O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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13. Eu serei seu campeão

 

Quando Hemon acorda e vê Amyra dormindo a seu lado, abraçada á ele com o rosto pleno e tranquilo, ele sorri tomado por sentimentos bons que quase o sufocam. Finalmente entende o que é sentir-se completamente feliz. Agradece mentalmente aos deuses por tamanha benção. 

Ele dá um beijo na testa dela com cuidado para não acordá-la, sai da cama, se arruma e desce.

 - Está mais sorridente que o de costume, meu filho. – Lorde Alston diz para Hemon. – Algum motivo em especial?

- Ah... bem... – Hemon procura por algo para dizer, claro que não dirá o verdadeiro motivo. Discrição sempre foi um de seus pontos fortes. – É que Amyra recebeu um pombo mensageiro de Jardim das Águas, Myrcella está grávida.

- Sei disso, mas esse seu sorriso largo tem a ver apenas com a gravidez de Myrcella?

- Sim, pai. Claro. – Hemon toma um gole de suco para não ter que falar mais nada.

Amyra chega e se senta ao lado de Hemon. Eles se beijam e surpreendem Alston. Ainda que seja um beijo rápido e tímido, nunca fizeram isso. Lorde Alston sorri de alegria ao ter a confirmação do que já suspeitava: eles se acertaram. Quer vê-los felizes.

- Me acorde da próxima vez, me sinto péssima chegando atrasada. – Amyra pede á Hemon.

- Não tive coragem de acordá-la, você parecia tão confortável. – Hemon diz.

Alston Forthwind continua vendo a cena de carinho por mais algum tempo antes de interrompê-los.

- Amyra, comprei uma égua para seu amigo. – Lorde Alston diz. – É uma puro-sangue Dornesa belíssima.

- Mesmo? – Amyra pergunta.  – Dark Wind vai adorar a companhia. Acho que ele se sente um pouco tristinho por ficar separado dos demais cavalos, Hemon não me deixa colocá-lo com os outros, acredita? – Amyra diz em um tom divertido.

- Isso é porque os outros cavalos são soldados. – Hemon se defende. – Dark Wind não se daria bem com eles, você o mima demais.

Os três sorriem e conversam sobre outras amenidades. 

Amyra tem certeza, a felicidade chegou para ela. 

 

*****

 

Oberyn acorda atordoado por conta do excesso de vinho que bebera na noite passada. Olha ao redor e encontra seus amantes, duas mulheres e um homem, nus e dormindo. Sorri ao se lembrar da diversão que tivera, mas adoraria que Ellaria estivesse ali com ele.

Sendo o nobre que é, sabe que o dever o chama. Ele se levanta, lava o rosto e se troca.

Quando Tyrion Lannister foi preso acusado de matar o rei Joffrey e, posteriormente, exigiu um julgamento por combate, ele encontrou a chance perfeita para colocar seu plano de vingança em prática. Montanha estuprou e assassinou sua irmã, assim como assassinou também seus sobrinhos. Lutando a favor de Tyrion, ele pode vingar os assassinatos, conseguir uma confissão de Montanha e matar os mandantes do assassinato de sua família.

Ele passa a manhã com Cersei Lannister e ouve todos os detalhes odiosos com que ela conta as histórias sobre o irmão Tyrion. Apesar de odiar os Lannister, ele sabe que ela exagera por causa do ódio que sente, sabe que Tyrion não é o monstro que ela diz ser. Mais uma vez se certifica: Fará a coisa certa. 

 

*****

 

Tyrion está sujo, desanimado, sentado no canto escuro e úmido da masmorra, com a cabeça baixa e o olhar perdido. Ele ainda não havia conseguido alguém para lutar a seu favor e o tempo está se esgotando.

Oberyn entra sem anunciar, surpreendendo Tyrion.  

- Imaginei que você ainda estivesse no bordel uma hora dessas. – Tyrion dispara.

- Sim, eu passei algum tempo me divertindo com alguns trabalhadores incríveis de lá. – Oberyn diz enquanto coloca uma tocha em uma das bases para iluminar um pouco o lugar.

- Oh, por favor, me conte mais sobre isso. Aqui embaixo existe todo tipo de sujeira, exceto a do tipo que gosto. 

Apesar do rumo desesperador que sua vida esteja tomando, Tyrion tenta se manter positivo através do humor. 

- Estive com sua irmã hoje. – Oberyn diz. Puxa um pequeno banco de madeira e se senta em frente à Tyrion. - Conversamos muito sobre você. Ela lhe odeia e quer muito que você morra, embora tenha tentado esconder suas verdadeiras intenções enquanto conversávamos.

- Minha irmã sabe fingir muito bem, mas creio que seu ódio por mim seja grande demais para conseguir esconder.  

- Sabe, isso é raro, encontrar um Lannister que compartilhe de meu entusiasmo por Lannisters mortos. Ela quer desesperadamente te ver morto.

- Ela nem precisava lhe incomodar com isso. Parece que eu mesmo me encarreguei de encomendar meu assassinato. – Tyrion sorri tentando fazer piada com sua situação, mas claramente tem medo. – A alegria que ela sentirá quando minha cabeça for separada de meu corpo... ela tem querido isso há muito tempo já.

- Sim, eu sei. Sabe, nós já nos encontramos antes, você e eu. Há muitos anos atrás.

- Acho que eu me lembraria disso... – Tyrion o olha com dúvida.

- É improvável, você havia acabado de nascer. Meu pai nos levou, a mim e a minha irmã Elia, para visitá-lo em Rochedo Casterly. Era minha primeira viagem para tão longe de Dorne e eu detestei absolutamente tudo lá. Odiei a comida, o clima, seu sotaque estranho. Mas meu maior desapontamento foi você.

- Então você e minha família tem mais em comum do que você admite. – Tyrion diz tristemente. 

- Tudo o que as pessoas falavam, no caminho inteiro de Dorne até Rochedo Casterly, era do filho monstruoso de Tywin Lannister que havia nascido. Um corpo minúsculo, uma cauda entre as pernas, garras, olhos vermelhos, partes íntimas de menino e de menina ao mesmo tempo. Quando encontramos sua irmã ela nos prometeu que nos levaria até você. Perguntávamos todos os dias, e todos os dias ela protelava. Mas então um dia ela e seu irmão nos levou até seu berço e ela revelou a aberração...  – Oberyn faz um movimento de pano sendo retirado de algo. – Sua cabeça era um pouquinho larga, seus braços e pernas um pouco curtos, mas não havia garras, nem olhos vermelhos e nem muito menos uma cauda entre suas pernas, apenas um pintinho rosa. Nem conseguimos esconder nossa frustração. “Isso não é um monstro” eu disse a Cersei. “É apenas um bebê”.  E ela disse “Ele matou minha mãe...”. E então ela apertou seu pintinho tão fortemente que pensei que ela fosse arrancá-lo, até que seu irmão a fez parar. “Não importa”, ela disse, “Todos dizem que ele morrerá logo e espero que eles estejam certos. Ele não deveria ter vivido tanto tempo”.

Tyrion fica em silêncio por alguns segundos, digerindo a história e pensando em como sua irmã sempre o odiara. Lágrimas escorrem de seus olhos e ele não consegue disfarçar a tristeza de ouvir tais coisas.

- Bem... – Tyrion diz ainda com tristeza na voz. – Cedo ou tarde, Cersei sempre consegue o que ela quer.

- E quanto ao que eu quero? – Oberyn pergunta. – Justiça para minha irmã e os filhos dela?

- Se você quer justiça, você veio ao lugar errado.

- Eu discordo. – Oberyn respira fundo e se levanta. – Eu vim para o lugar perfeito. Quero fazer justiça contra aqueles que me machucaram, machucaram minha irmã e meus sobrinhos, e todos eles estão bem aqui. Vou começar por Sor Gregor Clegane, que matou os filhos de minha irmã, e depois a estuprou, com o sangue deles ainda em suas mãos, antes de matá-la também. – Oberyn volta a pegar a tocha e a levanta acima da cabeça, para que Tyrion o veja melhor. – Eu serei seu campeão.

Tyrion mal consegue acreditar no que acabara de ouvir. Tomado por alívio e esperança, ele sorri e chora ainda mais. 

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