadamente.

- Está bem mãe, mas por favor, não conte nada ao meu pai.

Minha mãe ficou em silêncio, ela não queria prometer nada, e como não gostava de lhe fazer mal, se despedi, desligando o celular. A fase ruim já havia passado, agora era só esperar o dia da libertação de Tiago e abraça-lo muito, precisava dizer que o amava e contar que fiquei a sua espera esse tempo todo.

No dia seguinte, acordei com os olhos inchados de tanto dormir e fiz o café que não estava muito bom, talvez porque eu não sabia fazer café, quem sempre fazia era Tiago, ele até tentava me ensinar, porém eu só pensava em dançar, e nem se preocupava com essas tarefas precisas. Mesmo ruim, estava tomando o café tranquila, lendo as notificações que recebi a semana inteira de meus assessores e diretores, quase que me obrigando a se apresentar, mas nunca consegui dançar sem a presença de Tiago, houve momentos que saia de casa e só voltava a noite para  ninguém me ver em casa.

A minha caixa de encomendas estava cheia, e em uma das cartas que pude ler, se tratava do fim de contrato com o teatro de dança, não podia mais dançar no teatro pois não havia cumprido as apresentações marcadas, gerando um grande prejuízo aos proprietários. Mas eu não estava se importando com isso, o que realmente queria era ver Tiago saindo da cadeia.

O que realmente me preocupava era a situação de minha mãe, ela odiava mentir para o meu pai, e no fundo eu sabia que revelaria tudo.

" E Emy estava certa, um pouco distante dali, começou uma discussão no carro, a caminho da praia"

- Eu preciso lhe contar uma coisa que fiz.

- O que você fez mulher? Perguntou o velho, dividindo a atenção do volante com sua esposa.

- Eu tirei a denúncia e Tiago será solto nesse fim de semana.

- O quê?! Gritou o homem tirando a mão do volante.

- Cuidado, você está dirigindo!

- Sua traidora! Porque fez isso?!

- Porque era o certo a fazer, ele não tem culpa de nada. Disse a mulher em um tom de voz baixo, já temendo a reação de seu marido.

- Como pode mentir para mim?!

- Era preciso, se você não quer a felicidade de minha filha, eu quero.

Sem ter tempo para se desculpar, o que não era sua obrigação, a mulher recebeu um tapa em seu rosto que a fez bater com a cabeça na janela do carro, desmaiando no mesmo momento. Presenciando o sangue descer da testa da mulher, sujando todo o banco, o homem entrou em desespero e tentou socorre-la.

- Meu amor, me desculpa, me desculpa. Disse ele chorando.

O que havia esquecido, é que tinha tirado a mão do volante e também o cinto que o prendia. Quando percebeu a aproximação de um caminhão, não teve tempo para desviar e acabou colidindo de frente, sendo jogado junto ao carro para uma floresta, o pior é que além da queda, o carro ainda colidiu com a árvore.

O caminhoneiro que conseguiu sair intacto pois o caminhão era bem mais forte que o carro, rapidamente, ligou para os bombeiros e para a polícia que chegaram em questão de minutos. Enquanto isso, Emy já sentia que algo não estava bem, e quando pensou em ligar para sua mãe, seu celular tocou com o número dela, o que não sabia era que não se tratava de sua mãe.

- Alô? Mãe?

- Aqui é o Matias, sou do corpo de bombeiros, você é filha da senhora Gatt?

- Sim, o que aconteceu com ela?

- Venha até o hospital central da cidade.

- Mas o que aconteceu? Perguntei já desesperada.

- Ela sofreu um acidente. Venha ao hospital, o mais rápido que puder.

- Ok.

Desliguei o celular e rapidamente, se encaminhei para o hospital, entrei na recepção e já passei meus documentos, e após ter a liberação, procurei por um médico para poder se informar.

- Moço, me ajuda!

- Calma, você está procurando por quem?

- Minha mãe, senhora Gatt.

Após pensar por alguns segundos o homem respondeu.

- Ela está na sala de cirurgia, junto ao seu marido. Lhe aconselho a ficar calma, tome um café em nosso quiosque.

- Eu não quero café! Quero minha mãe!!

O médico ficou um pouco chateado pelo meu jeito de tratá-lo, porém se manteve calmo e tentou me ajudar.

- Sente-se no banco, aguarde, qualquer notícia que surgir eu juro que venho lhe informar.

Apesar de não responder o médico, o obedeci, fiquei sentada, segurando meu rosário, rezando pra que minha mãe estivesse bem.

Após 2 horas, olhando o ponteiro do relógio andar lentamente, o médico veio, com uma expressão desanimadora, me preocupando.

- Então, diga, minha mãe está bem?

- Tenho uma notícia boa e outra ruim.

- Comece pela boa, mas sem formalidade por favor. Toquei em seu braço.

- A notícia boa é que seu pai está bem. Porém ele estava sem cinto e acabou sendo lançado para fora do carro, e por isso perdeu uma das pernas.

- Meu Deus. Coloquei as mãos na cabeça. - Mas e minha mãe?

O doutor colocou as mãos no bolso e virou o olhar.

- Fala! E minha mãe?

- Fizemos o possível, mas ela não resistiu a cirurgia, eu sinto muito.

- Não!!! Minha mãe não!!!!

Cai no chão e comecei a chorar.

- Ei moça, se acalma. Deixa eu te ajudar.

- Minha mãe não pode morrer!!

Chorei muito, muito, o golpe foi tão grande que meu corpo não aguentou, minha pressão abaixou e desmaiei no chão, o médico ficou desesperado e saiu correndo pelos corredores do hospital me segurando no colo.

Não aguentaria ficar sem minha mãe, tinha certeza que isso era culpa de meu pai. Só sei que nunca mais perdoaria ele, pois quando confirmar minha suspeita, não serei mais sua filha e o renegarei para sempre!

 

 

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