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  • Publicado: 30 jan 2017
  • Últimas Atualizações: 30 jan 2017
  • Status: Movella acabada
-Tem um cara aqui dizendo que precisa falar com você. E ele não se parece nada com Matheus... Hummm...
- Michael...- Suspirei. Leo era meu parceiro de trabalho. - Já estou descendo.
- Tenho certeza que ele vai esperar, Lise.
Certo, Leo Bernard estava na entrada no prédio e Michael provavelmente estava aproveitando da situação para fazer piadas. Peguei meu celular e as chaves do apartamento e desci atrás do que seria meus pontos para a faculdade.
E esse trabalho daria certo?

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2. Capítulo 2

 

     Procurei a chave. Precisava abrir a porta antes que Eveline aparecesse.

- Como vai, Elise?- Eveline apressou a dizer como se eu realmente estivesse fugindo dela. 

- Boa tarde, senhora Eveline.

- Olá, como vai a senhora? - Leo disse em seguida. Eveline o observou atentamente. Sabia o que estava questionando.

- E você é?

- Meu...- não diga colega...- amigo.

- Sou Leo.

- Leonardo, como o cantor.

- Não, só Leo. Minha mãe não gostava de nomes grandes, Ana. - Eveline olhou com desprezo o comentário. Adorava o amor que ela exalava pelos corredores. 

- Preciso ir agora. Qualquer coisa me chame.

- Claro. - repondi educadamente. 

- Me referi ao garoto.

      Fingi não prestar atenção no sorriso de Leo e finalmente abri a porta. Havia arrumado a sala para caso de minha irma não chegar na hora. 

       Talvez Leo nunca tivesse entrado em um apartamento minúsculo. Desde quando Leo Bernard resolveu fazer um trabalho com a CDF.

- Você mora aqui sozinha?- Ele perguntou enquanto sentava no sofá. 

- Com minha irmã.

- E seus pais? - Leo abriu a mochila e tirou um notebook. -Trabalhando?

- Eles não moram aqui. Viajam a trabalho, são médicos voluntários.

- E você vive sozinha?

- Eu já disse que tenho uma irmã. - Ele riu, enquanto checava o celular.

- E ela é mais simpática que você, Young?

- O que preciso fazer para acabar logo com isso?

      Leo balançou a cabeça, sabia que ele estava ignorando algum pensamento, as vezes também fazia o mesmo. O notebook revelou uma foto colorida com uma garotinha sorridente abraçada a um menino com toca de panda, eles pareciam estar brincando de alguma coisa, nem percebi que também estava sorrindo. 

- Sua irmã? - A pergunta escapou sem eu menos notar.

      Leo não demorou muito para colocar a senha na tela e destravar o acesso a uma página azul com Edward mãos de tesoura ao fundo. Apenas balançou a cabeça.

       Peguei meu caderno de literatura que tinha desde o ensino médio e revi alguns livros importantes. Leo abriu a página do aplicativo que estava trabalhando.

- Ainda não dei um nome. - Ele pegou o celular e comparou alguns números com a tela. - O que você deve saber é que minha tarefa é criar um aplicativo que tenha a ver com leitura, mas não pensei nada óbvio ainda. Quem sabe um organizador de leitura ou resenhas online. Não sei bem.

- Então por que a minha ajuda se você nem sabe o que faz?- Leo conteúdo o riso, não estava achando graça.

- É o seu trabalho, Young. - Suspirei, não chegaríamos a lugar nenhum desse jeito. 

- Já pensou em fazer um livro virtual de resenhas e salas de debates? 

- Teria graça? Você baixaria? - Bela pergunta, era comum.

- Não... Eu meio que tenho um aplicativo melhor. 

- Então pense em uma coisa melhor.

       Pensar em um aplicativo em que jovens/adolescentes queiram baixar por livre vontade e escolha, sem nenhuma relação educacional com um professor passando um link na lousa acreditando que desse modo a educação pode ser totalmente dinâmica acompanhando o avanço tecnologico. Questão complicada. Não, não quero responder podemos ir para a próxima?

- Qual é a da mulher lá fora? Você é uma psicopata maluca que traz vitimas para seu apartamento minúsculo?- Leo me observava rindo, nem havia notado que estava há um bom tempo pensando olhando para o nada.- Preciso do telefone dela.

- Psicopata já é maluco, é redundante. E ela vive fiscalizando quem entra no prédio. - Respondi, era uma parte da verdade. Não precisava contar dos bombeiros, do interfone, do cachorro e das panquecas. - Ela não gosta que eu e minha irmã fique aqui, acho que tem a ver com sermos muito novas para isso na concepção dela.

- E isso resume o fato dela achar que você não é alguém confiável?

- Ah...ela talvez tenha o pré conhecimento dela. Quem sou eu para julgar?

- Acho que a garota que ela fala mal. - Ele riu. Ótimo, então é isso que ele chama de trabalho. - Mas ainda preciso do telefone dela.

      Leo Conquistador Bernard.

- Por precaução.

- Claro. Agora pense em um aplicativo. - Disse por fim.

      Ele não contestou, apenas voltou ao seu notebook. Peguei meu caderno e listei alguns livros e análises foi quando surgiu uma ideia vaga. Observei Leo que parecia absorto com as ferramentas digitais, pensei em como faria o para explicar.

- Que tal um marketing literário? 

- Marketing literário?- Ele perguntou e nem eu sabia como explicar.

- Mais ou menos. Na verdade uma rede social literária onde poderiam postar resenhas, fotos, citações, frases sobre livros tanto clássicos como modernos, atuais e novos. Para dar dica de leitura e até mesmo ajudar estudantes no vestibular. O que você acha?

       Leo não respondeu, mordeu o lábio inferior depois passou a mão no cabelo. Aquele 97% que diz Não.

- É muita coisa, Young. - Ele tamborilou os dedos na tela do notebook. - Mas...compro sua ideia. Vou ter trabalho para a vida inteira em uma só noite porque tenho de entregar isso sexta.

      Sexta que no caso seria amanhã.

- Então você vai fazer uma rede social literária?

- Provavelmente, existe muitas outras Elises em Escolas por aí precisando de algo igual. A menos é claro que você tenha uma ideia melhor. O que você gostaria?

      O que eu gostaria? Boa pergunta. Talvez algo que me auxiliasse como uma rede para publicar edições até mesmo para fazer capas caseiras de livros. Mas eu queria mesmo um bom bloco de notas.

- Bloco de notas que não excluísse os textos do nada.

- Isso meio que não tem muito a ver com literatura. - Havia me esquecido disso. - Algo escolar talvez.

       Escolas.

- Um aplicativo de interação para uso escolar...

- Escolar...- Ele repetiu e minha cabeça encheu de ideias.

- Escolas literárias, alunos são ótimos em não saber escolas literárias.

- E o que é isso?- Ele riu. Otimo, era o que faltava.

- É sério? 

- Claro que sei, só queria ver sua reação dizem que leitores maníacos tem mini ataques cardíacos com erros gramaticais e lógicos da língua. - Eu sorri, Leo estava tentando conversar. Mas ele estava tentando de maneira errada.

- Nem tanto.

- Vai ficar me corrigindo?

- Não, não sofro de pedancia gramatical.

       E a noite chegou junto com leituras, aplicações, códigos, imagens e muito estudo. Por sorte nenhum professor havia passado trabalho para o fim de semana e eu não tinha aula sexta o que era ótimo. 

       Fiz alguns resumos enquanto Leo programava em seu notebook. Tudo estava silencioso, era o melhor modo de estudar.

- Modernismo é atual? - Leo perguntou.

- Não precisa se fazer de burro para que eu converse.- Ele sorriu e eu tentava não achar a cena engraçada.

- Não, eu ainda quero ver você tendo um mini ataque cardíaco. - Nós rimos.

       A campainha tocou.

       Estranho, tinha certeza que havia explicado para Michael ligar pelo interfone caso alguém chegasse.

- Esperando visita, Young?

       Não respondi, apenas segui até a porta e a abri.

- Oi Elise. - Ele disse ao me ver, podia sentir Leo esticando o seu pescoço atrás de mim, mas antes de se apresentar.

- Precisa de alguma coisa?

- An...não. Não. - Matt respondeu. Nas suas mãos havia uma sacola de compras. Provavelmente, passou pela portaria. Michael.- Só passei para ver se você estava bem e se precisava de algo.

- Hum...não. Obrigada Matheus.- Tentei fechar a porta.

- Michael disse que você trouxe um amigo.- E?

- É... Hum... É um colega de trabalho para faculdade.- Tentei novamente fechar a porta.

- Você está bem? Precisa de alguma coisa? Ele está ajudando?

- Matheus! - Tentei falar baixo mas Leo já devia ter ouvido tudo.- Por que te interessa?

       Matheus suspirou e eu podia ler as palavras em seus lábios, porém não disse.

- Só me importo com quem você traz para esse prédio.

- Fique tranquilo, Eveline já cuidou de tudo. Boa noite, Matheus.

       Ele balançou a cabeça mas se afastou. Claro que eu também achava errado trazer alguém que eu mal conhecia para o meu apartamento em uma quinta feira, entretanto não tinha uma outra escolha e minha tutora confiava nele. E eu por mais estranho que parecesse conhecia Leo.

       Voltei para a sala, Leo agora estava sentado no tapete com uma cara curiosa. Segui para a cozinha, estava com fome e um lanche não seria ruim.

- Quem é o cara?- Ele perguntou vidrado na tela. Então ele não quer Saber quem é o cara.

- Matheus, o meu vizinho.

- Ele é filho da mulher louca?- Eu ri, não era complicado.

- Não, ele é meio que meu ex namorado.- Peguei a sanduicheira, lanche é perfeito. Leo parou o que estava fazendo e me observou na cozinha americana. É, casa pequena tem que aproveitar o espaço nada melhor que fazer um balcão mesa.

- Seu ex mora no mesmo corredor que você?

- É, no ultimo apartamento, mas somos amigos então não é ruim.

- Quer dizer que um ex que mora no mesmo corredor que você que vem te ver todo dia, principalmente quando você traz um rapaz para o apartamento é normal? - Peguei os pães e coloquei presunto, queijo, tomate e maionese. - Espera, quanto tempo vocês terminaram?

      Coloquei os pães na sanduicheira depois peguei copos para colocar refrigerante.

- Sete meses. - Respondi.

- Sete meses? - Leo virou para me encarar mas por algum motivo eu não queria olhar nos olhos dele. - E não teve ninguém? Quer dizer, você já trouxe algum cara aqui depois disso?

- Hum...não. - Peguei a bandeja.- Você meio que é o primeiro.

- Qual é o problema de vocês? Um ex que não se toca do término e uma garota que não sai da casa. Você vive?

- Matheus é um garoto legal.

- Sua irmã é mais esperta que você?- Levei a comida até a sala, sentei ao lado dele no tapete.

- Fica tranquilo você não vai conhece-la, ela está na casa de amigos hoje.

- Por isso pediu para eu vir? Para que ninguém me visse?- Ele riu e eu dei de ombros.- Ele vai voltar.

- O que? Não.

- Não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Eu estou aqui, Young. Já é motivo suficiente.

       Leo pegou um sanduíche enquanto eu comia o meu, ele colocou o notebook na mesinha de centro, por estar de short notei que sua perna estava vermelha resultado do calor do aparelho. 

- Você não é um motivo suficiente.- Respondi. Ele riu.

- Eu ser um garoto então, Young.

       Terminei meu sanduíche e peguei o notebook dele que realmente estava quente, coloquei uma blusa de moletom que eu estava embaixo. Observei a tela com pixels e alguns controles em inglês que eu não fazia ideia do que significava. Leo me encarava pensativo e eu tentava entender alguma coisa.

- Por que Young?- Ele perguntou enquanto lia algo relacionado com Romantismo Segunda Geração.

- É Iniciais do meu nome de trás para frente, foi Michael ele ama anagramas. Elise Gilianouy, GNOUY.

- Você realmente vive em um ambiente estranho.

       O tempo foi passando. Leo estava concentrado em seu notebook e eu olhava seu trabalho de vez em quando respondendo a algumas perguntas. Já eram oito horas da noite quando resolvi que ficar parada em silêncio não era uma opção.

       Levantei do sofá e segui novamente para a cozinha.

- Você não tem cara de quem come tudo.- Leo disse ainda vidrado na tela do computador. Sorte, porque não me viu rindo.

- C'est la vie.- Respondi. - Talvez café me mantenha acordada.

- Sei... Estamos falando muito. - Ele riu. - Já estou terminando, Young. Tenha paciência.

- Eu não disse nada Bernard.

- Bernard? - Ele olhou para a cozinha, deixando o notebook de lado. 

- É, tipo o seu nome.

- Tipo Leo Bernard? - Ele coçou a nuca. - Ninguém me chama assim só... An...me chame de Leo.

- Tanto faz.

- Tanto faz, Young. - Ele me imitou e acabei rindo. - Por que não gostaria que me visse? Você é popular demais para andar comigo?

- Não.- Eu ri, não tinha como ficar séria. - Não é todo mundo que se adapta a isso.

- Hum... Isso explica o porquê de você destestar minha companhia. Mas enfim, terminei. Me passa o seu celular.

- O que? Por quê?

- Para eu testar o aplicativo. 

        Voltei a sala com a caneca fumegante de café e entreguei meu celular , queria saber o porquê dele não utilizar o dele, mas já era tarde para perguntas.

       Leo mexeu no celular digitando rapidamente alguns números que pareciam ser um código de acesso. Ele estava vidrado no celular o que significava que não o receberia de volta tão cedo. 

      Olhei para o copo de café quente e por um instante nem se notava que havia pessoas na casa, o silencio prevaleceu.

- Pronto, Young. - Leo entregou meu celular depois fechou a tela do notebook.- Acho que vai dar certo.

- Tem certeza?

       Observei seus olhos que pareciam sorrir sozinhos. Sabia qual era a resposta.Ele levantou e pegou a mochila ao lado no tapete e colocou o notebook lá dentro.

- Bem...espero que dê certo.- Ele disse colocando a mochila nas costas.

       A luz fraca da sala iluminava os fios do seu cabelo, nem parecia que estava bagunçado, talvez esse fosse o Leo verdadeiro que se escondia agora em um apartamento minusculo de uma garota que ele mal conhecia. 

       Ele pegou o celular até então em cima da mesinha do centro e seguiu até a porta.

- Precisa que eu te acompanhe?- Perguntei, mas ele não disse nada apenas sorriu e abriu a porta.

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