O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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11. Um futuro grandioso

Rupert recebe os nobres Nortenhos que convidara para jantar. Está vestido elegantemente para contrapor ás cicatrizes do rosto e causar uma boa impressão e fez questão de mandar os cozinheiros prepararem pratos caros e saborosos, acompanhados de vinhos igualmente caros e saborosos, exatamente pelo mesmo motivo. Ele recebe os convidados com um sorriso contido no rosto e apertos de mão fortes. 

Após a refeição todos eles vão até a sala de reuniões.

- Vou direto ao assunto, meus senhores. – Rupert diz em um tom de voz alto e eloquente. Convencer pessoas é uma habilidade que ele aperfeiçoou ao longo dos anos, seja pela conversa ou pela ameaça. – Os chamei aqui porque quero e, mais do que isso, preciso, do apoio de vocês.

- E porque faríamos isso? – Um dos nobres pergunta. – Entendo que seja irmão do falecido Roose e que esse forte lhe pertença agora, mas o que ganhamos em te apoiar? Nossas alianças com Roose já não andavam muito boas, especialmente porque o lunático do filho dele, Ramsay, era um inconsequente desmiolado e já colocou nossas terras em perigo algumas vezes.

- Isso além de ser um prepotente, se achava acima do bem e do mal. - Outro nobre adiciona. - Ele e Roose nunca fizeram nada de bom pelo Norte.

- Pois eu o apoio incondicionalmente, Lorde Rupert. - Um outro nobre se manifesta.

Rupert já esperava um pouco de ódio e um pouco de apoio. Mesmo com Roose e Ramsay já era assim, dividido. 

- Sei que meu irmão e meu sobrinho não eram os melhores senhores. - Rupert diz. - Mas eu não sou como eles. Penso grande, sou um homem de ambições. Quero reerguer Forte do pavor, reconstruir o nome de minha família e, obviamente, ajudar o Norte a crescer no processo.

- Belas palavras, mas não se torna uma região grande e forte apenas com palavras. - Um dos nobres diz. - É preciso ação.

- E é o que pretendo, Milorde. Agir. - Rupert diz. - Começarei vingando nossa terra e matando Amyra, aquela traidora.

- E o que ganha com isso? – Outro lorde pergunta. – Amyra casou-se novamente, ela é uma Forthwind agora, futura senhora de Deserto Vermelho. No que a morte de uma nobre do outro lado do mundo te beneficiaria?

- Não apenas a mim, milorde. – Rupert responde. – A família Forthwind é uma das mais influentes e ricas de Dorne, talvez até mais rica que a família Martell. Podemos ter o exército deles, que é volumoso e muitíssimo habilidoso, além de seus barcos e todo o seu ouro. Além disso, ela cuspiu no nome de minha família. Como Lorde de Forte do pavor, como acha que respeitarão nossa região se deixarmos que ela zombe de nós dessa maneira? 

- Você tem todo o apoio dos populares, Lorde Bolton. - Outro dos nobres diz. - Eles te amam e são fiéis a você. Não é suficiente?

- Eles são a força de que preciso, Milorde, mas também preciso de poder. Pessoas influentes e poderosas a meu favor.  – Rupert rsponde.

- Pois saiba que comigo Milorde já pode contar! – Um lorde fervoroso diz. – Amyra e a família dela cuspiram em nossa honra, nós, nortenhos, não podemos permitir isso!

- Pois não terá a minha! - Um nobre velho e curvado, que estava quieto no canto, resolve ser ouvido. - Eu pensava que você estava morto até alguns meses atrás, e então você decide voltar com promessas vazias? Ora, faça-me o favor! Roose e Ramsay nunca me ajudaram, eu não os ajudarei também, especialmente agora que estão mortos!

Todos os outros nobres o olham perplexos. Lorde Walrus, o velho que acabara de falar, sempre foi alvo de especulações por conta de sua natureza reclusa, então todos se espantam com suas palavras. 

Rupert sorri para Lorde Walrus contidamente enquanto se aproxima dele.

- Sei que o senhor conheceu meu pai. - Rupert aperta os ombros do senhor levemente. - E que vocês não se davam bem, até mesmo pela disputa de terras entre os senhores. Eu já esperava que o senhor não fosse me apoiar, mas permita-me dizer, mais uma vez: Eu não sou meu pai, meu irmão ou meu sobrinho. Se os senhores não forem a meu favor, serão contra mim e isso, meu senhor, não é muito inteligente.

Algo na voz e no olhar de Rupert desenterram as velhas memórias que Lorde Walrus tem sobre a família Bolton. Essas memórias são terríveis e ele se sente ameaçado. Gaguejando e tremendo, ele finalmente aceita apoiar Rupert. 

Os outros nobres olham para essa rápida e assustadora interação atônitos e sem pensar duas vezes, todos decidem apoiar Rupert. Não sabem o que se passa na cabeça de Lorde Walrus e não sabem o que aconteceu no passado, mas o poder de persuasão de Rupert através do medo foi muito efetivo. 

- Milorde tem meu apoio também. – Outro nobre diz.

- Está bem, vocês todos me convenceram. – Um outro se manifesta. – Tem meu apoio e minha total devoção, Lorde Bolton.  

Rupert sorri, sentindo-se vitorioso. Tem agora não apenas o apoio popular, mas o dos nobres também. Ele planeja um futuro grandioso para si.

 

*****

 

Quando acorda, Amyra sente os braços fortes de Hemon em volta de sua cintura e o calor que emana de seu corpo. Se sente bem, e ao invés de se levantar, aperta as mãos dele e volta a dormir.

Acorda mais tarde, sozinha na cama. Sorri ao lembrar-se de como se sentiu protegida e genuinamente bem com Hemon a seu lado. Cada vez mais se apaixona por ele e adora essa nova sensação que toma conta de seu peito e sua mente. Se antes o via como um amigo, agora o vê como seu homem. Um homem bonito, forte, romântico, carinhoso e protetor.

Ela se levanta, sorridente. Ainda não se sente preparada para ter relações com ele, mas já se sente muito melhor só de poder conviver com ele. Se veste e desce até o salão principal, onde encontra Tamara, que desvia o olhar e passa a fitar o chão, envergonhada.

- Bom dia, Tamara. – Amyra diz. – Eu preciso falar com você.

- Milady, me perdoe... não consegui o que a senhora pediu. – A moça continua olhando para os próprios pés.

- Preciso lhe pedir perdão.

Tamara sobe o olhar e encara Amyra com dúvida. Sempre soube da natureza bondosa e generosa de sua senhora, mas não esperava um pedido de desculpas vindo de uma nobre.

- O pedido que fiz foi absurdo e só agora percebo que foi também muito indelicado. Eu a coloquei em uma situação indesejada, não tinha o direito de fazer aquilo. – Amyra continua.

- Milady não precisa se desculpar, imagine...

- Claro que preciso. Hemon também achou minha atitude questionável e concordo com ele. Eu te ofendi e isso é imperdoável. 

- Não me senti ofendida, Milady. Ao contrário, me senti orgulhosa com o pedido.

- É mesmo?

- Sim senhora. – Tamara volta a olhar para baixo, com vergonha de ter falado demais. 

- Não precisa se envergonhar. Conte-me.

- Bem... Lorde Hemon é muito bonito... qualquer mulher se sentiria honrada. – Ela volta a olhar para Amyra, agora já tranquila e sentindo-se à vontade para dizer o que pensa. – Acontece que pude ver o quanto ele a ama e o quanto é fiel à senhora.

Amyra não consegue disfarçar o contentamento e sorri largamente.

- Essa situação serviu para que eu entendesse isso. – Amyra diz.

- Então valeu a pena. Seja feliz, milady. A senhora merece.

Tamara deixa Amyra. Ainda sorrindo, Amyra sente o toque de seu marido em seu ombro.

- O que vocês duas conversavam? – Hemon pergunta, beijando a testa de Amyra em seguida.

- Pedi perdão pelo que fiz ontem, aquilo foi realmente errado.

- Ótimo. – Hemon sorri. – Venha, vamos tomar nosso desjejum juntos.

Amyra não entende como, mas, para ela, Hemon se parece ainda mais bonito do que ela jamais achou. Ela sorri, sentindo-se uma mulher de sorte.

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