O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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16. Por quanto tempo você governará?

Príncipe Doran segura o bilhete tão fortemente que quase o rasga, suas mãos estão trêmulas. Seus olhos estão vermelhos, resultado da irritação causada pelas lágrimas que ainda caem abundantemente.  Um flashback de memórias doces lhe preenche a mente e seu coração se rasga de tristeza e saudade. Seu único arrependimento é não ter dito que amava o irmão antes dele partir para Porto Real, para aquela que seria, precocemente, sua última viagem. 

- O que aconteceu? – Ellaria pergunta preocupada ao notar as lágrimas dele. – Me disseram que você tem urgência em falar comigo.

Doran não diz nada, apenas entrega o bilhete a ela.

Ela sente o corpo enfraquecer e se senta na escada aos pés de Doran. Leva as mãos ao peito, chorando ruidosamente, sem conseguir acreditar na informação que o bilhete lhe dá. Oberyn está morto. 

 

*****

Amyra escova os pelos de Dark Wind quando Hemon se aproxima. Ele tem o rosto sério e os olhos vermelhos com resquícios de lágrimas. Ele esperou que as lágrimas acabassem para poder falar com Amyra, queria estar forte para ela.

- O que é? – Amyra pergunta com um pé atrás. O conhece muito bem, só de olhar para o rosto dele já sabe que a notícia que ele traz não é boa. 

- Entre comigo, preciso conversar com você. - A voz de Hemon sai pesarosa e isso gela a espinha de Amyra com um mal pressentimento.

- O que aconteceu? Está me assustando... – Ela pergunta com medo do que ouvirá.

- Apenas venha comigo, te explicarei tudo.

Amyra entrega a escova ao empregado, que fica encarregado de colocar Dark Wind no estábulo.

Ao entrarem, Amyra pergunta mais uma vez o que Hemon tem para lhe falar. Está impaciente e nervosa. O que poderia haver de tão sério que Hemon não poderia dizer lá fora? E ainda pior, ele está abatido, ela notou.

- Meu amor... sinto muito. – Algumas lágrimas teimosas voltam a cair dos olhos de Hemon. - Oberyn morreu em um combate.

- O que? Não... não pode ser verdade. – Amyra solta um sorriso nervoso, típico de incredulidade. Ao mesmo tempo, lágrimas escorrem de seus olhos.

Hemon a ampara. Ele a ajuda a se sentar em uma poltrona, se ajoelha de frente para ela e apenas fica com ela, sem dizer mais nada.

Amyra se dá conta da gravidade da situação: Seu amado tio, que lhe ensinou a arte da lança e tantas outras coisas, que a segurou no colo, a amou, brincou com ela... está morto. Amyra desaba em lágrimas. 

 

*****

 

Semanas se passam.

Doran está na varanda da sala do conselho. Olha para o jardim abaixo, para onde seu filho e sua nora estão. Trystane sorri largamente enquanto acaricia a barriga já pronunciada de Myrcella. Ele sorri também. Em meio à dor que a morte de Oberyn trouxe para a família, ao menos um pouco de alívio. Uma vida se perdeu, mas outra está em formação.  

- Me deixe falar com ele! - A voz de Ellaria é ouvida, gritante, descontrolada.

- O príncipe não quer ser perturbado. - O guarda não permite que ela entre, pois ninguém além do filho pode falar com Doran sem ser anunciado.

- Saia da minha frente antes que eu o mate com a lança que você está segurando! – Ellaria grita.

- Deixe-a entrar. – Doran comanda.

O guarda obedece. Ellaria entra enfurecida e para ao lado de Doran, que está sentado em sua cadeira de rodas.

- Seu irmão foi assassinado e você fica aqui sentado, olhando seus jardins, sem fazer nada. – Ellaria dispara. - Já se passaram tantos dias... eu esperei pacientemente que você agisse, mas cansei de esperar. O que você fará? 

As palavras saem da boca de Ellaria como um jato quente de fúria. Ela desconta toda a sua frustração em Doran, mesmo sabendo que ele é o príncipe e ela apenas uma súdita bastarda. 

- Oberyn morreu em um julgamento por combate, previsto pela lei dos sete reinos. Não foi um assassinato. – Doran permanece observando o jardim, impassível. - Além do mais, ele escolheu o próprio destino. Ele assumiu todo o risco ao se oferecer para lutar por Tyrion. 

- Ele era seu irmão! – Ellaria diz com mais raiva.

- Você não precisa me lembrar disso! – Doran finalmente a olha e projeta a voz grave contra a petulância de Ellaria. – Ele era meu irmão muito antes de ser alguma coisa para você.

- E o que você fará sobre a morte dele?

- Vou enterrá-lo. Vou chorar por ele e ficar de luto.

- E depois?

- Não vou começar uma guerra, se é isso o que você deseja.

- Dorne inteira participaria da guerra, todos o amavam.

- Então é uma coisa boa que Dorne não tenha o poder para decidir. Eu é que tenho. 

- As serpentes de areia estão comigo. Elas vão vingar a morte do pai delas enquanto você continua sentado sem fazer nada.

Ellaria passa a observar Myrcella lá embaixo, no jardim. Seu olhar é rancoroso.

- Oberyn está morto. – Ela diz. – E essa garota Lannister continua aqui, viva. Continua comendo nossa comida, respirando nosso ar. Me deixe ficar com ela, me deixe vingar a morte de Oberyn, me deixe mandá-la de volta para Cersei, um dedo de cada vez...  

- Você enlouqueceu?! – Doran perde a paciência. – Eu amava meu irmão. Você o fez muito feliz e por isso sempre terá um lugar em meu coração, mas nós não mutilamos mulheres por vingança, especialmente uma mulher que carrega um Martell em seu ventre. Não aqui em Dorne, não enquanto eu governar esse lugar.

- E por quanto tempo você governará esse lugar?

A voz de Ellaria sai espantosamente ameaçadora. Ela sai do local antes que Doran pudesse dizer mais alguma coisa. 

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