O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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18. É só no que consigo pensar

 

Alguns dias se passam quando o mensageiro finalmente chega em Deserto Vermelho. Ele desce de seu cavalo, sacode o excesso de poeira das roupas e pede para falar com Lorde Hemon.

Hemon conversava com seu conselho quando um guarda fala sobre o mensageiro. Ele encerra a reunião e pede para que o mensageiro entre.

- Perdoe a impaciência, Milorde. Mas o que tenho para dizer é muito sério e de extrema urgência. – O mensageiro diz. Hemon nota o nervosismo em seu olhar e suas palavras e entende que o que quer que o mensageiro tenha a dizer, é realmente urgente, caso contrário teriam enviado um pombo.

- Não há problema nenhum, vá em frente. – Hemon diz preocupado.

- Príncipe Doran, Trystane, Myrcella e o bebê que ela carregava no ventre... estão todos mortos. – O mensageiro fala diretamente, sem rodeios.

- Como?! – Hemon se sente fraco por um momento e chega a quase cair. Ele se ampara na mesa, respira profundamente para que as lágrimas não saiam e endireita a postura. Receber essa notícia faz com que seu peito queime de dor, mas ele é senhor de Deserto Vermelho, não pode demonstrar fraqueza. – Você tem certeza disso?

- Sim senhor, certeza absoluta. Foram assassinados, Jardim das Águas foi pintada de vermelho com sangue real, Milorde. 

- Assassinados?

- Por Ellaria e as serpentes de areia.

- O que?! -  Hemon não consegue acreditar no que ouve. As quatro sempre foram bem tratadas, como se fizessem parte da família, assim como ele mesmo fora tratado. Nada daquilo faz o menor sentido. - Como? Porque? 

- Ellaria ficou transtornada com a morte de Oberyn, Milorde. Ela cobrou uma atitude do príncipe, mas ele se recusou a fazer alguma coisa, pois entendeu que a morte de Milorde Oberyn foi uma fatalidade, e uma que ele mesmo escolheu.

- Onde elas estão agora?

- Tomaram o trono de Jardim das Águas.

- Como elas podem matar o príncipe e o futuro herdeiro do trono de Dorne e saírem impunes? Ninguém fez nada?!

- Elas conseguiram fazer as cabeças de vários Dorneses, Milorde. Muitos deles odeiam Príncipe Doran agora. E provavelmente odeiam Lady Amyra também.

- Mas porquê? Doran sempre foi um excelente governador, todos sempre o amaram! – Hemon se controla para não gritar, pois o decoro de seu título não permite tal coisa, mas tem vontade de gritar de raiva.

- Ellaria sabe convencer as pessoas, Milorde. Ela disse coisas terríveis sobre a morte de Oberyn, difamou o príncipe e fez com que todos acreditassem que ele era egoísta e que não amava o irmão. Milorde Oberyn era muito amado, eles não aceitaram sua morte. 

- Oh, deuses... 

Hemon leva a mão ao peito, a tristeza é imensa. Ele fecha os olhos e inspira profundamente. Vai até a janela e observa Amyra acariciando Dark Wind. Ela ainda não havia se recuperado totalmente da morte do tio e agora teria de lidar também com a morte do pai, do irmão, da cunhada, que havia se tornado uma grande amiga, e do sobrinho, que ela nem mesmo chegou a conhecer. Conhecendo-a como ele a conhece, sabe que ela poderia até mesmo ficar doente. Ele não consegue mais conter as lágrimas. Chora por ter perdido sua família, afinal, eles sempre o trataram como a um membro da família, mas também chora por sua esposa que tem um coração puro e bom, bom demais para esse mundo cruel.

- Tome um banho, se alimente e descanse. – Hemon diz ao mensageiro com lágrimas nos olhos. – Obrigado por me avisar.

O mensageiro faz uma reverência cheia de tristeza e se retira.

 

*****

 

Hemon espera cerca de uma hora para poder avisar Amyra do que aconteceu. Ele precisa estar forte para ela. Bebe vinho até que as lágrimas parem de descer por seu rosto.

Amyra continua do lado de fora, com Dark Wind, mas não brinca com ele como sempre costuma fazer. Ao contrário, ela está sentada, quieta, e o animal lhe faz companhia. Ele parece entender o sofrimento dela, pois descansa a cabeça em seu colo como se quisesse curar o sofrimento. Ela pensa muito em seu tio. 

- Podemos conversar um instante? – Hemon pergunta estendendo a mão para ela.

- Claro. – Amyra pega na mão dele e se levanta.

Entram no palácio e Hemon a leva direto para o quarto. Precisam de privacidade agora.

- O que é dessa vez? Te conheço, sei que é algo sério. – Amyra tem um pressentimento ruim quanto a isso.

- Meu amor... nem sei como lhe dizer isso... – Hemon procura as palavras certas, mas a verdade é que isso não existe.

- Apenas diga, eu aguento.

Hemon fecha os olhos e inspira, buscando forças.

- Doran, Trystane e Myrcella... foram assassinados. - Hemon a olha, seus olhos estão úmidos e vermelhos. 

- Como? – Lágrimas escorrem dos olhos de Amyra instantaneamente. As palavras são jogadas em sua face violentamente, mesmo que Hemon tenha tentado ser cauteloso. Ela fica atordoada pelo poder destruidor que as palavras têm, como se fossem socos em seu estômago.  – Não... não pode ser verdade... – Suas pernas fraquejam e Hemon se aproxima dela e a segura pelos ombros. – Não... – Amyra perde as forças e cambaleia. Hemon a ampara. – Não, por favor... isso é mentira... 

- Sinto muito, meu amor... – Hemon chora com ela, não consegue mais segurar as lágrimas. 

- Porque?! – Amyra está sentada no chão, sem forças para continuar em pé. Seu corpo todo treme e seus músculos doem. – Porque isso está acontecendo com minha família? Ela está acabando... morrendo... um a um! – Seu choro se intensifica até que ela não consiga mais falar nada. Agora só há soluços e falta de ar. Seu peito queima, suas entranhas se reviram. 

Hemon se senta ao lado dela e a abraça. Passa os braços sobre os ombros dela. Permanecem assim por muito tempo, chorando e sofrendo juntos.

 

Algumas horas se passaram. Hemon e Amyra estão deitados no chão. Já não há mais choro em nenhum dos rostos, mas a notícia ainda amarga em suas gargantas. 

- Quem fez isso? – Amyra pergunta. 

Amyra nota que há algo no olhar de Hemon, uma mistura de raiva e incredulidade. Ele parece reticente quanto a dizer sobre os assassinos, parece querer poupá-la de mais sofrimento.

- Por favor, eu preciso saber. – Amyra implora.

- Ellaria e as filhas dela.

- O que? Porque?! – Amyra se coloca em pé de repente, tomada por raiva.

- Tem algo a ver com a morte de seu tio. – Hemon também se coloca em pé.

O olhar de Amyra fica nebuloso. Hemon não consegue decifrar o que acontece ali, se é dor ou raiva. Ela olha para baixo, quase chorando novamente.

- Preciso ficar sozinha. – Amyra pede.

Antes que Hemon pudesse dizer ou fazer algo, ela se vira de costas para ele e se dirige até a janela.

Hemon sai do quarto.

 

Olhando para o horizonte pela janela de seu quarto enquanto o sol se põe, Amyra ainda pensa em seu pai, seu irmão e sua cunhada. Pensa também no sobrinho que nem teve a chance de nascer. Recorda-se do quão feliz ficou ao saber da gravidez de Myrcella e mais lágrimas caem de seus olhos.

Sua família foi assassinada, completamente riscada do mapa de Dorne. Hemon é sua única família agora. Ela o ama mais que tudo, mas não pretende deixar as coisas como estão.  

É difícil aceitar o que Ellaria e suas primas fizeram, ela sempre as amou e as respeitou. 

 

*****

 

Hemon deixou Amyra sozinha durante o dia inteiro, mas agora sente que precisa ficar com ela, dar a ela todo o suporte e apoio em um momento tão delicado, exatamente como ela fez por ele quando ele perdeu o pai.

- Posso ficar aqui com você? – Ele pergunta ao se aproximar.

- Sim, por favor... não quero mais ficar sozinha.

Amyra corre para os braços dele. Abraça Hemon fortemente, descansando seu rosto no peito dele. Ela aspira seu perfume e sente seus batimentos cardíacos, isso é suficiente para ela se sentir um pouco melhor, mais segura. Hemon afaga os cabelos dela. Odeia vê-la assim, mas infelizmente essa é a vida. Não há nada que ele possa fazer além de estar ali para ela.

- Sonhei com eles agora há pouco, quando desmaiei de exaustão de tanto chorar. – Amyra diz ainda abraçada a Hemon. – Trys e eu ainda éramos crianças e estávamos sentados no colo de meu pai, ouvindo histórias. Os perfumes deles dois, as pequenas rugas na pele morena de meu pai, os cachinhos de Trystane... tudo tão vívido em minha mente.

Hemon sente sua camisa se molhar com as lágrimas mornas de Amyra, e ele mesmo derrama as suas. Ama-os tanto quanto Amyra ama e perde-los é difícil para ele também.

- Mas isso não vai ficar assim. – Amyra solta Hemon e o olha. – Estou cansada de perder aqueles que amo. Ellaria e as filhas dela traíram minha família.

- Elas pagarão por isso, mas não pense nisso agora.

- É só no que consigo pensar, Hemon.

- Você está nervosa agora, tomada por dor. Depois discutiremos isso de uma maneira melhor, mas por favor, não tome providências precipitadas.

- Não tomarei, fique tranquilo. Mas vou vingar a morte de minha família, nem que essa seja a última coisa que eu faça.

Hemon se assusta um pouco com a atitude de Amyra. Já a viu assustada e machucada antes, já conheceu um lado sombrio dela por causa de toda a dor que ela teve de suportar nos anos casada com Ramsay, mas isso é totalmente novo. Há algo de frio nos olhos de Amyra que ele nunca havia visto antes. 

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