O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

0Likes
0Comentários
96Views
AA

9. Eu vou me curar

 

Rupert não fica apenas no Forte. Ele caminha por todos os lugares, conversa com todas as pessoas, ricas ou não, e visita todos os nobres. Aproveita também para fazer doações generosas aos miseráveis. Sua ideia é muito simples: ganhar a admiração, o respeito e, acima de tudo, a fidelidade dos Nortenhos. 

- Príncipe Doran Martell e Lorde Alston Forthwind nos mandam suprimentos todo mês. As vezes mandam animais também. – Um dos homens do pequeno grupo de beberrões fala para Rupert. Estão todos bebendo e conversando em uma taverna, pois Rupert quer se aproximar de todos.

- Entendo. – Rupert bebe mais um gole de cerveja, sentado no banco de madeira escura da taverna. – Mas não repreendo vocês, eu faria a mesma negociação se estivesse em vossos lugares.

- É mesmo? – Outro homem pergunta um pouco espantado.

- Ora, claro. – Rupert responde se fingindo de compreensivo. – Meu irmão e meu sobrinho foram assassinados, Amyra quase acabou com minha família. Vocês estavam desamparados, é natural que tomem decisões ruins em momentos de desespero.

- Sim... exatamente, meu senhor. Só aceitamos o trato porque estávamos desamparados. – Outro homem diz. – Sabe... nenhum nobre aqui do Norte quis nos ajudar e sem ajuda morreríamos de fome. 

- Entendo perfeitamente, não se preocupe. – Rupert o acalma. - Mas estou aqui agora, não precisam mais da ajuda do inimigo.

- Então dizemos aos Martell e aos Forthwind que nosso negócio está acabado? – O homem pergunta.

- Por enquanto não, deixem que pensem que ainda temos uma aliança e por favor, não falem de mim para eles ainda. Mas saibam, meus bons amigos... – Rupert se levanta e diz olhando nos olhos dos homens presentes ali, cheio de algo profundo e forte, parecido com raiva. - Amyra Martell é uma traidora assassina e vai pagar por isso.

 

*****

 

A reunião entre Lorde Forthwind, Hemon e os conselheiros chega ao fim. Amyra espera até que todos saiam, Hemon ainda permanece na sala de reuniões. Ele está em pé, de frente para uma ampla janela e de costas para a porta, observando a paisagem enquanto sua mente se esvazia dos assuntos sérios e importantes.

- Por um acaso Lorde Hemon tem um minuto? – Amyra pergunta em um tom sério, fechando a porta em seguida.

Hemon olha para trás já sorrindo com a brincadeira dela.

- Para você eu sempre tenho. – Ao olhar para Amyra e para o largo sorriso que ela mostra agora, seus problemas desaparecem.

- Quero voltar a treinar. – Ela se aproxima da grande mesa. – Mas quero meu soldado favorito de volta para treinar comigo. Sei que é muito ocupado e entenderei se não puder, mas eu realmente precisava perguntar.

- Com um pedido desses é impossível negar alguma coisa. – Ele também se aproxima da mesa.

- Não quero atrapalhá-lo de maneira alguma.

- Não irá, terminei meus compromissos de hoje. Mas porque quer voltar a treinar?

- Sinto que preciso fazer algo de mais útil além de ler o dia inteiro.

- Entendo. Bem... vamos lá então.

Amyra estende uma de suas mãos a Hemon, que a segura. Ambos vão até o pátio treinar.

O sol começava a se pôr e o céu ganhava tons de azul e laranja. Nenhum dos dois usa roupas apropriadas para um treino de lanças, mas isso nunca os atrapalhou.

Começam com movimentos tímidos e delicados, especialmente Amyra, que não treina há muito tempo. Mas uma vez que está aquecida, seus movimentos se tornam fortes, precisos e ainda muito graciosos, como em uma mistura de dança e luta. Amyra sorri o tempo todo, feliz por notar que ainda tem uma habilidade fora do comum.

Hemon não facilita e investe golpes quase certeiros contra ela, pois sabe que Amyra é excelente quando o assunto é lanças. Lutam por todo o espaçoso pátio, subindo degraus, circundando pilares e com movimentos rápidos. 

Em determinado momento ele a pressiona contra um pilar, impedindo sua saída enquanto segura a lança firmemente contra o peito dela.

- Você venceu... já entendi. – Amyra diz. – Pode me soltar agora.

- Não posso.  – Hemon permanece sério olhando para os olhos dela, totalmente rendido diante de sua beleza.

- Hemon... é sério... você venceu, eu aceito minha derrota. – Amyra sorri nervosamente. Seu nervosismo se dá pela proximidade dos dois. Seus corpos estão colados, suas respirações ofegantes misturam-se. Ela consegue sentir o maravilhoso perfume dele e o verde de seus olhos a deixa sem fôlego. O mesmo acontece com Hemon, que se inebria com o perfume de Amyra e se perde nos olhos negros dela.

Hemon solta a lança. O barulho metálico da arma se chocando contra o chão é alto. Ele ainda olha para Amyra por alguns segundos, dando a ela a chance de sair dali se quiser, mas ela não se move. Não tem mais forças para se mover para longe dele e, a bem da verdade, ela nem mesmo quer.

Hemon a beija. No início é um beijo tímido, com movimentos delicados, como se fosse quase um ato errado. Mas assim que Amyra coloca as mãos em volta do pescoço dele, puxando-o para mais perto, o beijo se intensifica. Se torna rápido. Suas línguas dançam dentro de suas bocas. Hemon aperta a cintura de Amyra com suas duas mãos, com força. Ambos ficam ofegantes, respiram com dificuldade. Ambos são tomados por um calor e um desejo que jamais sentiram antes, mas algo além disso se apodera de Amyra. É um medo estranho e que a deixa com vontade de chorar. Ela não se sente pronta ainda.

Assim que Hemon desce suas mãos e a apertam ainda mais, ela se solta dele e o empurra de leve. Ele a solta e a olha assustado, com medo de tê-la machucado ou assustado.

- Você está bem? – Hemon pergunta preocupado.

- Estou, é só que... – Amyra olha para baixo, envergonhada. – Não estou pronta ainda, me perdoe.

- Não há nada para perdoar, Amy.

- Há sim... – Ela continua de cabeça baixa. – Você não merece uma esposa como eu... eu sou um fracasso... cheia de traumas e cheia de... 

- Pare com isso. – Hemon se aproxima dela, a puxa levemente pelos braços e a olha nos olhos. – Você é a esposa mais linda e maravilhosa que um homem poderia ter. – Ele sorri. Seu sorriso é sincero, assim como suas palavras e Amyra sabe disso. - Pare de se culpar e se cobrar, meu amor. - Ele acaricia a têmpora de Amyra, sorrindo. 

- Eu vou me curar. Um dia me livrarei de todos esses traumas e aí poderemos ser felizes. Eu te prometo.  – Algumas lágrimas caem dos olhos de Amyra.

- Eu já sou muito feliz com você. - Hemon enxuga as lágrimas de Amyra, mas algumas caem dos olhos dele também, ainda que em menor proporção.

Amyra sorri e, ainda chorando, o abraça. Hemon também sorri, enquanto afaga os cabelos dela.

Join MovellasFind out what all the buzz is about. Join now to start sharing your creativity and passion
Loading ...