O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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17. Homens fracos nunca mais governarão Dorne novamente

- Por mim seria agora mesmo. – Nymeria diz. Sua feição é séria e raivosa. Ela mantém a mão na faca que carrega na cintura, segurando fortemente em um sinal de raiva. 

- Precisamos ter cautela, o que vamos fazer é muito sério, nada pode dar errado. – Obara pondera. Também quer vingar a morte do pai, mas sabe que precisam agir friamente. 

- Você pensa demais, temos que agir logo! – Tyenne se queixa, juntando-se á irmã Nymeria. 

As três Serpentes de areia esqueceram-se completamente dos laços sanguíneos que as unem aos Martell. Como a mãe, tudo o que querem é vingar a morte de Oberyn, nem que para isso tenham de derramar sangue. 

- A irmã de vocês está certa! – Ellaria diz. – O que faremos é sério, precisamos pensar muito bem, não podemos agir por impulso, com o calor de nossas raivas. Nada pode dar errado.

As quatro estão reunidas em um acampamento no deserto, longe dos Dorneses. O que planejam fazer precisa ser muito bem planejado, não podem correr o risco de que alguém as ouça.

 

Algumas horas se passam e o sol finalmente se põe, é hora de agir.

Ellaria, Nymeria, Obara e Tyenne voltam para Jardim das Águas a fim de colocarem seu plano em prática.

 

*****

 

Trystane está totalmente focado no livro que tem nas mãos. Não costumava ler muito, mas de tanto ouvir as dicas de sua irmã Amyra, passou a ler. Tomou tanto gosto que nunca mais parou. Ele tem planos de comprar muitos livros para o filho, pois quer que ele seja culto e instruído. Como futuro governador de Dorne, ele precisa ser um bom líder, com sensatez e inteligência além de força e estratégia. 

Ele nem percebe quando uma lança perfura seu crânio. As páginas do livro são pintadas de vermelho.

Nymeria limpa sua lança sem nenhum remorso.

 

*****

Myrcella dorme tranquilamente. As janelas abertas permitem que o vento entre, fazendo com que as cortinas leves e coloridas tremulem. Ela sonha com seu pequenino, que nem nasceu ainda mas já é muito amado. Sonha que brinca com ele e que afaga seus cabelos cacheados e escuros, como o do pai. 

Seu sono é perturbado por uma forte pontada na barriga e uma dor lancinante. Quando acorda, vê Tyenne sorrindo doentiamente enquanto faz sinal de silêncio com o dedo indicador sobre os lábios. Tyenne termina de enterrar sua lança na barriga de Myrcella e antes que esta pudesse gritar, tem a garganta perfurada também, morrendo imediatamente.

A cabeça de Myrcella cai pesadamente sobre os travesseiros, os olhos ainda tomados por dor e horror.

 

*****

 

- Sempre tive inveja de Oberyn. – Doran diz. Ellaria o ampara enquanto caminham em direção a cadeira de rodas. – Ele viveu. Ele realmente viveu. Viajou o mundo, lutou com guerreiros de todos os países, se deitou com as mulheres mais lindas dos reinos.

- E homens... – Ellaria diz em tom de brincadeira.

- E homens! – Doran sorri. – Ele teve muitas experiências, enquanto eu permaneci aqui em Dorne, tentando meu melhor para manter meu povo vivo e alimentado. Mas a vida é assim mesmo. – Ele se senta com a ajuda de Ellaria, que depois arruma a almofada de sua cadeira. – Oberyn nasceu para ser um aventureiro e eu nasci para governar.

Obara caminhava com eles e agora se coloca ao lado do guarda de Doran.

- Os deuses não são tolos, eles sabem o que fazem. – Ellaria diz, segurando as mãos de Doran. – Você teria sido um aventureiro preguiçoso enquanto Oberyn... – Ela ri - ... teria sido um péssimo governador.

- Sua mãe é uma mulher brilhante, sabia? – Doran diz para Obara, que sorri.

- Príncipe Doran. – Um empregado se aproxima a passos rápidos, sem fôlego. - Algo terrível aconteceu...

Ele não consegue terminar de falar. Em um golpe rápido e preciso, Ellaria retira uma faca de debaixo de seu vestido e o mata. Ao mesmo tempo, Obara mata o guarda de Doran.

Doran não consegue dizer nada. Tudo acontece muito rápido e quando ele menos percebe, Ellaria o acerta no peito. Ele a olha perplexo ao mesmo tempo em que sente a dor tomar conta de si. Ele tenta retirar a faca do peito, mas Ellaria o derruba da cadeira.

- Oberyn Martell foi assassinado e você não fez nada. - Ellaria olha para Doran com nojo e desdém, enquanto ele tosse sangue, caído. - Você não é mais o príncipe de Dorne, eu não permitirei mais. 

- Meu filho... – Doran tenta dizer as palavras enquanto se afoga envolto na poça do próprio sangue.

- Seu filho é tão fraco quanto você, e homens fracos nunca mais governarão Dorne novamente.

Doran ainda dá um último suspiro olhando para Ellaria. Antes que sua mente pudesse entender o porquê de tudo aquilo, ele se vai.  

 

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