Perfeição

Emy é uma garota de 14 anos que luta pra seguir um grande sonho, mas seus pais não apoiam e dificultam que chegue até onde deseja. Criada no berço de ouro, é tratada como uma princesa e controlada semelhante uma marionete, como todos os jovens, ela também quer sair e tomar atitudes sem que alguém tome por si.
Pra piorar, seu coração bate mais forte por um garoto mais velho que a deixará louca de paixão, só provocando a ira de seus pais. Uma guerra familiar envolvendo diversos problemas, fará de Emy a grande vitima ou talvez a única sobrevivente.

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14. Perdão(parte um)

O enterro de minha mãe foi o momento mais difícil da minha vida, se despedir de uma pessoa amada é o castigo mais cruel que existe, as vezes queria entender as vontades de Deus, tanta coisa de ruim já aconteceu em minha vida, acho que a hora de vencer era agora, mas em vês disso, levo um golpe covarde que me derruba e destrói o pouco de esperança que ainda existia em meu coração.

Após sair do cemitério, ainda com lágrimas nos olhos, lembrei de algo que não deveria ter esquecido. O dia de Tiago sair da cadeia era hoje, talvez ele já estivesse saindo então precisava ser rápida, liguei para um táxi que chegou em poucos minutos e se encaminhei para o presídio, animada para rever meu amor. No meio do caminho, recebi uma mensagem do hospital, informando que meu pai receberia alta hoje e que precisava de um acompanhante para lhe buscar pois estava de cadeira de rodas. Sei que meu pai precisava de minha ajuda, porém Tiago também precisava, então deixei meu coração escolher, se não fosse ver Tiago e lhe dar o abraço que tanto esperou, o decepcionaria, e isso eu não podia fazer. Ele me esperou por todo esse tempo e minha obrigação era fazer o mesmo, meu pai não fez nada por mim, ao contrário de meu amor que me apoiou nos momentos que mais precisei.

Decidida no que fazer, sai rapidamente rumo ao presídio, estava apreensiva e confesso que sentia um pouquinho de timidez, pois já fazia tempo que não abraçava Tiago, e nossa intimidade parecia não existir mais. Queria reconquistar o nosso momento perdido, celebrar sua libertação com muita Coca Cola e pizza, algo que adorávamos.

Quando cheguei ao presídio, ele já estava na porta, me aguardando, pelo que percebi pareceu ter ficado um bom tempo ali, pois se encontrava sentada com uma expressão de cansaço. Preocupada com ele, sai do táxi correndo e fui abraçá-lo, ainda cansado, ele se levantou sorrindo e aceitou o abraço, me levantando para cima.

- Você veio meu amor!

- Sim! Te amo!

- Eu também te amo! Disse, me beijando.

Após o beijo, o abracei novamente e precisando desabafar, sem saber como, comecei a chorar, molhando seus ombros.

- O que houve amor?

- Minha mãe morreu.

- Morreu? Como assim?

- O carro em que meu pai dirigia, acabou batendo contra um caminhão, nisso, minha mãe foi lançada e não conseguiu resistir a queda.

- Meu Deus! Tiago colocou as mãos na cabeça, e tentou me consolar. - Calma, vamos superar isso juntos, tente não ficar assim. Seu pai está bem?

- Ele vai ter alta do hospital hoje, mas perdeu uma das pernas e terá que andar de cadeira de rodas.

- E tem alguém para ir buscá-lo?

- Não, mas também não quero falar disso amor.

- Como assim amor? É seu pai.

- Ele é culpado pela morte de minha mãe! E também foi o culpado por te deixar preso todo esse tempo, porque eu teria que ajudá-lo?

- Porque é seu pai! Não importa os erros dele, temos que ajudá-lo.

- Não! Hoje é dia de comemorar, eu vim aqui super feliz para comemorarmos mas parece que você não está interessado nisso.

- O meu interesse é que você perdoe seu pai.

- Não vai ser possível isso, eu odeio ele.

- Pois agora, você vai perdoa-lo.

- Não amor, por favor, eu quero comemorar.

- Não me envergonhe Emy, vamos!

Mesmo não querendo, parti junto a Tiago que parecia estar bravo. Só falou comigo quando chegamos ao hospital, pois enquanto estava no táxi, ficou olhando a chuva molhar o vidro do carro. O doutor que me deu a notícia sobre a morte de minha mãe, foi o mesmo que veio até nós empurrando meu pai na cadeira de rodas.

- Vocês tem uma casa apropriada para as necessidades dele?

- Não doutor, mas logo conseguiremos adaptá-la.

- Melhor assim.

- Ele vai morar com a gente? Perguntei, puxando Tiago pela camisa.

- É claro Emy. Obrigado doutor.

- Apenas fiz o meu trabalho. Se despediu o médico, voltando para sua sala.

Após o doutor sair, Emy veio até a mim, nervosa.

- Porque está fazendo isso comigo? Você quer provar o que com isso Tiago?

- Amor, eu quero sua felicidade, e se você quiser a minha, não alimente esse ódio que está crescendo em seu coração. Eu vou deixar vocês sozinhos, depois eu volto.

Tentei impedir que saísse mas não consegui, então fiquei de costas para meu pai que me olhava a todo momento.

- Eu sei que você não me quer em sua casa. Eu só queria te dizer que não fui o melhor pai do mundo, tentei fazer de você um orgulho para sua mãe, e também para mim de uma maneira errada, na qual lhe fazia mal.

- Você sempre me pressionou a fazer o que não gostava. Me deixava em casa, sem poder sair para se divertir com minhas amigas, não permitiu nem que eu realizasse meu sonho.

- Esta bem, eu fui um pai horrível, só pensei em mim, mas eu amo você, não estou dizendo isso por causa de minha situação, apenas quero te dizer que te amo filha.

Virei em sua direção com lágrimas nos olhos e mesmo chorando, busquei forças para olhá-lo.

- Porque você foi cruel comigo? Porque fez aquela crueldade quando soube que tinha perdido minha perna? Olha como você está, veja o que fez consigo mesmo!

- Me perdoe, eu juro que queria ter morrido no lugar de sua mãe, pois sei que você ficaria feliz, mas Deus não faz o que a gente quer. Porque Deus? Porque o senhor não faz o melhor para minha filha?! Implorou aos céus, levantando as mãos.

 

 

 

 

 

 

 

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