Hearts Of Sapphire

"Ter coração nunca foi tão importante."

Corinna desde que nasceu soube que não seria capaz de se acomodar numa vida subjugada pelo sistema.

Num lugar onde seres com poderes fantásticos e humanos vivem uma relação de opressores e oprimidos, ela vê-se obrigada a ir de acordo com as regras de seus governantes para conseguir uma chance de derrotar esse sistema de dentro para fora.

Em meio a aventuras, disputas e intrigas, Corinna descobre ser agraciada com uma dádiva que os outros à sua volta perderam há muito tempo e ela terá de escolher se usará isso para o bem ou para o mal.

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18. ¨17¨

 

 

Estava sentada em um dos sofás olhando a tela ligada à minha frente. 

A imagem dela era igual às dos telões do Pronunciamento: limpa, nítida e diferente de qualquer imagem transmitida raramente no meu vilarejo.

Laeni estava ao meu lado com um caderninho na mão anotando o que ela disse ser “informações importantes que me fariam ganhar Simpatizantes.”  Segundo ela, o que era apresentado de nós na televisão era o que a maioria do seu povo pensava.

Minha imagem não demorou muito na tela e apenas dois adjetivos foram aplicados a mim:

Curiosa e um tanto misteriosa.

Em outras palavras:  “Nem um pouco relevante para nós.”

Marjorie estava na poltrona ao lado com um pequeno espelho na mão no qual ela conseguia enxergar todos os poros de seu rosto.

—Acho que teremos que despedir Fearis.—ela comentou passando um creme em suas têmporas.

—É o nosso primeiro ano como Examinadoras e você já quer despedir alguém?— Laeni não tirava os olhos do papel — Ela está aqui há dois anos, conhece os procedimentos melhor do que nós.

Fearis era como uma criada, apesar desse termo não soar bem para mim. Ela nos trazia a nossa comida arrumava nossos pertences e se oferecia para nos arrumar, embora eu a rejeitasse na maioria das vezes.

Ela era meio atrapalhada com as próprias mãos mas tinha uma boa intenção.

— Quase derrubou  café quente em mim umas três vezes e está sempre  se escorando nos cantos ou pedindo para ser dispensada apenas para ir no banheiro e ficar horas passando mal. — Marjorie agora estava com o rosto coberto pelo creme verde e eu não pude evitar meu franzir de testa quando olhei diretamente para ela.

—Talvez a menina só esteja doente. Dê um tempo a ela.—  Laeni insistiu soltando um risinho ao olhar para o rosto da irmã que  fez um gesto feio e estalou a língua.

Minha mente estalou no mesmo instante. Como se algo se encaixasse, mesmo que eu não tivesse a intenção.

—Ela está grávida. —pensei em olhar em volta para ver quem tinha falado aquilo até perceber que fora eu mesma. Aquilo não parecia uma hipótese para mim e sim um fato. Embora eu  não soubesse o porquê.

O caderninho e o espelho das duas garotas estavam agora caídos em suas coxas e elas me encaravam.

—Grávida?

—Como você sabe disso?—  as duas falaram juntas. Eu precisava de argumentos para que eu não fosse vítima de um interrogatório. Então os cacei em minha mente.

— Ela usa roupas grandes demais para seu tamanho, enquanto todos vocês têm roupas que cabem perfeitamente. Sempre sofre princípio de desmaio e fica horas no banheiro vomitando. Ou ela está realmente com uma doença em seu estado crítico ou para mim isso é gravidez.

Parecia que todas nós prendíamos a respiração até que Marjorie disse seriamente:

—Só há um jeito de descobrir.

—Marjorie, não...— Laeni pediu mas era tarde demais.

—Fearis!

Como se estivesse ali o tempo todo, a garota apareceu na entrada da sala.

—Senhorita?- ela externou baixinho ao olhar para Marjorie.

—Vou te fazer perguntas e quero que você seja honesta nas respostas.

Fearis assentiu e eu poderia jurar que vira suas mãos tremerem.

—Você é prometida de alguém?— a garota engoliu a seco e negou com a cabeça. —Tem um namorado que poderá pedir sua mão no futuro? — seus olhos brilhavam conforme marejavam.  Marjorie respirou fundo —Você está grávida?

Silêncio. Silêncio. Silêncio.

—E então?— foi Laeni a primeira a falar.

Fearis assentiu novamente e, pelo modo como as garotas olhavam para ela, desejei não ter revelado sem querer seu segredo.

—Onde está o pai dessa criança?— Marjorie se levantou e Laeni refletiu seu movimento.

—Me abandonou quando soube e se casou há uma semana.— lágrimas agora banhavam sua face.

—Canalha.— me ouvi dizer.

—Você sabe o que farão com você se descobrirem? — estremeci ao mesmo tempo que a garota ao ouvir a voz de Marjorie.

—N-não conte a eles. Eles não precisam saber. Assim que essa criança nascer, fugirei. Fugirei para o leste e se me encontrarem direi que é meu irmão ou algo do tipo, mas não deixem que façam nada conosco. —agora ela estava aos pés de Marjorie implorando.

—Você sabe que não podemos prometer isso. Se descobrirem, saberão que fomos cúmplices.—Laeni ajoelhou-se em sua frente segurando o seus ombros. —Você sabe o que deve fazer.

—Não! Eu quero o meu filho, por favor me ajudem. Ele é toda a família que eu tenho. —Fearis chorava copiosamente.

Era minha culpa. Eu tinha que fazer algo a respeito.

—Tudo bem.—todas olharam para mim. —Eu te ajudarei.

—O quê?— Marjorie praticamente gritou.

—Corinna, eu sei que sua intenção é boa mas...— Laeni começou mas eu a interrompi.

—Eu a ajudarei e ponto final.— eu disse resoluta. —Se vocês não quiserem ou não puderem ajudá-la, tudo bem, mas eu irei até onde puder.

O olhar de Fearis se iluminou para mim.

—Você está louca. —Marjorie ralhou.

—Não,— a voz de Laeni era compreensiva. —Ela está certa. Não deveríamos deixar a garota e o bebê pagarem porque o pai não quis assumir a responsabilidade. Eu ajudarei também. —Fearis abriu um sorriso e abraçou Laeni, agradecendo diversas vezes. Até sua expressão mudar involuntariamente e Fearis pedir a permissão para correr ao banheiro.

—Vocês. Estão. Loucas.— Marjorie agora tinha planos úmidos nas mãos e retirava o creme do rosto.

—O que há de tanta loucura nisso? Em ajudarmos uma pessoa com dificuldade?— indaguei agora elevando também minha voz.

—Você não sabe nada sobre nós, humana. Você não tem o mínimo conhecimento de nossas leis. —ela estava furiosa. —Mas parece que mesmo conhecendo não adianta, não é, Laeni? Por que não conta para ela o que acontecerá com vocês se alguns dos Governantes ouvir um suspiro sobre isso?

Laeni apertou os lábios em uma linha fina. Encarei-a.

— O que acontece se eles descobrirem? —exigi.

Ela respirou fundo,  mas não demorou muito a dizer:

— Matarão a mãe e o bebê e nós seremos consideradas traidora e criminosa nacionais. Eu serei queimada publicamente assim como você será executada.

❖❖❖

Notas Finais: 

como vocês estão? o que acharam do capítulo?

deixem seu comentários, opiniões etc...

não se esqueçam de votar/favoritar e indicar para os amigos.

a playlist da história está em construção, mas já está disponível no link : http://bit.ly/hosplaylist
me sigam no twitter: @whodat_emmz

até mais

xx

 

 

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