Hearts Of Sapphire

"Ter coração nunca foi tão importante."

Corinna desde que nasceu soube que não seria capaz de se acomodar numa vida subjugada pelo sistema.

Num lugar onde seres com poderes fantásticos e humanos vivem uma relação de opressores e oprimidos, ela vê-se obrigada a ir de acordo com as regras de seus governantes para conseguir uma chance de derrotar esse sistema de dentro para fora.

Em meio a aventuras, disputas e intrigas, Corinna descobre ser agraciada com uma dádiva que os outros à sua volta perderam há muito tempo e ela terá de escolher se usará isso para o bem ou para o mal.

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4. ¨3¨

    ❖   

Laeni, minha examinadora, manteve seus passos calmos e contidos à minha frente. Ela seria apenas alguns anos mais velha do que eu, se fosse uma humana, mas seus movimentos e trejeitos revelavam uma calma e precisão secular.

—Por favor, sente-se. - seus cabelos pretos exalaram uma fragância requintada ao se virar para falar comigo. Fiz o que ela pediu sem muito entusiasmo. 

—Muito bem, Corinna Lestat.- Laeni murmurou mais para si mesma do que para mim ao analisar minha ficha parcialmente preenchida. —Fico impressionada ao ver que você é a única nos últimos oito anos que vai participar de todas as audições possíveis para você. Não gosta de sua terra natal?- dei de ombros

— Garanto que participar dessas "entrevistas" todos os anos não é bem minha ideia de diversão.- um risinho escapou de sua boca.—Entretanto, admito que não acho que seja um preço tão alto a se pagar por algumas moedas de ouro. Creio que essa foi a intenção de vocês ao se disponibilizarem a dar essa recompensa para quem participe disso.

Seus olhos saíram da ficha para encontrarem os meus, provavelmente devido a rispidez em minha voz. Poderia apostar que naquele momento ela analisava cada célula do meu corpo com cuidado.

—Então só está aqui pelas moedas, apesar de achar que elas sejam uma forma de manipulação do governo?

Mantive meu olhar no dela e inclinei a cabeça como se pudesse lê-la exatamente da mesma forma como ela fazia comigo:

—Não acha que eu seria tola se criticasse o governo justamente com um de vocês?- para minha surpresa, seu sorriso aumentou deixando seus dentes branquíssimos e alinhados à vista.

—Agora me pergunto como você ainda não foi escolhida. Acho que seria um dos Sacrifícios mais interessantes.- enquanto meu peito se inflava um pouco com esperança, Laeni procurou por algo sobre e sob a mesa. Uma caneta.

Quando não a encontrou, simplesmente fez com que uma se materializasse em seus dedos.

—Achei que vocês não tinham permissão para fazer qualquer tipo de magia na nossa frente.- fiz um gesto desleixado, ainda chocada com a naturalidade da ação, em direção aos seus dedos.

—Já que vou descobrir tanta coisa sobre você hoje, acho justo que tenha um segredo meu, não?

Ela não esperou minha resposta, certamente malcriada, antes de começar as perguntas usuais.

Tive que reconfirmar os meus hábitos, meus relacionamentos, minhas condições financeiras e, como sempre, fui obrigada a contar toda a história de como meu pai me achou.  

Laeni parecia mais interessada no assunto do que todos os outros que já haviam me questionado ao longo dos anos. Ela apenas resolveu não ir mais adiante depois que eu impacientemente soltei o ar pelo nariz pela terceira vez.

Ouvi soluços baixinhos vindos do outro lado da parede da cabine onde estávamos. Me estiquei na cadeira enquanto Laeni anotava quaisquer que fossem as suas considerações finais sobre mim. Uma garota nos seus dez anos chorava desoladamente.

—Com licença- eu disse para Laeni que parou de escrever para me observar.

Caminhei até o local onde a menina se encontrava.

—O que houve, criança?- passei o braço por seus ombros e ela me olhou antes de se aninhar em mim.

—Eu não quero ser escolhida. Não quero que me levem com eles.- ela apertou os braços em volta de mim.

— Por favor, senhorita, volte para o seu lado da cabine.- uma voz grave se dirigiu a mim fazendo meu sangue se agitar nas veias.

—Já que você vai expor para uma criança a possibilidade de ela ser arrancada de sua família devido a uma tradição sem sentido, poderia ao menos oferecer um pouco de consolo.- ergui meu olhar para o homem corpulento que agora tinha uma raiva visível nos olhos. Quase poderia jurar que havia, literalmente, labaredas em seu olhar.

— Prahler.- a voz de Laeni tinha um tom de advertência e como se fosse um balde de água fria, extinguiu as chamas nos olhos do examinador. Só depois da ausência que fui perceber o incômodo que aquele olhar causou em minha mente.

Laeni veio, com um copo de água na mão, na direção onde eu e a garotinha estávamos.

— Tome, querida, vai sentir-se melhor.

— Não se preocupe,- sussurrei enquanto ela tomava longos goles.— Participo desde que tinha a sua idade e até hoje não fui escolhida. Você também não será.

A menina deu um pequeno sorriso para mim, seus batimentos cardíacos muito mais normalizados do que a segundos atrás. O tal de Prahler nos observava com uma expressão dura.

Ele já havia sido meu examinador há alguns anos e eu não podia ter tido um mais inconveniente e seco.

—Você precisa voltar para a nossa cabine, Corinna. - o braço da garotinha se afrouxou em minha volta, informando-me silenciosamente que estava tudo bem agora. O que quer que estivesse naquela água de Laeni, havia funcionado rapidamente.  

—Uma pena que Marjorie já está escalada para examinar a mente dessa aí, eu teria o prazer de fazê-lo novamente.- o homem apontou para mim com o queixo lançando-me um olhar doentio. Me segurei para não lançar-lhe um gesto vulgar.

—Prahler!- O aviso de Laeni foi novamente o suficiente para que ele se colocasse em seu lugar. —Vamos. 

Marjorie, eu descobri, era uma das novas examinadoras de mente.  Também era a garota despreocupada que tomava seu líquido quente ao som do hino nacional. Era a garota que observou Kallien marcar discretamente um encontro comigo. A mesma que tinha ouvido palavra por palavra do que ele dissera.

O seu sorriso quase maldoso estava lá quando voltei para o meu lado da cabine, ela estava sentada na cadeira de Laeni. Agora, depois de anos, finalmente descobrira o seu nome. Depois de anos, aquela informação ainda não mudava nada na minha vida.

Com Laeni estando no mesmo espaço que Marjorie, um contraste enorme entre as duas se destacava. Laeni, apesar do olhar afiado, era muito mais próxima do que poderia-se chamar "humano normal". Sua pele parecia frágil e seu rosto tinha alguns traços de cansaço de décadas, no mínimo.

Marjorie, no entanto, era a representação da imortalidade. Seus cabelos vermelho-cobre tinha um brilho tão convidativo que eu não ficaria surpresa se eu me pegasse hipnotizada pelo seus movimentos. A pele dela era lisa e aparentava a maciez igual a de um bebê. E, por fim, seus olhos revelavam que nada no mundo era capaz de desafiá-la. Na verdade, era bem provável que geralmente acontecesse o contrário. 

—Tem razão. Provavelmente, eu sou mais intimidante do que intimidada.- arqueei as sobrancelhas ao tom casual da sua voz.

—Talvez você devesse deixar para ler meus pensamentos apenas na hora apropriada.- eu disse entre dentes e ela sorriu como se dissesse que tinha acabado de provar o seu ponto.

—Ah, mas você tem pensamentos tão divertidos.- ela disse analisando as próprias unhas e eu me forcei a respirar fundo.

—Marjorie, por favor, não se esqueça que estamos em serviço.- Laeni a repreendeu e estalou a língua.

—Ótimo. Então vamos começar.- Marjorie se levantou dando a volta em minha cadeira como um predador.— Tenho coisas curiosas para descobrir sobre você, Corinna.

Eu sabia muito bem qual seria a primeira coisa que ela vasculharia na minha mente.  

❖ ❖ ❖   

Notas Finais: Um capítulo para o fim da maratona! Já está dando para ficar com um gostinho de quero mais?

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