Hearts Of Sapphire

"Ter coração nunca foi tão importante."

Corinna desde que nasceu soube que não seria capaz de se acomodar numa vida subjugada pelo sistema.

Num lugar onde seres com poderes fantásticos e humanos vivem uma relação de opressores e oprimidos, ela vê-se obrigada a ir de acordo com as regras de seus governantes para conseguir uma chance de derrotar esse sistema de dentro para fora.

Em meio a aventuras, disputas e intrigas, Corinna descobre ser agraciada com uma dádiva que os outros à sua volta perderam há muito tempo e ela terá de escolher se usará isso para o bem ou para o mal.

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Com meus novos aliados, eu havia descoberto que eu era uma das três pessoas que não era, no momento, interessante a nenhum Simpatizante.

Nas regras do sacrifício os Simpatizantes eram seres nobres: Deorum inferiores ou um dos nossos governantes que serviriam como nossos bote salva-vidas na competição e, por que não, no resto de nossas humildes vidas.

Isso era praticamente o que estava escrito nas regras.

Eles nos forneciam abrigo, roupas e alimentação durante nossa estadia no Sacrifício. Poderiam nos oferecer treinamento e socorro médico se chegássemos a uma situação extrema. Poderiam.

Cada Escolhido poderia estar na lista de interesse de vários Simpatizantes, mas aqueles só poderia escolher apenas um destes e teria que se manter com ele até o fim de sua jornada no Sacrifício. Nada de trocas.

Ao mesmo tempo que um Simpatizante poderia ter vários Escolhidos e ainda poderiam pedir algo em troca desse suporte. Boatos corriam dizendo que isso era muito comum entre garotas escolhidas e Simpatizantes do sexo masculino. Garotas que trocavam seu corpo, sua vida e sua fidelidade 0or suporte para que não fossem mortas. A maioria delas ainda eram exterminadas.

Era doentio.

Conall estava na lista de interesse de três Simpatizantes, Mattia estava em pelo menos uma e eu não estava em nenhuma.

—Ainda.– Conall passou um braço pelos meus ombros como se eu estivesse mal por isso.

—Eles provavelmente ainda estão te sondando, não esperavam que alguém de um vilarejo baixo tivesse uma atitude com a sua.- Mattia disse olhando pela janela.

Segundo Conall já passava da meia-noite e estávamos todos no chão do meu quarto, na nossa primeira "reunião oficial".

—Que atitude?- olhei para Conall que riu nervoso.

—Está brincando com a gente? Não sei por quanto tempo ou quantos anos você treinou aquele olhar no espelho, mas aposto que você deixou várias criancinhas sem dormir naquela noite. - Mattia concordava com a cabeça.

—Eles esperam que nós dos vilarejos baixos parecemos mais subjugados do que já somos. Fracos, alvos fáceis. — Mattia disse simplesmente e então olhou para mim, com os olhos mais sinceros que eu já tinha visto.— Mas você? Você olhou para aquela câmera com a cabeça mais erguida do que as mais altas montanhas do mundo. Seu olhar era determinado e mandava um aviso claro de que você talvez pudesse matar todos nós com apenas ele.

Franzir a testa pois parecia que ambos estavam falando de uma pessoa desconhecida para mim. Contudo, no fundo, havia uma partícula que me dizia que eu estava tão confusa e desfocada naquele momento que talvez não tivesse o controle de minhas próprias ações.

—Talvez você possa aparecer menos intimidadora na Cerimônia de boas-vindas e chova Simpatizantes em cima de você. —Conall disse em um tom amistoso.

—Talvez eles esperem até a Semana de Avaliação para ver se você alguma ameaça às vidas monótonas e longas deles. - Mattia disse em meio a um bocejo.

—Acho que devemos dormir ou não abriremos olhos pela manhã. Estamos meio acostumados com o toque de recolher em casa.– Conall se levantou.

—Eu terei que ir sozinha até o meu vagão, que saco.- Mattia se espreguiçou. —Saibam que se me pegarem, eu contarei que todos vocês infligiram as regras também, okay?

Arrastei-me até a cama.

—Somos aliados, não somos? Era esperado que você fizesse isso. – ela deu o seu primeiro sorriso aberto para mim e me desejou boa noite.

—Se quiser posso acompanhar a dama até seus aposentos. - Conall piscou para Mattia e ela respirou fundo.

—Talvez em outra vida, Conall. Com licença. — ela virou o rapaz em direção à porta e o empurrou.

—Boa noite, Corinna.- a voz de Conall foi a última coisa que eu ouvi antes que as luzes fossem apagadas e eu caísse no sono.

Eu estava quase caindo em cima do meu prato.

Tinha acabado de descobrir que Laeni era uma pessoa matinal e que ela achava bom que nos reuníssemos pelo menos nas refeições. Eu , ela e Marjorie. Todas estávamos à mesa, exceto Marjorie que balbuciou qualquer desculpa dizendo que se atrasaria.

Era obrigada a manter uma pose de pessoa desperta, já que era esperado que eu tivesse passado o dia anterior descansando no meu quarto e não perambulando entre os vagões e conversando com aliados até altas horas. Aposto que essa pose não estava funcionando nem um pouco, de qualquer forma.

Apesar do sono, meu prato já estava vazio pela terceira vez e eu me sentia cheia como uma mala de viagem mal arrumada.

Laeni tinha um aparelho eletrônico em mãos. Era um pequeno retângulo de metal que funcionava como uma tela que era sensível ao toque.

—É como um computador só que portátil.—ela explicou como se eu tivesse tido contato com vários com vários computadores na minha vida.

Naquele momento, o pequeno retângulo mostrava imagens dos meus oponentes e algumas informações sobre eles como nome, idade, vilarejo e o número de Simpatizantes interessados.

A pessoas dos vilarejos mais altos tinham, quase todas, de três Simpatizantes interessados para cima.

Os dois do vilarejo mais baixo não tinham nenhum, como já era de costume.

Mas o destaque, tanto de um lado quanto de outro, era no meu vilarejo.

Kallien era o único dos vilarejos mais baixos que tinha sete Simpatizantes interessados. E eu era a única que não era do vilarejo mais baixo que não tinha nenhum.

Um belo contraste.

Além disso, pude perceber, que minha foto estava realmente intimidadora. Quase...feroz?

Meu rosto era em geral um mistério, ilegível, impassível, mas havia algo em meus olhos que era pior que todo o resto.

Era a forma mais pura de determinação que eu já havia visto. Aquilo pertencia a mim.

—Não se preocupe. Essa é uma lista provisória.— eu havia tirado o aparato das mãos de Laeni e agora o segurava contemplando a minha lista vazia. Eu não estava preocupada, mas ela continuou: —A primeira lista oficial dos interessados só sairá quando chegarmos ao Setor Superior.

—E eu estou certa de que não mudará nada.— Marjorie entrou no cômodo com um robe vinho e os cabelos bagunçados.

—Bom dia para você também, Marjorie.—Laeni disse com uma cara fechada. —Obrigada por nos alegrar com seu pessimismo matinal.

—Não estou sendo pessimista, estou sendo realista.— Marjorie se sentou e direcionou o olhar para mim.—Por acaso você vai se esforçar para jogar um mísero pingo de charme para algum dos Simpatizantes?

Neguei com a cabeça.

—Vai fazer algum acordo indecente com algum deles?—neguei novamente. —Você vai se esforçar para agradar nem que seja um deles?

—Não.

Marjorie fez um gesto em minha direção:

—Viu só? Eu estou nesse vilarejo há anos, Laeni. Eles são revoltados com a nossa espécie, mas não o suficiente para nos encarar. Eles preferem viver dentro de suas mentes fechadas achando que a teimosia deles é algum tipo de revolta e vai levá-los a algum lugar. São puritanos e ligam demais para seus princípios para sequer fingir uma máscara e nos atacar pelas costas.

Laeni revirou os olhos, Marjorie continuou:

—A menos que nossos lindos conhecidos e majestosos tenham passado a se importar com algo além da superfície da personalidade de alguém, meu ponto está provado.— ela deu uma mordida na maçã em sua mão.

A que estava ao meu lado respirou fundo e passou a mão pelo rosto.

—Será que por toda a minha vida eu terei que lidar com preocupações logo no café da manhã, por sua causa, Marjorie?

—Eu não tenho culpa que o Destino quer que fiquemos unida de uma forma ou de outra, irmãzinha? —deixei a colherzinha com a qual eu colocava o açúcar cair de minhas mãos.

—Vocês são irmãs?

—Não contaram a ela? — Marjorie se dirigiu a ninguém em especial.

—Inacreditavelmente, sim. Meia-irmãs, na verdade.— Laeni fez com que a colherzinha flutuasse do chão de volta até a mesa calmamente. —Como vocês, alguns casais não conseguem se manter fiel a uma pessoa por muito tempo.

—Você está usando magia na frente dela? Esqueceu as regras?—Laeni olhou displicente para Marjorie, como se ambas tivessem invertido os papéis por alguns instantes.

—Eu sou mais velha que você, conheço muito bem as regras e não acho que Corinna vá me denunciar apenas por fazer uma colher levitar.

—Nunca entendi por que vocês não podem usar magia perto de nós.— comentei sincera.

—É apenas uma questão de segurança para você humanos.— levantei uma sobrancelha e Laeni continuou:—Há alguns de nós que não entendem o significado de limites e respeito, então apenas por ver um humano um ódio se acende dentro deles e se houvesse um combate, seria provavelmente injusto para vocês, por não terem nossos poderes. Então, foi proibido que usássemos nossos poderes em terras humanas, principalmente na frente dos humanos, já que vocês também já tiveram a audácia de se aproveitar do direito de nos denunciar, mesmo sem haver uma situação perigosa para seu povo.

—Eu não faria isso.— eu disse baixinho e ela pôs uma mão em meu ombro.

—Sei que não, mas Marjorie gosta de irritar comigo sempre que pode. Além disso faltam poucas horas para chegarmos em nossas terras e essa lei não tem validade lá.

Senti um calafrio.

—Quer dizer, que se algum do seu povo quiser usar magia para me machucar, ele poderia?

—Teoricamente sim, mas os Escolhidos têm uma proteção especial no Setor Superior, são como nossos...convidados. Ou seja, atacar você ou qualquer um de vocês traria mais dor de cabeça do que entretenimento.— Laeni disse me dando um sorriso reconfortante enquanto Marjorie dava um sorriso esperto:

—De qualquer forma se eu fosse você, não arriscaria ficar sozinha com um dos irritadinhos. Eles não costumam ligar muito para "dores de cabeça".

❖ ❖ ❖

Notas Finais: 

sei que estou bem atrasadinha com as atualizações, mas meu note foi pro espaço há algumas semanas e eu entrei numa reclusão significativa :/

como vocês estão? o que acharam do capítulo?

deixem seu comentários, opiniões etc...

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a playlist da história está em construção, mas já está disponível no link: https://open.spotify.com/user/emmy_lopez259/playlist/1sEYWtEU41bW6n6HIcvnpm

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até mais

xx

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