O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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7. Esse é meu lar

Rupert Bolton chega ao Forte do pavor sem que ninguém note sua presença. Vestindo uma longa capa preta que esconde todo seu corpo e parte de seu rosto, ele desce do cavalo, o amarra perto de um cocho para que o animal possa beber água, pega a bolsa de couro que carregava e entra no forte.

Ele é o irmão mais novo de Roose Bolton, e o único. Foi criado à sombra do irmão, sempre menosprezado pelos pais e alvo constante das brincadeiras maldosas do irmão Roose, que o humilhava e pregava peças nada divertidas, como bater nele até que perdesse a consciência e coisas do tipo. Um dia, cansado da maneira como era tratado, partiu com um grupo circense de madrugada, sem que ninguém o visse. Sua fuga não trouxe grande abalo para a família Bolton, pois o posto de futuro lorde sempre fora de Roose, nunca esperaram muito do pequeno Rupert. Seu pai inventou qualquer mentira sobre sua partida, fazendo todos acreditarem que ele havia morrido.

Mas Rupert estava de volta. Quando soube da morte do irmão e, posteriormente, da morte da cunhada e dos sobrinhos e da consequente quase extinção de sua família, resolveu tomar uma iniciativa. Após rir descontroladamente do fatídico destino do irmão que lhe atormentava e sentir um doentio prazer com a tragédia, decidiu que voltaria para Forte do pavor, tomaria o poder do lugar e se vingaria sendo ainda mais poderoso que o irmão jamais fora. Ele seria poderoso, seria temido e se transformaria em um homem que nem seu irmão e nem seu pai ousariam sonhar que ele se tornaria.

 

 

*****

 

 

Depois de voltar de Dorne com todos os despojos dados por Príncipe Doran e com a promessa de que nunca ficariam desamparados, o povo Nortenho se acalmou. Porém, as terras de Roose Bolton estavam entregues à própria sorte, sem um Lorde comandante para guiar as coisas e cuidar do lugar. O Forte está tomado por caos e desordem. Transformara-se em uma espécie de centro comercial, com pessoas vendendo e comprando todo tipo de coisas. Há muita sujeira, bêbados, pessoas caminhando e animais. 

Rupert se coloca no centro do hall principal do Forte e grita para que os presentes prestem atenção nele. Assim que ganha a atenção desejada, ele retira a capa e em um movimento rápido, desembainha duas longas e afiadas espadas.

As pessoas ficam boquiabertas. Não só pela agilidade que ele demonstra com as espadas, mas também por seu rosto. Rupert tem um ar sério, maldoso até. Qualquer um tem medo dele, mesmo que ele não abra a boca para dizer uma só palavra. O rosto marcado por cicatrizes profundas, frutos de brigas em tavernas, também ajuda a lhe dar um ar autoritário, sério e amedrontador. Ninguém ousa dizer nada. 

- Sou Rupert Bolton e esse é meu lar. – Ele fala ameaçadoramente. - Para aqueles que quiserem jurar sua lealdade a mim, prometo ser muito bom, mas para os que se rebelarem contra mim, prometo ser péssimo. Vocês têm que decidir isso imediatamente.

Os presentes se ajoelham diante dele, cheios de temor e respeito.

- Ótimo! – Rupert guarda as espadas. – Agora limpem esse chiqueiro.

O povo Nortenho, agora súditos de Rupert, o obedecem imediatamente.

 

 

*****

 

 

Hemon sai do conselho com a mente pesada e cheia de problemas. Agora que está de volta ao Palácio de Areia, sua agenda ficou lotada de deveres, pois além de ser o líder dos soldados – tarefa que seu pai lhe deu quando chegou, para aproveitar toda a experiência do filho – ele ainda precisa lidar com as atividades que um nobre, futuro Lorde, precisa encarar.

Ele vai para uma sacada, respirar. Seus olhos são chamados para uma cena de alegria e despreocupação que se desdobra no jardim. Amyra, com os cabelos revoltos e despenteados pelo vento, brinca com seu cavalo. Os dois pulam e brincam, íntimos, como dois irmãos que partilham dos mesmos sentimentos e da mesma alma. O cavalo trota ao lado dela, recebendo seus carinhos e se comprazendo de suas risadas. Amyra, por outro lado, mexe na crina dele, pula em seu pescoço e o beija sempre que consegue.

Hemon se esquece dos problemas e passa a admirar a cena. Seus olhos brilham e seu coração se aquece. Não consegue entender como pode amar Amyra com mais intensidade a cada dia, mas é exatamente isso o que acontece.

Ele desce as escadas correndo, com pressa, e logo chega ao lado de fora, onde sua esposa brinca com o cavalo que ele deu a ela de presente.

- Vocês dois parecem estar se divertindo muito. – Ele diz sorrindo.

Amyra para de brincar com o cavalo e se aproxima dele. Está despenteada, com uma das alças do vestido caída e as bochechas vermelhas pelo esforço. Para Hemon, ela está ainda mais linda e encantadora do que nunca. 

- Ele tem muita energia. – Ela diz com a voz falhando. Coloca a alça do vestido de volta no lugar e ajeita o cabelo.

- Ele ainda é praticamente uma criança, por isso tem tanta energia. Já encontrou um nome para ele?

- Dark Wind.

- Dark Wind?

- Sim. Ele é negro e é rápido como o vento.

- Dark Wind é muito apropriado. – Hemon se aproxima do cavalo e o afaga. Dark Wind aceita o carinho com muito gosto e relincha.

- Ele gosta de você. – Amyra constata.

Hemon sorri para Amyra. Ela fica linda com o cabelo bagunçado e ainda mais encantadora tentando arrumá-los.

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