O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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23. Uma decisão foi tomada

Dois dias se passaram e Amyra não havia saído do lado da cama de Hemon um minuto sequer. Ela está cansada e abatida, mas não por não ter conseguido dormir ainda, mas por não saber se Hemon sobreviverá ou não. Além do medo de perder o marido, ela se sente culpada por ele ter se machucado em uma batalha que ela começou. Ela não se arrepende de tê-la iniciado, afinal, saíram vitoriosos e ela vingou sua família, mas gostaria de ter ficado no lugar de Hemon. Ele não acordou ainda e o meistre disse que sua situação é delicada. Amyra não dorme ou come, apenas fica ao lado dele, segurando sua mão e rezando aos deuses.

Jaime entra. Está melhor, apesar de ainda estar machucado.

- Vim me despedir. – Jaime diz.

- Tem certeza de que está pronto para ir? Não prefere se recuperar totalmente? – Amyra pergunta. Seus olhos vermelhos e olheiras arroxeadas indicam que ela não havia dormido e que havia chorado muito. Jaime se compadece. Ele quer realmente que Hemon se recupere. Já o viu em batalha outras vezes e sempre o admirou por sua força, habilidade e espírito de liderança. Lutar a seu lado foi realmente uma honra. 

- Tenho. - Jaime responde. - Ainda tenho algo para fazer antes de voltar para casa. Espero que Lorde Forthwind se recupere logo... foi uma honra lutar ao lado dele. Diga isso a ele quando acordar, por favor.

- Direi sim. – Amyra sorri. Sente-se tocada pelo gesto dele. Ela se levanta e vai até ele, parando em sua frente e lhe estendendo as mãos. Ele pega as mãos dela e sorri para ela.  – Muito obrigada por tudo o que você e seus homens fizeram por nós.

- Eu já disse que essa batalha também era minha. - Jaime aperta as mãos dela delicadamente. - Estou contente que lutamos juntos, muito obrigado por ter deixado que eu vingasse a morte de Myrcella e lutasse com vocês. Adeus, Amyra.

- Adeus.

 

*****

 

Alguns dias se passam.

Ellaria recebera a notícia da derrota e também da morte das filhas logo após a batalha terminar. Ela ainda se sente fraca com a notícia e também assustadoramente sozinha. Tem Jardim das Águas, mas sente que isso não é suficiente, ao menos não sem suas filhas. Se sente impotente. Havia tomado uma decisão. Pensou muito a respeito e viu que essa era a melhor maneira.

É obrigada a sair de seus pensamentos de tristeza e solidão quando o guarda avisa sobre a visita de Jaime Lannister.

Ela se levanta, respira profundamente e seca as lágrimas. Vai até o criado mudo que fica ao lado de sua cama, pega a carta que havia escrito na noite passada, após tomar a decisão, e desce até o hall de entrada de Jardim das águas, onde Jaime a espera.

- Deixe-nos a sós. – Ela ordena aos guardas. – E fechem as portas.

Os guardas fazem como ela ordena.

- É muito corajoso de sua parte vir até aqui, especialmente depois de ajudar a matar minhas filhas e derrotar meu exército.  – Ellaria diz.

- Você matou minha... sobrinha. – Jaime diz com tristeza, mas também muita raiva na voz. – Acha mesmo que está em posição de me ameaçar? 

- Sua sobrinha? – Ellaria consegue encontrar um humor petulante para acusá-lo com essas palavras, mesmo sofrendo.

- Cuidado, Ellaria. Não estou aqui sozinho, meus soldados estão lá fora e estão em maior número que o seus. E dadas as consequências da última batalha travada, acho que não deveria zombar de mim. 

- Não será necessário nada disso. – Ellaria diz. Ela entrega a carta à Jaime. – Faça o que precisa fazer e depois entregue isso à Amyra.

Jaime pega a carta com certa dúvida no olhar, mas o que mais lhe espanta é a calma na voz de Ellaria. Ela parece saber porque ele está ali. 

Ellaria parece traduzir o olhar de Jaime e trata de explicar o que pretende.

- Sei porque está aqui, Jaime Lannister. Aceito meu destino. Fui derrotada, minhas filhas estão mortas... Aceito o que os deuses escolheram para mim. 

Aceitando o destino de maneira honrada e valente, Ellaria se ajoelha em frente à Jaime. Ele a olha com espanto, mas entende o que ela quer dizer. Pensou que fosse precisar travar algum tipo de batalha com ela e o que restou do exército dela, mas não foi preciso nada disso. De certo modo, ele a admira por sua coragem. 

Ele respira fundo e levanta a espada, cortando o pescoço de Ellaria em seguida. 

Sangue espirra pelo chão e também na espada e nas botas de Jaime. O corpo sem vida de Ellaria cai no chão frio de Jardim das Águas, enquanto sua cabeça, separada do corpo, rola para outro lugar. 

Jaime limpa a espada e respira profundamente. Myrcella, sua doce filha, está vingada.  Ele não volta para o Palácio de areia, mas manda a carta para Amyra através de um pombo, juntamente com outra carta, a sua. 

 

*****

 

Alguns dias se passam.

Amyra ainda está rezando apreensivamente ao lado de Hemon, que ainda está desacordado, quando recebe as cartas.

“Fui derrotada. Matei Doran e o filho dele e agora minhas filhas também foram tiradas de mim. Os deuses sempre dão justiça a seus filhos na terra, aceito a justiça divina. Jardim das águas, assim como o trono de Dorne, não me pertencem. Pertencem à Amyra Martell, herdeira de Doran Martell. Usurpei algo que não era meu. Flagelei uma família que me acolheu e por isso aceito meu destino.

Morro em paz.

Ellaria Sand”.

Na outra carta, Jaime diz: 

" Eu a matei, Amyra. Me perdoe por tirar o último fio da vingança de suas mãos, mas Myrcella merecia isso. 

O caminho está livre, Jardim das Águas precisa de uma princesa honrada e valente como Milady.  Que os deuses abençoem a você e á Lorde Hemon Forthwind. 

                                De seu mais devoto amigo, Jaime Lannister". 

 

 

*****

 

Hemon finalmente abre os olhos. Ele sente uma fisgada de dor no abdômen e a boca seca, recorda-se de tudo o que aconteceu e agradece aos deuses por estar vivo.

Ele sente uma delicada mão sobre seu peito. Olha para o lado e encontra Amyra dormindo a seu lado. Fica aliviado por ela estar viva e sorri, apertando delicadamente a mão dela. Amyra acorda com isso. Olha para ele e fica aliviada por vê-lo vivo. Sorri largamente e seus olhos têm lágrimas de alívio.

- Hemon! – Ela grita de alegria e enche a testa e o pescoço dele de beijos. – Graças aos deuses! Vou chamar o meistre.

Amyra deixa o quarto. Volta depois com o meistre, que examina Hemon.

- O senhor teve muita sorte, Lord Hemon. Se recuperou completamente.  – O meistre diz, também sorrindo. Está com a família Forthwind desde que se formara meistre e vira Hemon nascer, portanto o ama como amaria a um filho.

- Ele é muito forte, por isso sobreviveu. – Amyra sorri orgulhosamente.

- Claro, isso também. – Ele sorri. - Bem... vou deixá-los.

- Há alguma recomendação? - Amyra se certifica.

- Ele precisa apenas descansar e tomar água para não ficar desidratado. - O meistre responde. 

 Está bem, me certificarei que ele descansará e beberá água. - Amyra diz. - Muito obrigada.

O meistre deixa os dois sozinhos.

- Você ficou desacordado por tantos dias! – Amyra se senta ao lado de Hemon. Enche um copo com água e oferece á ele. – Seu estado era grave. – Ela abaixa a cabeça lembrando-se dos dias de agonia por não saber se ele sobreviveria. – Eu estava com tanto medo de te perder! 

Amyra abraça o marido delicadamente para não o machucar. Um abraço cheio de amor e alívio. 

- Estou aqui agora. – Hemon acaricia os cabelos dela enquanto a abraça. – Eu não poderia morrer antes de ver seu lindo rosto uma última vez.

Amyra sorri com a brincadeira. É impressionante como o espírito dele se mantém inalteradamente radiante e divertido, mesmo depois de quase morrer. Nos dias em que o esperava, ela teve certeza que nunca seria capaz de viver sem ele.

- Eu te amo tanto! – Ela diz. – Meu único arrependimento nessa vida é de não ter enxergado isso antes. Se eu não tivesse sido tão cega poderíamos ter sido felizes juntos mais cedo. – Ela sai do abraço e o olha. – Eu teria desafiado meu pai para um duelo se ele não nos deixasse casar.  – Ela ri.

- Estamos casados agora. Estamos vivos e felizes. – Hemon também ri. – É isso que importa.

- Eu sei, mas é que isso era uma coisa que eu gostaria de lhe dizer há muito tempo, só estava esperando o momento oportuno. Mas depois do susto que você me deu concluí que não existe isso de momento oportuno. A partir de hoje, toda vez que eu tiver algo para lhe dizer, o farei imediatamente.

- Acho isso maravilhoso. – Hemon sorri. - E prometo que farei o mesmo, pois concordo com você. Esperar pode ser fatal. 

- Exato. Por isso começarei com isso agora mesmo. – Amyra ajeita as almofadas de Hemon.

- Devo me preocupar? – Ele pergunta.

- Não. Tenho duas coisas a dizer. A primeira é que Jaime matou Ellaria.

- Como é?

- Isso mesmo que você ouviu. Ele a matou antes de voltar para Porto Real. Não podemos condená-lo por isso, ela matou a filha dele.

- Claro.

- E ele queria que eu te dissesse que foi uma honra lutar a seu lado.

- Também foi para mim. - Hemon sorri. - Ele é um ótimo soldado. 

- Ela escreveu uma carta assumindo os assassinatos de meu pai e meu irmão e devolvendo o trono de Dorne para mim.

- Meu amor... isso é muito bom! - Hemon se ajeita, parecendo adquirir mais energia com a notícia. - Nos poupa de mais batalhas.

- Sim. Devo admitir que ela foi muito corajosa, morreu de forma honrada.

Amyra fica em silêncio por alguns segundos depois de contar todas aquelas coisas. Dá a chance de Hemon digerir tudo tranquilamente.

- E quanto à segunda notícia? – Hemon pergunta por fim.

Amyra não consegue conter o sorriso antes de responder. Seu sorriso se enlarguece e se abrilhanta. Hemon percebe que é algo bom que está prestes a ouvir e sorri também. 

- Dia logo, deixe de suspense. - Hemon diz sorrindo. - Estou curioso. 

- Eu estou grávida.

Hemon a olha seriamente por um minuto, encarando-a e sem saber o que dizer. Seus olhos ficam úmidos, sua boca sorri involuntariamente. Ao abrir o largo sorriso, as lágrimas caem. Amyra também se emociona.

- Como... como é? - Hemon gagueja de felicidade. - Eu serei pai? 

- Sim, meu amor. - Amyra sorri e chora. 

Os dois se abraçam fortemente. Choram juntos. Ambos sentem uma felicidade tão grande que não caberia em seus peitos mesmo que tentassem guardá-la.

A família deles aumentou. Os deuses os honraram depois de passarem por tantas coisas. 

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