O Guerreiro e a Princesa (Continuação de Salva-me)

Hemon Forthwind e Amyra Martell saíram do Norte com vida e chegaram à Dorne. Tudo parece bem, mas eles terão de continuar fortes e unidos, pois o Norte se lembra e muitos outros desafios se colocarão no caminho deles.

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22. A batalha do deserto

 

- Sei que não preciso dizer isso, mas... seja corajosa. – Hemon acaricia as mãos geladas de Amyra. Percebe o nervosismo que emana dela e tenta acalmá-la.

 

- Uma mulher pode ser corajosa quando está com medo?  - Amyra pergunta retoricamente, com a voz preenchida por medo.

 

- Lembre-se de minhas palavras, tudo acontecerá como tiver de acontecer. Os deuses estão ao nosso lado.

 

Hemon sorri e Amyra também. Chegou a hora.

 

- Eles virão a qualquer momento agora. – Jaime diz se aproximando do casal.

 

- Sim. Conheço a maneira de lutar das serpentes, elas gostam de surpreender. – Hemon diz.

 

- Felizmente para nós, temos você conosco. Elas não nos surpreenderão. – Jaime diz para Hemon. Ele é verdadeiro nas palavras, pois sempre admirou Hemon nos campos de batalha.

 

Os três estão em uma das torres ao redor do palácio, juntamente com alguns soldados atiradores de flechas. Outros atiradores estão nas demais torres, observando e esperando. Embaixo, nas entradas do palácio, mais soldados esperam. O mesmo ocorre do lado de fora do palácio. Os soldados Dorneses e os dos Lannister estão equipados com lanças, espadas e lanças.

 

- Vá para as masmorras e acalme as mulheres e as crianças. – Hemon pede à Amyra.

 

Amyra assente, mas antes de deixar a torre é puxada por Hemon.

 

- E fique lá, por favor. – Hemon pede. – Já conversamos sobre isso, mas quero me certificar de que você tenha entendido.

 

Amyra desvia o olhar, claramente não concordando com o plano que Hemon insistiu para que ela aceitasse. Diante da feição dela, Hemon levanta as sobrancelhas, implorando para que ela concorde.

- Está bem, farei como combinamos. – Amyra diz contrariada. – Ficarei lá embaixo.

 

- E tranque as portas. – Hemon pede. – Coloquei guardas lá, mas todo cuidado é pouco.

 

- Eu deveria ficar aqui e ajudar vocês. – Amyra diz indignada. – Fugir é coisa de covarde... você sabe que posso ajudá-los, sou capaz disso!

 

- Claro que é e exatamente por isso quero que fique lá. – Hemon argumenta. – Se tentarem algo contra as mulheres e as crianças, você terá de ajudá-las.

 

Amyra sabe que isso é apenas uma desculpa, que Hemon a quer longe dali. Sabe que é por amá-la que ele faz isso, mas odeia a ideia de deixá-lo lutando sozinho, especialmente em uma batalha que ela praticamente iniciou.

 

Ela os deixa, ainda que extremamente contrariada, e parte para as masmorras.

 

*****

 

O exército de Rupert e Ellaria avança em direção ao Palácio de areia. Rupert e as serpentes lideram os soldados.

 

Ellaria fica em Jardim das águas, aguardando. Reconhece que não sabe lutar tão bem quanto as filhas, por isso deixa isso para elas e para o cunhado. Além do mais, fica mais tranquila ao saber que Jardim das águas não ficará sozinho.

 

*****

 

Antes mesmo de chegarem a seu destino alguns soldados de Rupert reclamam do calor. Mesmo com toda a vegetação, eles suam, não estão acostumados ao clima Dornês. Alguns já estão desidratados por conta do calor e das roupas e espadas pesadas que precisam usar. 

 

Chegam ao destino. Alguns soldados já estão cansados e fracos, mas pararam de reclamar porque é chegada a hora de lutar.  Rupert sorri ao ver a quantidade de soldados em frente ao Palácio de areia.

 

- Essa batalha já está ganha. – Ele diz. – Veja a quantidade de soldados!

 

Ele e as Serpentes sorriem. Já se sentem vitoriosos.

 

 

 

Hemon e Jaime os observa.

 

- Chegou a hora. – Jaime diz.

 

Hemon assente, mas não diz uma palavra. Ele desce até onde a maioria de seus soldados está.

 

- Chegou a hora, soldados! – Hemon grita para os soldados, que prestam total atenção nele. Jaime também presta, olhando-o e ouvindo-o atentamente de cima da torre. – Hoje vocês provarão seus valores aos deuses. Batalharemos hoje por nosso príncipe, que foi covardemente assassinado pelas serpentes de areia. Coragem! Se marcharmos em direção à morte, que assim seja. Vocês são os melhores soldados de Dorne e eu tenho total confiança em vocês. Lutaremos até a morte contra nossos inimigos. Esse é nosso destino! Essa é nossa batalha! Esse é nosso lar!

 

Ao terminar ele levanta sua lança. Todos os soldados, das torres, de dentro e de fora do palácio, fazem o mesmo. Em uníssono eles gritam: “Insubmissos, Não Curvados, Não Quebrados! ”

 

Mesmo que esse não seja o lema da família Forthwind ou de seu exército, usam como um grito de guerra.

 

Jaime sorri, tomado pela mesmo força e esperança que Hemon e os soldados Dorneses, e até mesmo Lannisters. Sua filha terá sua vingança.

 

Hemon sobe em seu cavalo e vai para fora do palácio, onde mais soldados esperam. Ele toma à frente da batalha.

 

Rupert o observa de maneira desdenhosa. Seus lábios se repuxam na lateral de seu rosto, em um sorriso cínico.

 

Hemon faz um sinal com as mãos, sendo seguido pelos soldados.

 

Rupert, as Serpentes e seus soldados também avançam. São atacados com flechas e revidam. Alguns soldados, dos dois lados, caem.

 

Ao chegarem na entrada do Palácio, Rupert e Tyenne olham para Hemon com desdém. Hemon sorri confiante. Nesse exato momento, mais soldados saem de esconderijos nas laterais do palácio, entre a vegetação espessa que circunda o lugar, surpreendendo Rupert e as Serpentes.

 

Obara vê Jaime lutando e liga os pontos.

 

- Eles têm Lannisters com eles! - Obara grita.

 

Ao ver Jaime e os soldados com as cores da casa Lannister, Rupert recua um pouco, mas é tarde demais. Uma batalha sangrenta se desenvolve.

 

De cima de seu cavalo, Hemon acerta homens por todos os lados. Seu cavalo é atingido e ele cai. De costas e um pouco tonto, quase tem o pescoço cortado, mas consegue se levantar e matar o soldado inimigo. Quando se recupera, acerta um homem atrás do outro, em uma rapidez invejável.

 

Jaime acerta vários soldados com sua espada, com agilidade e rapidez, matando vários inimigos.

 

Nymeria acerta soldados Dorneses e Lannisters. Preparava-se para acertar mais um quando uma lança lhe atravessa o olho. Ela cai, sangrando, morta. Obara vê e grita pela irmã. Com extrema raiva, parte para cima do soldado responsável pela morte dela e parte a cabeça dele em dois com um pequeno machado que guardava na calça. Ensandecida, sai cortando cabeças e gargantas com muita rapidez. Jaime a encontra. Os dois se encaram por uma fração de segundo, mas que parece eterno. Obara se lembra do pai e da irmã que acabara de morrer e isso parece lhe dar mais energia. Parte para cima de Jaime e o acerta na bochecha, fazendo um corte profundo, mas sem o matar. Ele consegue desviar e ela se desequilibra, caindo.

 

- Eu não sei quem de vocês matou Myrcella, mas é você quem vai pagar por isso. - Jaime enterra sua espada na garganta dela.

 

Rupert tem medo. Fora surpreendido e teme por sua vida, mas sabe que não pode fugir. Ele vê Hemon lutando e se aproxima por trás, acertando-o na lateral do abdômen. Hemon grita com a dor lancinante que sente. Olha para trás, no momento exato em que Rupert levantava a espada para acertá-lo mais uma vez, mas consegue ser mais rápido que ele e o acerta na barriga. Rupert derruba a espada e se ajoelha por causa da dor e da fraqueza. Olha para Hemon uma última vez, com sangue saindo de sua boca em grossos filetes.

 

- Você não deveria ter ajudado aquelas traidoras. - Hemon faz mais pressão e enterra a espada de uma vez, matando Rupert.

 

A essa altura a maior parte dos soldados de Rupert e Ellaria estão mortos. Hemon, Jaime e os soldados sobreviventes continuam lutando.

 

***

Tyene olha ao redor e vê todos aqueles corpos inertes, derrubados no chão, todo aquele sangue. Procura por Amyra e se surpreende ao notar que ela não estava ali, lutando ao lado de Hemon. Ela sabe onde Amyra está. Conhece o Palácio, já estivera ali.

 

Ensanguentada, cansada, mas também determinada, ela desce até a masmorra.

 

Apesar de certa dificuldade, matou os dois soldados que estavam ali para cuidar das mulheres e crianças. 

 

Ela entra no local mal iluminado por algumas velas fracas e trêmulas. Ao entrar, faz todos se assustarem.

 

Amyra se coloca em pé ao vê-la e a encara desafiadoramente.

 

Tyene sorri ao ver a prima. Se aproxima dela vagarosamente.

 

- Vocês perderam, priminha. – Tyene diz.

 

- Impossível. – Amyra diz ainda de maneira desafiadora.

 

- Me acompanhe até o lado de fora e verá. Seu marido está com a barriga aberta e todas as vísceras para fora... eu mesma o matei! – Tyene quase grita, descontrolada. Sua prepotência a deixa rapidamente.

 

Mas Amyra não percebe. Seus olhos se enchem de lágrimas ao pensar que ela pode estar falando a verdade sobre Hemon.

 

Mulheres e crianças choram diante da mentira contada por Tyene.

 

- Você é uma mentirosa. – Amyra diz com a voz trêmula, mas mantendo uma postura firme. – Você matou minha família e pagará por isso. Você e toda a sua família de bastardas traidoras.

 

Em um movimento rápido, Tyene pega um menino do colo de uma das empregadas do palácio, filho dela. A mãe da criança chora, desesperada, assim como a criança, que grita e chora. Tyene aponta uma pequena faca, guardada no vestido, no pescoço do menino. Amyra se aproxima dela.

 

- Deixe-o ir, ele não tem nada a ver com isso! – Amyra pede.

 

- Eu vou matar esse menino, depois matarei você e depois matarei todas vocês! – Tyene grita, fazendo o menino chorar mais.

 

É nesse momento que Amyra percebe o desespero da prima. Ainda teme por Hemon, mas sabe que precisa parar Tyene antes que mais pessoas se machuquem.

 

***

 

Hemon, Jaime e os soldados do palácio e dos Lannister continuam lutando, apesar de a maior parte dos soldados inimigos já estarem mortos. Acabam com o restante rapidamente.

 

Tanto Jaime quanto Hemon, além dos soldados, já estão muito machucados e cansados.

 

Antes de derrubar o último inimigo, Hemon é atingido mais uma vez, agora nas costas. Esse machucado, somado ao que Rupert fez e diversos outros, faz com que ele perca muito sangue rapidamente. Começa a se sentir fraco a medida que mais sangue escorre dos ferimentos. Mata o soldado que o atingira e cai em seguida.

 

Jaime desenterrava a espada do peito de um inimigo quando olha para trás e vê Hemon caído. Mesmo cansado e também sangrando, corre até ele.

 

***

 

- Deixe-o ir, Tyene. – Amyra se aproxima mais da prima.

 

- Não! – Tyene grita. Está fora de si por ter perdido as irmãs, os soldados e também a batalha. Não vai deixar Amyra vencer, não dessa vez.

 

Rápida e precisamente, Amyra dá uma rasteira em Tyene, que desprevenida, deixa o menino cair. A mãe dele o pega. Tyene se volta para Amyra com ainda mais raiva.

 

- Eu vou matar você! – Ela grita para Amyra enquanto corre em sua direção.

 

Amyra corre para fora da masmorra a fim de tirar Tyene de lá e evitar que as mulheres e crianças se machuquem. Antes de saírem, Amyra pega sua lança, que estava encostada ao lado da porta.

 

Do lado de fora Amyra e Tyene engajam em uma briga corpo a corpo. Tyene tem apenas a faca, já que perdera sua lança enquanto batalhava.

 

Tyene avança sobre Amyra e corta sua barriga, rasgando o vestido e deixando uma marca ali, mas Amyra não se importa com a dor. Ela também investe contra Tyene, que tem a lateral de seu pescoço cortada.

 

- Vadia desgraçada. – Tyene grita quando é cortada.

 

Ela avança sobre Amyra novamente, mas dessa vez Amyra a esperava com a lança apontada para o peito. Tyene tem o peito perfurado. Ela olha para a prima e sorri com os dentes já manchados por sangue.

 

 Amyra não se arrepende. Ao lembrar-se do que Ellaria e as Serpentes fizeram com sua família, ela sente uma onda de raiva tomar conta de seu corpo. Ela empurra Tyene contra um muro, apertando a lança ainda mais contra ela.

 

- Vá para o inferno! – Amyra sussurra perto do ouvido de Tyene, que morre em seguida.

 

Amyra nem mesmo retira a lança do peito de Tyene, apenas a deixa ali, caindo devagar e já sem vida com a lança ainda enterrada no peito, e corre para a frente do palácio. Encontra um cenário típico de guerra, com corpos humanos e de cavalos por todo o lugar, além de muito sangue. Ela percebe que a batalha havia chegado ao fim, mas ainda não sabe quem venceu.

 

Corre desesperada gritando pelo nome de Hemon. Seus olhos se enchem de lágrimas ao imaginar que ele possa estar morto, que Tyene pudesse estar dizendo a verdade sobre a morte dele.

 

Vê muitos soldados Lannisters e Forthwind vivos e isso a deixa um pouco mais aliviada, mas ainda precisa encontrar o marido.

 

- Vencemos, Milady... Vencemos! - Um soldado Forthwind se aproxima para dar as notícias.

 

- Onde está Hemon? - Ela pergunta preocupada.

 

Nesse momento ela vê Jaime carregando Hemon para dentro do palácio, com o meistre a seu lado. Ela corre atrás deles e também entra.

 

- O que aconteceu? – Ela pergunta chorando.

 

- Lord Hemon foi atingido, mas cuidarei disso, não se preocupe. – O meistre diz.

 

A porta do quarto se fecha.

 

Jaime sai segundos depois. Está muito machucado e cheio de sangue, mas não corre perigo algum.

 

- O que aconteceu? – Amyra pergunta nervosamente, com lágrimas escorrendo por seu rosto.

 

- Ele foi atingido e está perdendo sangue.

 

- Deuses! – Amyra leva as mãos até a boca e começa a chorar.

 

- Ele vai ficar bem, Lady Amyra. – Jaime coloca a mão no ombro dela. – Ele é forte.

 

Amyra assente, mas continua chorando.

 

***

 

Algumas horas se passam. Com todas as feridas limpas e tratadas, Jaime espera ao lado de Amyra por alguma novidade sobre Hemon.

 

O meistre sai e Amyra praticamente pula na frente dele.

 

- Como meu marido está? - Ela pergunta desesperada.

 

- Não acordou ainda, Milady, mas já fizemos curativos e estancamos o sangramento. - Ele responde. - Ele vai ficar bem, não se preocupe. A senhora pode vê-lo agora.

 

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