O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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21. Os deuses estão do nosso lado

 

Rupert e Tyenne têm as mãos amarradas enquanto ouvem as palavras do líder da fé nos Sete. Ele não aprova o que Ellaria e as filhas fizeram, mas a religião não lhe permite intromissões nas vidas alheias. Se um casal quer se casar, é obrigação dele firmar esse casamento. 

A cerimônia é simples, rápida e com poucos convidados, pois eles não têm tempo para cerimônias longas e pomposas, afinal, precisam se preparar para uma batalha. Os presentes são apenas os que apoiam Ellaria e Rupert. 

Depois da rápida e simples cerimônia Tyene e Rupert se beijam e vão para o quarto celebrar sua união. 

Rupert não é nem de longe o homem dos sonhos de Tyene, esse posto sempre foi e sempre será de Hemon, mas ela sabe que precisa dele. Ou melhor... do exército dele. Planeja matá-lo durante a batalha, sem que ele perceba, assim se livra do casamento sem ter que se desfazer do exército do agora marido. Planeja matar Amyra também. Ela sabe que Hemon nunca ficará com ela, tem os pés no chão, mas acabar com a prima sempre foi seu desejo maior. 

Essa batalha saciará sua sede por vingança, mas essa vingança não é, e nem nunca foi, sobre seu pai. 

 

****

 

Amyra recebera a resposta de Cersei com muita satisfação e agora ela e Hemon esperam lado a lado, no hall principal do palácio, Jaime Lannister. Ele entra pela grande porta e os cumprimenta. 

- É uma pena nos revermos diante de circunstâncias tão tristes. – Hemon diz ao recebê-lo.

- Verdade. – Jaime diz. – Mas agradeço que tenham mandado aquela mensagem e mais ainda, que tenham aceitado nossa ajuda para buscar justiça para minha sobrinha e para a família Martell.

- Foi ideia de Amyra, na verdade. – Hemon diz.

- Amyra... sinto muito. – Jaime olha para ela. – Essa é uma situação delicada. Primeiro seu tio, agora seu pai, seu irmão... espero que não haja rancores entre nós. Nossas famílias não são o que se pode chamar de amigas, não é mesmo?

- Meu tio decidiu ajudar seu irmão pois julgou ser o certo, não é culpa de ninguém o que aconteceu depois. Além disso, o passado foi enterrado quando Myrcella entrou para nossa família. E vocês também perderam com isso. – Amyra explica. 

- Sim. É por isso que queremos ajudá-los, porque essa batalha também é nossa. – Jaime diz.

- Vamos nos sentar, temos muito o que conversar. – Hemon convida.

Os três se dirigem até uma das salas do palácio, onde se sentam e bebem enquanto conversam.

- Trouxe muitos homens comigo. – Jaime diz. – Minha irmã ordenou que quase toda a guarda real me acompanhasse. E temos o exército de meu pai também. Eles estão preparados para lutar no deserto.

- Isso é excelente.  – Hemon diz. – Eles serão uma adição muito bem-vinda para meu exército.

Um mensageiro entra na sala em que Hemon, Jaime e Amyra conversam. Amyra pega o bilhete enquanto Hemon e Jaime continuam conversando.

- Desgraçados! – Amyra fala mais alto do que gostaria.

Jaime e Hemon param a conversa e olham para ela.

- É um aviso de casamento, acreditam? – Amyra diz, virando-se para eles. – Aparentemente Roose tinha um irmão de quem nunca ouvi falar.

- Como assim? – Hemon pergunta.

- Tyenne Sand casou-se com Rupert Bolton, o novo senhor de Forte do Pavor. – Amyra explica.

- Rupert Bolton está vivo? – Jaime indaga.

- Quem é esse homem? – Amyra pergunta. - Nunca ouvi falar dele! 

- É irmão de Roose. – Jaime responde. - Ouve uma briga entre eles. Rupert não queria compromissos reais e fugiu com uma trupe circense. Nunca mais ninguém ouviu falar dele, os rumores diziam que ele havia morrido.

- Era só o que faltava. – Amyra diz incrédula.

- Novo senhor de Forte do Pavor... isso significa que ele tomou o que era dele por direito. – Hemon diz. – Devemos nos preocupar com ele? – A pergunta é dirigida à Jaime.

- Provavelmente ele tem o apoio dos Nortenhos. – Jaime lamenta. – O Norte é grande, cheio de pessoas. E como bem sabem, Lannisters e Starks não são amigos, logo, não teremos muitas chances de conseguirmos apoio no Norte.

- O bilhete diz que eles têm cento e vinte mil homens, entre o exército de Rupert, o exército de Jardim das Águas que estão do lado de Ellaria e mais alguns homens. – Amyra contabiliza.

- Provavelmente eles têm mais. – Jaime diz.

- Mas temos muito mais que isso. – Hemon comemora. – Não precisaremos da ajuda do Norte.

- Quantos homens temos, contando com os meus e os seus? – Jaime questiona.

- Novecentos mil. – Hemon responde confiante. - Além disso, nossos homens estão treinados para lutar no deserto, os do Norte provavelmente não. 

Os três sorriem confiantes.

- Os deuses estão do nosso lado. – Amyra diz.

 

****

 

Naquela mesma noite, enquanto Jardim das Águas comemora a aliança por casamento entre Bolton e Sands, Ellaria abre o pergaminho que o mensageiro lhe entrega. Um sorriso desdenhoso se forma em seus lábios avermelhados por vinho Dornês. Ela finalmente recebera a resposta que tanto queria.

“Você errou ao trair os Martells. Prepare-se. 

               - Lord Hemon Forthwind de Deserto Vermelho”.

 

*****

 

Hemon e seus conselheiros, Amyra e Jaime estão todos reunidos em volta da grande e espessa mesa de madeira redonda, ricamente trabalhada à mão pelos melhores artesãos Dorneses, com mapas e peças de madeira em formatos de cavalos, soldados e casas nobres de Dorne. Haviam acordado antes mesmo dos primeiros raios de sol despontarem no céu – o que ocorre muitíssimo cedo em Dorne.

Planejam ataques, revisam estratégias e debatem opiniões. Tanto Jaime como Hemon e os conselheiros são excelentes estrategistas, o que deixa Amyra tranquila, até onde isso seja possível. Ainda assim, ela se sente amedrontada pelo o que está por vir.

Fazem uma pausa e Amyra aproveita para ir para fora dali, respirar um pouco. Hemon a acompanha.

- Você está inquieta e eu sei o que isso significa. – Hemon diz.

- Significa apenas que estou inquieta, oras...

- Significa que está com medo.

Amyra o olha e respira pesadamente. Ele realmente a conhece, ela não pode mentir para ele ou para si mesma.

- Sim, eu estou com medo.  – ela assume. - Uma guerra é uma guerra, sempre trará riscos e consequências.

- Sim, correremos alguns riscos, mas as consequências não serão ruins.

- Como pode ter tanta certeza? Muitos Dorneses estão do lado delas. Não consigo entender... meu pai foi um ótimo príncipe, ele amava seu povo verdadeiramente, se preocupava com eles de verdade. Povo ingrato!

- Eles perceberão que estão errados, meu amor.

- Mas há outra coisa que me dá medo. - Amyra confessa. - O que pode acontecer com você. Eu o arrastei para uma batalha que é minha, apenas minha... não é justo que você tenha que lutar. 

- Amyra, por favor. - A voz de Hemon é firme. - Os Martells sempre foram minha segunda família e nosso casamento fortaleceu isso. Eu lutaria por eles mesmo que você não tivesse pedido. 

- Mas eu tenho medo do que pode acontecer á você. - Lágrimas percorrem o rosto de Amyra. Ela o abraça fortemente. - Eu não posso nem pensar na possibilidade de algo ruim acontecer á você! 

Hemon se comove com as palavras da esposa. Ele sabe que ela o ama, mas ver esse amor de maneira tão nítida, até mesmo desesperada, faz seu coração aquecer-se. Seu amor por Amyra é tão profundo e forte que ele quase explode em seu peito. 

- As coisas acontecerão como tiverem de acontecer. – Hemon a envolve pela cintura. – Tudo vai ficar bem.

Amyra sorri e é beijada pelo homem que, mais uma vez, consegue acalmá-la como ninguém nunca conseguiu.

 

 

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