O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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25. Você me fez muito feliz, obrigado por tudo

 

O meistre sai do quarto com o bebê enrolado em lençóis. Hemon o pega e o beija, emocionado com esse momento. Nunca pensou que se tornar pai fosse causar um amor tão intenso. Os olhos grandes, brilhantes e escuros que o encaram, curioso, aumentam esse amor. Hemon não consegue parar de sorrir para seu filho.  

Só percebe o olhar triste do meistre quando olha para ele.

- Como ela está? Posso vê-la? – Hemon pergunta. Mas então percebe o olhar triste do Meistre e isso o preocupa.

- Sinto muito, milorde. Lady Amyra não suportou o parto. – O meistre responde com tristeza.

- Como é? – Hemon não consegue acreditar no que acaba de ouvir. – Isso não é possível... não... deve haver algum engano. – A voz de Hemon enfraquece da mesma maneira que suas pernas, que parecem que vão amolecer e derrubá-lo a qualquer momento.

Como é possível que algo tão bom e sublime venha acompanhado de uma tragédia tão grande? Esse conflito de sentimentos deixa Hemon atordoado, sua cabeça dói. As lágrimas, antes de felicidade, agora são de agonia. Ele entrega o bebê para uma empregada depois entra abruptamente no quarto e vê Amyra na cama, coberta por sangue. Ele para na porta, congelado por medo. O corpo de sua esposa está inerte e ela não parece respirar. Hemon quer correr até ela para se certificar do que aconteceu, sabe que precisa fazer isso, mas não consegue. Respirar fica difícil, seu peito queima de agonia. A dor lhe consome de uma maneira tão atordoante que ele tem vontade de vomitar.

As empregadas limpavam o quarto, mas ele ordena que todas elas saiam.

Chorando, ele finalmente consegue sair do lugar e se aproximar de Amyra. Deita-se ao lado dela, acariciando seu rosto, chorando descontroladamente.

- Não... não... – Hemon chora baixinho. – Não me deixe, por favor...

Os olhos de Hemon estão vermelhos e as veias de seu rosto estão inchadas. Ele não consegue respirar direito. Toda a felicidade pelo nascimento de seu filho está ofuscada pela morte dela. Uma dor lancinante toma conta de seu peito, que parece ser rasgado por uma navalha afiada. Seu peito queima cada vez que ele respira. Porque os deuses foram tão cruéis? Amyra e ele tinham uma vida inteira juntos. Porque eles deixaram que ela fosse salva, que eles vencessem batalhas, que ele sobrevivesse á ferimentos sérios e que o filho deles nascesse, se foi para tirá-la desse mundo? Hemon está inconformado.

- Não, meu amor... não, por favor! – Ele encosta a testa na barriga de Amyra, encharcada de sangue. – Volte... volte!

Hemon levanta a cabeça, voltando a olhar para Amyra. Seus olhos fechados são a coisa mais grotesca que Hemon já viu em toda a sua vida, assim como o sangue dela por toda a cama. Ele pegas as mãos geladas dela, tremendo de pânico. Imaginar sua vida sem Amyra lhe causa um ataque de pânico tão forte que a vontade de vomitar volta a ataca-lo.

O meistre entra no quarto, preocupado.

- Ela quis assim, milorde. Não poderíamos salvar os dois, ela estava muito ferida por... bem... o senhor deve imaginar porquê.

Hemon ouve as palavras dele atentamente, mas continua com os olhos colados em Amyra, observando-a. Ele sabe que ela nunca escolheria outra coisa, que ela nunca permitiria que seu filho morresse para que ela sobrevivesse. Apesar da dor, Hemon consegue ver que ela foi corajosa e uma excelente mãe, mesmo sem nunca ter tido a oportunidade de ter o filho nos braços.

Ele poderia pensar em Ramsay e em como ele a machucou, sentir raiva dele, mas não consegue sequer pensar nele agora. Todo seu foco está no fato de ter perdido sua esposa e na dor excruciante que essa perda trás.

Ele acaricia os cabelos dela, molhados por suor. As lágrimas escorrem agora de seus olhos como se eles fossem duas torneiras abertas.

- Eu te amo muito. – Ele se baixa e diz baixinho no ouvido dela, beijando a testa em seguida. – Você me fez muito feliz. Obrigado por tudo.

 

*****

 

 Horas se passaram. O sangue de Amyra não está mais morno como estava quando Hemon se deitou ao lado dela, ao contrário, está gelado e coagulado. Hemon se recusara em deixá-la esmo diante da insistência do Meistre, pois não tinha forças para isso.

Ainda sentindo a dor mais profunda e forte que ele já sentiu em toda a sua vida, ele continua com a cabeça sobre o peito dela. Ele também está sujo de sangue, mas isso não o incomoda. De fato, ele nem mesmo percebera que tem sangue por todo seu corpo.

 

*****

 

Hemon sente o peito de Amyra subir e descer lentamente, um movimento tão fraco que ele quase não havia percebido, pensou estar imaginando coisas por conta da dor que sente. Mas o segundo movimento foi um pouco mais forte. Ele se senta e a observa atentamente, com os olhos ainda úmidos e vermelhos, mas agora arregalados em total alerta. As bochechas de Amyra parecem estar levemente rosadas. Ele aproxima os ouvidos do nariz dela e sente uma respiração muitíssimo fraca, quase inexistente, mas que, ainda assim, lhe aquece sua pele, ainda que de maneira quase imperceptível.

- Amy... Deuses... ela está viva! ELA ESTÁ VIVA!

Hemon deixa o quarto rapidamente gritando a notícia e volta acompanhado do meistre, que a examina.

- Por todos os céus! – O Meistre exclama sem acreditar. – Amyra está viva! Fraca, mas viva!  Precisamos cuidar dela... ela pode sobreviver!

Ele corre até seu local de trabalho e volta com várias coisas.

- Preciso começar imediatamente. – Ele diz.

- Por favor... faça com que ela sobreviva. – Hemon suplica ansioso. – Por favor!

- Farei o possível.

 

*****

 

Várias semanas se passam. Amyra ainda não havia acordado, estava em coma. O meistre havia explicado que ela poderia ficar assim para sempre, sem nunca acordar. Se isso acontecesse, Hemon teria de tomar a decisão de deixá-la morrer, mais cedo ou mais tarde. Mas Hemon não aceitou essa realidade. Cuidava dela e passava horas a seu lado. Levava o filho deles para vê-la todos os dias. O bebê ainda não tinha um nome, pois ele queria que escolhessem juntos. Rezava por ela também, todos os dias.

 

Duas semanas. Esse foi o tempo que Amyra ficou em coma.  

Hemon ainda tem esperanças apesar de todos esperarem o contrário dele. Todos dizem que ele deve deixa-la partir e casar-se novamente, mas ele nunca deu ouvidos a nada disso.

Ele leva seu filho para ver Amyra mais uma vez. Ele o coloca em cima do peito dela. Ela respira fracamente, fazendo com que o corpinho do bebê se movimente, ainda que de maneira fraca.

Hemon reza mais uma vez, como vem fazendo todos os dias.

Amyra abre os olhos. Seus lindos olhos negros parecem cansados, mas estão abertos.

- Amy! – Hemon quase grita de alegria. Imediatamente as lágrimas, que antes eram de dor, se transformam em lágrimas de alívio.

Ela parece desorientada. Ele a ajuda a sentar-se.

- O que aconteceu? – Amyra pergunta.

- Você se lembra dele? – Hemon mostra o bebê.

- Claro que sim! – Amyra sorri e lança os braços para pegá-lo. Ela o aninha e beija a testa dele. – Ele é tão grande!

Hemon não consegue desviar o olhar. Permanece com os olhos colados no rosto dela, chorando sem parar. Não consegue parar de sorrir também. Seu sorriso, largo e branco, continua enorme, como se estivesse colado daquela maneira em seu rosto.

- O que foi? Porque está me olhando assim? – Amyra pergunta um pouco atordoada. Sente-se fraca, enjoada e com uma forte dor de cabeça, mas não tem memória alguma de todo o tempo que esteve em coma.

- Você não sabe mesmo o que aconteceu?

- Me lembro de ter desmaiado depois do parto. Doeu muito, eu perdi muito sangue, fiquei fraca... – Amyra se recorda do parto com detalhes.

- Você se lembra do que o meistre lhe disse?

- Sim. Que eu tinha de escolher. É por isso que você está chorando? – Amyra sorri. – Era a coisa certa a se fazer. Mas graças aos deuses e ao meistre, estou aqui. – Amyra acaricia o rosto de Hemon, depois o beija.

- Você dormiu por duas semanas inteiras.

- Como é? – Amyra parece atordoada com a informação.

- Exatamente. Foram dias terríveis e longos, nem sabíamos se você voltaria a acordar.

- É por isso que você está assim! – Amyra se dá conta. Ela volta a beijá-lo. – Deve ter sido difícil, meu amor. Deuses! Que situação estranha essa que vivemos!

- Você não tem nem ideia do quão difícil foi! – Hemon volta a chorar de alívio. Ter sua esposa de volta é um presente dos deuses. Hemon a abraça, chorando e sorrindo ao mesmo tempo. Os três estão finalmente juntos.

 

Naquele mesmo dia Hemon anuncia a recuperação de Amyra. Todo o povo Dornês, de Jardim das Águas á Deserto Vermelho, recebem a notícia aliviados. Dorne inteira faz uma enorme festa para comemorar e a festa dura duas semanas inteiras, o mesmo período de tempo em que ela ficou em coma. Artistas escrevem e cantam sobre o milagre de Lady Amyra, como o episódio ficou conhecido.

Nos anos que se passaram depois disso, Amyra virou objeto de estudo do meistre do Palácio, que escreveu sobre seu caso e inspirou inúmeras teses e experimentos de vários meistres espalhados por Westeros.

 

 

 

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