O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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4. O Casamento Amarelo

 

Após um planejamento rápido e convites mais rápidos ainda, o dia do casamento de Hemon Forthwind e Amyra Martell finalmente chega.

Ambas as famílias tinham pressa, pois esse era um caso literal de vida ou morte, mas não deixaram de caprichar em todos os detalhes, transformando a comemoração em algo lindo e memorável. Amarelo é a cor predominante da decoração. O templo está todo decorado com girassóis e bandeiras das famílias Martell e Forthwind, além de sóis e lanças de bronze e ouro.

 

*****

 

Amyra já está vestida. Usa um longo vestido amarelo, laranja e vermelho. Suas costas, mantidas nuas pelo vestido, estão enfeitadas com uma longa e grossa serpente de ouro. O tecido do vestido é leve e esvoaçante, com delicados bordados dourados. Ela está sentada em uma cadeira em seu quarto enquanto três criadas a arruma. Uma Delas lhe arruma os cabelos, passando um tipo de perfume e depois fazendo seu penteado; outra coloca pulseiras e anéis em seus braços, todos feitos de ouro, e a terceira faz desenhos em seus pés, como se fossem tatuagens de hena.

Ao terminarem seus trabalhos, as três criadas saem, deixando Amyra sozinha. Ela se levanta e fica em frente a um espelho. Ao olhar para sua imagem refletida ali, sente-se bem, como há muito não se sentia. Ter a liberdade de usar vestidos, joias e todas as cores que tanto gosta foi um poderoso remédio para sua autoestima. Apesar das marcas que ainda carrega dentro de si, ela é capaz de sorrir um pouco.

Batidas leves são ouvidas na porta.

- Entre! – Amyra diz enquanto se vira em direção a porta.

- Não me contive de curiosidade, por isso vim te ver. – Myrcella entra e a olha. Seus olhos brilham e ela sorri largamente, sem conseguir esconder a admiração diante da beleza da cunhada. – Como está se sentindo?

- Muito nervosa! – Amyra inspira fortemente, tentando liberar a tensão.

- Também fiquei muito nervosa quando me casei com seu irmão, isso é normal. – Myrcella se aproxima de Amyra. - Você está lindíssima, Hemon é um homem de sorte.

- Eu é que sou uma mulher de sorte. Ele é um anjo em minha vida.

- Sei que serão muito felizes, Amy.

- Assim espero. – Amyra deixa de sorrir e ganha uma feição preocupada. – Espero que eu possa ser uma boa esposa para ele, mesmo com... – Ela para de falar. Apesar de ter intimidade e confiar na cunhada, não quer desenterrar o passado.

- Sei que está ainda muito machucada e que isso pode se colocar entre vocês, mas a Amyra que conheço é boa demais para não fazer ninguém feliz. – Myrcella pega as mãos de Amyra. - Tenho certeza de que serão muito, muito felizes. Agora sorria, seu rosto fica ainda mais bonito quando sorri.

- Obrigada por ser tão gentil comigo. – Amyra sorri.

- Vou deixar que termine de se arrumar. Nos vemos no templo.

Myrcella sai. Amyra, apesar de já estar pronta, ainda fica alguns minutos sozinha.

 

 

*****

 

Amyra vai até o templo. Toda a sua família, além da família de Hemon e vários outros nobres já estão reunidos ali, esperando por ela.

Príncipe Doran se aproxima e estende o braço para que a filha se encaixe.

- Pensei que Trystane me levaria. – Amyra diz surpresa.

-  Não... quero ter essa alegria. São só alguns passos, eu consigo. - Doran sorri gentilmente.

O grupo de menestréis passa a cantar e tocar assim que as grandes portas do templo são abertas. Todos se viram para ver Amyra e Doran entrando. Ao contrário de seu último casamento, Amyra agora sorri. Hemon sente falta de ar ao olhar para ela, pois seu coração está batendo muito rapidamente. A sensação de borboletas no estômago e coração aquecido que ele sempre teve ao olhar para ela, agora se intensificam. Ele sorri muito e seus olhos brilham.

Doran entrega Amyra a ele, sorrindo. Hemon toma as mãos de Amyra e ambos se colocam em frente ao septão, que fala os votos.

- Na visão dos Sete, eu, por meio deste, selo essas duas almas, as unindo como uma só pela eternidade. Agora olhem um para o outro e digam as palavras.

Amyra e Hemon colocam-se um de frente para o outro e dão as mãos. As mãos de Amyra tremem de nervosismo e Hemon faz um leve carinho nelas, a acalmando.

“Pai. Ferreiro. Guerreiro. Mãe. Donzela. Velha. Estranha”. Ambos falam ao mesmo tempo.

- Eu sou dele. – Amyra diz.

- Eu sou dela. – Hemon diz.

“A partir desse dia, até o último de meus dias”. Falam novamente juntos.

O septão amarra as mãos de ambos com uma fita amarela.

- Se beijem agora, como marido e mulher. – ele então diz.

Hemon e Amyra se beijam. Um beijo tímido e rápido, mas que é suficiente para todos os presentes aplaudirem e gritarem de alegria.

 

 

*****

 

Todos se divertem muito na festa, inclusive Amyra, que não consegue deixar de fazer uma comparação: Em seu casamento anterior ela estava triste e sentia um peso enorme nos ombros, bebia para amortecer todos os sentimentos ruins. Mas agora é diferente. A sensação que tem agora é de liberdade, está genuinamente feliz.

Hemon a tira para dançar. Ele a conduz de maneira magnífica, pois é um exímio dançarino, assim como ela. As mãos quentes dele na cintura de Amyra causam nela uma sensação deliciosa de conforto e também paixão, que ela não consegue entender. Os olhos verdes que a encaram lhe aquecem a alma de um jeito que ela nunca sentiu antes. O sorriso dele é também acolhedor, ao mesmo tempo que é sensual. Amyra se confunde com essa overdose de sentimentos que Hemon lhe proporciona, pois não se sente pronta para se entregar a nenhum sentimento, por mais bonito que ele possa ser.

Amyra também causa essas coisas em Hemon. Anos se passaram e seu amor por ela só aumentou. Tê-la tão perto desperta seus sentidos e todas as reações masculinas, mas também desperta um amor incondicional, forte e que lhe tira o fôlego.

A festa dura várias horas. Apesar de a maioria dos convidados ainda estarem bebendo, comendo e ouvindo música, Amyra e Hemon entendem que é hora de recolherem-se. Uma algazarra se forma quando eles saem dali e se dirigem ao quarto.

Amyra fica nervosa mais uma vez. Ela vê vinho em cima da mesa e vai até ele. Serve-se de uma taça e bebe tudo muito rapidamente. Hemon a observa e sorri, o nervosismo dela é visível e ele até se diverte com isso.

- Se esse acabar eu mando trazerem mais. – Ele a provoca.

- Só quero relaxar um pouco. – Ela sorri com a brincadeira. – Quer?

- Não, obrigada.

Amyra volta-se para a mesa e Hemon a observa de costas. Começa com o olhar fixo no penteado, desce para as costas, enfeitada com a joia em formato de serpente. Ele acha tudo nela absolutamente lindo, mas são os quadris e o que vem logo abaixo que lhe tomam toda a atenção nesse momento. Ele inspira e desvia o olhar. Passa a desabotoar as mangas de sua túnica para que fique mais confortável, em uma tentativa de espantar o calor que lhe tomou o corpo de imediato.

Amyra termina a segunda taça e decide parar, sabe que não poderá evitar o que vem depois de um casamento. Por virar-se muito rapidamente e por ter bebido muito vinho, ela se desequilibra. Não cai, mas Hemon vai até ela para ampará-la.

- Está tudo bem? – Hemon pergunta enquanto a segura.

- Sim... tudo bem. – Amyra sorri envergonhada. – Talvez eu tenha bebido um pouco demais.

- Não sabia que gostava tanto de vinho.

- Não costumo beber tanto assim, juro.

- Está tudo bem. – Hemon sorri e a leva até a cama.

Amyra não se senta. Ela beija Hemon que, apesar de surpreso, a beija também. O beijo se intensifica e Amyra para. Ela tenta desamarrar a frente do vestido, mas não consegue, está nervosa demais e, admite envergonhada para si mesma, com medo também.

- Droga! – Ela diz irritada.

- Quer ajuda com isso? – Hemon pergunta em dúvida. Ele percebe o quanto ela está desconfortável. Ela parece seguir algum tipo de protocolo, parece fazer as coisas por obrigação, e ele percebe. - Não precisamos fazer nada se você não quiser. – Hemon retira as mãos de Amyra do vestido dela e as segura.

- Sou sua esposa agora, tenho deveres a cumprir. – Ela diz com o olhar baixo.

- Isso não é um dever, Amyra. – Hemon solta uma das mãos dela e usa sua mão livre para levantar o rosto dela. – Você não é obrigada a fazer o que não quer.

- Tem certeza? - Amyra pergunta surpresa.

- Claro. – Hemon sorri. – Não quero que faça nada que não queira, por obrigação.

- Mas, pensei que você quisesse...

- Quero, claro que quero. Mas também quero que você se sinta bem. Quero que você queira. Tome seu tempo, as coisas acontecerão quando você quiser.

- O que faremos então? – Ela pergunta nitidamente aliviada.

- Beber mais vinho, conversar, dormir. Você escolhe. – Hemon sorri.

Amyra sorri. O amor e o cuidado que ele tem por ela tocam seu coração.

 

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