O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

0Likes
0Comentários
104Views
AA

8. Eu preciso de você

Amyra se debate na cama e solta gemidos de horror abafados e palavras indecifráveis. Está completamente suada e seus olhos ainda estão fechados, mas tremem violentamente. Ela ainda dorme, mas o pesadelo que a atormenta parece real: Está amarrada e sangrando. Ramsay a olha e sorri, um sorriso largo, rasgado e demoníaco. Dentes pontiagudos e não-humanos se revelam dentro da boca rasgada. Com as mãos ensanguentadas – com o sangue de Amyra – ele se aproxima dela e passa as mãos por suas pernas.

- Sinto sua falta, meu amor. Sinto falta de machucar algo. – Ramsay diz em uma voz grave e ameaçadora.

- Pare, por favor! - Amyra grita, desesperada. O horror que sente é absoluto e esmagador.

- Eu já disse que odeio quando você implora, Amy querida. - Ele sobe as mãos até o pescoço dela e a sufoca.

Amyra acorda assustada, ofegante. Sentada na cama e sentindo-se completamente amedrontada, ela olha ao redor. Passa as mãos no pescoço e respira aliviada quando descobre que aquilo não é real, que foi apenas um pesadelo.

Ela se levanta e vai até a bacia com água que fica em cima de uma mesinha encostada à parede. Lava o rosto e respira fundo.

“Foi só um pesadelo, Amyra. Só um pesadelo”.  – Ela diz para si mesma em voz alta, tentando afastar a sensação ruim e opressiva que ficara depois do pesadelo.

Apesar de ser um pesadelo, ela terá de conviver com o peso dele pelo resto do dia. Já tivera pesadelos o suficiente para saber que é assim que funciona. As memórias se arrastam com ela como se fossem cadáveres que exalam um cheiro ruim.

Mas Amyra não está disposta a deixar que Ramsay atrapalhe sua vida, principalmente depois de morto. Ela coloca o vestido mais colorido que tem, arruma o cabelo com uma tiara de ouro, passa um pouco de óleo de rosas em pontos estratégicos do pescoço para deixá-la cheirosa e deixa o quarto. 

Não entende bem porque, mas seu coração bate um pouco mais acelerado ao imaginar que encontrará Hemon. Nota, espantada, que se arrumara para que ele a notasse também e não apenas para levantar seu espírito após o terrível pesadelo.

 

*****

 

Quando chega à sala de jantar vê apenas o sogro. Diz Bom dia com um sorriso e se senta, desapontada por Hemon não estar ali.

- Hemon já tomou o café da manhã? – Ela pergunta.

- Sim, ele acorda bem cedo. Está treinando agora. – Lorde Forthwind responde.

Ela assente e continua comendo.

- Leve um pouco de suco para meu filho, ele nunca sabe a hora de parar, provavelmente está desidratando no sol lá fora. – Ele ordena a criada. 

- Pode deixar que eu levo. – Amyra oferece.

- Imagine, querida. Termine seu desjejum.

- Já terminei. – Amyra limpa a boca com o guardanapo e se levanta, pegando a bandeja com suco das mãos da criada. Não sabe bem porque, mas sente uma necessidade grande de ver Hemon. É como se precisasse dele depois de ter aquele pesadelo, como se vê-lo pudesse melhorar seu humor.

Ela vai até o lugar onde Hemon treina com a bandeja nas mãos.

Quando chega ao lugar, fica um pouco em silêncio, observando-o. Não pretendia fazer isso, mas seus músculos se congelam quando ela o vê, ao mesmo tempo que seu corpo queima em uma contradição estranha.

Ele está sem camisa. Seu corpo musculoso brilha com o suor produzido pelo treino com a espada. Ele gira uma espada no ar, depois a traz para perto de seu peito, deitada, e então faz uma série de outros movimentos.

Amyra percorre o olhar por todo o corpo dele, sem perceber. Seu rosto queima, assim como todo seu corpo. Ao perceber o que estava fazendo, ela finalmente se move, pigarreando para chamar a atenção de Hemon, que olha para trás, para onde ela está.

- Seu pai pediu que eu trouxesse isso. – Ela diz enquanto coloca a bandeja em cima de uma mesinha que está ali. Não olha para Hemon pois está envergonhada demais. Ela sente como se ele pudesse ler os pensamentos pecaminosos que ela teve há pouco. – Ele disse que você nunca sabe a hora de parar de treinar e que se desidrataria nesse calor.

Hemon se enxuga e depois toma um pouco do suco que Amyra trouxera. Ela ainda olha para o peito dele mais uma vez e ele percebe. Sorri sem que ela note e continua bebendo o suco. 

- Ele pediu que você trouxesse? – Hemon pergunta.

- Na verdade ele pediu para uma das criadas, mas resolvi trazer eu mesma. – Amyra mantém o olhar desviado para o outro lado, evitando olhar para ele.

- Obrigado. Foi muito gentil de sua parte.

- Treinando com uma espada hoje? – Amyra aponta para a espada que Hemon usava. Sente-se estúpida assim que a frase sai de sua boca, mas ela fala besteiras quando está nervosa, como se fosse uma adolescente boba e apaixonada. 

- Sim, preciso me manter em forma com todas as armas para lutar e ensinar nossos soldados. Um bom líder faz isso.

- Há tanto tempo não treino, sinto-me enferrujada. – Ela sorri.

- Já tentou usar uma espada?

- Nunca, sou muito melhor com a lança.

- Como pode saber, se nunca tentou?

- Ah, não... espadas são pesadas e desengonçadas. Lanças são ágeis e muito melhores.

- Como pode saber, se nunca tentou? – Hemon repete, sorrindo desafiadoramente. - Venha, tente um pouco. – Hemon pega a espada e oferece à Amyra.

Amyra o olha em dúvida, mas ao ver que ele diz seriamente, aceita.

- Como eu suspeitava... pesada e desengonçada. – Amyra faz uns movimentos desajeitados com a espada.

- Você não está segurando corretamente. – Hemon diz.

Ele se coloca atrás dela e a puxa contra si pela cintura até ficarem colados. Amyra prende a respiração quando ele faz isso e seu coração bate descompassadamente. Ele então arruma as mãos dela para que ela empunhe a espada da maneira correta.

- É assim que se faz. – Ele fala baixo, com a voz grave, bem perto dos ouvidos de Amyra. Sabe que mexe com ela.

- Não parece tão difícil. - A respiração de Amyra falha e ela fica ofegante.

- Se treinar ficará tão boa quanto é com a lança. - Hemon a solta e se afasta.

- Quem sabe...  – Amyra devolve a espada para Hemon. – Agora se me der licença, preciso ir.

Ela volta para dentro do palácio apressadamente. Hemon sorri.

Join MovellasFind out what all the buzz is about. Join now to start sharing your creativity and passion
Loading ...