Sem Arrependimentos

«Ao Meu Querido Senhor F. e dono de meu coração eternamente.
Como está? Hoje a família virá em casa. Preparei um bolo de chocolate com cobertura de coco, em homenagem aos doces que lhe preparei quando éramos jovens. Penso em si todos os dias, e quando vejo percebo o quão velho o tempo e a idade nos fizeram.
De sua amada P.»

A senhora P. festeja seu 65° aniversario hoje, mas todos os dias ela escreve uma carta ao seu amado de juventude o "Senhor F." ao ver sua neta de 15 anos ela se recorda de como era vívida na mesma idade e ao perceber que a pequena precisa de ajuda por se sentir apaixonada, decide lhe contar um segredo.

A história de amor com a maior paixão de sua vida " Senhor F."

Embarque nesta história de amor, que o fará pensar no seu futuro espelhado no seu passado.

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1. Em Família

Ao Meu Querido Senhor F. e dono de meu coração eternamente.

Como está? Hoje a família virá em casa. Preparei um bolo de chocolate com cobertura de coco, em homenagem aos doces que lhe preparei quando éramos jovens. Penso em si todos os dias, e quando vejo percebo o quão velho o tempo e a idade nos fizeram.

De sua amada P.

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Uma melodia soa, claro só podem ser eles, minha família chegou finalmente, mas porque eles vieram mesmo?

Ah claro! Para meu 65° aniversário, creio que não seja necessário festejar uma idade tão avançada, mas eles gostam tanto do meu bolo de chocolate com cobertura de coco que não pude dizer não todos esses anos. No entanto, esse ano Esther a minha neta faz 15 anos, e anda muito curiosa sobre o amor. Essa idade me lembra de como eu era, uma jovem inconsequente e que não pensava tanto da vida como agora, provavelmente porque era inexperiente na vida.

A campainha soa de novo.

Acho melhor ir abri-la, meus filhos já devem estar esperando a uns bons minutos.

- Mamãe, disse Loraynne abrindo os braços para me dar um abraço, como a senhora está? Feliz aniversário! Loraynne é uma jovem de 32 anos, morena, de cabelos cacheados e olhos castanhos claros, alta como um dia fui e muito sorridente. - James e Timmy já estão chegando, Tifanny atrasou eles um pouco. Trouxemos uma caixa de brigadeiros e alguns presentes para a senhora e o papai.

- Ora querida entre, não fique aí parada! E onde está meu genro, não quis vir? Ora essa sei que o pequeno Flocon rasgou um pouco de sua camisa, mas nada que uma costura arranje.

- Vó! Era Esther, o papai já vem ele só foi buscar o seu presente no carro, ele também trouxe um para o vovô! Por falar nele onde ele está?

- Saiu, disse que ia à cidade e voltava logo. Mas como disse entrem já arrumei a casa toda para a visita de vocês.

Esther, era uma menina ainda, de estatura baixa, cabelos ondulados e tinha uma pele mais clara que a de sua mãe, mas não escondia os traços latino-europeus que vinha de mim e meu marido, eu amava aquela criança que ainda tinha muito por que passar, tenho até pesar pela tristeza que esta vida lhe reserva, mas este é o nosso ciclo e um dia felizmente ele termina.

A sala estava toda arrumada, com vasos de flores vermelhas e brancas, algumas plantas verdes que me ajudavam a respirar melhor e no meio da sala uma rosa encapsulada em resina, aquela era a minha preferida, a minha predileta a minha rosa! O Senhor F. me presenteou quando era mais sagaz com uma rosa, no entanto ela murchou e tive que lança-la fora, no entanto comprei outra e mandei conserva-la para que pudesse guardar comigo esta bela lembrança. Engraçado percebi agora como estou velha, ao passar minhas mãos pelo rosto consegui notar rugas, e meu rosto parece mais flácido do que era. Certamente a idade nos trás males, como estou velha! Ao fechar os olhos e sentir o aroma de minha sala, percebi que alguém me chamava:

- Vó! Era Esther, eu gostaria de falar com a senhora tem como falarmos?

Me surpreendi, minha neta raramente me fala sobre o que fosse mas neste momento estava disposta a falar comigo, seu olhar e sua face me lembraram de como eu era e logo aceitei em falar com ela.

- Claro querida, pode falar.

- Poderia sem em particular? É que eu prefiro.

Aquilo me deixou mais surpresa, o que seria de tão importante que precisava ser contado em segredo?

Fomos até o jardim, o meu lindo jardim, cheio de flores do campo e repleto de árvores e pinheiros por todos os lados, onde o sol batia haviam pequenos raios de luz e no fundo víamos Flocon brincar com os passarinhos. Um lugar perfeito com um banco de balanço, perfeito para se repousar, fui até lá com minha neta e ao sentarmos lhe questionei:

- Querida, do que gostaria de me falar, que está tão aflita?

- Vó, eu, Esther hesitou mas logo desabafou, estou gostando de um rapaz, e bom, sempre que penso nele ou falo com ele, ou vejo ele...

- Sente seu coração quase saindo para fora? Ela me olhou com os olhos brilhando, percebi então quais eram seus sentimentos e como antes, me recordei de minha juventude que parecia estar espelhada naquela garota.

- Como a senhora, pode advinham o que ia dizer?

- Ora minha neta, todos os velhos já foram novos, levantando a cabeça, respirei e então a olhei novamente, eu mesma já passei por um amor como o seu, um tão forte que de ficar distante da pessoa que ama, a leva à loucuras. Mas quero lhe dizer algo, não se deixe abraçar por essas loucuras, porque isso lhe trará sofrimento, muito sofrimento!

- Vó, a senhora amou um homem tanto assim? Como pode ser? Era o vovô?

- Ah minha linda, acariciei suas bochechas, amei um homem sim e muito, tanto que não consigo descrever realmente como é o amar.

- Como é? Então a senhora ainda ama esse homem! É o vovô a senhora não ama?

- Claro que amo querida, mas o amor verdadeiro você nunca esquece. Sempre vai amar. E ora o seu avô não tem que ter ciúmes, porque é com ele que vivo.

- E esse homem, o que foi seu primeiro amor...como se conheceram e como se apaixonarão?

Naquele momento, vi nos olhos daquela jovem a minha imagem vidrada, com aquele que eu amei me dando as mãos. Sabia que à ela poderia contar, contar meu segredo, minha história. Foi então que me levantei, me dirigi à sala e peguei um objeto, protegendo-o cuidadosamente com as mãos e ao voltar a me sentar ao lado de minha neta percebi que a mesma arregalava os olhos curiosamente, tentando perceber o que tinha trazido. Abri então a mão lhe mostrando a rosa resinada que tinha e lhe disse:

- Vê esta rosa querida? É com ela que me recordo todos os dias do homem que amo e é por sua curiosidade que resolvi lhe contar a minha história de amor.

Seus olhos se abriram ainda mais e pude notar que os seus olhos cristalinos emergiam o mesmo brilho daquele homem.

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Meu amado Senhor F.

Esther está tão grande e sua beleza e esperteza me fazem pensar o quão inconsequente um jovem pode ser, ao olhar para ela me espelho em minha vivacidade na juventude. Penso em si todos os dias e me pergunto no que pensa sobre os velhos tempos. Flocon continua tão branco e o jardim tão verde que as flores com seu aroma e sua cor ficam espantosas. James e Timmy já são homens, creio que o orgulho que tenho neles é perceptível.

Contarei à pequena Esther a nossa história, espero que ela se apaixone também por ela.

Sua querida P.

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