Jane Thomaz Lemon

Jane Lemon, como prefere ser chamado, viveu até os 13 anos com seu pai, Thomaz Lemon, no interior do Estado de Washington, na pacata cidade de Springdale. A gravidez de Sofia Lemon, sua mãe, levou-a à sérias complicações, pela qual chegou a falecer no dia 16 de março de 1992 - dia do seu aniversário. Com a ajuda de Rúbia, irmã única de Thomaz, Jane cresceu nos braços de uma família não-tradicional, mas o carinho que recebia dispensava os cruéis comentários que ouvia quando criança na escola.
Ao mudar-se com seu pai para Colville, Rúbia adoeceu por um silêncioso câncer no pulmão, levando-a a falecer antes mesmo de descobrir a doença. A perda levou Thomaz à depressão profunda novamente, a mesma de quando sua esposa partiu, mas o único consolo que possuia era seu filho, um garoto pelo qual perdeu a paixão.
Recusando a ajuda profissional, Thomaz se afundou no alcoól e nos vícios. Seu tratamento abusivo com o filho o deixou ematomas, cicatrizes que, quando criança, jamais esqueceria. Jane p

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2. Margarida e Victor

O ar do ambiente logo me invade, é impressionante como o chão de uma falsa madeira reflete minha imagem da impecável limpeza. O estilo rústico é aconchegante e não posso deixar de esboçar um sorriso enquanto observo o local.

–– Meu nome é Victor! Victor Rauen. – Um senhor com uma grande barriga que aparenta estar na margem dos seus cinquenta e poucos estica as mãos e chacoalha a minha direita com empolgação.

–– É um prazer, senhor Rauen. – Cumprimento-o, formalmente. Seus olhos brilham por baixo de uma grossa sobrancelha e nem mesmo o seu grande bigode castanho pôde esconder um sorriso que se estica de orelha a orelha.

–– Por favor, me chame de Victor. – Solta finamente a minha mão, marcada pelos seus grossos dedos. – Deixe-me levar isto.

Ele menciona em pegar minha mala e não consigo impedir. Quando me dou conta, já está nos pés da escadaria, arrastando-a com todas as suas forças. Avisto logo ao lado, atrás de um largo balcão, uma senhora consideravelmente mais alta que ele. Seus dois brincos de pérolas pesam nas orelhas em baixo de um curto cabelo louro-esbranquiçado.

–– Olá, querido! – Seu sorriso revela dentes muito bem tratados. – Sou a Margarida, esposa do Victor.

–– Claro! – Logo me lembro de sua adorável voz. – Conversamos pelo telefone. – O aperto de mão é notavelmente mais delicado que o do Sr. Victor.

–– Siga-o. Ele mostrará o seu quarto.

Após ter feito menção à escadaria, sigo o senhor por dois lances de escada. No meio do caminho, tive que insistir para que me deixasse ajudar a carregar a pesada mala que quase despencou do primeiro andar.

Chegando no segundo andar, um longo corredor abrange, no mínimo, seis portas cada lado. A numeração começa do onze e segue até o vinte e dois, pequenos números dourados colados nas portas amadeiradas. Apontando, o Sr. Victor observa atentamente cada uma com olhos miúdos e paramos quando chega na décima sexta.  

–– Aqui estamos! – Exclama com uma voz rouca. Retira do bolso uma pequena chave dourada etiquetada com o número dezesseis.

Ouve-se um estalo vindo da maçaneta e ele a gira com delicadeza. Um adorável quarto se expande enquanto a fresta aumenta, um gelado vento arrepia meus braços por fora da camisa, fazendo as brancas cortinas da única janela dançarem.

–– Vou deixar que se acomode, Sr. Lemon.

–– Ah, por favor, me chame de Jane.

–– Estaremos servindo o café da manhã se estiver com fome. - Ele sai com o mesmo sorriso de quando cheguei.

O quarto está frio, a primeira coisa que faço é fechar a janela localizada em cima de uma escrivaninha, fazendo as cortinas cessarem da dança. É um pequeno espaço agradável, o suficiente para me abrigar durante os próximos meses. A cama fica posicionada de frente para uma cômoda rústica. Ao lado esquerdo, na parede do banheiro, um guarda-roupa que orna com as mesinhas e luminárias do lado da cama.

Jogo minha mochila de ombro em um canto qualquer e despenco de braços abertos nos edredons surpreendentemente macios e cheirosos, um cheirinho que recorda momentaneamente minha tia. Um audível ronco no estomago me faz lembrar que estou há algumas horas sem me alimentar, a ansiedade se mistura junto e sinto algo estranhamente novo para um garoto do interior.

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