Jane Thomaz Lemon

Jane Lemon, como prefere ser chamado, viveu até os 13 anos com seu pai, Thomaz Lemon, no interior do Estado de Washington, na pacata cidade de Springdale. A gravidez de Sofia Lemon, sua mãe, levou-a à sérias complicações, pela qual chegou a falecer no dia 16 de março de 1992 - dia do seu aniversário. Com a ajuda de Rúbia, irmã única de Thomaz, Jane cresceu nos braços de uma família não-tradicional, mas o carinho que recebia dispensava os cruéis comentários que ouvia quando criança na escola.
Ao mudar-se com seu pai para Colville, Rúbia adoeceu por um silêncioso câncer no pulmão, levando-a a falecer antes mesmo de descobrir a doença. A perda levou Thomaz à depressão profunda novamente, a mesma de quando sua esposa partiu, mas o único consolo que possuia era seu filho, um garoto pelo qual perdeu a paixão.
Recusando a ajuda profissional, Thomaz se afundou no alcoól e nos vícios. Seu tratamento abusivo com o filho o deixou ematomas, cicatrizes que, quando criança, jamais esqueceria. Jane p

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1. Novo Horizonte

O ônibus faz finalmente a parada final na Estação Bellevue, meu cérebro parece tão amortecido da viagem que perdi as contas de quantas horas foram. Por mais que eu esteja entre os primeiros bancos, a densa fila no corredor me faz esperar até que todos saiam. As diversas malas já foram levadas, enquanto a minha permanece entre outras três restantes no lado de fora.

É notável a grande diversidade étnica no meio da aglomeração de pessoas ao longo do grande corredor principal que liga aos portões de embarque, mesmo vivendo na região, me sinto como um turista. Atrás da grande parede de vidro, uma vasta metrópole com arranha-céus que cortam o horizonte de forma interminável reflete gentilmente nas lentes do meu óculos-retangular, nada parecido com a pacata cidade em que morava.

Tímido, mas curioso, sigo pela praça que faz a faixada da estação em meio a vendedores ambulantes e crianças que correm alegremente segurando coloridos balões. É uma cena gratificante, uma boa primeira impressão da cidade. Logo identifico a fileira de carros amarelos, mais chamativos impossíveis.

–– Rua Washington, edifício número setecentos e trinta e cinco, Hotel Kelsey, por favor. – Informo a um senhor acostado em seu veículo amarelo-chamativo, o próximo a sair.

–– A bagagem. – Com a voz rouca, ele faz menção ao porta-malas, que abre quando pressiona um botão no painel frontal do carro.

Quando me dou conta, estamos cruzando a rua direto para uma avenida movimentada. Grandes lojas de marcas internacionais ocupam os quarteirões junto com edifícios de grandes empresas. É uma realidade diferente da minha antiga, enquanto alguns vestidos formalmente caminham apressados ao longo da larga calçada, outros caminham com diversas sacolas de grifes e parecem não sossegar enquanto não vasculharem todas as lojas restantes.

–– Novo na cidade? – Pergunta o senhor, tenho quase certeza que percebeu pelo meu olhar curioso nas coisas.

–– Vim do interior para trabalhar. – Respondo, enquanto faz uma curva fechada que me obrigou a segurar na janela do veículo.

Seguimos uma conversa sobre nossas trajetórias nas cidades do interior que, sinceramente, não estava me agradando nem um pouco. Passei a maior parte do tempo apenas concordando e tentando dar um fim no assunto, mas ele sempre continuava falando de seus netos – ele parece ter um neto para cada cidade do Estado.

Quando terminava de contar a história sobre seu neto que pegou um berne em Quincy, um letreiro amadeirado pendurado em frente à um prédio muito bem cuidado, esmagado por duas outras estruturas, me chama a atenção e logo identifico o hotel. Com uma brusca freada que me jogou para frente, ele se curva até o contador de quilometragem e se esforça ao máximo para enxergar os consideravelmente grandes números que indicam o valor da corrida. Me arrepia ao máximo em pensar que estive todo esse tempo com ele dirigindo.

Retiro a bagagem do porta-malas e penduro no ombro uma bolsa verde que carregava. Com um aceno, ele parte e perco o carro de vista quando cruza na avenida. Subo os três degraus da faixada e um sininho tilintante anuncia minha chegada.

–– Ora, ora! Você deve ser o Sr. Lemon.

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