O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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1. Para o futuro

Trystane está com os braços ao redor do corpo de Amyra e faz ela se sentir bem e reconfortada mesmo sem saber. Amyra e Trystane sempre foram melhores amigos e talvez não exista ninguém no mundo que Trystane ame mais do que sua irmã.

- Você é tão corajosa. – Ele diz carinhosamente.

Amyra percebe que a voz dele fica embargada e sente o peito dele subindo e descendo mais rapidamente, como se estivesse sem ar. Ela olha para ele e o vê chorando.

- As coisas pelas quais você passou, o que teve de aguentar. – Ele continua. – Me sinto péssimo!

- Não fale isso.

- Mas é verdade, Amy. Papai lhe entregou para aquele lunático maldito... ele te maltratou tanto e eu não fiz nada! Percebi que você estava diferente quando veio para o meu casamento, mas eu não fiz nada. – O choro de Trystane se intensifica. Ele está tomado por remorso, arrependimento e dor. Imaginar as coisas pelas quais sua irmã teve de passar lhe dá calafrios. Ele deseja que Ramsay não estivesse morto para matá-lo ele mesmo.

- Pare imediatamente com isso! – Amyra segura o rosto do irmão e o olha nos olhos. – Ninguém poderia fazer nada.  

- Hemon fez.

- E ele quase morreu por isso.

O simples pensamento de perder Hemon faz o coração de Amyra apertar-se.

- Mas ele teve coragem, diferente de mim ou até mesmo do nosso pai, que também não fez nada.

- Vocês não poderiam saber. – Amyra solta o rosto do irmão e passa a segurar as mãos dele, que tremem. – Eu escondi, temia retaliações da parte dos Bolton. Hemon só descobriu porque Theon disse tudo a ele.

- Theon?

- O rapaz ruivo que nos acompanhou, meu amigo. – Amyra se perde por alguns segundos, lembrando-se do amigo. Sorri ao pensar nele, deseja que ele tenha uma boa vida. – Enfim... ele disse tudo a Hemon, que decidiu ir até Forte do pavor. Ninguém mais sabia de minha situação e eu quis assim. Sei que você, papai e até nosso tio Oberyn não mediriam esforços para me resgatar.

- Você sabe, não sabe? – Trystane se certifica. – Sabe que faríamos tudo por você, mesmo que isso custasse nossas vidas. Teríamos feito se soubéssemos. – Trystane parece desesperado, não quer que a irmã o odeie.

- Claro que sei, e é exatamente por isso que não quis que ninguém soubesse. Acabou, meu irmão. Estou aqui, com vocês. Estou viva! - Amyra sorri tentando reconfortar o irmão. 

- Graças aos deuses! – Trystane abraça a irmã mais uma vez e ambos choram de alívio e alegria. 

 

*****

 

- Nem acredito que conseguiram. – Oberyn bate nas costas de Hemon. – Você é louco e essa loucura salvou minha sobrinha, nunca poderei agradecê-lo o suficiente.

- Nem eu, Hemon. – Doran diz ainda com lágrimas nos olhos. – Você não tem ideia do que me trouxe de volta. Minha filha... minha preciosa filha!

- Já disse que não precisam me agradecer. Pelo amor dos deuses... É de Amyra que estamos falando. Eu faria qualquer coisa por ela! – Hemon diz.

- E saber que ela passou por tudo aquilo e que eu não fiz nada! - O choro de Doran se intensifica. Assim como Trystane, ele se culpa por não ter podido ajudar a filha, ele não fazia ideia do que acontecia com ela.

- Ora, meu irmão, por favor! – Oberyn fala. – Também me dói muito, mas acabou. Ela está viva e está bem, conosco. Nunca mais a deixaremos, é isso que importa.

- Oberyn tem razão. Se vocês ficarem se torturando com esses pensamentos, Amyra não vai ficar nada feliz, ela odeia vê-los sofrendo. – Hemon diz. – Precisamos todos seguir nossas vidas e enterrar o passado. Por Amyra.

- Sim, sim, vocês dois estão certos. Ela está viva e está comigo, é isso que importa. – Doran sorri enquanto seca as lágrimas. – Coloquemos uma pedra nesse assunto, não quero mais ninguém falando sobre o passado de minha filha, isso só traria mais sofrimento a ela. Olhemos para o futuro!

 

*****

Semanas agitadas se passam. Há tanta coisa acontecendo, tantas pessoas visitando, tantas coisas sendo revividas, tantas memórias que insistem em visitá-la e machucá-la. Amyra está exausta. Ramsay ainda não morreu totalmente, ele ainda a visita em seus pesadelos. Para relaxar, Amyra decide ir até o jardim. 

Ela se senta em um banco sob uma grande e florida árvore. É noite e a lua brilha fortemente, grandiosa, como se desse as boas-vindas a Amyra, que olha para ela emocionada. Ela não havia conseguido dormir por conta da agitação das últimas semanas. O tempo todo nobres vinham visitá-la, os parentes ficavam sempre por perto e as pessoas olhavam para ela com pena. Ela odeia isso, mas entende que todos estão preocupados.

Estar de volta é bom e Amyra se sente segura, mas ao mesmo tempo se sente deslocada. Tudo o que aconteceu em sua vida desde que se casara, todos os momentos ao lado de Ramsay Bolton, as coisas que viu, ouviu e sofreu. Além disso, as memórias de Walda, Theon e Jarin, que ela nunca esqueceria. Theon está vivo, ao menos quanto a isso ela pode respirar aliviada.

- Não conseguiu dormir? – A voz de Hemon é ouvida do escuro e Amyra dá um pulo de susto. – Me perdoe, não quis assustá-la.

- Está tudo bem. – Amyra ri com a vergonha que sente por ter se assustado com tanta facilidade, mas é assim agora. Fica nervosa e com muita ansiedade, além de se assustar facilmente, frutos da convivência com Ramsay.

Hemon se senta ao lado dela.

- Também não consegui, muita coisa acontecendo. – Ele diz.

- Nem me fale... nem mesmo os chás de Lorena conseguiram me acalmar.

Lorena é uma antiga e fiel cozinheira da casa e ensinara Amyra a cozinhar. Não que ela precisasse, claro, uma nobre nunca cozinharia, mas Amyra sempre gostou de aprender coisas novas e cozinhar foi uma delas.

- Então a coisa está bem feia! – Hemon ri e faz Amyra rir também. – Temos recebido muitas visitas nos últimos dias. Estou exausto com toda a atenção recebida, você deve estar também.

- Você é o herói e eu sou a donzela resgatada, é normal que recebamos toda essa atenção. – Amyra ri com a própria brincadeira. – Apesar de que detesto a maneira como eles olham para mim.

- E como eles olham?

- Com pena. Me olham como se eu fosse uma vítima incapaz. – Amyra respira fundo e perde o sorriso. – Bem, talvez eu seja mesmo.

- Não diga isso, auto piedade não combina com você.

- Não é auto piedade, é só que... – Ela respira fundo mais uma vez e lágrimas começam a brotar de seus olhos. - As memórias são a pior parte. – Amyra fica séria de repente e sua fala ganha uma gravidade que preocupa Hemon. – Ainda tenho marcas por todo meu corpo, mas são as marcas na alma que doem mais.

- Amyra... – Hemon não consegue terminar a frase. Pega a mão dela e tenta acalmá-la, mas não sabe o que dizer ou como agir. Ver Amyra machucada é doloroso demais para ele, mas ele não sabe como fazer a dor dela ir embora, mesmo querendo muito isso.

- Acho que levará muito tempo até que eu possa respirar aliviada, até que esse peso saia de minhas costas. – Ela tenta sorrir para Hemon. – Mas vou me recuperar, um dia. Não se preocupe. 

- Claro que vai, e eu estarei aqui para me certificar de que isso aconteça logo. 

Hemon sorri para Amyra e ela sente sua alma leve. 

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