Hearts Of Sapphire

"Ter coração nunca foi tão importante."

Corinna desde que nasceu soube que não seria capaz de se acomodar numa vida subjugada pelo sistema.

Num lugar onde seres com poderes fantásticos e humanos vivem uma relação de opressores e oprimidos, ela vê-se obrigada a ir de acordo com as regras de seus governantes para conseguir uma chance de derrotar esse sistema de dentro para fora.

Em meio a aventuras, disputas e intrigas, Corinna descobre ser agraciada com uma dádiva que os outros à sua volta perderam há muito tempo e ela terá de escolher se usará isso para o bem ou para o mal.

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  ❖  

Uma das mãos de Kallien acariciava minha barriga exposta e a outra tirava os fios molhados de cabelo do meu rosto. 

Estávamos  deitados numa cama improvisada dentro do minúsculo depósito recém reformado que eu e meu pai apelidamos carinhosamente de Estúdio.

Passamos a usá-lo efetivamente para guardar alguns dos nossos equipamentos e "prêmios" de caça, também tínhamos umas tintas, telas e pincéis velhos. Tínhamos até mesmo alguns instrumentos musicais praticamente quebrados que prometemos consertar um dia. Um dia.

Há alguns meses o Estúdio havia se tornado também o novo ponto de encontro meu e de Kallien, já que o nosso antigo que ficava na casa de Kallien estava sendo usado por seu pai para um projeto e raramente ficava desocupado.

—Você demorou mais que todos os outros anos, hoje.- ele continuou com as carícias enquanto questionava. — Aconteceu alguma coisa?

"Além de uma vadia pervertida xeretando lugares onde não deveria? Não, nada demais."

—Só uma examinadora novata que parecia mesmo querer desenvolver relações com alguém que poderia ser morto no Sacrifício daqui a algumas semanas e uma outra irritante e curiosa até demais.

De fato, Laeni e Marjorie estavam sendo a dupla mais inusitada que enfrentei em todos as Audições. A primeira não se contentava com as minha respostas simples e diretas. Ela queria profundidade. Saber dos fatos, mas também saber minhas motivações e sentimentos. Como se toda aquela besteira importasse alguma coisa para ela. Talvez importasse mesmo, e era isso que me deixava impossibilitada de formar uma visão boa ou ruim sobre ela.

Honesta, boa, corajosa foram alguns dos adjetivos que ela usou para se referir a mim.

Já a sua parceira de trabalho era enxerida além do permitido profissionalmente. Ela também não se contentava com os fatos, mas não se dava o trabalho de perguntar as motivações, ela apenas entrava na minha mente e fuçava em busca delas. E eu poderia sentir todos os lugares em que ela fazia sua busca. Foi, no mínimo, estranho e desconcertante.

Cabeça-dura, teimosa e determinada foram os adjetivos de Marjorie para mim. 

— E você?- perguntei a Kallien analisando seu corpo nu ao lado do meu. Ele percebeu meu olhar e chegou mais perto antes de responder.

— Se eu demorei cinco minutos foi muito.- ele pegou a safira, do colar que havia me dado mais cedo, entre os meus seios tocando-a como se quisesse deixar seu toque gravado ali para sempre. —Mesma dupla de examinadores do ano passado.- soltou o colar traçando um caminho reto com o dedo indicador no caminho abaixo do pingente. —Não pareceram surpresos quando eu disse que estava noivo.

Kallien soltou um risinho fraco:

— Pareciam surpresos por a noiva não ser você.

Um silêncio pairou sobre nós. Aquela era uma área perigosa e , surpreendentemente, nos últimos tempos, chegávamos cada vez com mais frequência nela.

Seus dedos desenharam o contorno do meu umbigo e minha respiração se tornou pesada.

— Sempre saio irritado depois de olharem minha mente. Eles parecem me ler tão facilmente.- tive dificuldades para olhá-lo quando seus dedos desceram mais e mais para baixo.

—Raiva não é nem a palavra certa. Ciúmes, sim. Eu estava morrendo de ciúmes, Corinna.- lancei, com a sanidade que me restava, um olhar questionador. Kallien mordeu o lábio antes de colocar dois dedos em mim e dizer: — Ciúmes porque eu tinha certeza que em cada canto ridículo da minha mente, eu tinha uma imagem assim de você.

E então éramos, mais uma vez, um emaranhado de membros, sons abafados  e respirações ofegantes.

Nunca um olhar muito significativo, nunca um carinho que parecesse íntimo demais, nunca palavras que não poderíamos retirar depois.

Apenas sons primitivos e movimentos quase desesperados. Esse era o nosso acordo tácito.

Entretanto, Kallien achou que seria uma boa hora de quebrá-lo. Estávamos quase em nosso ápice quando ele diminuiu o ritmo e encostou a testa na minha. Soltei um som descontente, mas Kallien não se importou.

—Droga.- ele sussurrou baixinho. Abri os olhos e tentei mexer meu quadril para que ele esquecesse qualquer coisa que se passava em sua mente, mas ele me segurou no lugar.

—Kall.-segurei seu rosto em minhas mãos. — O que houve?

— Eu não consigo, Corinna.- ele abriu os olhos e consegui ver tudo o que estava querendo se libertar ali.

Aquela era provavelmente a última vez que estaríamos juntos. Mesmo que não fôssemos os escolhidos para o Sacrifício, daqui a alguns dias Kallien estaria casado. E era óbvio que não continuaríamos daquela maneira depois de seu casamento.

— Vamos continuar próximos. Ainda seremos amigos, afinal de contas. Sabíamos que esse dia chegaria mais cedo ou mais tarde.

Silêncio.

—Parece que isso não te afeta nem um pouco. - sua estava mais séria do que jamais eu havia ouvido.

—E isso afeta você?- perguntei e ele me olhou com incredulidade estampada no rosto.

Kallien não disse uma palavra e nem me olhou novamente antes de voltar a se movimentar em mim.

Mais selvagem e rapidamente do que jamais tínhamos sido. Ótimo.

Minha jornada seria repleta de riscos, eu não precisava de alguém querendo me proteger deles.

Quando a onda intensa de tremores passou por mim e se foi, Kallien não se demorou muito para se afastar e começar a pôr suas roupas.

Eu havia sido uma bruxa com ele. Era lógico que aquilo me afetava, mas não da mesma maneira que acontecia com ele. Não o suficiente. Sabia que ele estava prestes a despejar todos os seus sentimentos sobre mim e ,depois de tantos anos, não poderia deixar aquilo acontecer. No momento que aquelas palavras saíssem de sua boca, nós entraríamos numa situação pior do que a que já estávamos.

Me levantei preguiçosamente e comecei a procurar minhas roupas. Kallien me observava atentamente enquanto abotoava os últimos botões de sua camisa.

— Você sabe que eu estou certa.- eu disse baixinho sem olhá-lo. Ele soltou o ar pelo nariz.

— Certa?- eu poderia sentir seu sangue esquentar e ele repetiu mais alto. — Certa? 

Sua voz ecoou no local e, no próximo instante, ele tinha percorrido o espaço que nos separava. E me beijou. Furiosamente.

Tentei me afastar, mas Kallien era mais forte. Soltei um gemido quando ele mordeu meu lábio inferior e ... se afastou como se os últimos segundos não tivessem existido.

— Isso é certo, Corinna. Isso é o que deveríamos fazer pelo resto de nossas vidas. No particular, em público, onde quiséssemos. E você quer dizer que todos esses anos foram banais? Que todos os olhares que você me lançou e eu te lancei foram apenas com objetivo carnal?

— Kallien, eu nunca...

— Eu,- sua voz agora era praticamente um sussurro. — Eu não chego nem perto de ser o suficiente para você?

— Kallien, você não precisa ser o suficiente para ninguém, muito menos para mim.- meus olhos arderam. — Você não imagina o quanto eu queria que déssemos certo juntos.

— Você nem ao menos tentou, Corinna.- seus olhos ficaram marejados e aquilo quebrou algo dentro de mim. — Você quer o amor, mas nunca se deu o trabalho de tentar me amar... Eu me casaria com você ainda que você não me amasse, se você ao menos me deixasse tentar. Eu te daria o mundo ou pelo menos tudo que estivesse ao meu alcance, ainda que você não me pedisse.

— E é por isso que nunca daríamos certo! Eu nunca seria feliz sabendo que nunca poderia corresponder à altura. Logo, você perceberia que também não seria feliz com as migalhas que eu pudesse te dar. Eu não quero carregar um fardo desses, desculpe.

Kallien abriu e fechou a boca junto com os punhos e andou em direção à porta:

— Nunca pensei que ouviria palavras tão egoístas saírem da sua boca.- ele disse finalmente.

— Nunca pensei que acabaríamos dessa forma, mas aqui estamos nós.- levei a mão até a parte de trás do pescoço e abri o fecho do colar jogando-o no peito de Kallien, me sentindo instantaneamente vazia sem o objeto, como se uma parte mim estivesse sido lançada com ele, mas me mantive firme.

— Seria ainda mais egoísta ficar com algo de um homem prometido.

Pude ver — na verdade, sentir — a mágoa que emanava de seus olhos antes que ele saísse e batesse a porta com força.

  ❖ ❖ ❖ 

Notas Finais: E aqui termina nossa primeira maratona de Hearts Of Sapphire, espero que tenham gostado e não se preocupem que logo logo tem mais!!!

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